Áudio atribuído a membro do PCC faz ameaça de guerra nos presídios do Ceará


Áudio atribuído a membro do PCC faz ameaça de guerra nos presídios do Ceará

No áudio, suposto integrante do PCC compara CPPL a um açougue e diz que, se for necessário, haverá guerra dentro das unidades prisionais

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

18 de janeiro de 2016 às 11:38

Há 3 anos
Gravação trata das constantes mortes nas unidades prisionais (FOTO: Divulgação)

Gravação trata das constantes mortes nas unidades prisionais (FOTO: Divulgação)

Um áudio supostamente gravado por um integrante da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) faz ameaça de guerra nos presídios do Ceará. “O crime acordou. O PCC chegou ao Ceará e mudou muita coisa, deixou o estado redondinho”, diz um trecho da gravação de 15 minutos, que está sendo amplamente divulgada nas redes sociais.

Na gravação, um homem – identificado como ‘Irmão Alê’ – afirma que a situação está delicada, mas alerta para o fato de o PCC não baixar a cabeça para ninguém. “Eles não são bobinhos, não são crianças, são pai de família, adulto, homicida, traficante. São tudo criminosos no estado. Eles estão vendo o que está acontecendo no estado. Nós, do PCC, não estamos de acordo com o que está acontecendo aí”, afirma.

Segundo disse, os constantes casos de mortes dentro das unidades prisionais do Ceará e situações de humilhação de detentos nas delegacias não devem ocorrer, sem que haja apuração dos fatos, para que não sejam registradas injustiças nas unidades. Para ele, é preciso ouvir os dois lados e – após isso – definir o que deve ser feito com o preso.

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15740126″]

 

“Nós pregamos a paz, justiça, liberdade, igualdade e união para todos. Não é matar, furar, espancar, fazer dançar, dar surra ou envergonhar o ladrão. Qualquer informação que chega, os caras já estão executando. Essa época já passou. Nós, do PCC, ouvimos os dois lados. Todo mundo tem direito de se expressar”, acrescenta na gravação.

‘Irmão Alê’ atribui a ‘desordem’ nos presídios à uma nova facção no Ceará. “Pessoal que era para ser nosso amigo, como dizem, aqui no estado não está sendo. Está passando por cima de nós, na marra, querendo dominar as cadeias e o Nordeste na marra”, reclama.

Guerra nos presídios

No áudio, ainda há ameaça de guerra nos presídios, caso a situação não seja revertida. “Pode ter certeza, se querem paz, vão ter paz. Se querem guerra, vão ter em dobro, viu, família? A gente evita o máximo que pode, mas a gente vai para cima. Temos que honrar essa camisa de verdade”, diz.

‘CPPL virou açougue’

Ainda conforme a gravação, a Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima, a CPPL I, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, era considerada um exemplo de paz, união, evolução e parceria, mas nos últimos anos virou um açougue.

“Hoje está acontecendo muita matança nas cadeias, principalmente na CPPL I. De uns dias para cá tem desandado. A massa carcerária não pode deixar isso acontecer. Os companheiros podem colar em nós, porque nós já salvamos muitas vidas”, afirma.

Ele lembra a morte de ‘Castor’, traficante e homicida Carlos Alexandre Alberto da Silva, ocorrida em dezembro, na antiga CPPL I. Em 2015, 25 detentos foram mortos no Sistema Penitenciário do Ceará.

Em outro trecho do áudio, o homem diz que o PCC começará a ‘pendurar os decretados’, pessoas que teriam matado criminosos protegidos pela facção e mães de detentos. “A morte das mães dos nossos irmãos vão ser cobradas”, conclui.

Ouça o áudio:

A Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus) informou, por meio de nota, que “toda denúncia levada ao conhecimento da instituição é investigada de forma rigorosa, inclusive no sentido de atestar a autenticidade das informações veiculadas. O caso em questão está entregue ao setor de inteligência da Secretaria”.

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Áudio atribuído a membro do PCC faz ameaça de guerra nos presídios do Ceará

No áudio, suposto integrante do PCC compara CPPL a um açougue e diz que, se for necessário, haverá guerra dentro das unidades prisionais

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

18 de janeiro de 2016 às 11:38

Há 3 anos
Gravação trata das constantes mortes nas unidades prisionais (FOTO: Divulgação)

Gravação trata das constantes mortes nas unidades prisionais (FOTO: Divulgação)

Um áudio supostamente gravado por um integrante da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) faz ameaça de guerra nos presídios do Ceará. “O crime acordou. O PCC chegou ao Ceará e mudou muita coisa, deixou o estado redondinho”, diz um trecho da gravação de 15 minutos, que está sendo amplamente divulgada nas redes sociais.

Na gravação, um homem – identificado como ‘Irmão Alê’ – afirma que a situação está delicada, mas alerta para o fato de o PCC não baixar a cabeça para ninguém. “Eles não são bobinhos, não são crianças, são pai de família, adulto, homicida, traficante. São tudo criminosos no estado. Eles estão vendo o que está acontecendo no estado. Nós, do PCC, não estamos de acordo com o que está acontecendo aí”, afirma.

Segundo disse, os constantes casos de mortes dentro das unidades prisionais do Ceará e situações de humilhação de detentos nas delegacias não devem ocorrer, sem que haja apuração dos fatos, para que não sejam registradas injustiças nas unidades. Para ele, é preciso ouvir os dois lados e – após isso – definir o que deve ser feito com o preso.

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15740126″]

 

“Nós pregamos a paz, justiça, liberdade, igualdade e união para todos. Não é matar, furar, espancar, fazer dançar, dar surra ou envergonhar o ladrão. Qualquer informação que chega, os caras já estão executando. Essa época já passou. Nós, do PCC, ouvimos os dois lados. Todo mundo tem direito de se expressar”, acrescenta na gravação.

‘Irmão Alê’ atribui a ‘desordem’ nos presídios à uma nova facção no Ceará. “Pessoal que era para ser nosso amigo, como dizem, aqui no estado não está sendo. Está passando por cima de nós, na marra, querendo dominar as cadeias e o Nordeste na marra”, reclama.

Guerra nos presídios

No áudio, ainda há ameaça de guerra nos presídios, caso a situação não seja revertida. “Pode ter certeza, se querem paz, vão ter paz. Se querem guerra, vão ter em dobro, viu, família? A gente evita o máximo que pode, mas a gente vai para cima. Temos que honrar essa camisa de verdade”, diz.

‘CPPL virou açougue’

Ainda conforme a gravação, a Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima, a CPPL I, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, era considerada um exemplo de paz, união, evolução e parceria, mas nos últimos anos virou um açougue.

“Hoje está acontecendo muita matança nas cadeias, principalmente na CPPL I. De uns dias para cá tem desandado. A massa carcerária não pode deixar isso acontecer. Os companheiros podem colar em nós, porque nós já salvamos muitas vidas”, afirma.

Ele lembra a morte de ‘Castor’, traficante e homicida Carlos Alexandre Alberto da Silva, ocorrida em dezembro, na antiga CPPL I. Em 2015, 25 detentos foram mortos no Sistema Penitenciário do Ceará.

Em outro trecho do áudio, o homem diz que o PCC começará a ‘pendurar os decretados’, pessoas que teriam matado criminosos protegidos pela facção e mães de detentos. “A morte das mães dos nossos irmãos vão ser cobradas”, conclui.

Ouça o áudio:

A Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus) informou, por meio de nota, que “toda denúncia levada ao conhecimento da instituição é investigada de forma rigorosa, inclusive no sentido de atestar a autenticidade das informações veiculadas. O caso em questão está entregue ao setor de inteligência da Secretaria”.