Cearense cria loja de insumos para fabricação de cervejas em casa


Cearense cria loja de insumos para fabricação de cervejas em casa

Com o objetivo de difundir a prática, Julio passou a ministrar cursos para pessoas que desejam aprender a fazer cerveja artesanal

Por Renata Monte em Perfil

21 de janeiro de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Empresário e formado como Sommelier, Julio degusta e analisa cervejas (FOTO: Arquivo Pessoal)

Empresário e formado como Sommelier, Julio degusta e analisa cervejas (FOTO: Arquivo Pessoal)

A cerveja é a terceira bebida mais consumida no mundo, perdendo apenas para a água e o chá. A iguaria é fabricada desde 6.000 a.C, quando era produzida por egípcios, sumérios, mesopotâmicos e ibéricos. A bebida também é uma das paixões dos brasileiros e produto do hobby favorito do empresário cearense Júlio Costa, que fabrica a própria cerveja e ministra cursos para ensinar outras pessoas a fazer cerveja caseira.

Júlio tem uma distribuidora de bebidas. Começou o empreendimento, há vinte anos, vendendo latinhas de cerveja na cabeça, durante o Fortal – tradicional carnaval fora de época de Fortaleza. Sempre foi apaixonado pela bebida e formou-se pela Doemens Academy, em São Paulo, como sommelier – profissão responsável por degustar e analisar cervejas.

O empresário conta que foi a partir deste gosto por experimentar cervejas de qualidade que surgiu o hobby de fabricar a própria. “Fazer cerveja é quase uma terapia. Você deixa sua rotina de lado para se dedicar àquilo. É uma alquimia, é quase um filho. A primeira vez que eu fiz minha própria cerveja, eu quase chorei”, afirma.

Questionado sobre qual é a melhor cerveja, Júlio afirma que é a sua. “A melhor cerveja é a minha, é a que eu fabrico, porque ela é do jeito que eu quero, com os ingredientes que eu gosto”, explica. Entre as bebidas comerciáveis e conhecidas popularmente, ele também desacredita que haja uma melhor do que a outra. “Cada cerveja tem um estilo e um propósito. Cerveja para ser boa depende do momento que vai ser degustada, do humor de quem bebe. Há uma série de fatores que interferem nisso”.

Para Júlio, fazer sua cerveja é quase uma alquimia (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Para Júlio, fazer sua cerveja é quase uma alquimia (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Júlio enfatiza que no início de sua produção caseira, era mais difícil e mais caro adquirir os ingredientes necessários. “As importadoras só estão no Sul e no Sudeste do Brasil. O nicho de mercado delas é para atender apenas essas regiões. Quando eu comprava uma saca de malte por R$ 100, por exemplo, o frete era o dobro do valor da mercadoria”, afirma. A partir disso, o cearense entrou em contato diretamente com as distribuidoras internacionais e trouxe os insumos para o Ceará pelo preço real.

O sommelier também analisa a cena cervejeira brasileira como atrasada, comparada a outros países. “Eu comecei a viajar para os Estados Unidos e vi que eles estão há, pelo menos, vinte anos na frente do Brasil. A maioria das cervejas brasileiras são de sabor simples, feitas apenas para matar a sede”.

O cearense, que faz parte da Associação dos Cervejeiros Artesanais (Acerva), conta que fabricar a própria cerveja não é “um pozinho instantâneo”. Entre extrair os açúcares do malte, moer o produto, misturá-los com água, filtrá-los, adicionar os ingredientes que deseja, ferver e resfriar pode levar de três semanas a um mês. Apesar da demora, o lado bom é que além de “terapêutico”, a fabricação pode sair mais barata para o bolso de quem produz. “Dependendo dos ingredientes que você quer colocar, um litro da sua cerveja pode chegar a custar oito reais, por exemplo. De 30% a 40% mais barata do que uma cerveja popular”, conta.

Com o objetivo de difundir a prática, Julio passou a ministrar cursos para pessoas que desejam aprender a fazer cerveja artesanal. Abriu a própria loja, Beer Planet, de equipamentos e insumos para a fabricação caseira. Seu curso introdutório tem duração de quatro horas, para iniciantes. Ele garante que o cliente sai sabendo fazer uma cerveja básica. Quem quiser aprofundar a técnica, passa para outros níveis de estudo. “Fazer cerveja é que nem faculdade. Se você quiser ficar especialista em algo, tem que estudar e treinar. Passar para uma pós, um mestrado, um doutorado”.

Júlio comprou uma casa onde montou sua loja de insumos e equipamentos e ministra seu curso (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Júlio comprou uma casa onde montou sua loja de insumos e equipamentos e ministra seu curso (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Sobre a história da bebida, ele conta que na antiguidade, a cerveja era considerada um alimento, com doses diárias até para crianças. “O ato de fazer cerveja era papel doméstico, era papel da mulher, antigamente. Quando isso passou a ter uma lógica mais mercadológica, o homem se apropriou da prática. Hoje, é muito difícil encontrar uma mulher nesse meio, fabricando a própria cerveja”, afirma.

Para Júlio, o que ele faz não é uma “gourmetização” da bebida. “Meu objetivo não é esse. Não quero uma cerveja gourmet. Quero apenas popularizar essa técnica”, explica. O sommelier acredita que a cerveja deve ser mais do que uma simples bebida. É o que ele chama de cerveja contemplativa. “Você toma um dedinho, degusta, harmoniza com o momento. Cerveja para mim é assim”.

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Com o objetivo de difundir a prática, Julio passou a ministrar cursos para pessoas que desejam aprender a fazer cerveja artesanal

Por Renata Monte em Perfil

21 de janeiro de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Empresário e formado como Sommelier, Julio degusta e analisa cervejas (FOTO: Arquivo Pessoal)

Empresário e formado como Sommelier, Julio degusta e analisa cervejas (FOTO: Arquivo Pessoal)

A cerveja é a terceira bebida mais consumida no mundo, perdendo apenas para a água e o chá. A iguaria é fabricada desde 6.000 a.C, quando era produzida por egípcios, sumérios, mesopotâmicos e ibéricos. A bebida também é uma das paixões dos brasileiros e produto do hobby favorito do empresário cearense Júlio Costa, que fabrica a própria cerveja e ministra cursos para ensinar outras pessoas a fazer cerveja caseira.

Júlio tem uma distribuidora de bebidas. Começou o empreendimento, há vinte anos, vendendo latinhas de cerveja na cabeça, durante o Fortal – tradicional carnaval fora de época de Fortaleza. Sempre foi apaixonado pela bebida e formou-se pela Doemens Academy, em São Paulo, como sommelier – profissão responsável por degustar e analisar cervejas.

O empresário conta que foi a partir deste gosto por experimentar cervejas de qualidade que surgiu o hobby de fabricar a própria. “Fazer cerveja é quase uma terapia. Você deixa sua rotina de lado para se dedicar àquilo. É uma alquimia, é quase um filho. A primeira vez que eu fiz minha própria cerveja, eu quase chorei”, afirma.

Questionado sobre qual é a melhor cerveja, Júlio afirma que é a sua. “A melhor cerveja é a minha, é a que eu fabrico, porque ela é do jeito que eu quero, com os ingredientes que eu gosto”, explica. Entre as bebidas comerciáveis e conhecidas popularmente, ele também desacredita que haja uma melhor do que a outra. “Cada cerveja tem um estilo e um propósito. Cerveja para ser boa depende do momento que vai ser degustada, do humor de quem bebe. Há uma série de fatores que interferem nisso”.

Para Júlio, fazer sua cerveja é quase uma alquimia (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Para Júlio, fazer sua cerveja é quase uma alquimia (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Júlio enfatiza que no início de sua produção caseira, era mais difícil e mais caro adquirir os ingredientes necessários. “As importadoras só estão no Sul e no Sudeste do Brasil. O nicho de mercado delas é para atender apenas essas regiões. Quando eu comprava uma saca de malte por R$ 100, por exemplo, o frete era o dobro do valor da mercadoria”, afirma. A partir disso, o cearense entrou em contato diretamente com as distribuidoras internacionais e trouxe os insumos para o Ceará pelo preço real.

O sommelier também analisa a cena cervejeira brasileira como atrasada, comparada a outros países. “Eu comecei a viajar para os Estados Unidos e vi que eles estão há, pelo menos, vinte anos na frente do Brasil. A maioria das cervejas brasileiras são de sabor simples, feitas apenas para matar a sede”.

O cearense, que faz parte da Associação dos Cervejeiros Artesanais (Acerva), conta que fabricar a própria cerveja não é “um pozinho instantâneo”. Entre extrair os açúcares do malte, moer o produto, misturá-los com água, filtrá-los, adicionar os ingredientes que deseja, ferver e resfriar pode levar de três semanas a um mês. Apesar da demora, o lado bom é que além de “terapêutico”, a fabricação pode sair mais barata para o bolso de quem produz. “Dependendo dos ingredientes que você quer colocar, um litro da sua cerveja pode chegar a custar oito reais, por exemplo. De 30% a 40% mais barata do que uma cerveja popular”, conta.

Com o objetivo de difundir a prática, Julio passou a ministrar cursos para pessoas que desejam aprender a fazer cerveja artesanal. Abriu a própria loja, Beer Planet, de equipamentos e insumos para a fabricação caseira. Seu curso introdutório tem duração de quatro horas, para iniciantes. Ele garante que o cliente sai sabendo fazer uma cerveja básica. Quem quiser aprofundar a técnica, passa para outros níveis de estudo. “Fazer cerveja é que nem faculdade. Se você quiser ficar especialista em algo, tem que estudar e treinar. Passar para uma pós, um mestrado, um doutorado”.

Júlio comprou uma casa onde montou sua loja de insumos e equipamentos e ministra seu curso (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Júlio comprou uma casa onde montou sua loja de insumos e equipamentos e ministra seu curso (FOTO: Renata Monte/Tribuna do Ceará)

Sobre a história da bebida, ele conta que na antiguidade, a cerveja era considerada um alimento, com doses diárias até para crianças. “O ato de fazer cerveja era papel doméstico, era papel da mulher, antigamente. Quando isso passou a ter uma lógica mais mercadológica, o homem se apropriou da prática. Hoje, é muito difícil encontrar uma mulher nesse meio, fabricando a própria cerveja”, afirma.

Para Júlio, o que ele faz não é uma “gourmetização” da bebida. “Meu objetivo não é esse. Não quero uma cerveja gourmet. Quero apenas popularizar essa técnica”, explica. O sommelier acredita que a cerveja deve ser mais do que uma simples bebida. É o que ele chama de cerveja contemplativa. “Você toma um dedinho, degusta, harmoniza com o momento. Cerveja para mim é assim”.