Cearense será o 1º nordestino a escalar as 7 maiores montanhas do mundo


Cearense será o 1º nordestino a escalar as 7 maiores montanhas do mundo

O montanhista trabalhou como agricultor, foi engraxate e vendedor de frutas, mas o seu grande sonho sempre foi se aventurar mundo afora

Por Roberta Tavares em Perfil

5 de fevereiro de 2014 às 13:30

Há 5 anos
Rosier se prepara para escalar o Monte Everest (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier se prepara para escalar o Monte Everest (FOTO: Arquivo pessoal)

Para Émile Zola, as dificuldades são como as montanhas, aplainam-se quando avançamos por elas. Rosier Alexandre Saraiva Filho, 45 anos, parece ter saído dos rabiscos do escritor francês.

Nascido na zona rural de Monsenhor Tabosa, município a 319 quilômetros de Fortaleza, em um local quente, sem saneamento básico, sem energia elétrica e sem escola de qualidade, o montanhista saboreia a felicidade de poder conquistar o título de 1º nordestino a escalar as sete maiores montanhas do mundo.

Rosier trabalhou como agricultor até os 15 anos, foi engraxate e vendedor de frutas, mas o seu grande sonho era se aventurar mundo afora. “A minha paixão pelas montanhas, creio que foi uma contaminação da parteira ou, pelo menos, foi muito cedo”, brinca.

Os olhos expressivos, ainda meninos, viram o Pico do Oeste (ponto mais alto do Ceará, com 1.145 metros) e desejaram conhecer alguém que escalasse uma montanha gelada, sem sequer imaginar que o dono deles seria o grande herói. “A minha casinha ficava a 14 quilômetros da cidade e de lá eu tinha uma vista privilegiada do Pico do Oeste e de outros picos acima de mil metros de altitude. Esta paisagem me fascinava desde a infância”, relembra.

Casa onde o montanhista morava na infância (FOTO: Arquivo pessoal)

Casa onde o montanhista morava na infância (FOTO: Arquivo pessoal)

Aos 16 anos, saiu de Monsenhor Tabosa para estudar em uma escola técnica agrícola. A instituição ficava em Pacatuba, a 32 km da capital, ao lado da Serra da Aratanha. Novamente as montanhas continuavam a seguir Rosier, ou ele a segui-las. Escalou, ainda adolescente, o Pico do Olho D’Água (1.128 m), a Serra da Aratanha, a Serra de Maranguape e as rochas em Quixadá.

Depois vieram as corridas de aventura, provas que duravam até três dias, sem direito a parar para dormir. As provas incluíam canoagem, mountain bike, escalada, rapel e ainda orientação com cartas topográficas e bússolas por até 250 quilômetros em meio à caatinga e mangues, sem direito à equipe de apoio. “Isso me maltratava o corpo, mas fascinava a alma. Eu gosto de testar meus limites e treinar para expandi-los”.

Até que, aos 28 anos, começou a escalar com equipamentos profissionais. Sete anos depois, as escaladas de gelo em alta montanha entraram na vida de Rosier e não saíram mais. Segundo o montanhista, as aventuras foram as formas mais interessantes que encontrou para aprender a planejar. A conquista, a emoção, a paisagem bela da montanha existem sim, mas por trás do lado romântico estão os dias, meses e até anos de preparação e muito suor.

Rosier treina, em média, cinco dias na semana, durante uma ou duas horas. A preparação física é feita na academia, onde simula todos os movimentos que serão feitos na montanha, trabalhando os mesmos grupos musculares. A preparação psicológica é mais complexa, fruto de um conjunto de crenças positivas, planejamento técnico, físico e financeiro. Quanto mais treina, mais tranquilo e confiante fica.

> LEIA MAIS

“As montanhas são, na mesma intensidade, belas e perigosas. Para chegarmos ao cume com segurança, só tem uma forma: planejamento e muito treinamento. Precisamos fazer um plano de gestão de riscos para, a cada risco, criar um tratamento”, explica.

Família e amigos

Riscos e adversidades são comuns nas escaladas (FOTO: Arquivo pessoal)

Riscos e adversidades são comuns nas escaladas (FOTO: Arquivo pessoal)

Esse perigo gerou, inicialmente, medo na família de Rosier, em sua 1ª grande expedição. Afinal, ele escalava rochas no Ceará, sob temperatura de cerca de 35°C, e iria se aventurar na maior montanha da Terra, fora da Ásia: o Aconcágua, com 6.962 m, cuja temperatura pode chegar a -40ºC e o índice de morte ainda é muito alto. “Graças à confiança que sempre depositaram em mim, disfarçaram o terror e pareciam apenas ter medo”.

Mas a vontade de escalar a montanha motivou um amigo de Rosier a oferecer ao montanhista serviços de psiquiatria. “Me ofereceu de cortesia, disse que eu podia ficar tranquilo que ele iria me ajudar a tirar esse sonho louco da cabeça. Ele fazia terapia familiar e, certamente, conseguiria resolver o ‘mal-entendido’ dentro de mim. Na época, foi duro lidar com isso, hoje rende boas gargalhadas”, revela.

Mortes e sequestro

Até agora, Rosier já realizou diversas expedições em seis continentes. Esteve acima de 5 mil metros de altitude cerca de 15 vezes. Em 10 anos de escalada, já passou por várias situações complicadas, viu mortes, ajudou em resgate, esteve próximo a grandes avalanches, teve de atravessar um campo minado de gretas e até foi sequestrado por tribos selvagens na Papua, quando estava escalando o Carstensz (4.884 m), a maior montanha da Oceania.

De todas as escaladas, apenas três vezes tentou chegar ao cume e não conseguiu. A primeira vez ocorreu quando tentou escalar o Aconcágua, em 2005. “O clima estava ruim, meus equipamentos eram precários. Eu tinha um bom condicionamento físico, mas a minha inexperiência falou mais alto e precisei dar meia volta quando estava a 262 m do cume”.

Os outros casos aconteceram no maior vulcão da Terra, o Ojos Del Salado (6.893 m), e na maior montanha da América do Norte, o McKinley (6.193 m). Neste último, quando Rosier estava próximo de chegar, a apenas 63 m do cume, uma tempestade com ventos acima de 100 km/h o mandou para baixo.

Escalada do Monte McKinley, na América do Norte (FOTO: Arquivo pessoal)

Escalada do Monte McKinley, na América do Norte (FOTO: Arquivo pessoal)

“Essas três situações me ensinaram mais que todos os outros cumes juntos. Aprendi a assumir erros, ter mais humildade, administrar frustrações, replanejar, desenvolver e aplicar um processo de melhoria contínua, e acima de tudo, nunca desistir dos meus sonhos. Afinal, um sonho não se negocia, pode até negociar o prazo, o conteúdo não”, dá a dica, acrescentando que, para não guardar frustrações, voltou às três montanhas e conseguiu chegar ao cume de todas.

Projeto Sete Cumes

Até hoje, aproximadamente 200 pessoas conseguiram finalizar o projeto Sete Cumes, que abrange as mais altas montanhas de cada continente. Somente três brasileiros concluíram o projeto. Rosier será o 1º nordestino e o 4º brasileiro a realizar este feito.

Rosier já escalou o Monte McKinley (6.194 m), na América do Norte; Monte Carstensz (4.884 m), na Oceania; Monte Vinson (4.897 m), na Antártida; Kilimanjaro (5.895 m), na África; Monte Elbrus (5.642 m), na Europa; e Monte Aconcágua (6.962 m), na América do Sul.

Destas, para o montanhista, o McKinley foi o mais complicado de se escalar, sendo compensado pela beleza encontrada no topo. As condições climáticas adversas, o frio e a logística de avião para entrar e sair da montanha dificultam a tarefa. “É um presente divino, uma das montanhas mais belas e isoladas. Está no Alaska, próximo ao Polo Norte. Lá não existem serviços de terceiros, cada escalador precisa ter autonomia e transportar seus equipamentos. É uma montanha limpa e de uma beleza ímpar”.

Rosier deve finalizar o Projeto Sete Cumes ainda neste ano (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier deve finalizar o Projeto Sete Cumes ainda neste ano (FOTO: Arquivo pessoal)

Agora chegou a vez de escalar o Monte Everest, a maior montanha da Terra, com 8.884 m de altitude. A viagem a Nepal será realizada em março. “Após a conclusão, certamente terei um descanso antes de voltar para as montanhas que tanto amo, porém devo escalar montanhas menores, com riscos e com durações menores”.

Todas as aventuras realizadas por Rosier proporcionam felicidade e paz de espírito, segundo relatou. No cume da montanha, ele consegue meditar, pensar profundamente na vida, nos projetos desempenhados e nos posteriormente desenvolvidos. “O silêncio das montanhas consegue proporcionar a paz que o barulho e poluição da cidade nos rouba. Lá, enquanto o corpo trabalha forte, conseguimos acalmar a mente e o espírito”, desabafa.

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

As dificuldades na infância e nas expedições fizeram de Rosier um palestrante motivacional
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As dificuldades na infância e nas expedições fizeram de Rosier um palestrante motivacional

O montanhista se emociona ao saber que é exemplo para outras pessoas (FOTO: Arquivp pessoal)

O objetivo, depois da empreitada, será se dedicar mais à família e realizar um sonho antigo de concentrar tempo a um projeto social, levando oficinas de planejamento de vida para jovens. A história de vida do menino que saiu da caatinga sertaneja e foi escalar as altas montanhas do mundo é tema de palestras de superação e motivação.

“Eu acredito que posso mudar o mundo, a partir da minha mudança de postura, quando deixei de esperar e passei a promover essas mudanças. O problema é que muita gente não entende e acredita que mudança é algo que depende de dinheiro ou dos outros, enquanto depende de nós, somente de nós”.

Assista ao vídeo gravado pelo montanhista durante expedição:

 

 

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Cearense será o 1º nordestino a escalar as 7 maiores montanhas do mundo

O montanhista trabalhou como agricultor, foi engraxate e vendedor de frutas, mas o seu grande sonho sempre foi se aventurar mundo afora

Por Roberta Tavares em Perfil

5 de fevereiro de 2014 às 13:30

Há 5 anos
Rosier se prepara para escalar o Monte Everest (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier se prepara para escalar o Monte Everest (FOTO: Arquivo pessoal)

Para Émile Zola, as dificuldades são como as montanhas, aplainam-se quando avançamos por elas. Rosier Alexandre Saraiva Filho, 45 anos, parece ter saído dos rabiscos do escritor francês.

Nascido na zona rural de Monsenhor Tabosa, município a 319 quilômetros de Fortaleza, em um local quente, sem saneamento básico, sem energia elétrica e sem escola de qualidade, o montanhista saboreia a felicidade de poder conquistar o título de 1º nordestino a escalar as sete maiores montanhas do mundo.

Rosier trabalhou como agricultor até os 15 anos, foi engraxate e vendedor de frutas, mas o seu grande sonho era se aventurar mundo afora. “A minha paixão pelas montanhas, creio que foi uma contaminação da parteira ou, pelo menos, foi muito cedo”, brinca.

Os olhos expressivos, ainda meninos, viram o Pico do Oeste (ponto mais alto do Ceará, com 1.145 metros) e desejaram conhecer alguém que escalasse uma montanha gelada, sem sequer imaginar que o dono deles seria o grande herói. “A minha casinha ficava a 14 quilômetros da cidade e de lá eu tinha uma vista privilegiada do Pico do Oeste e de outros picos acima de mil metros de altitude. Esta paisagem me fascinava desde a infância”, relembra.

Casa onde o montanhista morava na infância (FOTO: Arquivo pessoal)

Casa onde o montanhista morava na infância (FOTO: Arquivo pessoal)

Aos 16 anos, saiu de Monsenhor Tabosa para estudar em uma escola técnica agrícola. A instituição ficava em Pacatuba, a 32 km da capital, ao lado da Serra da Aratanha. Novamente as montanhas continuavam a seguir Rosier, ou ele a segui-las. Escalou, ainda adolescente, o Pico do Olho D’Água (1.128 m), a Serra da Aratanha, a Serra de Maranguape e as rochas em Quixadá.

Depois vieram as corridas de aventura, provas que duravam até três dias, sem direito a parar para dormir. As provas incluíam canoagem, mountain bike, escalada, rapel e ainda orientação com cartas topográficas e bússolas por até 250 quilômetros em meio à caatinga e mangues, sem direito à equipe de apoio. “Isso me maltratava o corpo, mas fascinava a alma. Eu gosto de testar meus limites e treinar para expandi-los”.

Até que, aos 28 anos, começou a escalar com equipamentos profissionais. Sete anos depois, as escaladas de gelo em alta montanha entraram na vida de Rosier e não saíram mais. Segundo o montanhista, as aventuras foram as formas mais interessantes que encontrou para aprender a planejar. A conquista, a emoção, a paisagem bela da montanha existem sim, mas por trás do lado romântico estão os dias, meses e até anos de preparação e muito suor.

Rosier treina, em média, cinco dias na semana, durante uma ou duas horas. A preparação física é feita na academia, onde simula todos os movimentos que serão feitos na montanha, trabalhando os mesmos grupos musculares. A preparação psicológica é mais complexa, fruto de um conjunto de crenças positivas, planejamento técnico, físico e financeiro. Quanto mais treina, mais tranquilo e confiante fica.

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“As montanhas são, na mesma intensidade, belas e perigosas. Para chegarmos ao cume com segurança, só tem uma forma: planejamento e muito treinamento. Precisamos fazer um plano de gestão de riscos para, a cada risco, criar um tratamento”, explica.

Família e amigos

Riscos e adversidades são comuns nas escaladas (FOTO: Arquivo pessoal)

Riscos e adversidades são comuns nas escaladas (FOTO: Arquivo pessoal)

Esse perigo gerou, inicialmente, medo na família de Rosier, em sua 1ª grande expedição. Afinal, ele escalava rochas no Ceará, sob temperatura de cerca de 35°C, e iria se aventurar na maior montanha da Terra, fora da Ásia: o Aconcágua, com 6.962 m, cuja temperatura pode chegar a -40ºC e o índice de morte ainda é muito alto. “Graças à confiança que sempre depositaram em mim, disfarçaram o terror e pareciam apenas ter medo”.

Mas a vontade de escalar a montanha motivou um amigo de Rosier a oferecer ao montanhista serviços de psiquiatria. “Me ofereceu de cortesia, disse que eu podia ficar tranquilo que ele iria me ajudar a tirar esse sonho louco da cabeça. Ele fazia terapia familiar e, certamente, conseguiria resolver o ‘mal-entendido’ dentro de mim. Na época, foi duro lidar com isso, hoje rende boas gargalhadas”, revela.

Mortes e sequestro

Até agora, Rosier já realizou diversas expedições em seis continentes. Esteve acima de 5 mil metros de altitude cerca de 15 vezes. Em 10 anos de escalada, já passou por várias situações complicadas, viu mortes, ajudou em resgate, esteve próximo a grandes avalanches, teve de atravessar um campo minado de gretas e até foi sequestrado por tribos selvagens na Papua, quando estava escalando o Carstensz (4.884 m), a maior montanha da Oceania.

De todas as escaladas, apenas três vezes tentou chegar ao cume e não conseguiu. A primeira vez ocorreu quando tentou escalar o Aconcágua, em 2005. “O clima estava ruim, meus equipamentos eram precários. Eu tinha um bom condicionamento físico, mas a minha inexperiência falou mais alto e precisei dar meia volta quando estava a 262 m do cume”.

Os outros casos aconteceram no maior vulcão da Terra, o Ojos Del Salado (6.893 m), e na maior montanha da América do Norte, o McKinley (6.193 m). Neste último, quando Rosier estava próximo de chegar, a apenas 63 m do cume, uma tempestade com ventos acima de 100 km/h o mandou para baixo.

Escalada do Monte McKinley, na América do Norte (FOTO: Arquivo pessoal)

Escalada do Monte McKinley, na América do Norte (FOTO: Arquivo pessoal)

“Essas três situações me ensinaram mais que todos os outros cumes juntos. Aprendi a assumir erros, ter mais humildade, administrar frustrações, replanejar, desenvolver e aplicar um processo de melhoria contínua, e acima de tudo, nunca desistir dos meus sonhos. Afinal, um sonho não se negocia, pode até negociar o prazo, o conteúdo não”, dá a dica, acrescentando que, para não guardar frustrações, voltou às três montanhas e conseguiu chegar ao cume de todas.

Projeto Sete Cumes

Até hoje, aproximadamente 200 pessoas conseguiram finalizar o projeto Sete Cumes, que abrange as mais altas montanhas de cada continente. Somente três brasileiros concluíram o projeto. Rosier será o 1º nordestino e o 4º brasileiro a realizar este feito.

Rosier já escalou o Monte McKinley (6.194 m), na América do Norte; Monte Carstensz (4.884 m), na Oceania; Monte Vinson (4.897 m), na Antártida; Kilimanjaro (5.895 m), na África; Monte Elbrus (5.642 m), na Europa; e Monte Aconcágua (6.962 m), na América do Sul.

Destas, para o montanhista, o McKinley foi o mais complicado de se escalar, sendo compensado pela beleza encontrada no topo. As condições climáticas adversas, o frio e a logística de avião para entrar e sair da montanha dificultam a tarefa. “É um presente divino, uma das montanhas mais belas e isoladas. Está no Alaska, próximo ao Polo Norte. Lá não existem serviços de terceiros, cada escalador precisa ter autonomia e transportar seus equipamentos. É uma montanha limpa e de uma beleza ímpar”.

Rosier deve finalizar o Projeto Sete Cumes ainda neste ano (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier deve finalizar o Projeto Sete Cumes ainda neste ano (FOTO: Arquivo pessoal)

Agora chegou a vez de escalar o Monte Everest, a maior montanha da Terra, com 8.884 m de altitude. A viagem a Nepal será realizada em março. “Após a conclusão, certamente terei um descanso antes de voltar para as montanhas que tanto amo, porém devo escalar montanhas menores, com riscos e com durações menores”.

Todas as aventuras realizadas por Rosier proporcionam felicidade e paz de espírito, segundo relatou. No cume da montanha, ele consegue meditar, pensar profundamente na vida, nos projetos desempenhados e nos posteriormente desenvolvidos. “O silêncio das montanhas consegue proporcionar a paz que o barulho e poluição da cidade nos rouba. Lá, enquanto o corpo trabalha forte, conseguimos acalmar a mente e o espírito”, desabafa.

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes
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Rosier será o primeiro nordestino a concluir o projeto Sete Cumes

O cearense saiu do interior do Ceará para se aventurar nas montanhas mais altas do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

As dificuldades na infância e nas expedições fizeram de Rosier um palestrante motivacional
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As dificuldades na infância e nas expedições fizeram de Rosier um palestrante motivacional

O montanhista se emociona ao saber que é exemplo para outras pessoas (FOTO: Arquivp pessoal)

O objetivo, depois da empreitada, será se dedicar mais à família e realizar um sonho antigo de concentrar tempo a um projeto social, levando oficinas de planejamento de vida para jovens. A história de vida do menino que saiu da caatinga sertaneja e foi escalar as altas montanhas do mundo é tema de palestras de superação e motivação.

“Eu acredito que posso mudar o mundo, a partir da minha mudança de postura, quando deixei de esperar e passei a promover essas mudanças. O problema é que muita gente não entende e acredita que mudança é algo que depende de dinheiro ou dos outros, enquanto depende de nós, somente de nós”.

Assista ao vídeo gravado pelo montanhista durante expedição: