Maior chacina da história do Ceará completa 1 ano, e comunidade ainda busca curar feridas

HORROR NAS CAJAZEIRAS

Maior chacina da história do Ceará completa 1 ano, e comunidade ainda busca curar feridas

A Chacina das Cajazeiras, caso em que membros da GDE mataram 14 pessoas no Forró do Gago, em Fortaleza, completa um ano neste domingo (27)

Por TV Jangadeiro em Segurança Pública

27 de janeiro de 2019 às 06:45

Há 6 meses
A casa de shows se transformou em uma igreja

A casa de shows que foi palco da chacina se transformou em uma igreja (Foto: Reprodução/Barra Pesada)

“Não dá para esquecer. Parece que foi um dia desses”, comenta a dona de casa Larissa Albuquerque, que perdeu a mãe na Chacina das Cajazeiras. Neste domingo (27), completa um ano da maior chacina da história do Ceará, que deixou 14 pessoas mortas, em Fortaleza. Os moradores da região tentam esquecer dos momentos de terror daquela noite, mas, apesar do tempo, as lembranças ainda continuam na memória.

O crime aconteceu durante a madrugada do dia 27 de janeiro de 2018, na casa de shows conhecida como “Forró do Gago”, na rua Madre Tereza de Calcutá, na comunidade Barreirão. Não havia um alvo certo. Pessoas armadas chegaram em carros e realizaram vários disparos aleatórios na rua. Os tiros atingiram clientes, trabalhadores que vendiam lanches e até um motorista de aplicativo de transporte de passageiros.

Na época, áudios circularam em grupos de Whatsapp de pessoas relatando os momentos de horror. “Parece cena de filme, muita polícia no local, corpos caídos na calçada, dos dois lados da rua, dentro do carro, carros com marca de bala”, dizia um deles.

Segundo a denúncia do Ministério Público, a chacina foi comandada pela facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), como uma forma de retaliar o grupo rival Comando Vermelho. A matança teria sido motivada por disputa de domínio de território.

A aposentada Maria Ferreira, que mora em frente à antiga casa de shows que hoje virou uma igreja, lembra bem desse momento. O tempo ainda não a fez esquecer da chacina.

“Foi um sufoco. Como eu ia sair de casa? Fiquei parada e deixei a coisa acontecer. Como é que alguém ia entrar naquele sufoco?”, questiona-se ao relembrar da incapacidade de socorrer vizinhos e conhecidos, vítimas do tiroteio. Ao lembrar dos momentos de horror, ela se emociona. “Eu vi as bichinhas (mulheres) tudo mortas”, lamenta.

O sentimento de luto é ainda maior para Larissa. Ela ficou responsável pelos seis irmãos após a morte de Edineusa Pereira de Albuquerque, 38, uma das 14 vítimas da chacina. Sem a mãe para ajudá-la, a jovem enfrenta dificuldades para cuidar dos seis irmãos, mais os três filhos. Divide a responsabilidade com o marido que está desempregado.

“Eu moro de aluguel, mas quero ajeitar a casa dela, pois o dinheiro do aluguel poderia usar para outra coisa”, comenta, em entrevista ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

A dona de casa depende do Bolsa Família e dos bicos do companheiro para sustentar a família. Entretanto, a renda é insuficiente para atender as necessidades básicas das crianças.

“Só o amor de Deus mesmo e das pessoas que me ajudam”, afirma. Entretanto, apesar das dificuldades, ela segue firme na missão que lhe restou após a chacina. “Nunca deixarei desemparados. Vou cuidar de todos”, frisa.

Veja matéria do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT:

http://mais.uol.com.br/view/16602284

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Maior chacina da história do Ceará completa 1 ano, e comunidade ainda busca curar feridas

A Chacina das Cajazeiras, caso em que membros da GDE mataram 14 pessoas no Forró do Gago, em Fortaleza, completa um ano neste domingo (27)

Por TV Jangadeiro em Segurança Pública

27 de janeiro de 2019 às 06:45

Há 6 meses
A casa de shows se transformou em uma igreja

A casa de shows que foi palco da chacina se transformou em uma igreja (Foto: Reprodução/Barra Pesada)

“Não dá para esquecer. Parece que foi um dia desses”, comenta a dona de casa Larissa Albuquerque, que perdeu a mãe na Chacina das Cajazeiras. Neste domingo (27), completa um ano da maior chacina da história do Ceará, que deixou 14 pessoas mortas, em Fortaleza. Os moradores da região tentam esquecer dos momentos de terror daquela noite, mas, apesar do tempo, as lembranças ainda continuam na memória.

O crime aconteceu durante a madrugada do dia 27 de janeiro de 2018, na casa de shows conhecida como “Forró do Gago”, na rua Madre Tereza de Calcutá, na comunidade Barreirão. Não havia um alvo certo. Pessoas armadas chegaram em carros e realizaram vários disparos aleatórios na rua. Os tiros atingiram clientes, trabalhadores que vendiam lanches e até um motorista de aplicativo de transporte de passageiros.

Na época, áudios circularam em grupos de Whatsapp de pessoas relatando os momentos de horror. “Parece cena de filme, muita polícia no local, corpos caídos na calçada, dos dois lados da rua, dentro do carro, carros com marca de bala”, dizia um deles.

Segundo a denúncia do Ministério Público, a chacina foi comandada pela facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), como uma forma de retaliar o grupo rival Comando Vermelho. A matança teria sido motivada por disputa de domínio de território.

A aposentada Maria Ferreira, que mora em frente à antiga casa de shows que hoje virou uma igreja, lembra bem desse momento. O tempo ainda não a fez esquecer da chacina.

“Foi um sufoco. Como eu ia sair de casa? Fiquei parada e deixei a coisa acontecer. Como é que alguém ia entrar naquele sufoco?”, questiona-se ao relembrar da incapacidade de socorrer vizinhos e conhecidos, vítimas do tiroteio. Ao lembrar dos momentos de horror, ela se emociona. “Eu vi as bichinhas (mulheres) tudo mortas”, lamenta.

O sentimento de luto é ainda maior para Larissa. Ela ficou responsável pelos seis irmãos após a morte de Edineusa Pereira de Albuquerque, 38, uma das 14 vítimas da chacina. Sem a mãe para ajudá-la, a jovem enfrenta dificuldades para cuidar dos seis irmãos, mais os três filhos. Divide a responsabilidade com o marido que está desempregado.

“Eu moro de aluguel, mas quero ajeitar a casa dela, pois o dinheiro do aluguel poderia usar para outra coisa”, comenta, em entrevista ao programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT.

A dona de casa depende do Bolsa Família e dos bicos do companheiro para sustentar a família. Entretanto, a renda é insuficiente para atender as necessidades básicas das crianças.

“Só o amor de Deus mesmo e das pessoas que me ajudam”, afirma. Entretanto, apesar das dificuldades, ela segue firme na missão que lhe restou após a chacina. “Nunca deixarei desemparados. Vou cuidar de todos”, frisa.

Veja matéria do programa Barra Pesada, da TV Jangadeiro/SBT:

http://mais.uol.com.br/view/16602284