Líder de Dilma aconselha PSB a entregar cargos no Governo


Líder de Dilma aconselha PSB a entregar cargos no Governo

“Se fosse eu, entregaria”, diz José Guimarães, Deputado Federal (PT-CE) que disse também que “não se pode ficar fazendo jogo duplo dentro da política”

Por Daniel Herculano em Política

13 de setembro de 2013 às 20:23

Há 6 anos

Em visita ao Sistema Jangadeiro de Comunicação, o Deputado Federal José Nobre Guimarães (PT-CE) deu uma entrevista exclusiva à Tribuna Band News FM e ao portal Tribuna do Ceará. Na pauta sucessão do diretório estadual do PT, eleições 2014, mensalão e a refinaria. 

Guimaraes
JOse Guimaraes
Jose Nobre Guimaraes
Deputado federal Guimaraes

Tribuna do Ceará: Como o senhor vê o processo de eleições diretas do PT?

Deputado Federal José Guimarães (PT-CE): Nós fizemos essa semana um grande lançamento da nossa chapa e da nossa candidatura à Presidente Estadual do PT, pois o partido no estado precisa de uma nova direção. Uma direção que cuide do PT e que enxergue o partido do tamanho que ele é, e que cuide dele não só em Fortaleza, mas em todo o estado.

Somos um partido presente em 184 cidades e fomos o partido mais votado. Com os nossos candidatos conseguimos mais de 1 milhão de votos no 1º turno – em 2º ficou o PSB e em 3º o PMDB. Elegemos 29 prefeitos, um grande número de vice-prefeitos e mais de 200 vereadores. Então um partido como um nosso não pode concentrar suas ações apenas na Capital, fato que ocorreu na gestão estadual do PT nos últimos oito anos. Por isso preciso renovar e eleger uma nova direção do partido, que tenha uma meta central estabelecer uma sintonia fina entre a base e os movimentos sociais. Não é à toa que a nossa chapa tem dentro dela os presidentes das duas principais centrais do Ceará. Joana, presidente da CUT, e Moisés Brás, da Fetraece.

Nossa nova direção tem de ter a centralidade da disputa nacional, pois discutir agora o nosso palanque estadual é o mesmo que discutir o palanque da Dilma. O nosso palanque no Ceará será com aqueles que apoiarem a reeleição da Presidenta Dilma e ponto final.

TdoCE: Há uma ala que defende a continuidade da aliança com o Governador Cid Gomes e outra que defende que o PT seja oposição ao Governo do Estado. Como você avalia esse impasse e qual o reflexo disso tudo em 2014?

DF Guimarães: O Governado Cid Gomes tem dito de forma reiterada que apoiará a reeleição de Dilma Roussef, assim como o Senador Eunício. Só não podemos é ficar agora, precipitadamente, dizendo quem é o candidato. E o nosso projeto nacional? E em nome desse projeto, nós podemos fazer concessões políticas em vários estados, como no Ceará, no Rio Grande do Norte, Paraíba, podemos ter um candidato forte do PT no Piauí, na Bahia. Dependendo da realidade de cada estado.

Nós queremos a reeleição de Dilma Roussef – nosso projeto maior – que não é fácil, e mesmo assim, não não vamos indicar o Lula, que ganharia fácil no 1º turno… Agora é o momento de reeleger Dilma. Até pela seriedade com que ela cuida e dirige o nosso Brasil. Então, nós precisamos consolidar aliados e não podemos ser irresponsáveis de ficar lançando candidato sem levar em conta o cenário nacional. Nós temos uma aliança aqui no Ceará, tanto com o PMDB, com o PC do B, com o PSB, enfim…

TdoCE: E se o Governador de Pernambuco, Roberto Campos, for candidato à Presidente pelo PSB?

DF Guimarães: Primeiro, eu acho que não tem mais jeito. Roberto Campos será candidato contra Dilma Roussef. Essa é a minha opinião. No meu entendimento eu avalio que esse posicionamento já foi longe demais e é um caminho sem volta. Nesta sexta-feira, 13, a Presidenta Dilma está reunida com Lula na Granja do Torto para tratar exatamente disso.

Dos partidos da base aliada, o PSB é o que tem mais espaço no Governo Federal – com o Ministério da Integração Nacional; a Codevasf; o DNOCS; a CHESF; a SUDENE… Como é que se passa 10 anos de aliança conosco e agora vai abandonar o barco? Isso nós vamos ter de discutir já já. Ao meu ver, separou está separado! É da vida.

TdoCE: Nesse caso, o PSB tem de entregar os cargos de volta ao Governo da Dilma?

DF Guimarães: Se fosse eu entregaria. Não fica bem para nenhum partido… Ou é base ou não é! Portanto, se eu fosse do PSB e meu partido disputasse a eleição presidencial com um candidato próprio, a questão deveria ser tratada com seriedade e os cargos deveriam ser entregues. Não se pode ficar fazendo jogo duplo dentro da política e a Presidenta tem a absoluta consciência disso. E por isso haverá um ultimato, no mais tardar no final de outubro, para que essa pendência se resolva, de uma forma ou de outra.

Vamos chamar a direção nacional do PSB para conversar e se apartar, apartou e pronto. Não por opção do PT, pois a nossa opção é manter a parceria. Mas é igual a casamento. Depois de uma década, se não dá mais certo, não deu. A saída do Governador do PSB da aliança é ele que tem de se explicar. Porque não faz sentido fazer uma aliança à direita para nos enfrentar. Nesse caso nós, o PT, somos os cavalheiros, ele que está saindo e que tem de se explicar, pois a sociedade vai pedir explicações.

TdoCE: Com a decisão de Roberto Campos em ser candidato à presidência pelo PSB, como fica a relação e a aliança com o Governado Cid Gomes?

DF Guimarães: Reuni-me na última semana, com Governador na Palácio da Abolição e tivemos uma longa conversa. E ele reiterou seu apoio a reeleição de Dilma Roussef, qualquer que seja o cenário. Com ou sem Eduardo Campos. Agora se o candidato dele ao Governo será ou não do PSB, aí é um problema interno. Essa semana Cid Gomes também se reuniu com Campos, por educação ele inclusive me comunicou que iria nessa reunião, e por isso eu acredito que eles que precisam se resolver, internamente no PSB. Mas para mim, eu tenho muita segurança de que o Governador vai apoiar a Dilma aqui no Ceará.

TdoCE: E o Mensalão? O julgamento final está próximo…

DF Guimarães: Até por questões do país, de respeitar a vida das pessoas, é preciso respeitar aquilo que o processo determina. Por exemplo, não é à toa que está cinco a cinco (a votação, que deverá acabar na próxima quarta-feira, 18/09), pois se fosse uma questão tão simples para condenar e pronto, já deveria ter sido resolvido. E não é por qualquer ministro. Quem assistiu aos votos, tanto de um lado quanto de outro, existem teses. No direito, qualquer um de nós está sujeito a um julgamento e você quer ir com o processo até a última instância final, no ponto de vista da tramitação dos seus recursos. E os embargos infringentes é uma garantia constitucional do direito de qualquer réu e de qualquer pessoa, que seja condenado. É claro que há uma pressão sobre o Supremo Tribunal de Justiça (STF), mas eu só espero que o STF faça apenas uma coisa: justiça. E a justiça, nesse caso, é aceitar os embargos infringentes.

TdoCE: E a refinaria do Ceará? O projeto foi uma promessa do 2º mandato de Lula e também uma das promessas de Dilma em sua 1ª campanha presidencial…

DF Guimarães: A refinaria já foi prometida ao Ceará há 100 anos. Todos os governos que por aqui passou a promessa foi a mesma. Até onde eu me lembro, do Virgílio Távora pra cá, todos os governos do estado trabalharam com essa proposta, anunciaram ou construíram possibilidades da vinda do empreendimento. Existiam dois grandes projetos fundantes para o Ceará: a siderúrgica e a refinaria. Já temos cerca de 90% da obra da siderúrgica no Pecém, porém ninguém mais fala dela. Já da refinaria, no meu entendimento já é uma realidade. Pois o terreno já está cedido à Petrobrás, e Graça Foster, sua presidente, me assegurou que a refinaria Premium I (do Ceará) e a Premium II (do Maranhão) estão dentro do plano de negócios até 2018. Um investimento de U$ 11 bilhões não se faz num estalar de dedos. Temos de ter parceiros para isso, e, oficialmente ainda não soube da desistência dos coreanos, contudo se for verdade – ainda não confirmada pela Petrobrás – nós precisamos de um parceiro comercial para que a refinaria seja efetivamente construída.

TdoCE: PMDB no Ceará e a aliança com o PT?

DF Guimarães: Na perspectiva nacional, o PT deseja manter o PMDB na aliança nacional, apoiando a candidatura da Presidenta Dilma. É claro que há sempre uma desconfiança natural, até porque nós sabemos qual é a história do PMDB. Na primeira eleição do Lula, eles (O PMDB) apoiaram o Fernando Henrique Cardoso. Na outra campanha de Lula, desta feita vitoriosa, vieram com o PT. E na eleição da Dilma, vieram com a Dilma – é do PMDB o nosso Vice-Presidente, Michel Temer. Portanto, há gente no PMDB que defenda outro caminho, que não a aliança com o PT. Mas nós temos conversado. Eu mesmo tive uma conversa longa com o Rui Falcão – Presidente do PT nacional – e a nossa perspectiva, como reiteradamente têm dito o Vice, Michel Temer, é a de que o PMDB apoie a reeleição da Presidente Dilma desde o 1º turno. Assim, acredito que o PMDB, o PDT, o PP, o PR, o PC do B estarão na nossa aliança nacional.

TdoCE: Como fica o PSB? E a situação política aqui no Ceará?

DF Guimarães: Temos de aguardar o dia 5 de outubro deste ano. O debate eleitoral de 2014 foi muito antecipado, por conta do prazo eleitoral já estabelecido. Quem for candidato a Governador no Estado tem de estar filiado até o dia de 5 outubro próximo. Se o PSB, com a indicação do Governador Cid Gomes, deslocar alguém para um outro partido aqui, está entendido que esse será o candidato do governo e que eles (o PSB) podem indicar também um nome na disputa. Contudo, a nossa perspectiva aqui no Ceará é boa, pois o PT quer ter tanto Cid Gomes quanto Eunício Oliveira no palanque da Dilma em 2014.

TdoCE: Quem será esse candidato à Governador?

DF Guimarães: é uma questão que ainda está em aberto. O PT topa sim, somos maioria e vamos construir esse apoio ao futuro candidato. Nós temos o compromisso de ter um palanque para a Dilma no Ceará, por isso o nosso candidato à Governador tem de estar no nosso palanque. Tanto pode ser o nome que o Governador Cid Gomes indicar – que possivelmente sairá no PSB para outro partido – como pode ser um nome do PMDB, ou quem sabe até o próprio PT. Porque o Governador Cid Gomes e o PMDB de Eunício vão sentar na mesa e vão discutir qual o melhor caminho para submeter aos partidos.

TdoCE: Deputado, o senhor é candidato à Senador?

DF Guimarães: por onde eu ando o pessoal fala muito nisso. As pessoas têm falado muito, mas eu acredito que o PT só vai tratar disso após o dia 10 de novembro deste ano.

TdoCE: Mas, independente da decisão do PT, qual é a sua vontade?

DF Guimarães: continuar trabalhando pelo Brasil. Quer seja como Deputado Federal, que eu estou muito bem posicionado como líder do PT no Congresso Nacional, atuando e trabalhando pelo Brasil e pelo Ceará. Mas é claro, se o Lula chegar, ou se a própria Dilma precisar do meu nome para algum cargo majoritário, eu estarei pronto e topo qualquer parada.

Publicidade

Dê sua opinião

Líder de Dilma aconselha PSB a entregar cargos no Governo

“Se fosse eu, entregaria”, diz José Guimarães, Deputado Federal (PT-CE) que disse também que “não se pode ficar fazendo jogo duplo dentro da política”

Por Daniel Herculano em Política

13 de setembro de 2013 às 20:23

Há 6 anos

Em visita ao Sistema Jangadeiro de Comunicação, o Deputado Federal José Nobre Guimarães (PT-CE) deu uma entrevista exclusiva à Tribuna Band News FM e ao portal Tribuna do Ceará. Na pauta sucessão do diretório estadual do PT, eleições 2014, mensalão e a refinaria. 

Guimaraes
JOse Guimaraes
Jose Nobre Guimaraes
Deputado federal Guimaraes

Tribuna do Ceará: Como o senhor vê o processo de eleições diretas do PT?

Deputado Federal José Guimarães (PT-CE): Nós fizemos essa semana um grande lançamento da nossa chapa e da nossa candidatura à Presidente Estadual do PT, pois o partido no estado precisa de uma nova direção. Uma direção que cuide do PT e que enxergue o partido do tamanho que ele é, e que cuide dele não só em Fortaleza, mas em todo o estado.

Somos um partido presente em 184 cidades e fomos o partido mais votado. Com os nossos candidatos conseguimos mais de 1 milhão de votos no 1º turno – em 2º ficou o PSB e em 3º o PMDB. Elegemos 29 prefeitos, um grande número de vice-prefeitos e mais de 200 vereadores. Então um partido como um nosso não pode concentrar suas ações apenas na Capital, fato que ocorreu na gestão estadual do PT nos últimos oito anos. Por isso preciso renovar e eleger uma nova direção do partido, que tenha uma meta central estabelecer uma sintonia fina entre a base e os movimentos sociais. Não é à toa que a nossa chapa tem dentro dela os presidentes das duas principais centrais do Ceará. Joana, presidente da CUT, e Moisés Brás, da Fetraece.

Nossa nova direção tem de ter a centralidade da disputa nacional, pois discutir agora o nosso palanque estadual é o mesmo que discutir o palanque da Dilma. O nosso palanque no Ceará será com aqueles que apoiarem a reeleição da Presidenta Dilma e ponto final.

TdoCE: Há uma ala que defende a continuidade da aliança com o Governador Cid Gomes e outra que defende que o PT seja oposição ao Governo do Estado. Como você avalia esse impasse e qual o reflexo disso tudo em 2014?

DF Guimarães: O Governado Cid Gomes tem dito de forma reiterada que apoiará a reeleição de Dilma Roussef, assim como o Senador Eunício. Só não podemos é ficar agora, precipitadamente, dizendo quem é o candidato. E o nosso projeto nacional? E em nome desse projeto, nós podemos fazer concessões políticas em vários estados, como no Ceará, no Rio Grande do Norte, Paraíba, podemos ter um candidato forte do PT no Piauí, na Bahia. Dependendo da realidade de cada estado.

Nós queremos a reeleição de Dilma Roussef – nosso projeto maior – que não é fácil, e mesmo assim, não não vamos indicar o Lula, que ganharia fácil no 1º turno… Agora é o momento de reeleger Dilma. Até pela seriedade com que ela cuida e dirige o nosso Brasil. Então, nós precisamos consolidar aliados e não podemos ser irresponsáveis de ficar lançando candidato sem levar em conta o cenário nacional. Nós temos uma aliança aqui no Ceará, tanto com o PMDB, com o PC do B, com o PSB, enfim…

TdoCE: E se o Governador de Pernambuco, Roberto Campos, for candidato à Presidente pelo PSB?

DF Guimarães: Primeiro, eu acho que não tem mais jeito. Roberto Campos será candidato contra Dilma Roussef. Essa é a minha opinião. No meu entendimento eu avalio que esse posicionamento já foi longe demais e é um caminho sem volta. Nesta sexta-feira, 13, a Presidenta Dilma está reunida com Lula na Granja do Torto para tratar exatamente disso.

Dos partidos da base aliada, o PSB é o que tem mais espaço no Governo Federal – com o Ministério da Integração Nacional; a Codevasf; o DNOCS; a CHESF; a SUDENE… Como é que se passa 10 anos de aliança conosco e agora vai abandonar o barco? Isso nós vamos ter de discutir já já. Ao meu ver, separou está separado! É da vida.

TdoCE: Nesse caso, o PSB tem de entregar os cargos de volta ao Governo da Dilma?

DF Guimarães: Se fosse eu entregaria. Não fica bem para nenhum partido… Ou é base ou não é! Portanto, se eu fosse do PSB e meu partido disputasse a eleição presidencial com um candidato próprio, a questão deveria ser tratada com seriedade e os cargos deveriam ser entregues. Não se pode ficar fazendo jogo duplo dentro da política e a Presidenta tem a absoluta consciência disso. E por isso haverá um ultimato, no mais tardar no final de outubro, para que essa pendência se resolva, de uma forma ou de outra.

Vamos chamar a direção nacional do PSB para conversar e se apartar, apartou e pronto. Não por opção do PT, pois a nossa opção é manter a parceria. Mas é igual a casamento. Depois de uma década, se não dá mais certo, não deu. A saída do Governador do PSB da aliança é ele que tem de se explicar. Porque não faz sentido fazer uma aliança à direita para nos enfrentar. Nesse caso nós, o PT, somos os cavalheiros, ele que está saindo e que tem de se explicar, pois a sociedade vai pedir explicações.

TdoCE: Com a decisão de Roberto Campos em ser candidato à presidência pelo PSB, como fica a relação e a aliança com o Governado Cid Gomes?

DF Guimarães: Reuni-me na última semana, com Governador na Palácio da Abolição e tivemos uma longa conversa. E ele reiterou seu apoio a reeleição de Dilma Roussef, qualquer que seja o cenário. Com ou sem Eduardo Campos. Agora se o candidato dele ao Governo será ou não do PSB, aí é um problema interno. Essa semana Cid Gomes também se reuniu com Campos, por educação ele inclusive me comunicou que iria nessa reunião, e por isso eu acredito que eles que precisam se resolver, internamente no PSB. Mas para mim, eu tenho muita segurança de que o Governador vai apoiar a Dilma aqui no Ceará.

TdoCE: E o Mensalão? O julgamento final está próximo…

DF Guimarães: Até por questões do país, de respeitar a vida das pessoas, é preciso respeitar aquilo que o processo determina. Por exemplo, não é à toa que está cinco a cinco (a votação, que deverá acabar na próxima quarta-feira, 18/09), pois se fosse uma questão tão simples para condenar e pronto, já deveria ter sido resolvido. E não é por qualquer ministro. Quem assistiu aos votos, tanto de um lado quanto de outro, existem teses. No direito, qualquer um de nós está sujeito a um julgamento e você quer ir com o processo até a última instância final, no ponto de vista da tramitação dos seus recursos. E os embargos infringentes é uma garantia constitucional do direito de qualquer réu e de qualquer pessoa, que seja condenado. É claro que há uma pressão sobre o Supremo Tribunal de Justiça (STF), mas eu só espero que o STF faça apenas uma coisa: justiça. E a justiça, nesse caso, é aceitar os embargos infringentes.

TdoCE: E a refinaria do Ceará? O projeto foi uma promessa do 2º mandato de Lula e também uma das promessas de Dilma em sua 1ª campanha presidencial…

DF Guimarães: A refinaria já foi prometida ao Ceará há 100 anos. Todos os governos que por aqui passou a promessa foi a mesma. Até onde eu me lembro, do Virgílio Távora pra cá, todos os governos do estado trabalharam com essa proposta, anunciaram ou construíram possibilidades da vinda do empreendimento. Existiam dois grandes projetos fundantes para o Ceará: a siderúrgica e a refinaria. Já temos cerca de 90% da obra da siderúrgica no Pecém, porém ninguém mais fala dela. Já da refinaria, no meu entendimento já é uma realidade. Pois o terreno já está cedido à Petrobrás, e Graça Foster, sua presidente, me assegurou que a refinaria Premium I (do Ceará) e a Premium II (do Maranhão) estão dentro do plano de negócios até 2018. Um investimento de U$ 11 bilhões não se faz num estalar de dedos. Temos de ter parceiros para isso, e, oficialmente ainda não soube da desistência dos coreanos, contudo se for verdade – ainda não confirmada pela Petrobrás – nós precisamos de um parceiro comercial para que a refinaria seja efetivamente construída.

TdoCE: PMDB no Ceará e a aliança com o PT?

DF Guimarães: Na perspectiva nacional, o PT deseja manter o PMDB na aliança nacional, apoiando a candidatura da Presidenta Dilma. É claro que há sempre uma desconfiança natural, até porque nós sabemos qual é a história do PMDB. Na primeira eleição do Lula, eles (O PMDB) apoiaram o Fernando Henrique Cardoso. Na outra campanha de Lula, desta feita vitoriosa, vieram com o PT. E na eleição da Dilma, vieram com a Dilma – é do PMDB o nosso Vice-Presidente, Michel Temer. Portanto, há gente no PMDB que defenda outro caminho, que não a aliança com o PT. Mas nós temos conversado. Eu mesmo tive uma conversa longa com o Rui Falcão – Presidente do PT nacional – e a nossa perspectiva, como reiteradamente têm dito o Vice, Michel Temer, é a de que o PMDB apoie a reeleição da Presidente Dilma desde o 1º turno. Assim, acredito que o PMDB, o PDT, o PP, o PR, o PC do B estarão na nossa aliança nacional.

TdoCE: Como fica o PSB? E a situação política aqui no Ceará?

DF Guimarães: Temos de aguardar o dia 5 de outubro deste ano. O debate eleitoral de 2014 foi muito antecipado, por conta do prazo eleitoral já estabelecido. Quem for candidato a Governador no Estado tem de estar filiado até o dia de 5 outubro próximo. Se o PSB, com a indicação do Governador Cid Gomes, deslocar alguém para um outro partido aqui, está entendido que esse será o candidato do governo e que eles (o PSB) podem indicar também um nome na disputa. Contudo, a nossa perspectiva aqui no Ceará é boa, pois o PT quer ter tanto Cid Gomes quanto Eunício Oliveira no palanque da Dilma em 2014.

TdoCE: Quem será esse candidato à Governador?

DF Guimarães: é uma questão que ainda está em aberto. O PT topa sim, somos maioria e vamos construir esse apoio ao futuro candidato. Nós temos o compromisso de ter um palanque para a Dilma no Ceará, por isso o nosso candidato à Governador tem de estar no nosso palanque. Tanto pode ser o nome que o Governador Cid Gomes indicar – que possivelmente sairá no PSB para outro partido – como pode ser um nome do PMDB, ou quem sabe até o próprio PT. Porque o Governador Cid Gomes e o PMDB de Eunício vão sentar na mesa e vão discutir qual o melhor caminho para submeter aos partidos.

TdoCE: Deputado, o senhor é candidato à Senador?

DF Guimarães: por onde eu ando o pessoal fala muito nisso. As pessoas têm falado muito, mas eu acredito que o PT só vai tratar disso após o dia 10 de novembro deste ano.

TdoCE: Mas, independente da decisão do PT, qual é a sua vontade?

DF Guimarães: continuar trabalhando pelo Brasil. Quer seja como Deputado Federal, que eu estou muito bem posicionado como líder do PT no Congresso Nacional, atuando e trabalhando pelo Brasil e pelo Ceará. Mas é claro, se o Lula chegar, ou se a própria Dilma precisar do meu nome para algum cargo majoritário, eu estarei pronto e topo qualquer parada.