Primo de vítima da Tragédia em Milagres contesta versão de policial de que reféns já estavam mortos

14 MORTOS

Primo de vítima da Tragédia em Milagres contesta versão de policial de que reféns já estavam mortos

“Se eu sou bandido, eu vou matar meu escudo?, afirmou João Daniel, primo de João Magalhães, um dos 14 mortos no caso em Milagres

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

12 de dezembro de 2018 às 18:04

Há 7 meses
A tentativa de assalto a banco em Milagres deixou 14 pessoas mortas (FOTO: Reprodução/ Whatsapp)

A tentativa de assalto a banco em Milagres deixou 14 pessoas mortas (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

Cinco dias após o tiroteio que deixou 14 mortos em Milagres, uma nova polêmica surgiu em torno do caso. Um familiar do empresário João Magalhães, morto na Tragédia de Milagres, contestou nesta quarta-feira (12) a versão dada por um policial que teria participado da ação.

O PM, que não quis se identificar, havia afirmado em entrevista ao O Povo Online que a polícia não chegou atirando, mas sim foi recebida a tiros. Na operação, 14 pessoas morreram, seis delas eram reféns. O policial relatou que os reféns já estavam mortos e com os corpos empilhados.

A declaração diz ainda “em momento algum sabíamos que havia reféns. Não houve escudo humano. Não foram visualizados reféns na frente do banco ou qualquer sinal dos bandidos para avisar que estavam com reféns. Nós não saímos atirando contra os carros. Nós trocamos tiros com os bandidos na cidade”, disse o policial.

Em entrevista à TV Jangadeiro, João Daniel, primo da vítima – que não estava no carro no momento do ocorrido – negou a versão do policial e afirmou que reféns foram mortos pela polícia e não por bandidos. “Se eu sou bandido, eu vou matar meu escudo? Eu nunca vi na história um refém ser morto antes da polícia atirar”.

De acordo com João, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) informa que a causa da morte do empresário foi uma hemorragia, às 3h15 da sexta-feira (7). O filho morreu às 2h. “João Magalhães morreu agonizando por 1h15, sem socorro. Vinícius teve morte instantânea (…) Não socorreram, ele morreu com tiro de fuzil, arma de guerra. As armas dos bandidos eram de calibre 12. Quem matou foi a polícia”.

O primo da vítima chama atenção ainda para as armas dos criminosos, que não foram divulgadas. “Cadê as fotos das armas dos bandidos? Em toda operação da polícia, as armas, coletes e projéteis ficam no chão formando o nome do grupo que apreendeu”.

Entenda o caso

Um grupo fortemente armado chegou à cidade de Milagres durante a madrugada e tentou atacar duas agências bancárias. De acordo com informações preliminares levantadas pela inteligência e que serão aprofundadas durante o inquérito da Polícia Civil, os assaltantes renderam pessoas que passavam pela BR-116 e levaram os reféns até os bancos.

O grupo utilizou um caminhão para bloquear o acesso dos carros na rodovia. As viaturas do BPChoque entraram na cidade e, ao se posicionar próximo ao banco, se depararam com a ação criminosa em andamento. Houve troca de tiros entre suspeitos e os profissionais de segurança.

Durante o tiroteio, cinco criminosos foram baleados e vieram a óbito no local; outros dois foram atingidos por disparos, socorridos e morreram em unidades hospitalares. O oitavo suspeito morreu em outro confronto com a Polícia no município de Barro. Além dos criminosos, seis reféns foram feridos e morreram. Até o momento, oito pessoas foram presas.

De acordo com o governador Camilo Santana, os policiais envolvidos na ação foram afastados e cumprem trabalhos administrativos.

Acompanhe as últimas matérias sobre o caso:

10/12/18 – “Passamos todos os detalhes”, informa Polícia de Sergipe, após secretário dizer que não sabia sobre reféns

10/12/18 – Polícia investiga 5 casos de mortes em operações da PM no Ceará

10/12/18 – Governo afasta 12 policiais que participaram da operação que resultou na morte de reféns

10/12/18 – Tragédia em Milagres é reflexo da falta de preparo da PM do Ceará, apontam especialistas

10/12/18 – “Ano começou com chacina que matou 14 e termina com a morte de 14”, critica General Theophilo

10/12/18 – Armas de policiais e de bandidos do ataque em Milagres foram recolhidas para perícia

9/12/18 – Familiares de reféns mortos em Milagres reclamam da ausência de membros do Governo em velório

9/12/18 – “Vimos uma cena horrorosa de guerra”, diz homem que perdeu 5 familiares em Milagres

8/12/18 – Governo ainda não responde de onde partiram os tiros que mataram 6 reféns em Milagres

8/12/18 – Caso de mortes em Milagres ganha repercussão internacional

Publicidade

Dê sua opinião

14 MORTOS

Primo de vítima da Tragédia em Milagres contesta versão de policial de que reféns já estavam mortos

“Se eu sou bandido, eu vou matar meu escudo?, afirmou João Daniel, primo de João Magalhães, um dos 14 mortos no caso em Milagres

Por Tribuna do Ceará em Segurança Pública

12 de dezembro de 2018 às 18:04

Há 7 meses
A tentativa de assalto a banco em Milagres deixou 14 pessoas mortas (FOTO: Reprodução/ Whatsapp)

A tentativa de assalto a banco em Milagres deixou 14 pessoas mortas (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

Cinco dias após o tiroteio que deixou 14 mortos em Milagres, uma nova polêmica surgiu em torno do caso. Um familiar do empresário João Magalhães, morto na Tragédia de Milagres, contestou nesta quarta-feira (12) a versão dada por um policial que teria participado da ação.

O PM, que não quis se identificar, havia afirmado em entrevista ao O Povo Online que a polícia não chegou atirando, mas sim foi recebida a tiros. Na operação, 14 pessoas morreram, seis delas eram reféns. O policial relatou que os reféns já estavam mortos e com os corpos empilhados.

A declaração diz ainda “em momento algum sabíamos que havia reféns. Não houve escudo humano. Não foram visualizados reféns na frente do banco ou qualquer sinal dos bandidos para avisar que estavam com reféns. Nós não saímos atirando contra os carros. Nós trocamos tiros com os bandidos na cidade”, disse o policial.

Em entrevista à TV Jangadeiro, João Daniel, primo da vítima – que não estava no carro no momento do ocorrido – negou a versão do policial e afirmou que reféns foram mortos pela polícia e não por bandidos. “Se eu sou bandido, eu vou matar meu escudo? Eu nunca vi na história um refém ser morto antes da polícia atirar”.

De acordo com João, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) informa que a causa da morte do empresário foi uma hemorragia, às 3h15 da sexta-feira (7). O filho morreu às 2h. “João Magalhães morreu agonizando por 1h15, sem socorro. Vinícius teve morte instantânea (…) Não socorreram, ele morreu com tiro de fuzil, arma de guerra. As armas dos bandidos eram de calibre 12. Quem matou foi a polícia”.

O primo da vítima chama atenção ainda para as armas dos criminosos, que não foram divulgadas. “Cadê as fotos das armas dos bandidos? Em toda operação da polícia, as armas, coletes e projéteis ficam no chão formando o nome do grupo que apreendeu”.

Entenda o caso

Um grupo fortemente armado chegou à cidade de Milagres durante a madrugada e tentou atacar duas agências bancárias. De acordo com informações preliminares levantadas pela inteligência e que serão aprofundadas durante o inquérito da Polícia Civil, os assaltantes renderam pessoas que passavam pela BR-116 e levaram os reféns até os bancos.

O grupo utilizou um caminhão para bloquear o acesso dos carros na rodovia. As viaturas do BPChoque entraram na cidade e, ao se posicionar próximo ao banco, se depararam com a ação criminosa em andamento. Houve troca de tiros entre suspeitos e os profissionais de segurança.

Durante o tiroteio, cinco criminosos foram baleados e vieram a óbito no local; outros dois foram atingidos por disparos, socorridos e morreram em unidades hospitalares. O oitavo suspeito morreu em outro confronto com a Polícia no município de Barro. Além dos criminosos, seis reféns foram feridos e morreram. Até o momento, oito pessoas foram presas.

De acordo com o governador Camilo Santana, os policiais envolvidos na ação foram afastados e cumprem trabalhos administrativos.

Acompanhe as últimas matérias sobre o caso:

10/12/18 – “Passamos todos os detalhes”, informa Polícia de Sergipe, após secretário dizer que não sabia sobre reféns

10/12/18 – Polícia investiga 5 casos de mortes em operações da PM no Ceará

10/12/18 – Governo afasta 12 policiais que participaram da operação que resultou na morte de reféns

10/12/18 – Tragédia em Milagres é reflexo da falta de preparo da PM do Ceará, apontam especialistas

10/12/18 – “Ano começou com chacina que matou 14 e termina com a morte de 14”, critica General Theophilo

10/12/18 – Armas de policiais e de bandidos do ataque em Milagres foram recolhidas para perícia

9/12/18 – Familiares de reféns mortos em Milagres reclamam da ausência de membros do Governo em velório

9/12/18 – “Vimos uma cena horrorosa de guerra”, diz homem que perdeu 5 familiares em Milagres

8/12/18 – Governo ainda não responde de onde partiram os tiros que mataram 6 reféns em Milagres

8/12/18 – Caso de mortes em Milagres ganha repercussão internacional