Produtos da mídia na política, apresentadores de programa policial prometem atuar para reduzir violência


Produtos da mídia na política, apresentadores de programa policial prometem luta contra violência

Ely Aguiar defende controle de fronteiras e Ferreira Aragão quer investimentos em cultura e esportes. Especialista afirma que “deturpação” do sistema eleitoral favorece esse segmento

Por Pedro Alves em Política

21 de outubro de 2014 às 17:05

Há 5 anos
FERREIRA ARAGAO E ELY AGUIAR

Ely Aguiar e Ferreira Aragão foram eleitos deputado estadual (foto: AL-CE)

Tema fundamental nos programas policiais de televisão, o estado de medo e insegurança na sociedade é fator determinante para eleição dos apresentadores de TV que entraram na política. Neste ano, eleitores do Ceará deram novos mandatos a nomes já conhecidos nas telas e nos parlamentos. Para deputado estadual, foram eleitos Ely Aguiar (PSDC) e Ferreira Aragão (PDT); e Vitor Valim (PMDB) – que é vereador – assume mandado de deputado federal, a partir de 2015.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Ely e Aragão declararam que segurança pública é bandeira de seus mandatos parlamentares. Para o cientista político e professor da Unifor Clésio Arruda, apresentadores de programas policiais são beneficiados – e eleitos – por um estado de medo que seus programas ajudam a criar na sociedade. “Depois disso, eles próprios se apresentam como salvadores da pátria”, afirma.

Para combater a insegurança, Ely diz que seu foco será uma atuação parlamentar contra as drogas, e a favor de um maior controle sobre as fronteiras, com o uso de batalhões especiais. Mesma medida defendida por Aragão. Segundo ele, o Ceará precisa ser “ilhado e isolado”, com controle de fronteiras.

Para Ely, a atual política de segurança pública “está péssima” e por isso as drogas ainda são protagonista na criminalidade. Aragão defende o combate “inteligente” ao crime. “O problema da violência tem que ser enfrentado com medidas duras e ao mesmo tempo alternativas, e na minha visão essas alternativas são a cultura e o esporte”, afirma.

Eleitos pela televisão?

Ely Aguiar reconhece que a visibilidade proporcionada pela televisão o ajudou na eleição. “Isso é lógico. Eu sou um produto da mídia”, afirmou. Mas ele não aceita eventual crítica que associe a vitória na política exclusivamente à visibilidade na TV.

Ele argumenta que é tradição a entrada de médicos na política, impulsionada pelo prestígio que os profissionais da saúde conquistam no contato com a população. “A Assembleia do Ceará tem 16 médicos. E ninguém fala que eles estão usando a profissão pra se eleger, mas quando é um jornalista, um apresentador, essa crítica surge”, reclamou.

Ferreira Aragão também afirma que sua vitória passou pela tela dos programas policiais, e também defende que este não é fator determinante. “Eu fui o campeão da Assembleia em produção legislativa, sempre votei a favor dos cearenses”, destacou Ferreira – que já é deputado estadual, assim como Ely. Clésio Arruda tem avaliações diferentes.

Segundo ele, apresentadores são eleitos por “uma combinação de espaço permanente na mídia com a discussão de temas apelativos, como a insegurança”. Ainda de acordo com o professor da Unifor, esse segmento da política atrai uma faixa de eleitores “amedrontados” pelo programa que assistem na TV.

“O programa alardeia um problema que é grave, mas apresenta proporções muito maiores”, observa. Clésio afirma que há um desequilíbrio na disputa, já que os político-apresentadores contam com visibilidade na mídia antes mesmo da campanha eleitoral.

O que diz a lei

Na legislação eleitoral, não há dispositivo para equilibrar este fator – que, para o cientista político, representa “deturpação do sistema eleitoral”. Nos termos legais que regulam as eleições, só há uma regra que precisa ser observada pelos apresentadores de TV que serão candidatos, segundo o procurador regional eleitoral, Rômulo Conrado.

“Esses candidatos só podem apresentar seus programas, aparecer em suas emissoras, até o dia da convenção em que são lançados como candidatos”, explica o procurador. Como o prazo das convenções vai até 90 dias antes do primeiro turno das eleições, essa regra determina que os apresentadores não podem aparecer nos espaços da imprensa nos três meses antes da eleição.

* O Sistema Jangadeiro tentou fazer contato com o vereador Vitor Valim. Ligações não foram atendidas. Em um dos telefonemas, Valim atendeu à ligação, mas avisou que estava ocupado e não poderia dar entrevista.

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Produtos da mídia na política, apresentadores de programa policial prometem luta contra violência

Ely Aguiar defende controle de fronteiras e Ferreira Aragão quer investimentos em cultura e esportes. Especialista afirma que “deturpação” do sistema eleitoral favorece esse segmento

Por Pedro Alves em Política

21 de outubro de 2014 às 17:05

Há 5 anos
FERREIRA ARAGAO E ELY AGUIAR

Ely Aguiar e Ferreira Aragão foram eleitos deputado estadual (foto: AL-CE)

Tema fundamental nos programas policiais de televisão, o estado de medo e insegurança na sociedade é fator determinante para eleição dos apresentadores de TV que entraram na política. Neste ano, eleitores do Ceará deram novos mandatos a nomes já conhecidos nas telas e nos parlamentos. Para deputado estadual, foram eleitos Ely Aguiar (PSDC) e Ferreira Aragão (PDT); e Vitor Valim (PMDB) – que é vereador – assume mandado de deputado federal, a partir de 2015.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Ely e Aragão declararam que segurança pública é bandeira de seus mandatos parlamentares. Para o cientista político e professor da Unifor Clésio Arruda, apresentadores de programas policiais são beneficiados – e eleitos – por um estado de medo que seus programas ajudam a criar na sociedade. “Depois disso, eles próprios se apresentam como salvadores da pátria”, afirma.

Para combater a insegurança, Ely diz que seu foco será uma atuação parlamentar contra as drogas, e a favor de um maior controle sobre as fronteiras, com o uso de batalhões especiais. Mesma medida defendida por Aragão. Segundo ele, o Ceará precisa ser “ilhado e isolado”, com controle de fronteiras.

Para Ely, a atual política de segurança pública “está péssima” e por isso as drogas ainda são protagonista na criminalidade. Aragão defende o combate “inteligente” ao crime. “O problema da violência tem que ser enfrentado com medidas duras e ao mesmo tempo alternativas, e na minha visão essas alternativas são a cultura e o esporte”, afirma.

Eleitos pela televisão?

Ely Aguiar reconhece que a visibilidade proporcionada pela televisão o ajudou na eleição. “Isso é lógico. Eu sou um produto da mídia”, afirmou. Mas ele não aceita eventual crítica que associe a vitória na política exclusivamente à visibilidade na TV.

Ele argumenta que é tradição a entrada de médicos na política, impulsionada pelo prestígio que os profissionais da saúde conquistam no contato com a população. “A Assembleia do Ceará tem 16 médicos. E ninguém fala que eles estão usando a profissão pra se eleger, mas quando é um jornalista, um apresentador, essa crítica surge”, reclamou.

Ferreira Aragão também afirma que sua vitória passou pela tela dos programas policiais, e também defende que este não é fator determinante. “Eu fui o campeão da Assembleia em produção legislativa, sempre votei a favor dos cearenses”, destacou Ferreira – que já é deputado estadual, assim como Ely. Clésio Arruda tem avaliações diferentes.

Segundo ele, apresentadores são eleitos por “uma combinação de espaço permanente na mídia com a discussão de temas apelativos, como a insegurança”. Ainda de acordo com o professor da Unifor, esse segmento da política atrai uma faixa de eleitores “amedrontados” pelo programa que assistem na TV.

“O programa alardeia um problema que é grave, mas apresenta proporções muito maiores”, observa. Clésio afirma que há um desequilíbrio na disputa, já que os político-apresentadores contam com visibilidade na mídia antes mesmo da campanha eleitoral.

O que diz a lei

Na legislação eleitoral, não há dispositivo para equilibrar este fator – que, para o cientista político, representa “deturpação do sistema eleitoral”. Nos termos legais que regulam as eleições, só há uma regra que precisa ser observada pelos apresentadores de TV que serão candidatos, segundo o procurador regional eleitoral, Rômulo Conrado.

“Esses candidatos só podem apresentar seus programas, aparecer em suas emissoras, até o dia da convenção em que são lançados como candidatos”, explica o procurador. Como o prazo das convenções vai até 90 dias antes do primeiro turno das eleições, essa regra determina que os apresentadores não podem aparecer nos espaços da imprensa nos três meses antes da eleição.

* O Sistema Jangadeiro tentou fazer contato com o vereador Vitor Valim. Ligações não foram atendidas. Em um dos telefonemas, Valim atendeu à ligação, mas avisou que estava ocupado e não poderia dar entrevista.