Grupo de cearenses prega que população não vá às urnas como protesto contra o sistema político


Grupo de cearenses prega que população não vá às urnas como protesto contra o sistema político

O movimento “Não Voto” existe há 14 anos, sendo composto por pessoas desiludidas com a política e que decidem não votar como um ato de protesto

Por Rosana Romão em Política

4 de outubro de 2014 às 10:00

Há 5 anos
Grupo convoca à população a desistir do voto neste domingo (5). FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Grupo convoca à população a desistir do voto neste domingo (5). FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Um carro de som convocando as pessoas a se reunirem, panfletos sendo espalhados e pessoas com blusa preta exibindo a frase “Não voto”. A cena é comum às vésperas de eleições: trata-se de um movimento que existe há 14 anos, composto por pessoas desiludidas com a política e que decidem não votar como um ato de protesto.

As pessoas abordadas pelo movimento “Não Voto” se mostram curiosas para saber qual o motivo da manifestação. Com um pouco de estranhamento, eles escutam atentos as reivindicações ditas em um microfone.

“Há 14 anos, quando lançamos o manifesto contra a política, nós não votamos. De lá pra cá, já são oito eleições. Essa posição é fruto do desrespeito com o papel da política. Como a política depende da economia, que está sofrendo uma grande crise desde 2008, e nós também somos contra o capitalismo, não temos como colaborar com esse processo de eleição”, explica Rosa da Fonseca, ex-vereadora de Fortaleza e membro do Crítica Radical.

Para o grupo, o voto nulo ou o voto em branco são votos de protesto. Mas o fato do eleitor ir à urna legitima as eleições e termina realizando um protesto parcial. Por isso, o grupo defende que melhor do que anular o voto ou votar em branco é não votar. “Mas não basta não votar, é preciso que a sociedade se organize e construa uma nova vivência social, como já existe, que é o movimento brotando emancipação”, aponta a ex-deputada federal e prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenele.

O sítio do grupo, localizado em Cascavel, propõe uma sociedade alternativa, onde o sistema capitalista não funciona. Mas para quem pretende se associar ao movimento, o grupo sugere outras alternativas, como plantar alimentos em casa, para não fazer parte do capitalismo. O grupo não encontra nos candidatos atuais perspectivas de ruptura como essa, nem a atenção necessária para para discutir a crise da economia.

Membros do movimento e simpatizantes fazem campanha contra o voto de domingo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Membros do movimento e simpatizantes fazem campanha contra o voto de domingo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Neste sábado (4), o movimento “Não Voto” realiza uma convenção durante a manhã na Praça do Ferreira para interagir com as pessoas e abordar o assunto de forma mais aprofundada. “Eu lutei na ditadura, fui presa política, fui torturada, vários companheiros foram assassinados e nós não lutamos para ficar do jeito que está aí. Por isso que nós rompemos com a política. Eu fui vereadora, a Maria Luiza foi deputada federal, estadual e prefeita, nós já estivemos do outro lado e é justamente por isso que nós propomos a ausência do voto”, conclui Rosa da Fonseca.

Publicidade

Dê sua opinião

Grupo de cearenses prega que população não vá às urnas como protesto contra o sistema político

O movimento “Não Voto” existe há 14 anos, sendo composto por pessoas desiludidas com a política e que decidem não votar como um ato de protesto

Por Rosana Romão em Política

4 de outubro de 2014 às 10:00

Há 5 anos
Grupo convoca à população a desistir do voto neste domingo (5). FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Grupo convoca à população a desistir do voto neste domingo (5). FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Um carro de som convocando as pessoas a se reunirem, panfletos sendo espalhados e pessoas com blusa preta exibindo a frase “Não voto”. A cena é comum às vésperas de eleições: trata-se de um movimento que existe há 14 anos, composto por pessoas desiludidas com a política e que decidem não votar como um ato de protesto.

As pessoas abordadas pelo movimento “Não Voto” se mostram curiosas para saber qual o motivo da manifestação. Com um pouco de estranhamento, eles escutam atentos as reivindicações ditas em um microfone.

“Há 14 anos, quando lançamos o manifesto contra a política, nós não votamos. De lá pra cá, já são oito eleições. Essa posição é fruto do desrespeito com o papel da política. Como a política depende da economia, que está sofrendo uma grande crise desde 2008, e nós também somos contra o capitalismo, não temos como colaborar com esse processo de eleição”, explica Rosa da Fonseca, ex-vereadora de Fortaleza e membro do Crítica Radical.

Para o grupo, o voto nulo ou o voto em branco são votos de protesto. Mas o fato do eleitor ir à urna legitima as eleições e termina realizando um protesto parcial. Por isso, o grupo defende que melhor do que anular o voto ou votar em branco é não votar. “Mas não basta não votar, é preciso que a sociedade se organize e construa uma nova vivência social, como já existe, que é o movimento brotando emancipação”, aponta a ex-deputada federal e prefeita de Fortaleza Maria Luiza Fontenele.

O sítio do grupo, localizado em Cascavel, propõe uma sociedade alternativa, onde o sistema capitalista não funciona. Mas para quem pretende se associar ao movimento, o grupo sugere outras alternativas, como plantar alimentos em casa, para não fazer parte do capitalismo. O grupo não encontra nos candidatos atuais perspectivas de ruptura como essa, nem a atenção necessária para para discutir a crise da economia.

Membros do movimento e simpatizantes fazem campanha contra o voto de domingo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Membros do movimento e simpatizantes fazem campanha contra o voto de domingo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Neste sábado (4), o movimento “Não Voto” realiza uma convenção durante a manhã na Praça do Ferreira para interagir com as pessoas e abordar o assunto de forma mais aprofundada. “Eu lutei na ditadura, fui presa política, fui torturada, vários companheiros foram assassinados e nós não lutamos para ficar do jeito que está aí. Por isso que nós rompemos com a política. Eu fui vereadora, a Maria Luiza foi deputada federal, estadual e prefeita, nós já estivemos do outro lado e é justamente por isso que nós propomos a ausência do voto”, conclui Rosa da Fonseca.