Agricultor chega de carroça para votar em seção eleitoral indígena


Agricultor chega de carroça para votar em seção eleitoral indígena

Sem crimes eleitorais registrados, são apenas 197 eleitores na seção 485, em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, onde todos da comunidade se conhecem

Por Lucas Catrib em Política

26 de outubro de 2014 às 13:31

Há 5 anos
O agricultor Roberto Matos Gomes, descendente de indígena torce para a gestão presidencial seguinte se preocupar mais com as políticas do campo (FOTO: Lucas Catrib)

O agricultor Roberto Matos Gomes, descendente de indígena torce para a gestão presidencial seguinte se preocupar mais com as políticas do campo (FOTO: Lucas Catrib)

São apenas 197 eleitores na seção 485, em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza. Numa seção reconhecida como indígena, na comunidade Tapeba, toda uma comunidade vota no mesmo local, sendo comum o encontro e reencontro de amigos na hora do voto. Mas também apresenta fatos inusitados. No segundo turno das eleições 2014, neste domingo (26), um agricultor chegou para votar em seus candidatos numa carroça puxada por um cavalo.

Sem crimes eleitorais registrados ao longo dos três pleitos já realizados, a Escola Indígena Índios Tapeba é uma das 35 seções especiais indígenas do estado. No total, são 8.676 eleitores residentes de 15 municípios. Fato que ocorre por conta dos convênios realizados entre Tribuna Regional Eleitoral (TRE-CE), Fundação Cultural Palmares e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

A Escola Indígena Índios Tapeba sedia a seção especial 485, em Caucaia (FOTO: Lucas Catrib)

A Escola Indígena Índios Tapeba sedia a seção especial 485, em Caucaia (FOTO: Lucas Catrib)

Logo na entrada ao colégio, que fica localizado também no distrito de Capuan, em uma zona rural, a percepção de um ambiente tranquilo e sem filas. Roberto Matos Gomes, de 52 anos, montado em uma carroça, chega para exercer o papel de cidadão.

“Deveria ter mais terra para a gente plantar. Estão acabando com tudo. Daqui a alguns dias, não tem mais o que a gente comer”, explica o agricultor, que revela não ter conhecimento de nenhuma proposta entre os candidatos de incentivo ao povo indígena. Mesmo assim, o senhor não teve dificuldades para ter uma preferência política imediata quando foram lançadas as candidaturas.

A dona de casa Rosilene dos Santos, de 21 anos, leva os filhos Ana Luiza, 2 anos, e Luanderson, 4 anos, para a votação. “Agora é bem mais perto. Antes, as pessoas tinham que se deslocar muito para votar”, indica a jovem.

De acordo com uma das mesárias, Tatiana Batista, também de 21 anos, a distância da comunidade até as outras seções eleitorais, onde o povo votava antigamente, chegava a 10 km.

Rosilene dos Santos Gomes levou os filhos Ana Luiza (2 anos) e Luanderson (4 anos) para o local de votação ( FOTO: Lucas Catrib)

Rosilene dos Santos Gomes levou os filhos Ana Luiza (2 anos) e Luanderson (4 anos) para o local de votação ( FOTO: Lucas Catrib)

“Muito vantajoso. Não precisa se deslocar para longe. A quantidade de eleitores daqui é pouca. Uma vantagem para a comunidade indígena, que tem a sua própria seção. Também é muito calmo e tranquilo. Todo mundo se conhece. Até quando falta alguém para votar, a gente entra em contato (por celular): ‘fulano, falta só você’. A pessoa se desloca e vem. É simples nossa seção”, evidencia a mãe do Arthur Pablo, outra criança presente.

Tatiana faz questão ainda de ressaltar o envolvimento dos conterrâneos com o pleito: “Os índios estão antenados. A gente está sempre procurando saber mais dos candidatos. Pela televisão, rádio, computador”, finaliza.

Quase no início da tarde, as mesárias da seção servem um cafezinho com bolacha para a população ainda presente ao local.

 

As mesárias também fazem parte da comunidade indígena (FOTO: Lucas Catrib)
1/7

As mesárias também fazem parte da comunidade indígena (FOTO: Lucas Catrib)

As mesárias também fazem parte da comunidade indígena (FOTO: Lucas Catrib)

A população serve também um cafezinho durante o pleito (FOTO: Lucas Catrib)
2/7

A população serve também um cafezinho durante o pleito (FOTO: Lucas Catrib)

A população serve também um cafezinho durante o pleito (FOTO: Lucas Catrib)

Eleitor vota em colégio indígena (FOTO: Lucas Catrib)
3/7

Eleitor vota em colégio indígena (FOTO: Lucas Catrib)

Eleitor vota em colégio indígena (FOTO: Lucas Catrib)

O colégio indígena recebe poucos eleitores durante o turno da manhã (FOTO: Lucas Catrib)
4/7

O colégio indígena recebe poucos eleitores durante o turno da manhã (FOTO: Lucas Catrib)

O colégio indígena recebe poucos eleitores durante o turno da manhã (FOTO: Lucas Catrib)

A comunidade Tapeba possui várias plantações (FOTO: Lucas Catrib)
No deslocamento até o local, é preciso passar por uma estrada de calçamento (FOTO: Lucas Catrib)
6/7

No deslocamento até o local, é preciso passar por uma estrada de calçamento (FOTO: Lucas Catrib)

No deslocamento até o local, é preciso passar por uma estrada de calçamento (FOTO: Lucas Catrib)

A comunidade dos Índios Tapebas ainda possui casas mais simples (FOTO: Lucas Catrib)
7/7

A comunidade dos Índios Tapebas ainda possui casas mais simples (FOTO: Lucas Catrib)

A comunidade dos Índios Tapebas ainda possui casas mais simples (FOTO: Lucas Catrib)

 

Publicidade

Dê sua opinião

Agricultor chega de carroça para votar em seção eleitoral indígena

Sem crimes eleitorais registrados, são apenas 197 eleitores na seção 485, em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, onde todos da comunidade se conhecem

Por Lucas Catrib em Política

26 de outubro de 2014 às 13:31

Há 5 anos
O agricultor Roberto Matos Gomes, descendente de indígena torce para a gestão presidencial seguinte se preocupar mais com as políticas do campo (FOTO: Lucas Catrib)

O agricultor Roberto Matos Gomes, descendente de indígena torce para a gestão presidencial seguinte se preocupar mais com as políticas do campo (FOTO: Lucas Catrib)

São apenas 197 eleitores na seção 485, em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza. Numa seção reconhecida como indígena, na comunidade Tapeba, toda uma comunidade vota no mesmo local, sendo comum o encontro e reencontro de amigos na hora do voto. Mas também apresenta fatos inusitados. No segundo turno das eleições 2014, neste domingo (26), um agricultor chegou para votar em seus candidatos numa carroça puxada por um cavalo.

Sem crimes eleitorais registrados ao longo dos três pleitos já realizados, a Escola Indígena Índios Tapeba é uma das 35 seções especiais indígenas do estado. No total, são 8.676 eleitores residentes de 15 municípios. Fato que ocorre por conta dos convênios realizados entre Tribuna Regional Eleitoral (TRE-CE), Fundação Cultural Palmares e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

A Escola Indígena Índios Tapeba sedia a seção especial 485, em Caucaia (FOTO: Lucas Catrib)

A Escola Indígena Índios Tapeba sedia a seção especial 485, em Caucaia (FOTO: Lucas Catrib)

Logo na entrada ao colégio, que fica localizado também no distrito de Capuan, em uma zona rural, a percepção de um ambiente tranquilo e sem filas. Roberto Matos Gomes, de 52 anos, montado em uma carroça, chega para exercer o papel de cidadão.

“Deveria ter mais terra para a gente plantar. Estão acabando com tudo. Daqui a alguns dias, não tem mais o que a gente comer”, explica o agricultor, que revela não ter conhecimento de nenhuma proposta entre os candidatos de incentivo ao povo indígena. Mesmo assim, o senhor não teve dificuldades para ter uma preferência política imediata quando foram lançadas as candidaturas.

A dona de casa Rosilene dos Santos, de 21 anos, leva os filhos Ana Luiza, 2 anos, e Luanderson, 4 anos, para a votação. “Agora é bem mais perto. Antes, as pessoas tinham que se deslocar muito para votar”, indica a jovem.

De acordo com uma das mesárias, Tatiana Batista, também de 21 anos, a distância da comunidade até as outras seções eleitorais, onde o povo votava antigamente, chegava a 10 km.

Rosilene dos Santos Gomes levou os filhos Ana Luiza (2 anos) e Luanderson (4 anos) para o local de votação ( FOTO: Lucas Catrib)

Rosilene dos Santos Gomes levou os filhos Ana Luiza (2 anos) e Luanderson (4 anos) para o local de votação ( FOTO: Lucas Catrib)

“Muito vantajoso. Não precisa se deslocar para longe. A quantidade de eleitores daqui é pouca. Uma vantagem para a comunidade indígena, que tem a sua própria seção. Também é muito calmo e tranquilo. Todo mundo se conhece. Até quando falta alguém para votar, a gente entra em contato (por celular): ‘fulano, falta só você’. A pessoa se desloca e vem. É simples nossa seção”, evidencia a mãe do Arthur Pablo, outra criança presente.

Tatiana faz questão ainda de ressaltar o envolvimento dos conterrâneos com o pleito: “Os índios estão antenados. A gente está sempre procurando saber mais dos candidatos. Pela televisão, rádio, computador”, finaliza.

Quase no início da tarde, as mesárias da seção servem um cafezinho com bolacha para a população ainda presente ao local.

 

As mesárias também fazem parte da comunidade indígena (FOTO: Lucas Catrib)
1/7

As mesárias também fazem parte da comunidade indígena (FOTO: Lucas Catrib)

As mesárias também fazem parte da comunidade indígena (FOTO: Lucas Catrib)

A população serve também um cafezinho durante o pleito (FOTO: Lucas Catrib)
2/7

A população serve também um cafezinho durante o pleito (FOTO: Lucas Catrib)

A população serve também um cafezinho durante o pleito (FOTO: Lucas Catrib)

Eleitor vota em colégio indígena (FOTO: Lucas Catrib)
3/7

Eleitor vota em colégio indígena (FOTO: Lucas Catrib)

Eleitor vota em colégio indígena (FOTO: Lucas Catrib)

O colégio indígena recebe poucos eleitores durante o turno da manhã (FOTO: Lucas Catrib)
4/7

O colégio indígena recebe poucos eleitores durante o turno da manhã (FOTO: Lucas Catrib)

O colégio indígena recebe poucos eleitores durante o turno da manhã (FOTO: Lucas Catrib)

A comunidade Tapeba possui várias plantações (FOTO: Lucas Catrib)
No deslocamento até o local, é preciso passar por uma estrada de calçamento (FOTO: Lucas Catrib)
6/7

No deslocamento até o local, é preciso passar por uma estrada de calçamento (FOTO: Lucas Catrib)

No deslocamento até o local, é preciso passar por uma estrada de calçamento (FOTO: Lucas Catrib)

A comunidade dos Índios Tapebas ainda possui casas mais simples (FOTO: Lucas Catrib)
7/7

A comunidade dos Índios Tapebas ainda possui casas mais simples (FOTO: Lucas Catrib)

A comunidade dos Índios Tapebas ainda possui casas mais simples (FOTO: Lucas Catrib)