Vítima da chacina de Messejana deixou viúva de 16 anos, já mãe de bebê de 3 meses


Vítima da chacina de Messejana deixou viúva de 16 anos, já mãe de bebê de 3 meses

Antônio Alisson é uma das vítimas da chacina da Grande Messejana. O jovem foi enterrado no mesmo dia que a mãe, que faleceu há 14 anos

Por Hayanne Narlla em Segurança Pública

23 de novembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Familiares de Alisson querem uma rua ganhe seu nome (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Familiares de Alisson querem que uma rua ganhe seu nome (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Ana Cecília tem apenas três meses e já é órfã. A mãe, que não teve o nome divulgado, é adolescente de 16 anos, estudante e perdeu recentemente o namorado na chacina da Grande Messejana, em Fortaleza. Agora, as duas seguem a vida com a ajuda da família da vítima para crescerem juntas.

Antônio Alisson, de 17 anos, foi morto no dia 12 de novembro de 2015. O auxiliar de mecânico Jonathan Costa, primo, convivia com ele todos dias, já que a vítima morava em sua casa. Sem pai, nem mãe, Alisson tinha a tia como sua referência maternal.

O pai morreu recentemente, há menos de um ano. Já a mãe faleceu quando Alisson ainda tinha 2 anos. O curioso é que o destino fez com que os dois, separados há 14 anos, tivessem um elo na hora da morte: mãe e filho foram enterrados no mesmo dia, 13 de novembro.

Em relacionamento com a mãe de Ana Cecília, eles ainda moravam em casas separadas. Um dia, quem sabe, casariam e morariam debaixo do mesmo teto. Entretanto, a morte veio cedo e separou o casal definitivamente.

O primo desabafa que tem se feito de forte, para dar conforto ao resto da família. “Ainda não acredito que ele morreu. Toda vida almoçava e deixava comida para ele comer depois. Ainda faço isso. Não me acostumei”, revela.

“Ainda não acredito que ele morreu. Toda vida almoçava e deixava comida para ele comer depois. Ainda faço isso. Não me acostumei”. (Jonathan Costa)

Alisson e mais dez pessoas morreram na chacina do Curió e outros bairros da Grande Messejana. No dia 13 de novembro, a SSPDS emitiu uma lista com os dados preliminares dos mortos. O documento oficial confirmou que nenhum dos mortos tem antecedentes criminais graves. Dos 11 mortos, sete eram adolescentes, com idades entre 16 e 17 anos. Os demais tinham idades que variavam entre 18 e 41 anos.

Acompanhe o caso:

12 de novembro – Secretaria de Segurança monta força-tarefa para investigar mortes em sequência em Messejana

12 de novembro – Escolas suspendem aulas por sequência de mortes na Grande Messejana

13 de novembro – Sequência de mortes em Fortaleza aconteceu em 4 horas com pelos menos 4 adolescentes assassinados

13 de novembro – Sequência de mortes muda rotina no terminal da Messejana

13 de novembro – Nenhuma das vítimas de chacina da Messejana tinha antecedentes criminais graves

14 de novembro – Associação de PMs diz que é inadmissível associar crimes à represália por morte de policial

16 de novembro – Após sequência de mortes, moradores do Curió realizam protesto

16 de novembro – Mensagens de ameaças em Fortaleza espalham-se por Whatsapp; PM desmente boatos

16 de novembro – Após divulgar vídeo com ameaças, adolescente pede desculpas à polícia

16 de novembro – Viatura da polícia é incendiada, e quartel é alvejado por tiros em Fortaleza

16 de novembro – Ministério Público vai investigar mortes da chacina na Grande Messejana

17 de novembro – Presidente de associação lamenta que sociedade não se sensibiliza mais com morte de policiais

17 de novembro – Dois carros com atiradores encapuzados metralham quatro pessoas em dois bairros de Fortaleza

17 de novembro – #TamoJuntoCurió: Página de apoio às vítimas de chacina vira febre em poucas horas

18 de novembro – Moradores do Curió prometem “marcação cerrada” ao governo por justiça após chacina

18 de novembro – Secretário de Segurança promete investigar denúncia sobre grupo de extermínio na Polícia

19 de novembro – Parentes e amigos querem que vítimas de chacina deem nome a ruas do Curió

20 de novembro – Mãe de jovem morto em chacina contesta que ele respondia a ação por pensão alimentícia

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Vítima da chacina de Messejana deixou viúva de 16 anos, já mãe de bebê de 3 meses

Antônio Alisson é uma das vítimas da chacina da Grande Messejana. O jovem foi enterrado no mesmo dia que a mãe, que faleceu há 14 anos

Por Hayanne Narlla em Segurança Pública

23 de novembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Familiares de Alisson querem uma rua ganhe seu nome (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Familiares de Alisson querem que uma rua ganhe seu nome (FOTO: Hayanne Narlla/ Tribuna do Ceará)

Ana Cecília tem apenas três meses e já é órfã. A mãe, que não teve o nome divulgado, é adolescente de 16 anos, estudante e perdeu recentemente o namorado na chacina da Grande Messejana, em Fortaleza. Agora, as duas seguem a vida com a ajuda da família da vítima para crescerem juntas.

Antônio Alisson, de 17 anos, foi morto no dia 12 de novembro de 2015. O auxiliar de mecânico Jonathan Costa, primo, convivia com ele todos dias, já que a vítima morava em sua casa. Sem pai, nem mãe, Alisson tinha a tia como sua referência maternal.

O pai morreu recentemente, há menos de um ano. Já a mãe faleceu quando Alisson ainda tinha 2 anos. O curioso é que o destino fez com que os dois, separados há 14 anos, tivessem um elo na hora da morte: mãe e filho foram enterrados no mesmo dia, 13 de novembro.

Em relacionamento com a mãe de Ana Cecília, eles ainda moravam em casas separadas. Um dia, quem sabe, casariam e morariam debaixo do mesmo teto. Entretanto, a morte veio cedo e separou o casal definitivamente.

O primo desabafa que tem se feito de forte, para dar conforto ao resto da família. “Ainda não acredito que ele morreu. Toda vida almoçava e deixava comida para ele comer depois. Ainda faço isso. Não me acostumei”, revela.

“Ainda não acredito que ele morreu. Toda vida almoçava e deixava comida para ele comer depois. Ainda faço isso. Não me acostumei”. (Jonathan Costa)

Alisson e mais dez pessoas morreram na chacina do Curió e outros bairros da Grande Messejana. No dia 13 de novembro, a SSPDS emitiu uma lista com os dados preliminares dos mortos. O documento oficial confirmou que nenhum dos mortos tem antecedentes criminais graves. Dos 11 mortos, sete eram adolescentes, com idades entre 16 e 17 anos. Os demais tinham idades que variavam entre 18 e 41 anos.

Acompanhe o caso:

12 de novembro – Secretaria de Segurança monta força-tarefa para investigar mortes em sequência em Messejana

12 de novembro – Escolas suspendem aulas por sequência de mortes na Grande Messejana

13 de novembro – Sequência de mortes em Fortaleza aconteceu em 4 horas com pelos menos 4 adolescentes assassinados

13 de novembro – Sequência de mortes muda rotina no terminal da Messejana

13 de novembro – Nenhuma das vítimas de chacina da Messejana tinha antecedentes criminais graves

14 de novembro – Associação de PMs diz que é inadmissível associar crimes à represália por morte de policial

16 de novembro – Após sequência de mortes, moradores do Curió realizam protesto

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17 de novembro – Dois carros com atiradores encapuzados metralham quatro pessoas em dois bairros de Fortaleza

17 de novembro – #TamoJuntoCurió: Página de apoio às vítimas de chacina vira febre em poucas horas

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18 de novembro – Secretário de Segurança promete investigar denúncia sobre grupo de extermínio na Polícia

19 de novembro – Parentes e amigos querem que vítimas de chacina deem nome a ruas do Curió

20 de novembro – Mãe de jovem morto em chacina contesta que ele respondia a ação por pensão alimentícia