Programadores cearenses contam como é viajar o mundo como nômades digitais


Programadores cearenses contam como é viajar o mundo como nômades digitais

Paulo Alves e Henrique Miranda, de 28 anos, largaram a estabilidade financeira no Brasil para ser empreendedores digitais mundo afora

Por Matheus Ribeiro em Tecnologia

22 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Paulo Alves viajou mais de 30 países (FOTO: Arquivo Pessoal)

Paulo Alves viajou por mais de 30 países (FOTO: Arquivo Pessoal)

Eles deixaram a estabilidade financeira para trás e encararam o desafio de viajar o mundo e trabalhar online. Adeptos do empreendedorismo digital, os programadores cearenses Paulo Alves e Henrique Miranda, ambos de 28 anos, tinham tudo para ter uma carreira bem sucedida no mercado de TI em Fortaleza. Mas não pensaram duas vezes antes de jogar tudo para o alto e viajar por vários países para se tornarem nômades digitais.

Na primeira oportunidade que teve, Paulo abandonou o posto de programador de uma empresa cearense para conhecer Kuala Lumpur, capital da Malásia, em 2010.

Durante o período de longa duração fora do Brasil, o cearense decidiu viajar seis meses por alguns países do sudeste asiático. Foi quando convidou para a empreitada o amigo Henrique, que na época estava em Amsterdã, na Holanda.

Morando em continentes distantes, com fusos bem diferentes, planejar a viagem juntos era o um enorme desafio. “Tínhamos que compartilhar todo o planejamento através de planilhas e documentos e e-mails, e não encontramos nenhuma ferramenta para nos ajudar nesse planejamento”, indicou Paulo. 

Para se sustentar, os amigos contam que tiveram que se virar com o que aparecia para ganhar dinheiro. “Trabalhamos em bares, hostels, tudo o que aparecia a gente tentava ganhar dinheiro ou fazer permuta para sobreviver”.

Como todo bom cearense, a comédia também foi uma das alternativas para o sustento. “Cheguei até a trabalhar com stand up comedy em uma das boates mais conhecidas da cidade. Foi com esse dinheiro que paguei minha estadia”.

Dois anos depois, após o término do intercâmbio, Paulo voltou a Fortaleza e logo depois se mudou para o Rio de Janeiro. E foi nesse período onde o jovem começou a desenvolver o Goosit, uma startup capaz de realizar todo o planejamento de uma viagem à distância.

“Eu já estava completamente apaixonado por viajar, não me acostumava mais com a rotina do trabalho. Durante isso decidi começar a programar o Goosit a fim de facilitar a minha vida e a de outros viajantes. Mostrei a ideia para o Henrique e ele decidiu entrar também”.

Paulo tem 28 anos e não pretende voltar ao Brasil (FOTO: Arquivo Pessoal)

Paulo Alves tem 28 anos e não pretende voltar ao Brasil (FOTO: Arquivo Pessoal)

O que é o Goosit

Para arrecadar dinheiro com a nova ferramenta, os amigos utilizam o sistema de reserva em hotéis e hostels. Cada vez que algum usuário faz uma reserva através do aplicativo, uma comissão é fornecida aos programadores. “A gente tem parceria atualmente com o booking.com, rome2rio, tripda e skyscanner. O retorno financeiro ainda é estável e eu estou viajando com as economias que eu ainda tenho”.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Paulo contou as experiências de se tornar um nômade digital.

Tribuna do Ceará Como surgiu a ideia de criar a startup?
Paulo Alves
– Tudo começou em junho de 2010, quando eu fui fazer um intercâmbio em Kuala Lumpur, capital da Malásia, onde morei por um ano. A diferença cultural, religiosa (país muçulmano) e culinária fizeram com que eu me apaixonasse por descobrir novas realidades e, com isso, por viajar. Durante esse intercâmbio eu decidi viajar por seis meses por alguns países do sudeste asiático (Singapura, Filipinas, Indonésia, Tailândia, Camboja, Vietnã, Laos e Myanmar) e convidei um amigo, chamado Henrique Miranda, também de Fortaleza, para viajar comigo. Ele estava morando em Amsterdam, na Holanda, e aceitou o convite. Como estávamos morando em continentes diferentes com fusos bem diferentes, o planejamento dessa viagem ficou complicado, pois tínhamos que compartilhar tudo por internet, o que nem sempre tínhamos disponível. Não encontramos aplicativos para nos ajudar nesse planejamento e daí nos despertou a ideia de montar o Goosit.

Tribuna Quando foi a primeira vez que você pensou em fazer isso?
Paulo
– A primeira vez foi logo após a minha primeira viagem, que foi um mochilão de 50 dias por alguns destinos da América do Sul, como Peru, Bolívia, Argentina, Paraguai e Foz do Iguaçu. Isso foi em março de 2009, e desde então eu tenho voltado minhas energias para poder viajar mais.

O mundo é minha casa
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O mundo é minha casa

Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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O mundo é minha casa

Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

Tribuna Com o que você trabalhava no Brasil e no exterior antes da startup?
Paulo
– Sou formado em Ciências da Computação pela Uece (Universidade Estadual do Ceará) e sempre trabalhei com computação, até sair do meu emprego e ir morar na Malásia por um ano. Lá eu eu fazia stand up comedy com mágica. Quando morei em Koh Phi Phi, uma ilha da Tailândia famosa pelo filme “A Praia”, eu “trabalhei” em um bar. Fiz isso por quatro meses ao todo. Em junho desse ano, trabalhei por um mês e meio em um albergue em Montevideo, capital do Uruguai, em troca de hospedagem.

TribunaO que sua família achou?
Paulo
– Bem, as reações são diferentes. Meus pais acham que sou louco e que eu deveria pensar em comprar uma casa, um carro e me casar. Minha irmã acha que sou aventureiro e admira o que estou fazendo. Meu irmão está no meio termo entre meus pais e minha irmã. Todos sentem saudades, sempre perguntam se estou me alimentando bem, se estou ficando doente. Mas sempre, em todas as conversas, me perguntam quando eu vou voltar. E a resposta é sempre a mesma: assim que o meu dinheiro acabar.

“Meus pais acham que sou louco e que eu deveria pensar em comprar uma casa, um carro e me casar”. (Paulo Alves)

Tribuna Quais serão os próximos destinos?
Paulo – O meu foco agora é o continente americano. Já passei pelo Uruguai, onde fiquei dois meses, pela Argentina, onde fiquei por três, pelo Chile, onde fiquei um mês, e agora estou em La Paz, capital da Bolívia. Agora a ordem será: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, América Central continental, Cuba, Jamaica e México. Quem sabe também vou pra Guiana, Suriname e Guiana Francesa, mas esses países não estão no meu foco, que é mais a América Hispânica.

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Programadores cearenses contam como é viajar o mundo como nômades digitais

Paulo Alves e Henrique Miranda, de 28 anos, largaram a estabilidade financeira no Brasil para ser empreendedores digitais mundo afora

Por Matheus Ribeiro em Tecnologia

22 de dezembro de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Paulo Alves viajou mais de 30 países (FOTO: Arquivo Pessoal)

Paulo Alves viajou por mais de 30 países (FOTO: Arquivo Pessoal)

Eles deixaram a estabilidade financeira para trás e encararam o desafio de viajar o mundo e trabalhar online. Adeptos do empreendedorismo digital, os programadores cearenses Paulo Alves e Henrique Miranda, ambos de 28 anos, tinham tudo para ter uma carreira bem sucedida no mercado de TI em Fortaleza. Mas não pensaram duas vezes antes de jogar tudo para o alto e viajar por vários países para se tornarem nômades digitais.

Na primeira oportunidade que teve, Paulo abandonou o posto de programador de uma empresa cearense para conhecer Kuala Lumpur, capital da Malásia, em 2010.

Durante o período de longa duração fora do Brasil, o cearense decidiu viajar seis meses por alguns países do sudeste asiático. Foi quando convidou para a empreitada o amigo Henrique, que na época estava em Amsterdã, na Holanda.

Morando em continentes distantes, com fusos bem diferentes, planejar a viagem juntos era o um enorme desafio. “Tínhamos que compartilhar todo o planejamento através de planilhas e documentos e e-mails, e não encontramos nenhuma ferramenta para nos ajudar nesse planejamento”, indicou Paulo. 

Para se sustentar, os amigos contam que tiveram que se virar com o que aparecia para ganhar dinheiro. “Trabalhamos em bares, hostels, tudo o que aparecia a gente tentava ganhar dinheiro ou fazer permuta para sobreviver”.

Como todo bom cearense, a comédia também foi uma das alternativas para o sustento. “Cheguei até a trabalhar com stand up comedy em uma das boates mais conhecidas da cidade. Foi com esse dinheiro que paguei minha estadia”.

Dois anos depois, após o término do intercâmbio, Paulo voltou a Fortaleza e logo depois se mudou para o Rio de Janeiro. E foi nesse período onde o jovem começou a desenvolver o Goosit, uma startup capaz de realizar todo o planejamento de uma viagem à distância.

“Eu já estava completamente apaixonado por viajar, não me acostumava mais com a rotina do trabalho. Durante isso decidi começar a programar o Goosit a fim de facilitar a minha vida e a de outros viajantes. Mostrei a ideia para o Henrique e ele decidiu entrar também”.

Paulo tem 28 anos e não pretende voltar ao Brasil (FOTO: Arquivo Pessoal)

Paulo Alves tem 28 anos e não pretende voltar ao Brasil (FOTO: Arquivo Pessoal)

O que é o Goosit

Para arrecadar dinheiro com a nova ferramenta, os amigos utilizam o sistema de reserva em hotéis e hostels. Cada vez que algum usuário faz uma reserva através do aplicativo, uma comissão é fornecida aos programadores. “A gente tem parceria atualmente com o booking.com, rome2rio, tripda e skyscanner. O retorno financeiro ainda é estável e eu estou viajando com as economias que eu ainda tenho”.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Paulo contou as experiências de se tornar um nômade digital.

Tribuna do Ceará Como surgiu a ideia de criar a startup?
Paulo Alves
– Tudo começou em junho de 2010, quando eu fui fazer um intercâmbio em Kuala Lumpur, capital da Malásia, onde morei por um ano. A diferença cultural, religiosa (país muçulmano) e culinária fizeram com que eu me apaixonasse por descobrir novas realidades e, com isso, por viajar. Durante esse intercâmbio eu decidi viajar por seis meses por alguns países do sudeste asiático (Singapura, Filipinas, Indonésia, Tailândia, Camboja, Vietnã, Laos e Myanmar) e convidei um amigo, chamado Henrique Miranda, também de Fortaleza, para viajar comigo. Ele estava morando em Amsterdam, na Holanda, e aceitou o convite. Como estávamos morando em continentes diferentes com fusos bem diferentes, o planejamento dessa viagem ficou complicado, pois tínhamos que compartilhar tudo por internet, o que nem sempre tínhamos disponível. Não encontramos aplicativos para nos ajudar nesse planejamento e daí nos despertou a ideia de montar o Goosit.

Tribuna Quando foi a primeira vez que você pensou em fazer isso?
Paulo
– A primeira vez foi logo após a minha primeira viagem, que foi um mochilão de 50 dias por alguns destinos da América do Sul, como Peru, Bolívia, Argentina, Paraguai e Foz do Iguaçu. Isso foi em março de 2009, e desde então eu tenho voltado minhas energias para poder viajar mais.

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

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Paulo Alves já mora por aí desde 2010 (FOTO: Acervo pessoal)

Tribuna Com o que você trabalhava no Brasil e no exterior antes da startup?
Paulo
– Sou formado em Ciências da Computação pela Uece (Universidade Estadual do Ceará) e sempre trabalhei com computação, até sair do meu emprego e ir morar na Malásia por um ano. Lá eu eu fazia stand up comedy com mágica. Quando morei em Koh Phi Phi, uma ilha da Tailândia famosa pelo filme “A Praia”, eu “trabalhei” em um bar. Fiz isso por quatro meses ao todo. Em junho desse ano, trabalhei por um mês e meio em um albergue em Montevideo, capital do Uruguai, em troca de hospedagem.

TribunaO que sua família achou?
Paulo
– Bem, as reações são diferentes. Meus pais acham que sou louco e que eu deveria pensar em comprar uma casa, um carro e me casar. Minha irmã acha que sou aventureiro e admira o que estou fazendo. Meu irmão está no meio termo entre meus pais e minha irmã. Todos sentem saudades, sempre perguntam se estou me alimentando bem, se estou ficando doente. Mas sempre, em todas as conversas, me perguntam quando eu vou voltar. E a resposta é sempre a mesma: assim que o meu dinheiro acabar.

“Meus pais acham que sou louco e que eu deveria pensar em comprar uma casa, um carro e me casar”. (Paulo Alves)

Tribuna Quais serão os próximos destinos?
Paulo – O meu foco agora é o continente americano. Já passei pelo Uruguai, onde fiquei dois meses, pela Argentina, onde fiquei por três, pelo Chile, onde fiquei um mês, e agora estou em La Paz, capital da Bolívia. Agora a ordem será: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, América Central continental, Cuba, Jamaica e México. Quem sabe também vou pra Guiana, Suriname e Guiana Francesa, mas esses países não estão no meu foco, que é mais a América Hispânica.