Roberto Cláudio e Capitão Wagner partem para o ataque mútuo durante debate na TV Jangadeiro

EMPATADOS NA RETA FINAL

Roberto Cláudio e Capitão Wagner partem para o ataque mútuo durante debate na TV Jangadeiro

O cenário acirrado de possível segundo turno fez com os candidatos melhor colocados adotassem postura mais incisiva contra os adversários

Por Jéssica Welma em Política

27 de setembro de 2016 às 18:08

Há 3 anos

selo-03Empatados tecnicamente nas pesquisas de intenção de voto pela Prefeitura de Fortaleza, os candidatos Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (PR) partiram para o confronto direto durante debate na TV Jangadeiro, nesta terça-feira (27). Os adversários atacaram um ao outro justamente nos temas pelos quais cada um se tornou referência: saúde e segurança pública, respectivamente.

Roberto Cláudio citou liderança de Wagner na greve da Polícia Militar de 2012. Já o candidato do PR perguntou se o rival não sente “frustração” por ser médico e não ter cumprido promessas de campanha no setor. Isolada na terceira posição das pesquisas, Luizianne Lins (PT) mudou a estratégia, reforçou ataque a Wagner e chamou propostas de adversários de “demagógicas”.

O penúltimo debate antes das eleições municipais foi realizado pela TV Jangadeiro no teatro Nadir Papi Sabóia, integrante do Sistema de Ensino Farias Brito. Participaram seis dos oito candidatos que disputam a quinta maior capital do País: além de Capitão Wagner, Luizianne e Roberto Cláudio, debateram Heitor Férrer (PSB), Ronaldo Martins (PRB) e Tin Gomes (PHS).

Roberto Cláudio e Capitão Wagner aparecem tecnicamente empatados em pesquisas. (Fotos: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Roberto Cláudio e Capitão Wagner aparecem tecnicamente empatados em pesquisas. (Fotos: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Na reta final da campanha, Roberto Cláudio e Capitão Wagner aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas de intenção de voto. O levantamento O POVO/Datafolha, divulgado no sábado (24), mostra o candidato do PDT com 34% das intenções de voto, contra 28% do candidato do PR. Luizianne Lins soma 15% da preferência e se isola na terceira posição, seguida por Heitor Férrer, com 6%.

O cenário acirrado de possível segundo turno fez com os candidatos melhor colocados adotassem postura mais incisiva contra os adversários. Wagner, cuja proposta de maior destaque é o armamento da Guarda Municipal, foi alvo de críticas em diversos momentos da discussão, até mesmo quando não estava diretamente envolvido no debate. O confronto principal, no entanto, foi entre ele o adversário Roberto Cláudio.

O atual prefeito foi o primeiro a questionar Wagner, principal ameaça à sua reeleição e que pode chegar ao segundo turno à frente do pedetista. RC citou o trabalho de planejamento de ações da Prefeitura e perguntou ao adversário quais suas propostas para a área do planejamento. Wagner aproveitou o tema para criticar “a falta de continuidade nas políticas públicas” e voltou a atacar a atual gestão de na área da Cultura e do Lazer. Ele criticou o prefeito por não efetivar servidores na Cultura e e por “desprezar” os Centros Sociais Urbanos (CSU).

“O deputado ficou mais preocupado em fazer críticas administrativas do que apresentar seu plano na área de planejamento urbano”, rebateu RC em sua réplica. “Estamos entregando à cidade, depois de três anos de trabalho, o mais abrangente plano que vai pensar os territórios e a Fortaleza do futuro”, pontuou o candidato.

“Realmente o prefeito tem planejado a cidade para 2040, mas não tem planejado a cidade para agora, e o que a gente quer nesse momento é solução para o problema da saúde”, contrapôs Wagner, citando a área de formação do adversário. “Prometer é muito fácil, falar bonito é muito fácil, agora o que a gente quer é execução do que é prometido e aqui a gente não está em nenhum campeonato de propostas”, disse.

Em seguida, o candidato sorteado para fazer perguntas aos adversários foi Wagner. Em sua primeira pergunta, direcionada a Roberto Cláudio, voltou a frisar a área da saúde pública. Ele lembrou promessa de campanha de RC em 2012 sobre zerar as filas de atendimento e disse que o prefeito “fechou” o Centro de Especialidades Médicas José de Alencar (Cemja). “Havia uma expectativa muito grande do povo de Fortaleza por conta do título de médico sanitarista de que o senhor resolveria o problema da saúde do município. Não há uma frustração do senhor em seu mandato por não ter resolvido esse problema tão grave”, questionou.

“Sim, a saúde é um problema real e, diferentemente de outras candidaturas que estão prometendo soluções rápidas para problemas complexos como a segurança, nós acreditamos que a saúde só se resolverá com investimento, continuidade, perseverança e honestidade”, respondeu Roberto Cláudio, citando ações de sua gestão, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e postos de saúde.

Seis dos oito candidatos à Prefeitura de Fortaleza participaram do debate. (Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará)

Seis dos oito candidatos à Prefeitura de Fortaleza participaram do debate. (Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará)

Capitão Wagner lembrou o adversário que faltam insumos básicos nos atendimento de saúde e citou o “corredômetro” criado pelo Sindicato dos Médicos de Ceará para contabilizar atendimentos feitos em macas nos corredores e, até mesmo, no chão dos hospitais. A insistência de Wagner em atacar a gestão na área da saúde fez com que Roberto Cláudio elevasse o tom da crítica, citando a falta de experiência do candidato do PR e a greve da Polícia Militar, pela qual Wagner ganhou projeção.

“Talvez por nunca ter sido nem mesmo coordenador de uma secretaria, secretário, ou nunca ter liderado nada na administração pública ou administrado um orçamento – a única liderança e papel que teve foi liderar uma greve que causou pavor e medo à população -, talvez por isso as críticas sejam fáceis. Difícil é fazer, difícil é se agarrar ao um problema e explicar para o povo muitas coisas que estão dando certo e outras que não estão”, rebateu Roberto Cláudio.

Luizianne Lins
Com queda nas intenções de votos desde o início da campanha, dentro da margem de erro, a ex-prefeita de Fortaleza mudou a estratégia na reta final em busca do segundo turno. Se antes os ataques eram direcionados principalmente para Roberto Cláudio – que derrotou o candidato do PT em 2012 -, nesse debate Luizianne avançou contra Capitão Wagner e suas propostas para segurança pública e moradia.

Ao formular pergunta a Heitor Férrer, Luizianne abordou a proposta de Capitão Wagner de tornar a Guarda Municipal mais ostensiva. O resultado foi um ataque de ambos ao projeto do candidato do PR. Heitor citou o Governo do Estado e disse que o aumento no número de policiais e a estrutura de equipamentos, como carros e armas para a Polícia Militar, não reduziu os índices de violência, mas aumentou.

No confronto direto com Capitão Wagner, a petista o questionou sobre a polêmica de que o policial reformado teria prometido a policiais militares dar terrenos da prefeitura para que policiais construíssem suas casas. “Temos 35 mil servidores públicos municipais, talvez fosse mais interessante, o senhor como prefeito – já que o policial militar é funcionário do Estado, o senhor ceder para os 35 mil servidores municipais que muitos têm que pagar aluguel”.

Wagner agradeceu a “coragem” de Luizianne de abordar o assunto pessoalmente. “Eu estava em uma reunião com policiais, não estava com professores, com profissionais da saúde, e, por conta disso, eu tinha de tratar de temas dos policiais. Em nenhum momento a gente estava falando sobre construir moradias para os policiais. Estávamos falando em ceder terreno”, disse Wagner, exemplificando com a cessão de terrenos para empresas, por exemplo. Ele também citou a vulnerabilidade dos policiais e os números de profissionais assassinados em trabalho. Wagner disse que não construirá moradias exclusivas para os policiais, mas ceder terras para associações.

Perguntas do debate
Temas tradicionais nos primeiros debates entre os candidatos – como a diminuição dos fotossensores na cidade e as ações de mobilidade urbana, tiveram pouco destaque. No primeiro bloco, perguntas enviadas por estudantes da Faculdade Farias Brito questionaram os candidatos sobre passe livre nos ônibus, projetos para segurança pública, desemprego, moradia e educação de qualidade.

Heitor Férrer
Ainda que na terceira colocação, Heitor Férrer afirma que os números das pesquisas de intenção de voto podem não refletir o resultado das urnas. Ele afirmou, após o debate, que vai focar no índice de 29% de eleitores indecisos nessa reta final. Durante o debate, Heitor distribuiu críticas aos três principais adversários.

Em um dos momentos, ele citou o embate entre Luizianne e Roberto Cláudio, pontuando que a petista acusa o atual gestor de não ter feito obras que ela também não concluiu. “Você e o prefeito são iguais?“, alfinetou o candidato.

Luizianne Lins, Capitão Wagner e Heitor Férrer. (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

Luizianne Lins, Capitão Wagner e Heitor Férrer. (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

Em muitos momentos, Heitor fez perguntas aos candidatos, direcionando ataques a mais de um adversário. Esse foi o caso de quando ele questionou Wagner sobre as doações de campanha. O candidato do PR aproveitou para criticar Roberto Cláudio, cuja campanha é a mais cara. Wagner disse ficar impressionado com a “paixão exacerbada de uma família que consegue doar mais de um milhão de reais para uma candidatura”, em referência a doações recebidas por RC.

Tin Gomes também adotou postura mais incisiva, principalmente contra Capitão Wagner. Em discussão sobre a proposta de armar a Guarda Municipal, da qual Tin é contrário, o candidato do PHS descredibilizou a efetividade da mudança. “Nosso problema é a médio e longo prazo, não é de imediato, ou a gente assume isso ou estamos mentindo para a população”, disse a Wagner. Ele também atacou a proposta de construir escolas de tempo integral de Roberto Cláudio e afirmou que não apoia a construção de novas escolas enquanto “as que já existem não funcionam”.

Ao falar sobre a proposta de oferecer passe livre, defendida por Wagner e Heitor, Tin disse que ação é inviável para a Prefeitura. “Não concordo com essa proposta. Se isso fosse possível, Luizianne e Roberto Cláudio já teriam dado. É uma proposta que não vai ser realizada e não estou aqui para trazer proposta que não vai ser realizada. Quem prometer, não vai cumprir”, disse.

Quem ironizou os ataques dos adversários à proposta de armar a Guarda foi Ronaldo Martins. Ele citou piada sobre o armamento não letal utilizado pelos guardas atualmente, após Luizianne criticar a abordagem do armamento letal. “Quando os bandidos chegaram na Câmara Municipal, falaram para a Guarda Municipal assim: levanta a mão porque isso aqui é um assalto, com uma arma letal. E os guardas municipais falaram assim: levanta a mão senão te dou um choque”, fez graça.

Ronaldo Martins, Roberto Cláudio e Tin Gomes. (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

Ronaldo Martins, Roberto Cláudio e Tin Gomes. (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

O candidato do PRB destacou suas propostas de acabar com as regionais, reduzir o número de cargos comissionados na Prefeitura, criar o hospital do idoso e abrir escolas de domingo a domingo, por exemplo.

Pós-debate
Em entrevista após o debate, os candidatos evitaram estender as críticas. Capitão Wagner disse seu crescimento na pesquisa e a possibilidade de chegar ao segundo turno viabilizaram os ataques dos adversários. “Foi tudo esclarecido”, ressaltou sobre a greve dos policiais militares em 2012. “De lá para cá não se cogita mais nenhum movimento nesse sentido”, acrescentou. Em relação à promessa de ceder terrenos, ele disse que o assunto foi “soltado nas redes sociais como se fosse um grande problema”, mas cessão de terrenos cabe ao Executivo.

Roberto Cláudio, que teve direito de resposta negado sobre o financiamento de campanha, defendeu-se dizendo que o Ministério Público tem de ficar de olho em campanhas que não declaram o recebimento de verbas. Ele também voltou a falar sobre as ações na área da saúde e disse que críticas partem de quem “não entende de administração”.

Luizianne negou a mudança de estratégia e disse que sua postura no debate se deu porque a assustam “propostas demagógicas para ganhar eleição”. “É fundamental que não haja esse processo de ficar com conversa fiada, sabendo que não é possível. Ou são pessoas bem intencionadas que não têm conhecimento mesmo, ou então estão fazendo isso de má fé para ganhar o voto do eleitor”, afirmou.

Questionados sobre com quem preferem ir para um possível segundo turno, os candidatos evitaram polêmicas. Luizianne disse que “tanto faz”; Capitão Wagner ressaltou que “não é possível escolher adversário”; e Roberto Cláudio frisou que, por enquanto, pede ao eleitor a possibilidade de ir para o segundo turno.

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EMPATADOS NA RETA FINAL

Roberto Cláudio e Capitão Wagner partem para o ataque mútuo durante debate na TV Jangadeiro

O cenário acirrado de possível segundo turno fez com os candidatos melhor colocados adotassem postura mais incisiva contra os adversários

Por Jéssica Welma em Política

27 de setembro de 2016 às 18:08

Há 3 anos

selo-03Empatados tecnicamente nas pesquisas de intenção de voto pela Prefeitura de Fortaleza, os candidatos Roberto Cláudio (PDT) e Capitão Wagner (PR) partiram para o confronto direto durante debate na TV Jangadeiro, nesta terça-feira (27). Os adversários atacaram um ao outro justamente nos temas pelos quais cada um se tornou referência: saúde e segurança pública, respectivamente.

Roberto Cláudio citou liderança de Wagner na greve da Polícia Militar de 2012. Já o candidato do PR perguntou se o rival não sente “frustração” por ser médico e não ter cumprido promessas de campanha no setor. Isolada na terceira posição das pesquisas, Luizianne Lins (PT) mudou a estratégia, reforçou ataque a Wagner e chamou propostas de adversários de “demagógicas”.

O penúltimo debate antes das eleições municipais foi realizado pela TV Jangadeiro no teatro Nadir Papi Sabóia, integrante do Sistema de Ensino Farias Brito. Participaram seis dos oito candidatos que disputam a quinta maior capital do País: além de Capitão Wagner, Luizianne e Roberto Cláudio, debateram Heitor Férrer (PSB), Ronaldo Martins (PRB) e Tin Gomes (PHS).

Roberto Cláudio e Capitão Wagner aparecem tecnicamente empatados em pesquisas. (Fotos: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Roberto Cláudio e Capitão Wagner aparecem tecnicamente empatados em pesquisas. (Fotos: Jéssica Welma / Tribuna do Ceará)

Na reta final da campanha, Roberto Cláudio e Capitão Wagner aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas de intenção de voto. O levantamento O POVO/Datafolha, divulgado no sábado (24), mostra o candidato do PDT com 34% das intenções de voto, contra 28% do candidato do PR. Luizianne Lins soma 15% da preferência e se isola na terceira posição, seguida por Heitor Férrer, com 6%.

O cenário acirrado de possível segundo turno fez com os candidatos melhor colocados adotassem postura mais incisiva contra os adversários. Wagner, cuja proposta de maior destaque é o armamento da Guarda Municipal, foi alvo de críticas em diversos momentos da discussão, até mesmo quando não estava diretamente envolvido no debate. O confronto principal, no entanto, foi entre ele o adversário Roberto Cláudio.

O atual prefeito foi o primeiro a questionar Wagner, principal ameaça à sua reeleição e que pode chegar ao segundo turno à frente do pedetista. RC citou o trabalho de planejamento de ações da Prefeitura e perguntou ao adversário quais suas propostas para a área do planejamento. Wagner aproveitou o tema para criticar “a falta de continuidade nas políticas públicas” e voltou a atacar a atual gestão de na área da Cultura e do Lazer. Ele criticou o prefeito por não efetivar servidores na Cultura e e por “desprezar” os Centros Sociais Urbanos (CSU).

“O deputado ficou mais preocupado em fazer críticas administrativas do que apresentar seu plano na área de planejamento urbano”, rebateu RC em sua réplica. “Estamos entregando à cidade, depois de três anos de trabalho, o mais abrangente plano que vai pensar os territórios e a Fortaleza do futuro”, pontuou o candidato.

“Realmente o prefeito tem planejado a cidade para 2040, mas não tem planejado a cidade para agora, e o que a gente quer nesse momento é solução para o problema da saúde”, contrapôs Wagner, citando a área de formação do adversário. “Prometer é muito fácil, falar bonito é muito fácil, agora o que a gente quer é execução do que é prometido e aqui a gente não está em nenhum campeonato de propostas”, disse.

Em seguida, o candidato sorteado para fazer perguntas aos adversários foi Wagner. Em sua primeira pergunta, direcionada a Roberto Cláudio, voltou a frisar a área da saúde pública. Ele lembrou promessa de campanha de RC em 2012 sobre zerar as filas de atendimento e disse que o prefeito “fechou” o Centro de Especialidades Médicas José de Alencar (Cemja). “Havia uma expectativa muito grande do povo de Fortaleza por conta do título de médico sanitarista de que o senhor resolveria o problema da saúde do município. Não há uma frustração do senhor em seu mandato por não ter resolvido esse problema tão grave”, questionou.

“Sim, a saúde é um problema real e, diferentemente de outras candidaturas que estão prometendo soluções rápidas para problemas complexos como a segurança, nós acreditamos que a saúde só se resolverá com investimento, continuidade, perseverança e honestidade”, respondeu Roberto Cláudio, citando ações de sua gestão, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) e postos de saúde.

Seis dos oito candidatos à Prefeitura de Fortaleza participaram do debate. (Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará)

Seis dos oito candidatos à Prefeitura de Fortaleza participaram do debate. (Foto: Emílio Moreno/Tribuna do Ceará)

Capitão Wagner lembrou o adversário que faltam insumos básicos nos atendimento de saúde e citou o “corredômetro” criado pelo Sindicato dos Médicos de Ceará para contabilizar atendimentos feitos em macas nos corredores e, até mesmo, no chão dos hospitais. A insistência de Wagner em atacar a gestão na área da saúde fez com que Roberto Cláudio elevasse o tom da crítica, citando a falta de experiência do candidato do PR e a greve da Polícia Militar, pela qual Wagner ganhou projeção.

“Talvez por nunca ter sido nem mesmo coordenador de uma secretaria, secretário, ou nunca ter liderado nada na administração pública ou administrado um orçamento – a única liderança e papel que teve foi liderar uma greve que causou pavor e medo à população -, talvez por isso as críticas sejam fáceis. Difícil é fazer, difícil é se agarrar ao um problema e explicar para o povo muitas coisas que estão dando certo e outras que não estão”, rebateu Roberto Cláudio.

Luizianne Lins
Com queda nas intenções de votos desde o início da campanha, dentro da margem de erro, a ex-prefeita de Fortaleza mudou a estratégia na reta final em busca do segundo turno. Se antes os ataques eram direcionados principalmente para Roberto Cláudio – que derrotou o candidato do PT em 2012 -, nesse debate Luizianne avançou contra Capitão Wagner e suas propostas para segurança pública e moradia.

Ao formular pergunta a Heitor Férrer, Luizianne abordou a proposta de Capitão Wagner de tornar a Guarda Municipal mais ostensiva. O resultado foi um ataque de ambos ao projeto do candidato do PR. Heitor citou o Governo do Estado e disse que o aumento no número de policiais e a estrutura de equipamentos, como carros e armas para a Polícia Militar, não reduziu os índices de violência, mas aumentou.

No confronto direto com Capitão Wagner, a petista o questionou sobre a polêmica de que o policial reformado teria prometido a policiais militares dar terrenos da prefeitura para que policiais construíssem suas casas. “Temos 35 mil servidores públicos municipais, talvez fosse mais interessante, o senhor como prefeito – já que o policial militar é funcionário do Estado, o senhor ceder para os 35 mil servidores municipais que muitos têm que pagar aluguel”.

Wagner agradeceu a “coragem” de Luizianne de abordar o assunto pessoalmente. “Eu estava em uma reunião com policiais, não estava com professores, com profissionais da saúde, e, por conta disso, eu tinha de tratar de temas dos policiais. Em nenhum momento a gente estava falando sobre construir moradias para os policiais. Estávamos falando em ceder terreno”, disse Wagner, exemplificando com a cessão de terrenos para empresas, por exemplo. Ele também citou a vulnerabilidade dos policiais e os números de profissionais assassinados em trabalho. Wagner disse que não construirá moradias exclusivas para os policiais, mas ceder terras para associações.

Perguntas do debate
Temas tradicionais nos primeiros debates entre os candidatos – como a diminuição dos fotossensores na cidade e as ações de mobilidade urbana, tiveram pouco destaque. No primeiro bloco, perguntas enviadas por estudantes da Faculdade Farias Brito questionaram os candidatos sobre passe livre nos ônibus, projetos para segurança pública, desemprego, moradia e educação de qualidade.

Heitor Férrer
Ainda que na terceira colocação, Heitor Férrer afirma que os números das pesquisas de intenção de voto podem não refletir o resultado das urnas. Ele afirmou, após o debate, que vai focar no índice de 29% de eleitores indecisos nessa reta final. Durante o debate, Heitor distribuiu críticas aos três principais adversários.

Em um dos momentos, ele citou o embate entre Luizianne e Roberto Cláudio, pontuando que a petista acusa o atual gestor de não ter feito obras que ela também não concluiu. “Você e o prefeito são iguais?“, alfinetou o candidato.

Luizianne Lins, Capitão Wagner e Heitor Férrer. (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

Luizianne Lins, Capitão Wagner e Heitor Férrer. (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

Em muitos momentos, Heitor fez perguntas aos candidatos, direcionando ataques a mais de um adversário. Esse foi o caso de quando ele questionou Wagner sobre as doações de campanha. O candidato do PR aproveitou para criticar Roberto Cláudio, cuja campanha é a mais cara. Wagner disse ficar impressionado com a “paixão exacerbada de uma família que consegue doar mais de um milhão de reais para uma candidatura”, em referência a doações recebidas por RC.

Tin Gomes também adotou postura mais incisiva, principalmente contra Capitão Wagner. Em discussão sobre a proposta de armar a Guarda Municipal, da qual Tin é contrário, o candidato do PHS descredibilizou a efetividade da mudança. “Nosso problema é a médio e longo prazo, não é de imediato, ou a gente assume isso ou estamos mentindo para a população”, disse a Wagner. Ele também atacou a proposta de construir escolas de tempo integral de Roberto Cláudio e afirmou que não apoia a construção de novas escolas enquanto “as que já existem não funcionam”.

Ao falar sobre a proposta de oferecer passe livre, defendida por Wagner e Heitor, Tin disse que ação é inviável para a Prefeitura. “Não concordo com essa proposta. Se isso fosse possível, Luizianne e Roberto Cláudio já teriam dado. É uma proposta que não vai ser realizada e não estou aqui para trazer proposta que não vai ser realizada. Quem prometer, não vai cumprir”, disse.

Quem ironizou os ataques dos adversários à proposta de armar a Guarda foi Ronaldo Martins. Ele citou piada sobre o armamento não letal utilizado pelos guardas atualmente, após Luizianne criticar a abordagem do armamento letal. “Quando os bandidos chegaram na Câmara Municipal, falaram para a Guarda Municipal assim: levanta a mão porque isso aqui é um assalto, com uma arma letal. E os guardas municipais falaram assim: levanta a mão senão te dou um choque”, fez graça.

Ronaldo Martins, Roberto Cláudio e Tin Gomes. (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

Ronaldo Martins, Roberto Cláudio e Tin Gomes. (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

O candidato do PRB destacou suas propostas de acabar com as regionais, reduzir o número de cargos comissionados na Prefeitura, criar o hospital do idoso e abrir escolas de domingo a domingo, por exemplo.

Pós-debate
Em entrevista após o debate, os candidatos evitaram estender as críticas. Capitão Wagner disse seu crescimento na pesquisa e a possibilidade de chegar ao segundo turno viabilizaram os ataques dos adversários. “Foi tudo esclarecido”, ressaltou sobre a greve dos policiais militares em 2012. “De lá para cá não se cogita mais nenhum movimento nesse sentido”, acrescentou. Em relação à promessa de ceder terrenos, ele disse que o assunto foi “soltado nas redes sociais como se fosse um grande problema”, mas cessão de terrenos cabe ao Executivo.

Roberto Cláudio, que teve direito de resposta negado sobre o financiamento de campanha, defendeu-se dizendo que o Ministério Público tem de ficar de olho em campanhas que não declaram o recebimento de verbas. Ele também voltou a falar sobre as ações na área da saúde e disse que críticas partem de quem “não entende de administração”.

Luizianne negou a mudança de estratégia e disse que sua postura no debate se deu porque a assustam “propostas demagógicas para ganhar eleição”. “É fundamental que não haja esse processo de ficar com conversa fiada, sabendo que não é possível. Ou são pessoas bem intencionadas que não têm conhecimento mesmo, ou então estão fazendo isso de má fé para ganhar o voto do eleitor”, afirmou.

Questionados sobre com quem preferem ir para um possível segundo turno, os candidatos evitaram polêmicas. Luizianne disse que “tanto faz”; Capitão Wagner ressaltou que “não é possível escolher adversário”; e Roberto Cláudio frisou que, por enquanto, pede ao eleitor a possibilidade de ir para o segundo turno.