Polícia instaura inquérito para investigar suposto diretor de cinema denunciado por atrizes


Polícia instaura inquérito para investigar suposto diretor de cinema denunciado por atrizes

No Facebook, o rapaz ofertava participação em filme com cenas de sexo e salário de R$ 3 mil. Ele pode responder pelo crime de atentado ao pudor mediante fraude

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

13 de fevereiro de 2015 às 15:07

Há 4 anos
O camarim do teatro do Cuca Barra foi o local para os testes (FOTO: Rubêns Venâncio)

O camarim do teatro do Cuca Barra foi o local para os testes (FOTO: Rubêns Venâncio)

A polícia instaurou inquérito para investigar o suposto diretor de cinema que teria prometido um salário de R$ 3 mil e a participação em um filme a diversas estudantes de teatro de Fortaleza. Segundo o delegado do 33º Distrito Policial, Sidney Furtado, o jovem Francisco Raphael da Costa Silva, que é conhecido pela polícia como Dentinho, será notificado e poderá responder ao artigo 216, atentado ao pudor mediante fraude.

“Vamos ouvir testemunhas e colher as imagens da Rede Cuca [Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte – onde o suposto diretor teria se encontrado com as atrizes]. Tudo será apurado”, prometeu o delegado.

Cinco atrizes já formalizaram denúncia na delegacia. Todas contam que foram abordadas por Raphael Fyah da mesma forma. Por mensagens no Facebook, o rapaz ofertava o filme e um salário significativo para o mercado do teatro local – quantia que variava de acordo com as atrizes escolhidas.

“Identifiquei uma vítima concreta no crime de atentado ao pudor mediante fraude. Ela aceitou fazer o teste, e ele seria o próprio ator no filme, que conteria cenas fortes de estupro. Os dois se encontraram no Cuca e começaram a trocar ideias. Na sala do local, Raphael convenceu de forma fraudulenta e, com ela, teve atos libidinosos, um ‘toca aqui, toca acolá’, nada de mais íntimo. Por isso ele cometeu esse crime, que está configurado no artigo 216”, explicou o titular da delegacia.

Raphael Fyah 3

Acusado de estelionato em cinco outros casos, Raphael Fyah já está sendo investigado pela polícia (Foto: Reprodução Facebook)

Em relação à possibilidade de assédio sexual contra as garotas, Sidney Furtado admitiu que será preciso investigar. “Porque é necessária a existência de um pré-requisito, um vínculo empregatício, por exemplo. A gente ainda está estudando”, indicou o delegado, que ainda não sabe como isso pode ser caracterizado.

Ficha policial

Apenas no ano de 2010, foram registrados cinco Boletins de Ocorrência contra Raphael Fyah, sendo dois no 4º Distrito Policial, no Bairro Pio XII, e três no 5º Distrito Policial, na Parangaba. Todos por estelionato. Os golpes costumam ser contra empresas de turismo e eventos. “Vou conversar com essas vítimas e saber que tipo de estelionato ele cometeu, porque em nenhum desses casos foram instaurados inquéritos”.

CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE PRISCYLLA PINHO E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE PRISCYLLA PINHO E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE PRISCYLLA PINHO E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE PRISCYLLA PINHO E RAPHAEL

Entenda o caso

As atrizes eram abordadas por Raphael pelo Facebook. Durante a conversa, ele prometia um filme de sucesso, com cenas de sexo e estupro, e um salário sedutor. Pelo menos 30 atrizes cearenses relataram ter sido enganadas pelo suposto diretor de cinema. Os testes foram realizados dentro do Cuca da Barra do Ceará.

Uma aluna do curso de Teatro da Universidade Federal do Ceará (UFC) que prefere não se identificar fez o teste. Induzida por Raphael, a estudante diz que teve que tirar blusa e calcinha e ficar apenas de saia, enquanto ele, também sem roupa, simulava o ato sexual.

“Fiz a cena como foi pedido, mesmo estando extremamente constrangida. Ao término da cena ficamos conversando e ele sempre agindo de forma muito natural, mas eu muito incomodada. Esse incômodo não passou e até agora ele continua, principalmente depois de descobrir que era tudo mentira”.

Em nota oficial, a Rede Cuca, mantida pela Prefeitura de Fortaleza, informou que Raphael não é produtor da instituição, mas sim aluno do curso de Produção Cultural. Segundo a instituição, o rapaz participou, como voluntário, do Festival Cuca Radical, e solicitou a sala, justificando ser para apoio da produção de seu filme. “Logo que a direção tomou conhecimento das denúncias que circularam pelo Facebook, constituiu uma comissão para apurar o caso. Após ouvir Raphael e as jovens, foi aberto um processo administrativo, que poderá acarretar na expulsão dele”, informa a instituição.

Veja matéria do Barra Pesada:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15374875″]

Leia mais matérias sobre o caso:

12 de fevereiro – Alunas de teatro denunciam assédio sexual em teste para suposto filme em Fortaleza

12 de fevereiro – Diretor de cinema muda versão e admite que realizou teste com atriz para filme

13 de fevereiro – Veja como seriam as cenas de sexo e estupro de teste de atrizes para suposto filme

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Polícia instaura inquérito para investigar suposto diretor de cinema denunciado por atrizes

No Facebook, o rapaz ofertava participação em filme com cenas de sexo e salário de R$ 3 mil. Ele pode responder pelo crime de atentado ao pudor mediante fraude

Por Roberta Tavares em Segurança Pública

13 de fevereiro de 2015 às 15:07

Há 4 anos
O camarim do teatro do Cuca Barra foi o local para os testes (FOTO: Rubêns Venâncio)

O camarim do teatro do Cuca Barra foi o local para os testes (FOTO: Rubêns Venâncio)

A polícia instaurou inquérito para investigar o suposto diretor de cinema que teria prometido um salário de R$ 3 mil e a participação em um filme a diversas estudantes de teatro de Fortaleza. Segundo o delegado do 33º Distrito Policial, Sidney Furtado, o jovem Francisco Raphael da Costa Silva, que é conhecido pela polícia como Dentinho, será notificado e poderá responder ao artigo 216, atentado ao pudor mediante fraude.

“Vamos ouvir testemunhas e colher as imagens da Rede Cuca [Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte – onde o suposto diretor teria se encontrado com as atrizes]. Tudo será apurado”, prometeu o delegado.

Cinco atrizes já formalizaram denúncia na delegacia. Todas contam que foram abordadas por Raphael Fyah da mesma forma. Por mensagens no Facebook, o rapaz ofertava o filme e um salário significativo para o mercado do teatro local – quantia que variava de acordo com as atrizes escolhidas.

“Identifiquei uma vítima concreta no crime de atentado ao pudor mediante fraude. Ela aceitou fazer o teste, e ele seria o próprio ator no filme, que conteria cenas fortes de estupro. Os dois se encontraram no Cuca e começaram a trocar ideias. Na sala do local, Raphael convenceu de forma fraudulenta e, com ela, teve atos libidinosos, um ‘toca aqui, toca acolá’, nada de mais íntimo. Por isso ele cometeu esse crime, que está configurado no artigo 216”, explicou o titular da delegacia.

Raphael Fyah 3

Acusado de estelionato em cinco outros casos, Raphael Fyah já está sendo investigado pela polícia (Foto: Reprodução Facebook)

Em relação à possibilidade de assédio sexual contra as garotas, Sidney Furtado admitiu que será preciso investigar. “Porque é necessária a existência de um pré-requisito, um vínculo empregatício, por exemplo. A gente ainda está estudando”, indicou o delegado, que ainda não sabe como isso pode ser caracterizado.

Ficha policial

Apenas no ano de 2010, foram registrados cinco Boletins de Ocorrência contra Raphael Fyah, sendo dois no 4º Distrito Policial, no Bairro Pio XII, e três no 5º Distrito Policial, na Parangaba. Todos por estelionato. Os golpes costumam ser contra empresas de turismo e eventos. “Vou conversar com essas vítimas e saber que tipo de estelionato ele cometeu, porque em nenhum desses casos foram instaurados inquéritos”.

CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSAS DE MICHELLE E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE PRISCYLLA PINHO E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE PRISCYLLA PINHO E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE PRISCYLLA PINHO E RAPHAEL
CONVERSA ENTRE PRISCYLLA PINHO E RAPHAEL

Entenda o caso

As atrizes eram abordadas por Raphael pelo Facebook. Durante a conversa, ele prometia um filme de sucesso, com cenas de sexo e estupro, e um salário sedutor. Pelo menos 30 atrizes cearenses relataram ter sido enganadas pelo suposto diretor de cinema. Os testes foram realizados dentro do Cuca da Barra do Ceará.

Uma aluna do curso de Teatro da Universidade Federal do Ceará (UFC) que prefere não se identificar fez o teste. Induzida por Raphael, a estudante diz que teve que tirar blusa e calcinha e ficar apenas de saia, enquanto ele, também sem roupa, simulava o ato sexual.

“Fiz a cena como foi pedido, mesmo estando extremamente constrangida. Ao término da cena ficamos conversando e ele sempre agindo de forma muito natural, mas eu muito incomodada. Esse incômodo não passou e até agora ele continua, principalmente depois de descobrir que era tudo mentira”.

Em nota oficial, a Rede Cuca, mantida pela Prefeitura de Fortaleza, informou que Raphael não é produtor da instituição, mas sim aluno do curso de Produção Cultural. Segundo a instituição, o rapaz participou, como voluntário, do Festival Cuca Radical, e solicitou a sala, justificando ser para apoio da produção de seu filme. “Logo que a direção tomou conhecimento das denúncias que circularam pelo Facebook, constituiu uma comissão para apurar o caso. Após ouvir Raphael e as jovens, foi aberto um processo administrativo, que poderá acarretar na expulsão dele”, informa a instituição.

Veja matéria do Barra Pesada:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15374875″]

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