Delegado revela que cena do crime de morte do filho de subtenente foi alterada


Delegado revela que cena do crime de morte do filho de subtenente foi alterada

A declaração mostra ser improvável que o subtenente tenha cometido o crime e limpado o local, por ter ficado uma semana em coma no Hospital Geral do Exército

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

25 de fevereiro de 2015 às 14:00

Há 4 anos

Selo SubtenenteApós divulgar as imagens da casa onde morreu o filho do subtenente do Exército Francilewdo Bezerra, o delegado responsável pelo caso, Wilder Brito, afirmou ter encontrado na pia da cozinha resquícios do veneno utilizado para matar o garoto Lewdo Ricardo e também ingerido pelo militar.

“Colhemos o sifão da pia, a amostra do esgoto e, naquele momento, a gente sentiu logo o cheiro, confirmando que estava presente resquício do veneno”, conta. Segundo disse, alguém tentou omitir o resto do ‘chumbinho’ no encanamento após cometer o crime. “A pessoa que envenenou os dois (pai e filho) tentou se livrar do restante do veneno”.

Crime ocorreu em 11 de novembro e chocou a população (FOTO: Arquivo pessoal)

Crime ocorreu em 11 de novembro e chocou a população (FOTO: Arquivo pessoal)

A declaração revela ser praticamente improvável que o subtenente tenha cometido o crime – e limpado o local – por ter permanecido uma semana em coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Exército, em Fortaleza. “Ele já estava em processo de coma ainda em casa. Estava quase morrendo”.

O subtenente tem seguro de vida que pagaria R$ 153 mil em caso de morte. A desconfiança recai sobre a esposa do militar, Cristiane Coelho, considerada suspeita em potencial pela polícia. “Alguma pessoa limpou com certeza a cena do crime. Alguns pontos que seriam relevantes para a gente foram alterados. O que a gente quer saber é quem fez isso e por que fez isso”, afirma.

“Alguma pessoa limpou com certeza a cena do crime (…) O que a gente quer saber é quem fez isso e por que fez isso”. Wilder Brito, delegado do 16º DP

Ainda de acordo com Wilder Brito, a possibilidade de que uma terceira pessoa estivesse na residência da família, no Bairro Dias Macedo, para auxiliar no crime foi descartada. “Eu acho difícil. Já analisamos se outra pessoa estava no local, e essa hipótese a gente vem descartando. Pode ter acontecido de uma pessoa de fora ter feito contato”.

Essa terceira pessoa seria o amante de Cristiane. O homem, cujo nome não foi divulgado, mora em Recife, mas esteve em Fortaleza nos dias 7 e 8 de novembro, três dias antes do crime. Cristiane havia afirmado, no primeiro depoimento à polícia, que ele seria um amigo que conheceu em uma faculdade da capital pernambucana. Em dezembro do ano passado, a Cristiane mudou a versão e admitiu que ele era mesmo um amante. Já Francilewdo declarou não saber que estava sendo traído.

Casa desorganizada

O delegado afirmou ter estranhado ainda a bagunça e sujeira na casa. “A casa era muito bagunçada. A dona não estava nem aí para aquilo. O natural da casa era aquilo mesmo”, disse. Na perícia realizada em 30 de dezembro, Wilder aproveitou para apreender pendrives, analisar manchas na parede e o material genético do cinto que Cristiane supostamente teria sido espancada, além de verificar as duas taças onde supostamente teria sido ingerido o vinho.

“O que nos chamou atenção é que em uma das taças havia formigas mortas. Na outra, não. A gente sabe que as formigas são atraídas para local que tenha algo doce. Vinho jamais atrairia formigas. Agora, estamos a depender dos laudos”.

Veja as imagens da casa onde o crime ocorreu:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15387524″]

Inquérito policial

O inquérito policial do Caso Subtenente foi encaminhado ao Ministério Público no dia 27 de janeiro, mas voltou ao 16º Distrito Policial para que fossem incluídos resultados de laudos e realização da perícia no celular de Cristiane Coelho, que até a data ainda não havia encaminhado o aparelho à polícia. “O Ministério Público achou por bem devolver para que sejam anexados esses resultados e cumpridas outras exigências”.

O crime ocorreu em 11 de novembro, na residência da família, no Bairro Dias Macedo, em Fortaleza. Lewdo Ricardo, de 9 anos, tinha autismo e era o filho mais velho do casal. Inicialmente as investigações apontavam que Francilewdo teria envenenado o filho e a mulher, e depois tentado o suicídio. Posteriormente, o laudo médico sinalizou que somente o militar e o garoto ingeriram chumbinho, enquanto Cristiane tomou tranquilizante. Com isso, a esposa passou a ser considerada a principal suspeita.

“Trata-se de um inquérito muito específico e, como as perícias demandam um certo tempo, não temos o ideal de gente para fazer essas perícias. Melhor aguardar e trazer uma conclusão final que não deixe nenhuma dúvida, do que fazer algo mal feito. Nós temos algumas hipóteses, algumas conclusões de como foi e quem foi… Com certeza, vamos chegar a um ponto”, finaliza.

Relembre o caso:

12 de novembro – Subtenente é suspeito de matar filho autista, agredir esposa e anunciar crimes no Facebook

13 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho e agredir esposa continua em estado grave no hospital

15 de novembro – Polícia quer ouvir mulher de subtenente do Exército suspeito de matar o filho envenenado

19 de novembro – Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

19 de novembro – Esposa de militar do Exército suspeito de matar o filho nega traição que seria estopim do caso

21 de novembro – Militar suspeito de matar filho sai do coma, mas ainda não tem condições de prestar depoimento

21 de novembro – Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

24 de novembro – Amigo duvida que subtenente tenha sido o autor da morte do filho autista

24 de novembro – Com melhora de subtenente, delegado aguarda depoimento até o fim da semana

25 de novembro – Subtenente fica chocado ao acordar do coma e saber que é acusado do assassinato do filho

26 de novembro – Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

27 de novembro – Delegado desconfia que uma terceira pessoa tenha assassinado filho de subtenente do Exército

28 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho será ouvido pela polícia mesmo na UTI

29 de novembro – Subtenente nega acusações e seu advogado acusa esposa de assassinar o filho para culpar militar

2 de dezembro – Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

3 de dezembro – Subtenente vai de vilão a mocinho após 3 semanas de investigação por morte de filho envenenado

3 de dezembro – Subtenente suspeito de matar o filho tem prisão preventiva revogada pela Justiça

4 de dezembro – Caso Subtenente: pai e mãe ficarão frente a frente pela 1ª vez após morte do filho envenenado

4 de dezembro – Em 1ª entrevista após sair de UTI, subtenente revela que tem tatuagem com nome de filho morto

8 de dezembro – Esposa de subtenente suspeita de matar o filho contrata um dos juristas mais conhecidos do Ceará

11 de dezembro – Um mês após crime, vizinha diz que nunca acreditou na versão de que subtenente matou o filho

11 de dezembro – Polícia revela áudio que indica desespero da esposa de subtenente após crime

12 de dezembro – Sobrinha será investigada por acionar a polícia quando militar já havia sido socorrido

13 de dezembro – Subtenente recebe alta médica e deseja acareação com esposa sobre morte de filho envenenado

15 de dezembro – Subtenente e esposa participarão de acareação e reconstituição de crime até a próxima semana

16 de dezembro – Caso Subtenente: esposa e militar fazem acareação na próxima segunda-feira

22 de dezembro – Em acareação, subtenente e esposa se encontram pela primeira vez após morte do filho

22 de dezembro – Subtenente acusa publicamente sua mulher de matar filho e agora teme pela vida do mais novo

23 de dezembro – Subtenente tem seguro de vida que pagaria R$ 153 mil a esposa em caso de morte

23 de dezembro – Polícia investiga denúncia de que depósito teria vendido chumbinho a esposa de subtenente

24 de dezembro – Esposa de subtenente admitiu ao marido que tem um amante, no reencontro do casal em acareação

25 de dezembro – Confira o bilhete de brincadeira suspeita entre subtenente e esposa que intriga a polícia

26 de dezembro – Laudo aponta que esposa de subtenente teve lesões mais leves do que em fotos entregues à polícia

27 de dezembro – Polícia quer saber se amante teve participação na morte de filho de subtenente

29 de dezembro – Frieza de mulher de subtenente teria chamado a atenção de presentes em reconstituição de crime

1º de janeiro – Mensagem editada no Facebook de subtenente teve alteração no nome do amante da esposa

7 de janeiro – Amante de esposa do subtenente deve prestar depoimento à polícia na próxima semana

12 de janeiro – Em entrevista exclusiva, subtenente revela que veneno estava em mamadeira do filho

11 de fevereiro – Três meses após morte de filho de subtenente por envenenamento, caso segue sem respostas

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Delegado revela que cena do crime de morte do filho de subtenente foi alterada

A declaração mostra ser improvável que o subtenente tenha cometido o crime e limpado o local, por ter ficado uma semana em coma no Hospital Geral do Exército

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

25 de fevereiro de 2015 às 14:00

Há 4 anos

Selo SubtenenteApós divulgar as imagens da casa onde morreu o filho do subtenente do Exército Francilewdo Bezerra, o delegado responsável pelo caso, Wilder Brito, afirmou ter encontrado na pia da cozinha resquícios do veneno utilizado para matar o garoto Lewdo Ricardo e também ingerido pelo militar.

“Colhemos o sifão da pia, a amostra do esgoto e, naquele momento, a gente sentiu logo o cheiro, confirmando que estava presente resquício do veneno”, conta. Segundo disse, alguém tentou omitir o resto do ‘chumbinho’ no encanamento após cometer o crime. “A pessoa que envenenou os dois (pai e filho) tentou se livrar do restante do veneno”.

Crime ocorreu em 11 de novembro e chocou a população (FOTO: Arquivo pessoal)

Crime ocorreu em 11 de novembro e chocou a população (FOTO: Arquivo pessoal)

A declaração revela ser praticamente improvável que o subtenente tenha cometido o crime – e limpado o local – por ter permanecido uma semana em coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Exército, em Fortaleza. “Ele já estava em processo de coma ainda em casa. Estava quase morrendo”.

O subtenente tem seguro de vida que pagaria R$ 153 mil em caso de morte. A desconfiança recai sobre a esposa do militar, Cristiane Coelho, considerada suspeita em potencial pela polícia. “Alguma pessoa limpou com certeza a cena do crime. Alguns pontos que seriam relevantes para a gente foram alterados. O que a gente quer saber é quem fez isso e por que fez isso”, afirma.

“Alguma pessoa limpou com certeza a cena do crime (…) O que a gente quer saber é quem fez isso e por que fez isso”. Wilder Brito, delegado do 16º DP

Ainda de acordo com Wilder Brito, a possibilidade de que uma terceira pessoa estivesse na residência da família, no Bairro Dias Macedo, para auxiliar no crime foi descartada. “Eu acho difícil. Já analisamos se outra pessoa estava no local, e essa hipótese a gente vem descartando. Pode ter acontecido de uma pessoa de fora ter feito contato”.

Essa terceira pessoa seria o amante de Cristiane. O homem, cujo nome não foi divulgado, mora em Recife, mas esteve em Fortaleza nos dias 7 e 8 de novembro, três dias antes do crime. Cristiane havia afirmado, no primeiro depoimento à polícia, que ele seria um amigo que conheceu em uma faculdade da capital pernambucana. Em dezembro do ano passado, a Cristiane mudou a versão e admitiu que ele era mesmo um amante. Já Francilewdo declarou não saber que estava sendo traído.

Casa desorganizada

O delegado afirmou ter estranhado ainda a bagunça e sujeira na casa. “A casa era muito bagunçada. A dona não estava nem aí para aquilo. O natural da casa era aquilo mesmo”, disse. Na perícia realizada em 30 de dezembro, Wilder aproveitou para apreender pendrives, analisar manchas na parede e o material genético do cinto que Cristiane supostamente teria sido espancada, além de verificar as duas taças onde supostamente teria sido ingerido o vinho.

“O que nos chamou atenção é que em uma das taças havia formigas mortas. Na outra, não. A gente sabe que as formigas são atraídas para local que tenha algo doce. Vinho jamais atrairia formigas. Agora, estamos a depender dos laudos”.

Veja as imagens da casa onde o crime ocorreu:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15387524″]

Inquérito policial

O inquérito policial do Caso Subtenente foi encaminhado ao Ministério Público no dia 27 de janeiro, mas voltou ao 16º Distrito Policial para que fossem incluídos resultados de laudos e realização da perícia no celular de Cristiane Coelho, que até a data ainda não havia encaminhado o aparelho à polícia. “O Ministério Público achou por bem devolver para que sejam anexados esses resultados e cumpridas outras exigências”.

O crime ocorreu em 11 de novembro, na residência da família, no Bairro Dias Macedo, em Fortaleza. Lewdo Ricardo, de 9 anos, tinha autismo e era o filho mais velho do casal. Inicialmente as investigações apontavam que Francilewdo teria envenenado o filho e a mulher, e depois tentado o suicídio. Posteriormente, o laudo médico sinalizou que somente o militar e o garoto ingeriram chumbinho, enquanto Cristiane tomou tranquilizante. Com isso, a esposa passou a ser considerada a principal suspeita.

“Trata-se de um inquérito muito específico e, como as perícias demandam um certo tempo, não temos o ideal de gente para fazer essas perícias. Melhor aguardar e trazer uma conclusão final que não deixe nenhuma dúvida, do que fazer algo mal feito. Nós temos algumas hipóteses, algumas conclusões de como foi e quem foi… Com certeza, vamos chegar a um ponto”, finaliza.

Relembre o caso:

12 de novembro – Subtenente é suspeito de matar filho autista, agredir esposa e anunciar crimes no Facebook

13 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho e agredir esposa continua em estado grave no hospital

15 de novembro – Polícia quer ouvir mulher de subtenente do Exército suspeito de matar o filho envenenado

19 de novembro – Filho autista de subtenente do Exército ingeriu “chumbinho”, aponta laudo

19 de novembro – Esposa de militar do Exército suspeito de matar o filho nega traição que seria estopim do caso

21 de novembro – Militar suspeito de matar filho sai do coma, mas ainda não tem condições de prestar depoimento

21 de novembro – Delegado quer saber quem comprou chumbinho usado para matar o filho de militar do Exército

24 de novembro – Amigo duvida que subtenente tenha sido o autor da morte do filho autista

24 de novembro – Com melhora de subtenente, delegado aguarda depoimento até o fim da semana

25 de novembro – Subtenente fica chocado ao acordar do coma e saber que é acusado do assassinato do filho

26 de novembro – Delegado estuda fazer reconstituição do caso de subtenente acusado pela mulher de matar o filho

27 de novembro – Delegado desconfia que uma terceira pessoa tenha assassinado filho de subtenente do Exército

28 de novembro – Subtenente suspeito de matar filho será ouvido pela polícia mesmo na UTI

29 de novembro – Subtenente nega acusações e seu advogado acusa esposa de assassinar o filho para culpar militar

2 de dezembro – Delegado considera esposa de subtenente uma “suspeita em potencial” da morte do filho

3 de dezembro – Subtenente vai de vilão a mocinho após 3 semanas de investigação por morte de filho envenenado

3 de dezembro – Subtenente suspeito de matar o filho tem prisão preventiva revogada pela Justiça

4 de dezembro – Caso Subtenente: pai e mãe ficarão frente a frente pela 1ª vez após morte do filho envenenado

4 de dezembro – Em 1ª entrevista após sair de UTI, subtenente revela que tem tatuagem com nome de filho morto

8 de dezembro – Esposa de subtenente suspeita de matar o filho contrata um dos juristas mais conhecidos do Ceará

11 de dezembro – Um mês após crime, vizinha diz que nunca acreditou na versão de que subtenente matou o filho

11 de dezembro – Polícia revela áudio que indica desespero da esposa de subtenente após crime

12 de dezembro – Sobrinha será investigada por acionar a polícia quando militar já havia sido socorrido

13 de dezembro – Subtenente recebe alta médica e deseja acareação com esposa sobre morte de filho envenenado

15 de dezembro – Subtenente e esposa participarão de acareação e reconstituição de crime até a próxima semana

16 de dezembro – Caso Subtenente: esposa e militar fazem acareação na próxima segunda-feira

22 de dezembro – Em acareação, subtenente e esposa se encontram pela primeira vez após morte do filho

22 de dezembro – Subtenente acusa publicamente sua mulher de matar filho e agora teme pela vida do mais novo

23 de dezembro – Subtenente tem seguro de vida que pagaria R$ 153 mil a esposa em caso de morte

23 de dezembro – Polícia investiga denúncia de que depósito teria vendido chumbinho a esposa de subtenente

24 de dezembro – Esposa de subtenente admitiu ao marido que tem um amante, no reencontro do casal em acareação

25 de dezembro – Confira o bilhete de brincadeira suspeita entre subtenente e esposa que intriga a polícia

26 de dezembro – Laudo aponta que esposa de subtenente teve lesões mais leves do que em fotos entregues à polícia

27 de dezembro – Polícia quer saber se amante teve participação na morte de filho de subtenente

29 de dezembro – Frieza de mulher de subtenente teria chamado a atenção de presentes em reconstituição de crime

1º de janeiro – Mensagem editada no Facebook de subtenente teve alteração no nome do amante da esposa

7 de janeiro – Amante de esposa do subtenente deve prestar depoimento à polícia na próxima semana

12 de janeiro – Em entrevista exclusiva, subtenente revela que veneno estava em mamadeira do filho

11 de fevereiro – Três meses após morte de filho de subtenente por envenenamento, caso segue sem respostas