Flávia Castelo: "A (velo)cidade nos (des)vincula"

ALDEIA GLOCAL

Flávia Castelo: “A (velo)cidade nos (des)vincula”

Colunista quer saber se em tempos onde a velocidade nos desvincula das cidades, se você quer se vincular a elas e a si mesmo

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

25 de janeiro de 2017 às 09:00

Há 2 anos

Por Flávia Castelo

De Miami Beach ao Cabo Canaveral são, aproximadamente, 3 horas de estrada próxima à orla da Flórida. Dirigi esse trecho, em 2008, com duas amigas, para ver o lançamento de um ônibus espacial, no Centro John F. Kennedy, porto da NASA e, também, santuário ecológico. Foram quase 350 km de deslocamento rápido num meio ambiente sem qualquer referência ou onde as mesmas se tornaram secundárias.

É certo que passamos por Hollywood, Fort Lauderdale e West Palm Beach, mas só consigo lembrar das vias expressas e bem sinalizadas, onde os motoristas não precisavam se dar conta das pessoas ou da arquitetura local para prosseguir em movimento. Uma ode à massificação cheia de viajantes em experiências narcóticas onde “o corpo se move de maneira passiva, anestesiado no espaço, para destinos estabelecidos em uma geografia urbana fragmentada e descontínua”, como brilhantemente escreveu o professor da Lodon School of Economics e da Universidade de Nova York, Richard Sennnett, em seu livro ‘Carne e Pedra, o corpo e a cidade na civilização ocidental’.

FOTO-Flávia-Castelo

(FOTO: Flávia Castelo)

Na minha última aventura, também com duas amigas, vivenciamos experiências diametralmente opostas. A velocidade não nos desvinculou das cidades. Todas as vezes que íamos de um lugar a outro, o percurso nunca era meramente ‘passagem’. Era sempre uma explosão de contato: com pessoas, odores, cores, sons, construções, animais, veículos, texturas… não consigo nem escolher um trajeto para descrever, porque eles eram ‘permanência’. Cada uma e todas as nossas trilhas foram momentos inesquecíveis, onde realmente sentimos, vivemos e percebemos o outro e o meio. Foi um giro oriental cheio de movimentação e atenção, com incontáveis viagens e não com corredores de espaços urbanos sem qualquer atrativo.

Em tempos onde a velocidade nos desvincula da cidade, as cidades do Oriente nos vinculavam a elas e a nós mesmas. Nosso anseio não eram somente de travessia era, principalmente de ser excitadas por elas, pelas cidades.

E você? O que deseja?

Urbi et orbi e faça parte da ALDEIA GLOCAL em aldeiaglocal.com.br, afinal, quanto mais global, mais local.

*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.

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Colunista quer saber se em tempos onde a velocidade nos desvincula das cidades, se você quer se vincular a elas e a si mesmo

Por Tribuna do Ceará em Flávia Castelo

25 de janeiro de 2017 às 09:00

Há 2 anos

Por Flávia Castelo

De Miami Beach ao Cabo Canaveral são, aproximadamente, 3 horas de estrada próxima à orla da Flórida. Dirigi esse trecho, em 2008, com duas amigas, para ver o lançamento de um ônibus espacial, no Centro John F. Kennedy, porto da NASA e, também, santuário ecológico. Foram quase 350 km de deslocamento rápido num meio ambiente sem qualquer referência ou onde as mesmas se tornaram secundárias.

É certo que passamos por Hollywood, Fort Lauderdale e West Palm Beach, mas só consigo lembrar das vias expressas e bem sinalizadas, onde os motoristas não precisavam se dar conta das pessoas ou da arquitetura local para prosseguir em movimento. Uma ode à massificação cheia de viajantes em experiências narcóticas onde “o corpo se move de maneira passiva, anestesiado no espaço, para destinos estabelecidos em uma geografia urbana fragmentada e descontínua”, como brilhantemente escreveu o professor da Lodon School of Economics e da Universidade de Nova York, Richard Sennnett, em seu livro ‘Carne e Pedra, o corpo e a cidade na civilização ocidental’.

FOTO-Flávia-Castelo

(FOTO: Flávia Castelo)

Na minha última aventura, também com duas amigas, vivenciamos experiências diametralmente opostas. A velocidade não nos desvinculou das cidades. Todas as vezes que íamos de um lugar a outro, o percurso nunca era meramente ‘passagem’. Era sempre uma explosão de contato: com pessoas, odores, cores, sons, construções, animais, veículos, texturas… não consigo nem escolher um trajeto para descrever, porque eles eram ‘permanência’. Cada uma e todas as nossas trilhas foram momentos inesquecíveis, onde realmente sentimos, vivemos e percebemos o outro e o meio. Foi um giro oriental cheio de movimentação e atenção, com incontáveis viagens e não com corredores de espaços urbanos sem qualquer atrativo.

Em tempos onde a velocidade nos desvincula da cidade, as cidades do Oriente nos vinculavam a elas e a nós mesmas. Nosso anseio não eram somente de travessia era, principalmente de ser excitadas por elas, pelas cidades.

E você? O que deseja?

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*Flávia Castelo é Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal do Ceará e Doutora em Biotecnologia pela mesma instituição e pela Universidade de Antuérpia/Bélgica. Flávia é advogada, professora e mãe.

A coluna “Aldeia Glocal” é publicada no Tribuna do Ceará, às quartas-feiras, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7), às 9h10 e às 18h10.