Justiça concede indenização a cientista preso indevidamente com fósseis do Ceará


Justiça concede indenização a cientista preso indevidamente com fósseis do Ceará

O paleontólogo Alexandre Kellner, do Rio de Janeiro, receberá R$ 150 mil por ter sido preso quando embarcava no aeroporto de Juazeiro do Norte

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

2 de dezembro de 2015 às 16:57

Há 4 anos
Alexandre Kellner tinha autorização para as pesquisas na Chapada do Araripe, feitas em parceria com a Urca. (FOTO: Acervo pessoal)

Alexandre Kellner tinha autorização para as pesquisas na Chapada do Araripe, feitas em parceria com a Urca. (FOTO: Acervo pessoal)

O paleontólogo Alexandre Kellner, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ganhou na Justiça o direito a receber indenização de R$ 150 mil por ter sido preso pela Polícia Federal quando embarcava no aeroporto de Juazeiro do Norte, a 480 km de Fortaleza, em 2012.

A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão que regula a retirada de fósseis no Brasil, a pagar a indenização por danos morais. Não satisfeito, Kellner pretende recorrer em busca do valor que solicitou à Justiça – R$ 1 milhão.

Prisão indevida

O pesquisador ficou preso durante um dia, em companhia do cientista francês Romain Amiot, por acusação de tráfico de fósseis. Em posse deles estavam 236 fósseis da Chapada do Araripe, sem documentação para transporte. Eles foram soltos após pagamento de fiança de R$ 5 mil cada.

A Polícia Federal foi ao aeroporto após receber denúncia anônima. Porém, as escavações haviam sido feitas em parceria com o Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

Em posse dos pesquisadores estavam 236 fósseis da Chapada do Araripe. (FOTO: Polícia Federal)

Em posse dos pesquisadores estavam 236 fósseis da Chapada do Araripe. (FOTO: Polícia Federal)

Segundo o coordenador do Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca), Álamo Feitosa, por um engano a autorização das escavações não foi entregue aos pesquisadores. As amostras retiradas do Cariri seriam investigadas e depois devolvidas à instituição.

A investigação contra Kellner e Amiot foi arquivada pela Justiça Federal dois meses após a prisão. O DNPM, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, também é alvo de processo semelhante movido pelo cientista francês.

Região rica em fósseis

A região do Cariri, no sul do Ceará, é uma das áreas mais ricas para a paleontologia no Brasil. Em julho, a revista Science publicou um achado extraordinário: uma cobra de quatro patas proveniente da Bacia do Araripe. Possivelmente, o fóssil em posse de pesquisadores alemães deve ter sido contrabandeado para a Europa. Não foi esclarecido como a peça chegou à Europa, como já mostrou o Tribuna do Ceará.

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Justiça concede indenização a cientista preso indevidamente com fósseis do Ceará

O paleontólogo Alexandre Kellner, do Rio de Janeiro, receberá R$ 150 mil por ter sido preso quando embarcava no aeroporto de Juazeiro do Norte

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

2 de dezembro de 2015 às 16:57

Há 4 anos
Alexandre Kellner tinha autorização para as pesquisas na Chapada do Araripe, feitas em parceria com a Urca. (FOTO: Acervo pessoal)

Alexandre Kellner tinha autorização para as pesquisas na Chapada do Araripe, feitas em parceria com a Urca. (FOTO: Acervo pessoal)

O paleontólogo Alexandre Kellner, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ganhou na Justiça o direito a receber indenização de R$ 150 mil por ter sido preso pela Polícia Federal quando embarcava no aeroporto de Juazeiro do Norte, a 480 km de Fortaleza, em 2012.

A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão que regula a retirada de fósseis no Brasil, a pagar a indenização por danos morais. Não satisfeito, Kellner pretende recorrer em busca do valor que solicitou à Justiça – R$ 1 milhão.

Prisão indevida

O pesquisador ficou preso durante um dia, em companhia do cientista francês Romain Amiot, por acusação de tráfico de fósseis. Em posse deles estavam 236 fósseis da Chapada do Araripe, sem documentação para transporte. Eles foram soltos após pagamento de fiança de R$ 5 mil cada.

A Polícia Federal foi ao aeroporto após receber denúncia anônima. Porém, as escavações haviam sido feitas em parceria com o Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca), com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

Em posse dos pesquisadores estavam 236 fósseis da Chapada do Araripe. (FOTO: Polícia Federal)

Em posse dos pesquisadores estavam 236 fósseis da Chapada do Araripe. (FOTO: Polícia Federal)

Segundo o coordenador do Laboratório de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca), Álamo Feitosa, por um engano a autorização das escavações não foi entregue aos pesquisadores. As amostras retiradas do Cariri seriam investigadas e depois devolvidas à instituição.

A investigação contra Kellner e Amiot foi arquivada pela Justiça Federal dois meses após a prisão. O DNPM, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, também é alvo de processo semelhante movido pelo cientista francês.

Região rica em fósseis

A região do Cariri, no sul do Ceará, é uma das áreas mais ricas para a paleontologia no Brasil. Em julho, a revista Science publicou um achado extraordinário: uma cobra de quatro patas proveniente da Bacia do Araripe. Possivelmente, o fóssil em posse de pesquisadores alemães deve ter sido contrabandeado para a Europa. Não foi esclarecido como a peça chegou à Europa, como já mostrou o Tribuna do Ceará.