Conheça Doutor Jegue, o cearense que faz invenções com materiais retirados do lixo


Conheça Doutor Jegue, o cearense que faz invenções com materiais retirados do lixo

José Cláudio Gomes adotou o apelido de personagem de Renato Aragão. O morador do Parque Santa Rosa, de Fortaleza, é um inventor nato

Por Juliana Teófilo em Perfil

2 de agosto de 2015 às 07:00

Há 4 anos
José Cláudio Gomes (34), ou simplesmente Doutor Jegue, inventa desde os 10 anos de idade. (FOTO: Fernanda Moura)

José Cláudio Gomes, de 34 anos, o Doutor Jegue, inventa desde os 10 anos de idade. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

José Cláudio Gomes, de 34 anos, o Doutor Jegue, nos recebe vestindo um impecável jaleco branco. Cercado de aparatos novos aos nossos olhos e pelos filhos curiosos, o conhecido inventor do Parque Santa Rosa apresenta sua família.

É só quando Cláudio começa a ligar as invenções que ele mesmo projeta e executa, que se começa a entender a sua paixão pela ciência. “Desde a infância eu invento coisas. Comecei com pequenas subestações de energia, usando transformadores quebrados de rádios”, conta.

Foi nessa época, com 10 anos, que Dr. Jegue começou seus estudos sobre energia. “Comecei a me interessar e ler coisas sobre eletromagnetismo e eletrostática”, completa.

Cláudio relata que, quando pequeno, deixava de comprar brinquedos para adquirir pilhas, luzes, motores, fios e fitas isolantes para dar formas às coisas que imaginava. A brincadeira acabou inspirando-o a seguir a profissão de eletricista.

O inventor explica, então, de onde vem o apelido engraçado com o qual ele se apresenta. Conta que se inspirou no filme O Incrível Monstro Trapalhão, do conterrâneo Renato Aragão. Na trama, o humorista vive o Dr. Jegue, uma paródia ao clássico O Médico e o Monstro/Dr. Jekyll and Mr. Hyde. “Ele é um cientista que faz experimentos até criar um monstro”, explica Cláudio.

E os “monstros” que Cláudio inventa têm propósitos claros. “Eu quero transformar o trabalho que hoje é feito manualmente e usando a força, em algo mais ágil, mais dinâmico”, explica.

“Desde a infância eu invento coisas. Comecei com pequenas subestações de energia, usando transformadores quebrados de rádios”. (Doutor Jegue)

Geralmente usando como matéria prima objetos que já foram descartados, muitas vezes por mal funcionamento, Dr. Jegue sempre busca inovar. “Eu vejo como um objeto funciona com outro e eu junto para criar algo novo. Unir algo que já não funcionava mais e fazer um novo utensílio. Esse é o meu propósito”.

Ele exibe uma caixa grande e azul por cima do jaleco. Quando perguntando, ele explica que se trata do “case” do seu celular. “Remontei o celular todo, peça por peça. Minha esposa disse para jogar fora, mas eu sabia que podia encontrar uma nova forma de usar”. A caixa guarda o pequeno telefone e uma caixa de som que serve de alto falante. No ouvido de Cláudio, um fone. “Quando nos falamos para agendar a entrevista, foi com esse telefone que eu atendi sua chamada”. E não é que a engenhoca funciona mesmo?

“Unir algo que já não funcionava mais e fazer um novo utensílio. Esse é o meu propósito”.

Não é diferente da primeira invenção de Cláudio: o espanador elétrico, construído a partir da hélice de uma batedeira da esposa, Adeliane, de 36 anos. “Eu trabalhava em uma empresa e via a necessidade da limpeza diária as paredes e teto. Foi ai que eu peguei a hélice da batedeira, adicionei estopa e um cabo longo. Pronto, a gente tinha o espanador elétrico!”, exclama Cláudio, mostrando orgulhoso as funções do invento.

Dr. Jegue narra que fez o aparelho funcionar em três dias e levou para apresentar aos colegas. “Levei para a empresa, mas as pessoas não levaram a sério, acharam que eu estava brincando”, completa.

PROFESSOR PARDAL CEARENSE
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O espanador elétrico, foi a primeira invenção de Cláudio. O invento foi contruído a partir da hélice de uma batedeira da esposa, Adeliane. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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O espanador elétrico, foi a primeira invenção de Cláudio. O invento foi contruído a partir da hélice de uma batedeira da esposa, Adeliane. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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“Remontei o celular todo, peça por peça. Minha esposa disse para jogar fora, mas eu sabia que podia encontrar uma nova forma de usar” (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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Cláudio fez o espanador elétrico funcionar em apenas três dias. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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Juntando uma hélice de uma batedeira, adicionando estopa e um cabo longo, Cláudio criou o espanador elétrico. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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PROFESSOR PARDAL CEARENSE

Dr. Jegue geralmente usa como matéria prima objetos que já foram descartados, muitas vezes por mal funcionamento. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

Mesmo abatido com a rejeição, Cláudio não deixou as invenções de lado e criou um espanador ainda mais potente, para limpezas mais pesadas. Figuram, ainda, entre as invenções do criador o liquidificador-abaju e o guarda-chuva que funciona como antena.

Todos os dias ele dedica algumas horas de seu tempo para desenvolver suas invenções, num quarto da casa onde mora com a esposa e os cinco filhos. “Tenho esse espaço mais para a segurança das crianças, já que eu mexo muito com fiação e energia elétrica, tenho medo de algum deles se machucar”, explica.

E a paixão pelas invenções já tem ganhado outros corações da família, como é o caso do filho mais velho do casal, Vitor, de seis anos. Cláudio antecipa que o treinamento do pequeno Victor só vai começar aos 10 anos. “Nessa idade ele vai estar mais maduro para entender os perigos”.

E o Dr. Jegue não para! Planeja montar um laboratório onde possa trabalhar nas suas invenções e desenvolver suas pesquisas envolvendo energia. “Hoje eu estudo as propriedades do marmeleiro, que pode ser o substituto do petróleo. Em uma concentração com 5% de álcool ele é três vezes mais potente que o petróleo usado hoje”, aponta.

Para o pai de família amor pela ciência é muito mais que uma escolha pessoal, é, também, um incentivo aos filhos. “Por meio desses bom exemplo e dos conhecimentos que eu passo, eles podem escolher o que vão querer estudar no futuro, porque a ciência está em tudo. Quero que eles ajudem esse mundo a deixar a escuridão”, finaliza.

Nos despedimos da acolhedora família com as energias e forças renovadas. O humilde e visionário inventor é capaz de tocar o mais cético dos desacreditados e não foi diferente com nossa equipe.

“Voltem sempre”, convida Cláudio. Voltaremos sim.

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Conheça Doutor Jegue, o cearense que faz invenções com materiais retirados do lixo

José Cláudio Gomes adotou o apelido de personagem de Renato Aragão. O morador do Parque Santa Rosa, de Fortaleza, é um inventor nato

Por Juliana Teófilo em Perfil

2 de agosto de 2015 às 07:00

Há 4 anos
José Cláudio Gomes (34), ou simplesmente Doutor Jegue, inventa desde os 10 anos de idade. (FOTO: Fernanda Moura)

José Cláudio Gomes, de 34 anos, o Doutor Jegue, inventa desde os 10 anos de idade. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

José Cláudio Gomes, de 34 anos, o Doutor Jegue, nos recebe vestindo um impecável jaleco branco. Cercado de aparatos novos aos nossos olhos e pelos filhos curiosos, o conhecido inventor do Parque Santa Rosa apresenta sua família.

É só quando Cláudio começa a ligar as invenções que ele mesmo projeta e executa, que se começa a entender a sua paixão pela ciência. “Desde a infância eu invento coisas. Comecei com pequenas subestações de energia, usando transformadores quebrados de rádios”, conta.

Foi nessa época, com 10 anos, que Dr. Jegue começou seus estudos sobre energia. “Comecei a me interessar e ler coisas sobre eletromagnetismo e eletrostática”, completa.

Cláudio relata que, quando pequeno, deixava de comprar brinquedos para adquirir pilhas, luzes, motores, fios e fitas isolantes para dar formas às coisas que imaginava. A brincadeira acabou inspirando-o a seguir a profissão de eletricista.

O inventor explica, então, de onde vem o apelido engraçado com o qual ele se apresenta. Conta que se inspirou no filme O Incrível Monstro Trapalhão, do conterrâneo Renato Aragão. Na trama, o humorista vive o Dr. Jegue, uma paródia ao clássico O Médico e o Monstro/Dr. Jekyll and Mr. Hyde. “Ele é um cientista que faz experimentos até criar um monstro”, explica Cláudio.

E os “monstros” que Cláudio inventa têm propósitos claros. “Eu quero transformar o trabalho que hoje é feito manualmente e usando a força, em algo mais ágil, mais dinâmico”, explica.

“Desde a infância eu invento coisas. Comecei com pequenas subestações de energia, usando transformadores quebrados de rádios”. (Doutor Jegue)

Geralmente usando como matéria prima objetos que já foram descartados, muitas vezes por mal funcionamento, Dr. Jegue sempre busca inovar. “Eu vejo como um objeto funciona com outro e eu junto para criar algo novo. Unir algo que já não funcionava mais e fazer um novo utensílio. Esse é o meu propósito”.

Ele exibe uma caixa grande e azul por cima do jaleco. Quando perguntando, ele explica que se trata do “case” do seu celular. “Remontei o celular todo, peça por peça. Minha esposa disse para jogar fora, mas eu sabia que podia encontrar uma nova forma de usar”. A caixa guarda o pequeno telefone e uma caixa de som que serve de alto falante. No ouvido de Cláudio, um fone. “Quando nos falamos para agendar a entrevista, foi com esse telefone que eu atendi sua chamada”. E não é que a engenhoca funciona mesmo?

“Unir algo que já não funcionava mais e fazer um novo utensílio. Esse é o meu propósito”.

Não é diferente da primeira invenção de Cláudio: o espanador elétrico, construído a partir da hélice de uma batedeira da esposa, Adeliane, de 36 anos. “Eu trabalhava em uma empresa e via a necessidade da limpeza diária as paredes e teto. Foi ai que eu peguei a hélice da batedeira, adicionei estopa e um cabo longo. Pronto, a gente tinha o espanador elétrico!”, exclama Cláudio, mostrando orgulhoso as funções do invento.

Dr. Jegue narra que fez o aparelho funcionar em três dias e levou para apresentar aos colegas. “Levei para a empresa, mas as pessoas não levaram a sério, acharam que eu estava brincando”, completa.

PROFESSOR PARDAL CEARENSE
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O espanador elétrico, foi a primeira invenção de Cláudio. O invento foi contruído a partir da hélice de uma batedeira da esposa, Adeliane. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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O espanador elétrico, foi a primeira invenção de Cláudio. O invento foi contruído a partir da hélice de uma batedeira da esposa, Adeliane. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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“Remontei o celular todo, peça por peça. Minha esposa disse para jogar fora, mas eu sabia que podia encontrar uma nova forma de usar” (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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Cláudio fez o espanador elétrico funcionar em apenas três dias. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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Juntando uma hélice de uma batedeira, adicionando estopa e um cabo longo, Cláudio criou o espanador elétrico. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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PROFESSOR PARDAL CEARENSE

Dr. Jegue geralmente usa como matéria prima objetos que já foram descartados, muitas vezes por mal funcionamento. (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

Mesmo abatido com a rejeição, Cláudio não deixou as invenções de lado e criou um espanador ainda mais potente, para limpezas mais pesadas. Figuram, ainda, entre as invenções do criador o liquidificador-abaju e o guarda-chuva que funciona como antena.

Todos os dias ele dedica algumas horas de seu tempo para desenvolver suas invenções, num quarto da casa onde mora com a esposa e os cinco filhos. “Tenho esse espaço mais para a segurança das crianças, já que eu mexo muito com fiação e energia elétrica, tenho medo de algum deles se machucar”, explica.

E a paixão pelas invenções já tem ganhado outros corações da família, como é o caso do filho mais velho do casal, Vitor, de seis anos. Cláudio antecipa que o treinamento do pequeno Victor só vai começar aos 10 anos. “Nessa idade ele vai estar mais maduro para entender os perigos”.

E o Dr. Jegue não para! Planeja montar um laboratório onde possa trabalhar nas suas invenções e desenvolver suas pesquisas envolvendo energia. “Hoje eu estudo as propriedades do marmeleiro, que pode ser o substituto do petróleo. Em uma concentração com 5% de álcool ele é três vezes mais potente que o petróleo usado hoje”, aponta.

Para o pai de família amor pela ciência é muito mais que uma escolha pessoal, é, também, um incentivo aos filhos. “Por meio desses bom exemplo e dos conhecimentos que eu passo, eles podem escolher o que vão querer estudar no futuro, porque a ciência está em tudo. Quero que eles ajudem esse mundo a deixar a escuridão”, finaliza.

Nos despedimos da acolhedora família com as energias e forças renovadas. O humilde e visionário inventor é capaz de tocar o mais cético dos desacreditados e não foi diferente com nossa equipe.

“Voltem sempre”, convida Cláudio. Voltaremos sim.

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