Médica cearense realiza sonho de trabalhar como voluntária na África


Médica cearense realiza sonho de trabalhar como voluntária na África

Aline Studart optou por não fazer nova residência médica para morar no Quênia, durante um ano, e sobreviver com salário simbólico do Médicos Sem Fronteiras

Por Roberta Tavares em Perfil

17 de março de 2015 às 11:00

Há 4 anos
Aline chegou à África no auge da epidemia do vírus Ebola (FOTO: Arquivo pessoal/Aline Studart)

Aline chegou à África no auge da epidemia do vírus Ebola (FOTO: Arquivo pessoal/Aline Studart)

O lugar de onde muitos querem ir embora sempre foi para onde Aline Studart Barbosa desejou ir. Em meio à extrema pobreza que destrói sonhos e esperanças, a cearense de 31 anos é como uma luz para quem vive na escuridão e sequer deve ter ouvido falar de amor e carinho até encontrá-la. A princípio, a cor da pele branca da médica pode ter assustado uma criança, fazendo-a até chorar, mas ela haveria de vencer essa primeira rejeição, como venceu a caminhada para ajudar quem mais precisa. Aline teve que enfrentar uma concorrência de mais de 2 mil brasileiros para participar do Médicos Sem Fronteiras.

“Pensava que era fácil ser escolhida, pois sei que a carência de médicos é enorme. Quando cheguei na sede do programa, no Rio de Janeiro, a primeira coisa que me disseram era que, por ano, 2 mil brasileiros se inscrevem para trabalhar, mas só 80 são selecionados”.

O Médicos Sem Fronteiras é uma organização médico-humanitária internacional que já recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Aline ingressou no programa no final de 2014. Nascida em Fortaleza e formada na Universidade Federal do Ceará (UFC), em 2008, a cearense sempre teve vontade trabalhar com medicina humanitária. O desejo aguçou-se no segundo ano da faculdade, quando um professor contou a experiência de trabalho em Angola. “Nesse dia, fiquei encantada com o trabalho do programa e decidi que queria muito fazer isso também”, admite.

Estagiou, então, em países como Espanha, Peru e Malta. Após concluir o curso, trabalhou por dois anos no interior do Ceará e, em seguida, fez residência em Clínica Médica. “Decidi tomar uma decisão diferente da que a maioria dos colegas toma. Resolvi que não começaria imediatamente uma nova residência, mas permiti passar um tempo buscando me preencher com outras experiências e, foi nesse momento, que o sonho antigo veio à tona”, lembra.

Apesar de ter se surpreendido com a alta concorrência do Médicos Sem Fronteira, Aline não desistiu. Enviou currículo e uma carta de motivação, fez entrevista com psicóloga, testes de língua (é necessário ter fluência em inglês ou francês) e vivencial, além de entrevista. “Depois entendi que muitas pessoas se inscrevem com a intenção de se aventurar pelo mundo, e esse não é o perfil que interessa ao programa. Eles querem pessoas comprometidas e que tenham motivação verdadeiramente humanitária”.

Uma semana depois da maratona de seleção, a cearense recebeu a tão esperada ligação informando que havia sido escolhida para participar da missão no Quênia. “Fiquei muito feliz e emocionada. Minha mãe me apoiou, pois sabia que era um sonho antigo, já meu pai não gostou nem um pouco da ideia e achava que eu não iria em frente, mas depois se acostumou”, relata.

Chegada e resistência

Após organizar a mala e tomar as vacinas contra febre amarela, hepatite A, febre tifoide, tétano e raiva, Aline foi levar assistência e cuidados preventivos ao país africano. A chegada ocorreu no auge da epidemia do vírus Ebola, que matou mais de 7 mil pessoas. Por sorte, não foi registrado nenhum caso no Quênia.

No início, encontrou certa resistência da população em relação aos brancos (mzungo, como eles chamam). “Passei por uma situação em um atendimento em que uma criança começou a chorar quando me viu. A mãe riu e me explicou que o bebê estava assustado pela cor da minha pele”. A experiência mostrou que é preciso cautela e compreensão no cuidado dos pacientes.

“Percebi que precisava entender o meu lugar. Eu sou a estrangeira aqui”. (Aline Studart, médica)

Aline em visita a um orfanato de elefantes, na África (FOTO: Arquivo pessoal/Aline Studart)

Aline em visita a um orfanato de elefantes, na África (FOTO: Arquivo pessoal/Aline Studart)

Rotina

Atuando como supervisora de departamento do laboratório e de setores de doenças crônicas e de nutrição terapêutica, Aline trabalha de segunda a sexta – as vezes aos sábados e domingos. No escritório, participa de reuniões, planejamentos e faz relatórios sobre as atividades semanais.

O Médicos sem Fronteiras tem duas clínicas na favela Kibera, considerada a maior do mundo e onde a maioria da população vive em condições de extrema pobreza. “Nessa favela, tem várias clínicas privadas, que oferecem atendimento de baixa qualidade e cobram pelos serviços prestados. Nas clínicas do MSF, temos profissionais capacitados e fornecemos diversos tipos de medicamentos e exames sem qualquer custo para os pacientes”, conta.

A cearense é a única médica nas clínicas, e passa várias horas do dia no local, oferecendo suporte técnico aos enfermeiros. Também atende os pacientes mais complexos e decide sobre encaminhamentos para hospitais de referência, em casos de necessidade de internamento. “Estou aprendendo a ser supervisora, a lidar com grande falta de recursos e a tomar decisões difíceis no dia a dia. Por mais que estivesse acostumada a situações precárias no Ceará, nada se compara com a África”.

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Clínica do programa em Kibera (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Kibera, maior favela do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Clínica em Kibera, maior favela do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Passeio no Monte Kenya (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Giraffe center (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Monte Longonot (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Passeio no Monte Kenya (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Visita ao Parque Nacional – Nairobi (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Dançando com masais (da tribo masai), na África (FOTO: Arquivo pessoal)

Despedida de Aline, em Fortaleza
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Despedida de Aline, em Fortaleza

A cearense sempre teve o sonho de participar de um programa com causas humanitárias (FOTO: Arquivo pessoal)

Despedida de Aline, em Fortaleza
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Despedida de Aline, em Fortaleza

A cearense sempre teve o sonho de participar de um programa com causas humanitárias (FOTO: Arquivo pessoal)

Despedida de Aline, em Fortaleza
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Despedida de Aline, em Fortaleza

A cearense sempre teve o sonho de participar de um programa com causas humanitárias (FOTO: Arquivo pessoal)

A saudade do Ceará

Aline está há quatro meses na África e ainda deve permanecer por mais oito. Uma das dificuldades que enfrenta é a comunicação com os pacientes. Apesar de o Quênia ser um país de colonização britânica, grande parte das pessoas que mora na favela não fala inglês, e algumas não sabem sequer suali – a principal língua falada no Quênia. “Quase sempre preciso de um tradutor para me comunicar”.

O clima é bem parecido com o de Fortaleza. A comida também foi de fácil adaptação e, hoje em dia, até cozinha, mas ainda sente falta da tapioca do Ceará. “Encontrei, por acaso, uma brasileira num supermercado e isso me fez conhecer um grupo de brasileiros que moram no Quênia. De alguma forma, essas pessoas me ajudam a ser um pouco mais brasileira aqui. As vezes, uma das meninas do grupo vai ao Brasil e traz pão de queijo e goma de tapioca”, comemora.

Apesar da saudade da família, dos amigos e de praia, Aline reafirma que a experiência vale a pena. Não pela remuneração que, segundo ela, “é suficiente para sobreviver”, bem menor da que receberia para trabalhar no Brasil; mas pelo aprendizado e a felicidade em saber que está em uma missão humana, repleta de amor e carinho pelo próximo. “Aprendi muitas coisas novas em medicina. Vi vários pacientes com malária, doença que só tinha visto nos livros. Estou aprendendo a lidar com diferentes tipos de pessoas, com diferenças culturais enormes. Na minha vida, esse é o momento da África”.

Médicos sem Fronteiras

A organização humanitária existe há quarenta anos e atua em mais de 70 países, sendo construída de forma independente pelos profissionais que se dispõem a trabalhar em locais remotos, auxiliando populações que passam por epidemias, desnutrição e desastres naturais. A MSF foi criada em 1971, na França, por jovens médicos e jornalistas, que atuaram como voluntários no fim dos anos 1960, na Nigéria.

Enquanto socorriam vítimas em meio a uma guerra civil brutal, os profissionais perceberam as limitações da ajuda humanitária internacional: a dificuldade de acesso ao local e os entraves burocráticos e políticos. O Médicos sem Fronteiras surge, então, como uma organização humanitária que associa ajuda médica e sensibilização do público sobre o sofrimento de seus pacientes. Em 1999, a organização recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

A organização leva assistência e cuidados preventivos a quem necessita, independentemente do país onde se encontram. Em situações em que a atuação médica não é suficiente para garantir a sobrevivência de determinada população – como ocorre em casos de extrema urgência –, a organização pode fornecer água, alimentos, saneamento e abrigos. Para participar do programa, acesse o site.

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Médica cearense realiza sonho de trabalhar como voluntária na África

Aline Studart optou por não fazer nova residência médica para morar no Quênia, durante um ano, e sobreviver com salário simbólico do Médicos Sem Fronteiras

Por Roberta Tavares em Perfil

17 de março de 2015 às 11:00

Há 4 anos
Aline chegou à África no auge da epidemia do vírus Ebola (FOTO: Arquivo pessoal/Aline Studart)

Aline chegou à África no auge da epidemia do vírus Ebola (FOTO: Arquivo pessoal/Aline Studart)

O lugar de onde muitos querem ir embora sempre foi para onde Aline Studart Barbosa desejou ir. Em meio à extrema pobreza que destrói sonhos e esperanças, a cearense de 31 anos é como uma luz para quem vive na escuridão e sequer deve ter ouvido falar de amor e carinho até encontrá-la. A princípio, a cor da pele branca da médica pode ter assustado uma criança, fazendo-a até chorar, mas ela haveria de vencer essa primeira rejeição, como venceu a caminhada para ajudar quem mais precisa. Aline teve que enfrentar uma concorrência de mais de 2 mil brasileiros para participar do Médicos Sem Fronteiras.

“Pensava que era fácil ser escolhida, pois sei que a carência de médicos é enorme. Quando cheguei na sede do programa, no Rio de Janeiro, a primeira coisa que me disseram era que, por ano, 2 mil brasileiros se inscrevem para trabalhar, mas só 80 são selecionados”.

O Médicos Sem Fronteiras é uma organização médico-humanitária internacional que já recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Aline ingressou no programa no final de 2014. Nascida em Fortaleza e formada na Universidade Federal do Ceará (UFC), em 2008, a cearense sempre teve vontade trabalhar com medicina humanitária. O desejo aguçou-se no segundo ano da faculdade, quando um professor contou a experiência de trabalho em Angola. “Nesse dia, fiquei encantada com o trabalho do programa e decidi que queria muito fazer isso também”, admite.

Estagiou, então, em países como Espanha, Peru e Malta. Após concluir o curso, trabalhou por dois anos no interior do Ceará e, em seguida, fez residência em Clínica Médica. “Decidi tomar uma decisão diferente da que a maioria dos colegas toma. Resolvi que não começaria imediatamente uma nova residência, mas permiti passar um tempo buscando me preencher com outras experiências e, foi nesse momento, que o sonho antigo veio à tona”, lembra.

Apesar de ter se surpreendido com a alta concorrência do Médicos Sem Fronteira, Aline não desistiu. Enviou currículo e uma carta de motivação, fez entrevista com psicóloga, testes de língua (é necessário ter fluência em inglês ou francês) e vivencial, além de entrevista. “Depois entendi que muitas pessoas se inscrevem com a intenção de se aventurar pelo mundo, e esse não é o perfil que interessa ao programa. Eles querem pessoas comprometidas e que tenham motivação verdadeiramente humanitária”.

Uma semana depois da maratona de seleção, a cearense recebeu a tão esperada ligação informando que havia sido escolhida para participar da missão no Quênia. “Fiquei muito feliz e emocionada. Minha mãe me apoiou, pois sabia que era um sonho antigo, já meu pai não gostou nem um pouco da ideia e achava que eu não iria em frente, mas depois se acostumou”, relata.

Chegada e resistência

Após organizar a mala e tomar as vacinas contra febre amarela, hepatite A, febre tifoide, tétano e raiva, Aline foi levar assistência e cuidados preventivos ao país africano. A chegada ocorreu no auge da epidemia do vírus Ebola, que matou mais de 7 mil pessoas. Por sorte, não foi registrado nenhum caso no Quênia.

No início, encontrou certa resistência da população em relação aos brancos (mzungo, como eles chamam). “Passei por uma situação em um atendimento em que uma criança começou a chorar quando me viu. A mãe riu e me explicou que o bebê estava assustado pela cor da minha pele”. A experiência mostrou que é preciso cautela e compreensão no cuidado dos pacientes.

“Percebi que precisava entender o meu lugar. Eu sou a estrangeira aqui”. (Aline Studart, médica)

Aline em visita a um orfanato de elefantes, na África (FOTO: Arquivo pessoal/Aline Studart)

Aline em visita a um orfanato de elefantes, na África (FOTO: Arquivo pessoal/Aline Studart)

Rotina

Atuando como supervisora de departamento do laboratório e de setores de doenças crônicas e de nutrição terapêutica, Aline trabalha de segunda a sexta – as vezes aos sábados e domingos. No escritório, participa de reuniões, planejamentos e faz relatórios sobre as atividades semanais.

O Médicos sem Fronteiras tem duas clínicas na favela Kibera, considerada a maior do mundo e onde a maioria da população vive em condições de extrema pobreza. “Nessa favela, tem várias clínicas privadas, que oferecem atendimento de baixa qualidade e cobram pelos serviços prestados. Nas clínicas do MSF, temos profissionais capacitados e fornecemos diversos tipos de medicamentos e exames sem qualquer custo para os pacientes”, conta.

A cearense é a única médica nas clínicas, e passa várias horas do dia no local, oferecendo suporte técnico aos enfermeiros. Também atende os pacientes mais complexos e decide sobre encaminhamentos para hospitais de referência, em casos de necessidade de internamento. “Estou aprendendo a ser supervisora, a lidar com grande falta de recursos e a tomar decisões difíceis no dia a dia. Por mais que estivesse acostumada a situações precárias no Ceará, nada se compara com a África”.

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Clínica do programa em Kibera (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Kibera, maior favela do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Clínica em Kibera, maior favela do mundo (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Passeio no Monte Kenya (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Giraffe center (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Monte Longonot (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Passeio no Monte Kenya (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Visita ao Parque Nacional – Nairobi (FOTO: Arquivo pessoal)

Cearense no Médicos Sem Fronteiras
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Cearense no Médicos Sem Fronteiras

Dançando com masais (da tribo masai), na África (FOTO: Arquivo pessoal)

Despedida de Aline, em Fortaleza
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Despedida de Aline, em Fortaleza

A cearense sempre teve o sonho de participar de um programa com causas humanitárias (FOTO: Arquivo pessoal)

Despedida de Aline, em Fortaleza
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Despedida de Aline, em Fortaleza

A cearense sempre teve o sonho de participar de um programa com causas humanitárias (FOTO: Arquivo pessoal)

Despedida de Aline, em Fortaleza
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Despedida de Aline, em Fortaleza

A cearense sempre teve o sonho de participar de um programa com causas humanitárias (FOTO: Arquivo pessoal)

A saudade do Ceará

Aline está há quatro meses na África e ainda deve permanecer por mais oito. Uma das dificuldades que enfrenta é a comunicação com os pacientes. Apesar de o Quênia ser um país de colonização britânica, grande parte das pessoas que mora na favela não fala inglês, e algumas não sabem sequer suali – a principal língua falada no Quênia. “Quase sempre preciso de um tradutor para me comunicar”.

O clima é bem parecido com o de Fortaleza. A comida também foi de fácil adaptação e, hoje em dia, até cozinha, mas ainda sente falta da tapioca do Ceará. “Encontrei, por acaso, uma brasileira num supermercado e isso me fez conhecer um grupo de brasileiros que moram no Quênia. De alguma forma, essas pessoas me ajudam a ser um pouco mais brasileira aqui. As vezes, uma das meninas do grupo vai ao Brasil e traz pão de queijo e goma de tapioca”, comemora.

Apesar da saudade da família, dos amigos e de praia, Aline reafirma que a experiência vale a pena. Não pela remuneração que, segundo ela, “é suficiente para sobreviver”, bem menor da que receberia para trabalhar no Brasil; mas pelo aprendizado e a felicidade em saber que está em uma missão humana, repleta de amor e carinho pelo próximo. “Aprendi muitas coisas novas em medicina. Vi vários pacientes com malária, doença que só tinha visto nos livros. Estou aprendendo a lidar com diferentes tipos de pessoas, com diferenças culturais enormes. Na minha vida, esse é o momento da África”.

Médicos sem Fronteiras

A organização humanitária existe há quarenta anos e atua em mais de 70 países, sendo construída de forma independente pelos profissionais que se dispõem a trabalhar em locais remotos, auxiliando populações que passam por epidemias, desnutrição e desastres naturais. A MSF foi criada em 1971, na França, por jovens médicos e jornalistas, que atuaram como voluntários no fim dos anos 1960, na Nigéria.

Enquanto socorriam vítimas em meio a uma guerra civil brutal, os profissionais perceberam as limitações da ajuda humanitária internacional: a dificuldade de acesso ao local e os entraves burocráticos e políticos. O Médicos sem Fronteiras surge, então, como uma organização humanitária que associa ajuda médica e sensibilização do público sobre o sofrimento de seus pacientes. Em 1999, a organização recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

A organização leva assistência e cuidados preventivos a quem necessita, independentemente do país onde se encontram. Em situações em que a atuação médica não é suficiente para garantir a sobrevivência de determinada população – como ocorre em casos de extrema urgência –, a organização pode fornecer água, alimentos, saneamento e abrigos. Para participar do programa, acesse o site.