Águeda Muniz: "O Parque das Nações e uma nova cidade"

CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “O Parque das Nações e uma nova cidade”

O Parque das Nações, em Lisboa, é hoje, em nível nacional e internacional, uma referência de qualidade urbana

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

24 de janeiro de 2017 às 09:03

Há 2 anos

Por Águeda Muniz

Na área onde atualmente está situado o Parque das Nações, em Lisboa, constituído por 340 hectares, predominavam instalações insalubres e perigosas como uma refinaria, depósitos de produtos petrolíferos, matadouro público, estação de tratamento de esgotos, aterro sanitário, além de diversas instalações portuárias e atividades afins. Era evidente o avançado estado de degradação socioeconômica e ambiental, decorrente da natureza poluidora dos estabelecimentos ali instalados. Seu abandono facilitava a sua utilização como depósito clandestino de lixo e sua ocupação informal, produzindo bolsões de miséria e gerando zonas de conflitos de uso na zona portuária.

A ideia de sediar uma EXPO em Lisboa surge de uma iniciativa com um projeto e prazo fixo, capaz de mobilizar os meios necessários para acelerar a modernização da cidade, e assim poder “transformar Lisboa numa cidade do século XXI, constituindo o ponto de partida para uma mudança global”.

Parque-das-Nacoes-1

(FOTO: Divulgação)

Era urgente intervir na cidade de Lisboa para obter um maior equilíbrio interno da cidade e da área metropolitana quando da distribuição das funções; potencializar a requalificação das atividades econômicas, culturais e científicas; recuperar a frente ribeirinha, abrindo a cidade ao rio incluindo aqui a questão ambiental; melhorar a infraestrutura de suporte, especialmente o transporte e as comunicações.

Quase 20 anos depois, foi a realização da EXPO’98 a alavancagem para o Projeto do Parque das Nações. Nele passou a ser estabelecido um novo tipo de relação da cidade com o Rio Tejo, resultante da construção de uma nova identidade para aquela frente hídrica, que causou uma revalorização no ambiente, na paisagem e no imaginário da população.

A proposta de sediar uma Expo em Lisboa tinha como finalidade dinamizar a renovação urbana da cidade; promover o turismo em Portugal; e estimular o desenvolvimento econômico, buscando uma relação entre a garantia da realização de uma exposição com o grau de atratividade imprescindível à festa e à perenidade urbana, a partir de um modelo multifuncional suficientemente forte para garantir vida futura à zona.

O projeto urbano da Exposição Internacional de Lisboa foi concebido para ser executado em duas velocidades distintas. A primeira tendo como meta 1998, a área destinada a exposição e os acessos, e a segunda, em 2010, com o desenvolvimento global da área. A busca do equilíbrio na repartição entre as várias funções urbanas, de modo a que os conceitos de centralidade e qualidade de vida fossem uma realidade, era uma premissa.

Estes objetivos foram suportados por uma dinâmica urbana desenvolvida em dois vetores: a) a criação de uma nova polarização urbana na área Metropolitana de Lisboa; e b) o desenvolvimento de uma elevada qualidade de vida urbana, mediante a estratégia da multifuncionalidade, sendo todo o espaço desenvolvido em uma ótica de interligação das funções urbanas fundamentais: habitação, serviços, comércio e lazer. Simultaneamente, destinou-se uma vasta área para parques, zonas verdes e espaços públicos, como para centros de desportos e infraestruturas para desportos náuticos, incluindo a construção e exploração de uma marina. A ligação da zona central com o Tejo, e a recuperação de uma frente ribeirinha de 5 km, possibilitando um passeio junto ao rio.

A criação de novos equipamentos como o Pavilhão Multiusos, o Oceanário, o Teatro Júlio Verne, novos hotéis, a nova marina de recreio, a praça multimídia, reforçada pelo novo Parque Urbano, pela qualidade dos espaços públicos e pelo valor ambiental da nova frente de água, são expressões da nova cidade da cultura, do lazer e do turismo.

Na época, em 1998, o orçamento divulgado para a realização da intervenção urbana totalizava cerca de US$ 3 bilhões. O Parque das Nações é hoje, em nível nacional e internacional, uma referência de qualidade urbana.

Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.

Publicidade

Dê sua opinião

CIDADES EM TRANSFORMAÇÃO

Águeda Muniz: “O Parque das Nações e uma nova cidade”

O Parque das Nações, em Lisboa, é hoje, em nível nacional e internacional, uma referência de qualidade urbana

Por Tribuna do Ceará em Águeda Muniz

24 de janeiro de 2017 às 09:03

Há 2 anos

Por Águeda Muniz

Na área onde atualmente está situado o Parque das Nações, em Lisboa, constituído por 340 hectares, predominavam instalações insalubres e perigosas como uma refinaria, depósitos de produtos petrolíferos, matadouro público, estação de tratamento de esgotos, aterro sanitário, além de diversas instalações portuárias e atividades afins. Era evidente o avançado estado de degradação socioeconômica e ambiental, decorrente da natureza poluidora dos estabelecimentos ali instalados. Seu abandono facilitava a sua utilização como depósito clandestino de lixo e sua ocupação informal, produzindo bolsões de miséria e gerando zonas de conflitos de uso na zona portuária.

A ideia de sediar uma EXPO em Lisboa surge de uma iniciativa com um projeto e prazo fixo, capaz de mobilizar os meios necessários para acelerar a modernização da cidade, e assim poder “transformar Lisboa numa cidade do século XXI, constituindo o ponto de partida para uma mudança global”.

Parque-das-Nacoes-1

(FOTO: Divulgação)

Era urgente intervir na cidade de Lisboa para obter um maior equilíbrio interno da cidade e da área metropolitana quando da distribuição das funções; potencializar a requalificação das atividades econômicas, culturais e científicas; recuperar a frente ribeirinha, abrindo a cidade ao rio incluindo aqui a questão ambiental; melhorar a infraestrutura de suporte, especialmente o transporte e as comunicações.

Quase 20 anos depois, foi a realização da EXPO’98 a alavancagem para o Projeto do Parque das Nações. Nele passou a ser estabelecido um novo tipo de relação da cidade com o Rio Tejo, resultante da construção de uma nova identidade para aquela frente hídrica, que causou uma revalorização no ambiente, na paisagem e no imaginário da população.

A proposta de sediar uma Expo em Lisboa tinha como finalidade dinamizar a renovação urbana da cidade; promover o turismo em Portugal; e estimular o desenvolvimento econômico, buscando uma relação entre a garantia da realização de uma exposição com o grau de atratividade imprescindível à festa e à perenidade urbana, a partir de um modelo multifuncional suficientemente forte para garantir vida futura à zona.

O projeto urbano da Exposição Internacional de Lisboa foi concebido para ser executado em duas velocidades distintas. A primeira tendo como meta 1998, a área destinada a exposição e os acessos, e a segunda, em 2010, com o desenvolvimento global da área. A busca do equilíbrio na repartição entre as várias funções urbanas, de modo a que os conceitos de centralidade e qualidade de vida fossem uma realidade, era uma premissa.

Estes objetivos foram suportados por uma dinâmica urbana desenvolvida em dois vetores: a) a criação de uma nova polarização urbana na área Metropolitana de Lisboa; e b) o desenvolvimento de uma elevada qualidade de vida urbana, mediante a estratégia da multifuncionalidade, sendo todo o espaço desenvolvido em uma ótica de interligação das funções urbanas fundamentais: habitação, serviços, comércio e lazer. Simultaneamente, destinou-se uma vasta área para parques, zonas verdes e espaços públicos, como para centros de desportos e infraestruturas para desportos náuticos, incluindo a construção e exploração de uma marina. A ligação da zona central com o Tejo, e a recuperação de uma frente ribeirinha de 5 km, possibilitando um passeio junto ao rio.

A criação de novos equipamentos como o Pavilhão Multiusos, o Oceanário, o Teatro Júlio Verne, novos hotéis, a nova marina de recreio, a praça multimídia, reforçada pelo novo Parque Urbano, pela qualidade dos espaços públicos e pelo valor ambiental da nova frente de água, são expressões da nova cidade da cultura, do lazer e do turismo.

Na época, em 1998, o orçamento divulgado para a realização da intervenção urbana totalizava cerca de US$ 3 bilhões. O Parque das Nações é hoje, em nível nacional e internacional, uma referência de qualidade urbana.

Até semana que vem com mais “Cidades em Transformação”!

* Águeda Muniz é Doutora em Arquitetura e Urbanismo e titular da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

A coluna “Cidades em Transformação” é publicada no Tribuna do Ceará, às terça-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às 9h10 de terça-feira.