"É hora de asfixiar os presídios", defende especialista em segurança, em debate sobre a crise no Ceará

ONDA DE ATAQUES

“É hora de asfixiar os presídios”, defende especialista em segurança, em debate sobre a crise no Ceará

Valmir Medeiros, Débora Lima e Laércio Noronha debatem o tema com Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras na Rádio Tribuna Band News

Por Tribuna Bandnews FM em Segurança Pública

26 de março de 2018 às 12:59

Há 1 ano
debate, segurança

Tribuna Band News reúne especialistas para discutir a segurança do Ceará. (FOTO: Tribuna do Ceará)

Após a onda de chacinas no início do ano e de ataques a ônibus e prédios públicos na última semana no Ceará, a Tribuna Band News trouxe, nesta segunda-feira (26), um debate sobre segurança com três especialistas da área. Valmir Medeiros, Laércio Noronha e Débora Lima discutiram sobre intervenção militar, legalização das drogas e o que pode ser feito para melhorar a segurança do Estado.

“É hora de tomar o controle. Os bloqueadores ainda vão demorar. Tenho medo que seja uma ação eleitoreira. É hora de asfixiar esses presídios. Precisa de coragem, vergonha, inteligência e ação”, defende Valmir Medeiros.

Quem são os especialistas

Valmir Medeiros, advogado, é coronel reformado do Exército, atuou como chefe da divisão jurídica do Exército e comandou a segurança pública durante as greves das Polícias em dezembro de 2011 e janeiro de 2012; Laércio Noronha é doutor e professor universitário; e Débora Lima é advogada e presidente da comissão de Segurança da OAB-Ceará.

O governador Camilo Santana também foi convidado para o debate, mas não pode comparecer por questão de agenda. Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras mediaram a conversa.

Acompanhe o debate na íntegra:

AO VIVO: Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras debatem no Tribuna Bandnews – 1a Edição a crise na segurança pública no Ceará. Participam do programa a vice-presidente da comissão de segurança da OAB-CE, Débora Lima; o coronel reformado, Walmir Medeiros e o advogado e professor Laércio Noronha. Participe pelo whatsapp (85) 98154-3814. Acompanhe:

Posted by Tribuna do Ceará on Monday, March 26, 2018

 

Confira abaixo os melhores pontos do debate:

Solução

“O que resolve, de imediato, é o combate à corrupção. A população está em risco de vida. Neste momento, não há modo de conversar com quem está fazendo isso. Quem está fazendo isso deve ser tratado como inimigo. São adversários partindo pro tudo ou nada. O Estado deve aumentar o punho. As coordenações vêm da CPPL 1, em Itaitinga. O Estado tem de invadir a CPPL 1 e tomar providências. É hora de tomar o controle. Os bloqueadores ainda vão demorar. Tenho medo que seja uma ação eleitoreira. É hora de asfixiar esses presídios. Precisa de coragem, vergonha, inteligência e ação”, disse Valmir Medeiros.

Intervenção?

“A situação é calamitosa. O cidadão, que nada tem com o crime, acaba sendo penalizado por isso. Existe uma cultura terrorista instalada. O Estado perdeu o controle. A polícia só age pós-fato, não consegue solucionar homicídios, obviamente não consegue se antecipar aos atentados. As coisas vão se agravar. A intervenção militar é uma forma do governo dar uma resposta superficial, que não resolve o problema”, disse Laércio Noronha, que não defende a intervenção, mas acredita que se chegará a esse ponto no Ceará.

“Intervenção militar é para equilibrar as forças e deixar tudo mais forte que as forças do crime. A polícia, antigamente, tinha força no Ceará. Os bandidos temiam a polícia e tinha domínio público. Acredito que as intervenções militares no Rio estejam dando resultado, estive lá. Se não tivesse, a coisa pioraria muito. A população carioca está abandonada. Ainda que o cunho da intervenção seja eleitoral e de um presidente tentando tirar proveito, se não atuasse agora, o Rio estaria ainda mais perdido”, avaliou Valmir Medeiros.

Drogas 

“Se o Estado tivesse realmente uma estrutura e fosse fazer um controle, a descriminalização das drogas seria uma medida correta. Isso quebraria a violência. A porta de entrada é a maconha, mas ela não vem mais pura, vem misturada para a pessoa consumir droga mais pesada e gerar economia. Se o Brasil tivesse como fazer esse controle, seria uma maneira de tirar o controle das mãos dos traficantes”, defendeu Débora Lima.

“A descriminalização da maconha seria uma enganação. Como combateríamos os ataques de consumo dessa droga? Quem tem dinheiro compra a droga com tranquilidade. A pessoa que não tem dinheiro e é viciada vai roubar. Aumenta o crime em torno dessa descriminalização. O comércio continua, amplia. Tudo tem efeitos colaterais. Na Holanda e no Uruguai não deu certo, e são outras culturas. A busca pela droga vai haver sempre, tem de ver como o Estado e a sociedade vão enfrentar essa busca. Se tivermos mais cultura, esporte pros jovens, saciaríamos um pouco essa busca”, disse Valmir Medeiros.

Estrutura das polícias

“Com certeza há problema de inteligência. Existe uma barreira entre inteligência militar e civil. Antes de instalar bloqueadores, existem formas do Estado interceptar. O Exército tem shelters e contêineres usados em guerras eletrônicas que captam ligações de todos os presídios ao mesmo tempo. Existem formas do Estado levar vantagem e igualar essa guerra, mas o Estado está com medo de atuar”, avaliou Valmir Medeiros.

“Existe sim uma inteligência, e essa inteligência tem essas informações e está acompanhando. Porém, não vejo resultado. Somos surpreendidos o tempo todo e o cidadão está sendo pego de surpresa com os ataques. A forma que as facções têm de atingir o Estado é atingir o cidadão. O Estado precisa tratar de forma técnica. As pessoas que estão errando continuam lá, pensando e apresentando soluções, e muitas delas políticos, e estamos vendo esses resultados desastrosos”, contrapôs Débora Lima.

“Não está dando resultado porque deixou de ser feito por muito tempo. As delegacias, muitas no interior, servem de depósito de automóveis. Existem delegacias abandonadas. As do Estado ficaram bonitas para turistas, mas as de combate ficaram frágeis. Não existe logística. Na semana passada, fui procurado por um delegado pedindo que o Exército faça manutenção das armas de Fortaleza. Faltam recursos para que delegacias se mantenham e funcionem normalmente. A gestão está errada. As mulheres dos presos chegam lá com tratamento sub-humano. As famílias têm que ser amparadas. Agora, com os presos, rigor!”, disse Valmir Medeiros.

Segurança em presídios

“Aqui no Ceará e no Brasil, eles (os presos) ficam lá em colônia de férias. Eles ficam lá soltos, conversando, jogando futebol, eles ficam se comunicando. Se houver menos contato entre agentes e presos, as drogas entram menos. deve haver uma gestão tecnológica, em que não haja contato. A bactéria do sistema prisional é a corrupção e o celular que entra”, afirma Valmir Medeiros.

“Nós temos uma desconexão do desenho institucional entre o prisional e o policial. Nós temos 12 mil presos provisórios sem condenações em primeira instância. Nós temos uma estrutura de tecnológica ineficaz, temos a politização do crime”, concluiu Laércio Noronha.

Acompanhe o caso:

26/3/2018 – Viaturas da PM passam a fazer escolta de ônibus que circulam de madrugada em Fortaleza

26/3/2018 – 120 veículos são incendiados em onda de ataques no fim de semana no Ceará

25/3/2018 – Governador do Ceará declara que ataques se assemelham a atos terroristas

25/3/2018 – Onda de ataque a ônibus continua neste domingo; ao todo 6 queimados

25/3/2018 – Ônibus devem ser escoltados para garantir sistema de transporte urbano

25/3/2018 – Dezenas de carros e motos são incendiados em depósito de apreensões em Cascavel

25/3/2018 – Veja vídeos da onda de ataques a ônibus e prédios públicos em Fortaleza neste sábado

25/3/2018 – Terminal de ônibus da praça Coração de Jesus amanhece com destroços após ataques

25/3/2018 – Prédio da Regional IV é destruído por incêndio em noite de ataques criminosos

25/3/2018 – Sábado de terror: Confira balanço da onda de ataques em Fortaleza durante a noite

24/3/2018 – Ônibus são incendiados em diferentes pontos de Fortaleza em 3ª noite de ataques

24/3/2018 – “Não vamos arredar um milímetro”, repete Camilo após Polícia matar 3 bandidos em atentado a Sejus

23/3/2018 – Grupo armado ataca prédio da Secretaria de Justiça do Ceará e troca tiros com polícia

22/3/2018 – Bandidos tentam invadir prédio dos Correios em Fortaleza e deixam ameaças ao Governo

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ONDA DE ATAQUES

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Valmir Medeiros, Débora Lima e Laércio Noronha debatem o tema com Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras na Rádio Tribuna Band News

Por Tribuna Bandnews FM em Segurança Pública

26 de março de 2018 às 12:59

Há 1 ano
debate, segurança

Tribuna Band News reúne especialistas para discutir a segurança do Ceará. (FOTO: Tribuna do Ceará)

Após a onda de chacinas no início do ano e de ataques a ônibus e prédios públicos na última semana no Ceará, a Tribuna Band News trouxe, nesta segunda-feira (26), um debate sobre segurança com três especialistas da área. Valmir Medeiros, Laércio Noronha e Débora Lima discutiram sobre intervenção militar, legalização das drogas e o que pode ser feito para melhorar a segurança do Estado.

“É hora de tomar o controle. Os bloqueadores ainda vão demorar. Tenho medo que seja uma ação eleitoreira. É hora de asfixiar esses presídios. Precisa de coragem, vergonha, inteligência e ação”, defende Valmir Medeiros.

Quem são os especialistas

Valmir Medeiros, advogado, é coronel reformado do Exército, atuou como chefe da divisão jurídica do Exército e comandou a segurança pública durante as greves das Polícias em dezembro de 2011 e janeiro de 2012; Laércio Noronha é doutor e professor universitário; e Débora Lima é advogada e presidente da comissão de Segurança da OAB-Ceará.

O governador Camilo Santana também foi convidado para o debate, mas não pode comparecer por questão de agenda. Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras mediaram a conversa.

Acompanhe o debate na íntegra:

AO VIVO: Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras debatem no Tribuna Bandnews – 1a Edição a crise na segurança pública no Ceará. Participam do programa a vice-presidente da comissão de segurança da OAB-CE, Débora Lima; o coronel reformado, Walmir Medeiros e o advogado e professor Laércio Noronha. Participe pelo whatsapp (85) 98154-3814. Acompanhe:

Posted by Tribuna do Ceará on Monday, March 26, 2018

 

Confira abaixo os melhores pontos do debate:

Solução

“O que resolve, de imediato, é o combate à corrupção. A população está em risco de vida. Neste momento, não há modo de conversar com quem está fazendo isso. Quem está fazendo isso deve ser tratado como inimigo. São adversários partindo pro tudo ou nada. O Estado deve aumentar o punho. As coordenações vêm da CPPL 1, em Itaitinga. O Estado tem de invadir a CPPL 1 e tomar providências. É hora de tomar o controle. Os bloqueadores ainda vão demorar. Tenho medo que seja uma ação eleitoreira. É hora de asfixiar esses presídios. Precisa de coragem, vergonha, inteligência e ação”, disse Valmir Medeiros.

Intervenção?

“A situação é calamitosa. O cidadão, que nada tem com o crime, acaba sendo penalizado por isso. Existe uma cultura terrorista instalada. O Estado perdeu o controle. A polícia só age pós-fato, não consegue solucionar homicídios, obviamente não consegue se antecipar aos atentados. As coisas vão se agravar. A intervenção militar é uma forma do governo dar uma resposta superficial, que não resolve o problema”, disse Laércio Noronha, que não defende a intervenção, mas acredita que se chegará a esse ponto no Ceará.

“Intervenção militar é para equilibrar as forças e deixar tudo mais forte que as forças do crime. A polícia, antigamente, tinha força no Ceará. Os bandidos temiam a polícia e tinha domínio público. Acredito que as intervenções militares no Rio estejam dando resultado, estive lá. Se não tivesse, a coisa pioraria muito. A população carioca está abandonada. Ainda que o cunho da intervenção seja eleitoral e de um presidente tentando tirar proveito, se não atuasse agora, o Rio estaria ainda mais perdido”, avaliou Valmir Medeiros.

Drogas 

“Se o Estado tivesse realmente uma estrutura e fosse fazer um controle, a descriminalização das drogas seria uma medida correta. Isso quebraria a violência. A porta de entrada é a maconha, mas ela não vem mais pura, vem misturada para a pessoa consumir droga mais pesada e gerar economia. Se o Brasil tivesse como fazer esse controle, seria uma maneira de tirar o controle das mãos dos traficantes”, defendeu Débora Lima.

“A descriminalização da maconha seria uma enganação. Como combateríamos os ataques de consumo dessa droga? Quem tem dinheiro compra a droga com tranquilidade. A pessoa que não tem dinheiro e é viciada vai roubar. Aumenta o crime em torno dessa descriminalização. O comércio continua, amplia. Tudo tem efeitos colaterais. Na Holanda e no Uruguai não deu certo, e são outras culturas. A busca pela droga vai haver sempre, tem de ver como o Estado e a sociedade vão enfrentar essa busca. Se tivermos mais cultura, esporte pros jovens, saciaríamos um pouco essa busca”, disse Valmir Medeiros.

Estrutura das polícias

“Com certeza há problema de inteligência. Existe uma barreira entre inteligência militar e civil. Antes de instalar bloqueadores, existem formas do Estado interceptar. O Exército tem shelters e contêineres usados em guerras eletrônicas que captam ligações de todos os presídios ao mesmo tempo. Existem formas do Estado levar vantagem e igualar essa guerra, mas o Estado está com medo de atuar”, avaliou Valmir Medeiros.

“Existe sim uma inteligência, e essa inteligência tem essas informações e está acompanhando. Porém, não vejo resultado. Somos surpreendidos o tempo todo e o cidadão está sendo pego de surpresa com os ataques. A forma que as facções têm de atingir o Estado é atingir o cidadão. O Estado precisa tratar de forma técnica. As pessoas que estão errando continuam lá, pensando e apresentando soluções, e muitas delas políticos, e estamos vendo esses resultados desastrosos”, contrapôs Débora Lima.

“Não está dando resultado porque deixou de ser feito por muito tempo. As delegacias, muitas no interior, servem de depósito de automóveis. Existem delegacias abandonadas. As do Estado ficaram bonitas para turistas, mas as de combate ficaram frágeis. Não existe logística. Na semana passada, fui procurado por um delegado pedindo que o Exército faça manutenção das armas de Fortaleza. Faltam recursos para que delegacias se mantenham e funcionem normalmente. A gestão está errada. As mulheres dos presos chegam lá com tratamento sub-humano. As famílias têm que ser amparadas. Agora, com os presos, rigor!”, disse Valmir Medeiros.

Segurança em presídios

“Aqui no Ceará e no Brasil, eles (os presos) ficam lá em colônia de férias. Eles ficam lá soltos, conversando, jogando futebol, eles ficam se comunicando. Se houver menos contato entre agentes e presos, as drogas entram menos. deve haver uma gestão tecnológica, em que não haja contato. A bactéria do sistema prisional é a corrupção e o celular que entra”, afirma Valmir Medeiros.

“Nós temos uma desconexão do desenho institucional entre o prisional e o policial. Nós temos 12 mil presos provisórios sem condenações em primeira instância. Nós temos uma estrutura de tecnológica ineficaz, temos a politização do crime”, concluiu Laércio Noronha.

Acompanhe o caso:

26/3/2018 – Viaturas da PM passam a fazer escolta de ônibus que circulam de madrugada em Fortaleza

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25/3/2018 – Onda de ataque a ônibus continua neste domingo; ao todo 6 queimados

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25/3/2018 – Dezenas de carros e motos são incendiados em depósito de apreensões em Cascavel

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25/3/2018 – Terminal de ônibus da praça Coração de Jesus amanhece com destroços após ataques

25/3/2018 – Prédio da Regional IV é destruído por incêndio em noite de ataques criminosos

25/3/2018 – Sábado de terror: Confira balanço da onda de ataques em Fortaleza durante a noite

24/3/2018 – Ônibus são incendiados em diferentes pontos de Fortaleza em 3ª noite de ataques

24/3/2018 – “Não vamos arredar um milímetro”, repete Camilo após Polícia matar 3 bandidos em atentado a Sejus

23/3/2018 – Grupo armado ataca prédio da Secretaria de Justiça do Ceará e troca tiros com polícia

22/3/2018 – Bandidos tentam invadir prédio dos Correios em Fortaleza e deixam ameaças ao Governo