Tasso defende reforma da Previdência e diz que fragmentação partidária elevará custo político

CONJUNTURA POLÍTICA

Tasso defende reforma da Previdência e diz que fragmentação partidária elevará custo político

“Estamos numa rara janela de oportunidades”, diz o senador, cotado para disputar a presidência do Senado na nova legislatura

Por Tribuna do Ceará em Política

14 de janeiro de 2019 às 14:14

Há 7 meses
Tasso Jereissati deve anunciar candidatura no final de janeiro. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Tasso Jereissati deve anunciar candidatura no final de janeiro. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Cotado para a presidência do Senado na nova legislatura, o senador Tasso Jereissati (PSDB) defendeu a reforma da Previdência, à qual chamou de “mãe de todas as reformas”, e disse que “estamos numa rara janela de oportunidade para desenhar um novo pacto constitucional entre os Poderes”. Em artigo publicado nesta segunda-feira (14), o senador frisou ainda que a fragmentação partidária elevará o custo político para o novo governo.

Sem se colocar oficialmente como candidato, Tasso faz uma leitura da nova conjuntura política a partir do resultado das urnas. “O eleitor brasileiro deu um claro recado de que não suporta mais viver sob o jugo de um Estado dirigista, provedor de privilégios para uns e de privações para outros”, escreveu.

Diante da fragmentação partidária e de um novo contexto político que se desenha, Tasso aponta que esse cenário “torna ainda mais importante a eleição de um presidente do Senado capaz de se constituir de fato como o representante máximo do Parlamento frente à sociedade”.

O senador cearense tem sido cotado como alternativa ao ex-presidente da Casa Renan Calheiros. Na articulação, Tasso deve contar com a oposição, intermediada por Cid Gomes (PDT), e com o PSL, que rejeita a indicação de Calheiros. Tasso revelou que lançará candidatura à presidência do Senado no fim de janeiro de 2019.

“O mundo político não pode fazer de conta que essa mensagem foi dirigida apenas ao Executivo”, pontua. Ele critica ainda o “jogo de toma lá dá cá” nas relações com o Governo. “O mesmo eleitor que votou para presidente votou também, com o mesmo sentimento, para os seus representantes no Congresso, de quem se esperam demonstrações de distanciamento do jogo de toma lá dá cá, que se tornou quase um padrão nas relações com o Executivo”, afirma.

Reformas

Tasso defende a aprovação de reformas polêmicas, como a fiscal e a da Previdência, que foram proteladas na última legislatura, mas que, para ele, sem elas, “ninguém conseguirá governar, seja o presidente, sejam os governadores ou os prefeitos”. Ele cobra “atitude republicana” de deputados e senadores na aprovação das pautas.

“Combater o patrimonialismo e o corporativismo, enfrentar a ferida absurda da desigualdade social, ao mesmo tempo criando um ambiente democrático favorável à livre iniciativa e aos negócios, com segurança jurídica, são exigências morais que não podem estar condicionados a jogos de interesses paroquiais”, escreve.

Fragmentação partidária

O senador lembra que a fragmentação partidária, “a maior da história do Parlamento”, será um dos maiores desafios do novo Governo. “Somente no Senado, foram 15 os partidos que obtiveram assentos. Mesmo considerando fusões inevitáveis, o Parlamento brasileiro apresenta-se com uma das maiores fragmentações partidárias do planeta, perdendo apenas para Papua-Nova Guiné”, lembra.

Tasso diz ainda que tal fragmentação não é reflexo do contraste do quebra-cabeça coletivo da sociedade, já que as agremiações parecem não ter “um autêntico lastro social”. “A governabilidade já é comprometida na origem pela ausência de uma maioria estável, exigindo tratativas e negociações com uma base tão heterogênea que se traduz em alto custo político do processo decisório”, pontua.

Considerando que, em democracias consolidadas, o partido mais votado chega a 40% do total de votos, Tasso lembra que o MDB, o mais votado, alcançou apenas 14,8%. “Vale lembrar que para aprovar uma PEC (proposta de emenda constitucional) são necessários 60% dos votos”, frisa. Além disso, nas eleições de 2018, o Senado passou pela maior renovação da sua história.

“A população, pelo voto, não apenas elegeu seus novos representantes, mas definiu uma carta de navegação para a ética política, à qual estamos todos sujeitos, independente do espectro político que ocupemos”, afirma o senador. Nesse cenário, Tasso frisa que é necessário um Parlamento “independente e altivo” que “compreenda o resultado das urnas”.

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Tasso defende reforma da Previdência e diz que fragmentação partidária elevará custo político

“Estamos numa rara janela de oportunidades”, diz o senador, cotado para disputar a presidência do Senado na nova legislatura

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14 de janeiro de 2019 às 14:14

Há 7 meses
Tasso Jereissati deve anunciar candidatura no final de janeiro. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Tasso Jereissati deve anunciar candidatura no final de janeiro. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Cotado para a presidência do Senado na nova legislatura, o senador Tasso Jereissati (PSDB) defendeu a reforma da Previdência, à qual chamou de “mãe de todas as reformas”, e disse que “estamos numa rara janela de oportunidade para desenhar um novo pacto constitucional entre os Poderes”. Em artigo publicado nesta segunda-feira (14), o senador frisou ainda que a fragmentação partidária elevará o custo político para o novo governo.

Sem se colocar oficialmente como candidato, Tasso faz uma leitura da nova conjuntura política a partir do resultado das urnas. “O eleitor brasileiro deu um claro recado de que não suporta mais viver sob o jugo de um Estado dirigista, provedor de privilégios para uns e de privações para outros”, escreveu.

Diante da fragmentação partidária e de um novo contexto político que se desenha, Tasso aponta que esse cenário “torna ainda mais importante a eleição de um presidente do Senado capaz de se constituir de fato como o representante máximo do Parlamento frente à sociedade”.

O senador cearense tem sido cotado como alternativa ao ex-presidente da Casa Renan Calheiros. Na articulação, Tasso deve contar com a oposição, intermediada por Cid Gomes (PDT), e com o PSL, que rejeita a indicação de Calheiros. Tasso revelou que lançará candidatura à presidência do Senado no fim de janeiro de 2019.

“O mundo político não pode fazer de conta que essa mensagem foi dirigida apenas ao Executivo”, pontua. Ele critica ainda o “jogo de toma lá dá cá” nas relações com o Governo. “O mesmo eleitor que votou para presidente votou também, com o mesmo sentimento, para os seus representantes no Congresso, de quem se esperam demonstrações de distanciamento do jogo de toma lá dá cá, que se tornou quase um padrão nas relações com o Executivo”, afirma.

Reformas

Tasso defende a aprovação de reformas polêmicas, como a fiscal e a da Previdência, que foram proteladas na última legislatura, mas que, para ele, sem elas, “ninguém conseguirá governar, seja o presidente, sejam os governadores ou os prefeitos”. Ele cobra “atitude republicana” de deputados e senadores na aprovação das pautas.

“Combater o patrimonialismo e o corporativismo, enfrentar a ferida absurda da desigualdade social, ao mesmo tempo criando um ambiente democrático favorável à livre iniciativa e aos negócios, com segurança jurídica, são exigências morais que não podem estar condicionados a jogos de interesses paroquiais”, escreve.

Fragmentação partidária

O senador lembra que a fragmentação partidária, “a maior da história do Parlamento”, será um dos maiores desafios do novo Governo. “Somente no Senado, foram 15 os partidos que obtiveram assentos. Mesmo considerando fusões inevitáveis, o Parlamento brasileiro apresenta-se com uma das maiores fragmentações partidárias do planeta, perdendo apenas para Papua-Nova Guiné”, lembra.

Tasso diz ainda que tal fragmentação não é reflexo do contraste do quebra-cabeça coletivo da sociedade, já que as agremiações parecem não ter “um autêntico lastro social”. “A governabilidade já é comprometida na origem pela ausência de uma maioria estável, exigindo tratativas e negociações com uma base tão heterogênea que se traduz em alto custo político do processo decisório”, pontua.

Considerando que, em democracias consolidadas, o partido mais votado chega a 40% do total de votos, Tasso lembra que o MDB, o mais votado, alcançou apenas 14,8%. “Vale lembrar que para aprovar uma PEC (proposta de emenda constitucional) são necessários 60% dos votos”, frisa. Além disso, nas eleições de 2018, o Senado passou pela maior renovação da sua história.

“A população, pelo voto, não apenas elegeu seus novos representantes, mas definiu uma carta de navegação para a ética política, à qual estamos todos sujeitos, independente do espectro político que ocupemos”, afirma o senador. Nesse cenário, Tasso frisa que é necessário um Parlamento “independente e altivo” que “compreenda o resultado das urnas”.