​​Por trás das câmeras: tensões, estratégias e hostilidades marcam debate em Sobral


​​Por trás das câmeras: tensões, estratégias e hostilidades marcam debate em Sobral

Debate entre os candidatos ao governo do Estado, nas eleições de 2014, foi transmitido pela NordesTV

Por Pedro Alves em Política

27 de setembro de 2014 às 11:53

Há 5 anos
Debate entre candidatos ao governo do Ceará (FOTO: Tribuna do Ceará)

Debate entre candidatos ao governo do Estado (FOTO: Tribuna do Ceará)

Entre uma pergunta e outra, enquanto não era focado pela câmera na NordesTV, o candidato Camilo Santana (PT) tomava um gole de água, com o copo embutido por trás do púlpito no cenário. Além de melhorar a gargante obviamente atingida por quase três meses de campanha eleitoral, a água também era um alívio para o clima de tensão que marcou a reunião dos quatro postulantes a governador, nesta sexta-feira (26), em Sobral. Antes, durante e após o debate, militantes do petista disputaram a produção de barulho com manifestantes que defendiam melhorias nas universidades estaduais.

Quando Camilo chegou, o coro de seus apoiadores foi maior. E o candidato se sentiu em casa, a princípio. Ele foi o único que, na chegada, foi até a grade que protegia o Teatro São João – palco do debate – para cumprimentar as pessoas que estavam ali para apoiá-lo. Foi festa. Tudo filmado por um drone que sobrevoava o candidato e os militantes. Bem diferente da recepção ofertada a Eliane Novais (PSB), Ailton Lopes (Psol) e Eunício Oliveira (PMDB), que entraram no teatro sob coro de vaias. Enquanto isso, militantes de Eunício se concentraram no comitê do candidato, distante algumas quadras do teatro, e não houve hostilidade entre apoiadores.

O candidato a deputado estadual Renato Roseno (Psol), que acompanhava Ailton, se incomodou com a gritaria e pediu que o candidato fosse entrevistado longe dali. Era visível a organização do grupo, explicitada pela mesma roupa cor de laranja vestida por muitos dos participantes; e pela quantidade exagerada de bandeiras e Camilo.

Dentro do São João, candidatos e seus apoiadores trocaram cumprimentos protocolares. Não se viu conversas. O candidato a senador Tasso Jereissati (PSDB), que acompanhava Eunício, ainda tentou alongar a cordialidade com Ailton, mas o candidato do Psol demonstrou pouca disposição para tanto. Os que demonstravam alguma intimidade eram os marqueteiros, incluindo Paulo Barros, responsável pela campanha de Eunício, e Humberto Martins, contratado por Eliane, juntamento com Giovani Soares – apresentado à reportagem como “membro da comunicação” de Camilo.

Em um dos intervalos, ainda que rapidamente, os três conversaram mutuamente. Durante todo o debate, Gioavani era disparado o mais tenso entre eles. O membro da comunicação de Camilo movimentava a perna rapidamente, sinalizando ansiedade. De vez enquanto, puxava o caderninho de anotações e a caneta para escrever algo – nem sempre durante as falas de Camilo. Em todos os intervalos, subiu ao palco para conversar com o petista. Paulo e Humberto faziam o mesmo acompanhamento de seus candidatos. Ailton era acompanhado por Roseno. Tasso também subia ao palco para falar com Eunício.

Assessores

Marqueteiros, assessores e apoiadores levavam dados, papéis, e conversas ao pé de ouvido para os candidatos. Camilo tinha na mão, por exemplo, o documento do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que, segundo ele, o isenta de responsabilidade no escândalo dos banheiros. No debate, ele anunciou que estava com a documentação e que poderia mostrar. Antes do início do programa, enquanto estavam todos dispostos nos púlpitos, e em silêncio, a tensão era clara pelo movimento do corpo dos candidatos.

Eliane era a única que demonstrava tranquilidade, enquanto os demais mexiam a perna, o braço, ou a cabeça, como que desconfortáveis. Izolda Cela (Pros), candidata a vice-governadora na chapa PT-Pros, ficou de casal com o marido Veveu Arruda, prefeito da cidade, durante maior parte do debate. Demais candidatos a vice e a senador não estavam presentes. No transcorrer do debate, militantes de Camilo soltavam fogos, gritavam o nome do candidato e chegaram até a dar play no jingle de campanha – era tanto barulho do lado de fora que se podia ouvir dentro do teatro. Apoiador do petista, Veveu Arruda chegou a comentar, em um momento de informalidade, que o teatro precisava de um melhor sistema acústico.

Na saída dos candidatos, após o programa, militantes organizados pró-Camilo novamente foram hostis com Ailton, Eunício e Eliane. Usaram de termos e palavras chulas. Eliane Novais ignorou a barulheira e, antes de entrar no carro, convocou sua equipe para uma foto em frente ao teatro. Somente depois que os militantes de Camilo foram embora, é que se conseguiu ouvir o grupo pequeno de apoiadores de Ailton. Um deles vestia camisa orgulhando-se de não fazer parte da chamada militância paga.

Confira bastidores do debate:

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​​Por trás das câmeras: tensões, estratégias e hostilidades marcam debate em Sobral

Debate entre os candidatos ao governo do Estado, nas eleições de 2014, foi transmitido pela NordesTV

Por Pedro Alves em Política

27 de setembro de 2014 às 11:53

Há 5 anos
Debate entre candidatos ao governo do Ceará (FOTO: Tribuna do Ceará)

Debate entre candidatos ao governo do Estado (FOTO: Tribuna do Ceará)

Entre uma pergunta e outra, enquanto não era focado pela câmera na NordesTV, o candidato Camilo Santana (PT) tomava um gole de água, com o copo embutido por trás do púlpito no cenário. Além de melhorar a gargante obviamente atingida por quase três meses de campanha eleitoral, a água também era um alívio para o clima de tensão que marcou a reunião dos quatro postulantes a governador, nesta sexta-feira (26), em Sobral. Antes, durante e após o debate, militantes do petista disputaram a produção de barulho com manifestantes que defendiam melhorias nas universidades estaduais.

Quando Camilo chegou, o coro de seus apoiadores foi maior. E o candidato se sentiu em casa, a princípio. Ele foi o único que, na chegada, foi até a grade que protegia o Teatro São João – palco do debate – para cumprimentar as pessoas que estavam ali para apoiá-lo. Foi festa. Tudo filmado por um drone que sobrevoava o candidato e os militantes. Bem diferente da recepção ofertada a Eliane Novais (PSB), Ailton Lopes (Psol) e Eunício Oliveira (PMDB), que entraram no teatro sob coro de vaias. Enquanto isso, militantes de Eunício se concentraram no comitê do candidato, distante algumas quadras do teatro, e não houve hostilidade entre apoiadores.

O candidato a deputado estadual Renato Roseno (Psol), que acompanhava Ailton, se incomodou com a gritaria e pediu que o candidato fosse entrevistado longe dali. Era visível a organização do grupo, explicitada pela mesma roupa cor de laranja vestida por muitos dos participantes; e pela quantidade exagerada de bandeiras e Camilo.

Dentro do São João, candidatos e seus apoiadores trocaram cumprimentos protocolares. Não se viu conversas. O candidato a senador Tasso Jereissati (PSDB), que acompanhava Eunício, ainda tentou alongar a cordialidade com Ailton, mas o candidato do Psol demonstrou pouca disposição para tanto. Os que demonstravam alguma intimidade eram os marqueteiros, incluindo Paulo Barros, responsável pela campanha de Eunício, e Humberto Martins, contratado por Eliane, juntamento com Giovani Soares – apresentado à reportagem como “membro da comunicação” de Camilo.

Em um dos intervalos, ainda que rapidamente, os três conversaram mutuamente. Durante todo o debate, Gioavani era disparado o mais tenso entre eles. O membro da comunicação de Camilo movimentava a perna rapidamente, sinalizando ansiedade. De vez enquanto, puxava o caderninho de anotações e a caneta para escrever algo – nem sempre durante as falas de Camilo. Em todos os intervalos, subiu ao palco para conversar com o petista. Paulo e Humberto faziam o mesmo acompanhamento de seus candidatos. Ailton era acompanhado por Roseno. Tasso também subia ao palco para falar com Eunício.

Assessores

Marqueteiros, assessores e apoiadores levavam dados, papéis, e conversas ao pé de ouvido para os candidatos. Camilo tinha na mão, por exemplo, o documento do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que, segundo ele, o isenta de responsabilidade no escândalo dos banheiros. No debate, ele anunciou que estava com a documentação e que poderia mostrar. Antes do início do programa, enquanto estavam todos dispostos nos púlpitos, e em silêncio, a tensão era clara pelo movimento do corpo dos candidatos.

Eliane era a única que demonstrava tranquilidade, enquanto os demais mexiam a perna, o braço, ou a cabeça, como que desconfortáveis. Izolda Cela (Pros), candidata a vice-governadora na chapa PT-Pros, ficou de casal com o marido Veveu Arruda, prefeito da cidade, durante maior parte do debate. Demais candidatos a vice e a senador não estavam presentes. No transcorrer do debate, militantes de Camilo soltavam fogos, gritavam o nome do candidato e chegaram até a dar play no jingle de campanha – era tanto barulho do lado de fora que se podia ouvir dentro do teatro. Apoiador do petista, Veveu Arruda chegou a comentar, em um momento de informalidade, que o teatro precisava de um melhor sistema acústico.

Na saída dos candidatos, após o programa, militantes organizados pró-Camilo novamente foram hostis com Ailton, Eunício e Eliane. Usaram de termos e palavras chulas. Eliane Novais ignorou a barulheira e, antes de entrar no carro, convocou sua equipe para uma foto em frente ao teatro. Somente depois que os militantes de Camilo foram embora, é que se conseguiu ouvir o grupo pequeno de apoiadores de Ailton. Um deles vestia camisa orgulhando-se de não fazer parte da chamada militância paga.

Confira bastidores do debate:

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