"Estado perdeu domínio dos presídios e dos bairros onde as facções atuam", avalia especialista

"PODER PARALELO"

“Estado perdeu domínio dos presídios e dos bairros onde as facções atuam”, avalia especialista

Uso de explosivos para confrontar o Estado é cada vez mais frequente no Ceará, segundo Walmir Medeiros, coronel do Exército e advogado criminalista

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

4 de janeiro de 2019 às 16:32

Há 9 meses
Crime organizado usa explosivos para confrontar o estado  (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Crime organizado usa explosivos para confrontar o estado  (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Os casos de uso de explosivos pelo crime organizado para confrontar o Estado têm sido cada vez mais frequentes no Ceará.

O cruzamento das Avenidas Coronel Carvalho com Francisco Sá, na Barra do Ceará, ficou interditado na madrugada desta sexta-feira (4).

No local, foi apreendido um carro com explosivos. Foi mais uma ação da série de ataques que vem ocorrendo em Fortaleza e Região Metropolitana desde a noite da última quarta-feira (3).

Na madrugada de quinta (3), houve tentativa de implosão do viaduto na BR-020, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Uma das pilastras ficou parcialmente destruída.

Os fatos ocorreram após as primeiras declarações do novo Secretário da Administração Prisional, Luis Mauro Albuquerque, sobre a divisão dos presos em penitenciárias cearenses conforme filiação a grupos criminosos.

Essas facções criaram um estado paralelo, as três facções que mais atuam no Ceará estão atuando cada uma na sua área confrontando o Estado. Ou seja, o Estado não tem condição nesse momento de dominar a situação. Ele não tem o domínio dos presídios e dos bairros onde as facções atuam”, explica Walmir Medeiros, coronel do Exército e advogado criminalista.

O uso de explosivos pelo crime organizado para confrontar o Estado não é uma novidade. Em julho do ano passado uma granada foi arremessada contra o 28º Distrito Policial, em Maracanaú. O artefato não chegou a explodir.

Em 2016, um carro-bomba foi encontrado ao lado da Assembleia Legislativa, com uma carga de mais de 10 quilos de explosivos.

O veículo foi deixado aqui após aprovação de um projeto de lei sobre a proibição do fornecimento de sinal de telefonia móvel pelas operadoras em áreas de presídios e penitenciárias. Desde o episódio, houve mudanças no acesso de pessoas à Assembleia Legislativa e também ficou proibido estacionar no entorno do prédio.

De acordo com especialistas, a maior parte do material utilizado nesses ataques é roubada. “Tudo que é usado para detonações se consegue por roubo e pelas fronteiras”, afirma Walmir.

Em dezembro do ano passado, um caminhão carregado com explosivos foi tomado de assalto em Aquiraz e abandonado em Maracanaú, próximo ao quarto Anel Viário. A secretaria de Segurança Pública segue na captura dos suspeitos.

Para Walmir Medeiros, o uso de explosivos em ações criminosas deve ser tratado como ato de terrorismo.

Quem está fazendo isso é terrorista. Eles estão causando o terror. O nome disso em qualquer lugar do mundo é terrorismo. Quando acontece uma coisa dessas na França, na Espanha, nos Estados Unidos, vira notícia no mundo inteiro. Aqui eles estão fazendo 10 atos de terrorismo numa noite. Estão fazendo isso para amedrontar o Estado, deixar o Estado com insegurança de como agir e estão conseguindo”.

Veja todos os detalhes no vídeo do Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT:

Veja outros vídeos do Jornal Jangadeiro.

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“Estado perdeu domínio dos presídios e dos bairros onde as facções atuam”, avalia especialista

Uso de explosivos para confrontar o Estado é cada vez mais frequente no Ceará, segundo Walmir Medeiros, coronel do Exército e advogado criminalista

Por TV Jangadeiro em Jornal Jangadeiro

4 de janeiro de 2019 às 16:32

Há 9 meses
Crime organizado usa explosivos para confrontar o estado  (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Crime organizado usa explosivos para confrontar o estado  (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Os casos de uso de explosivos pelo crime organizado para confrontar o Estado têm sido cada vez mais frequentes no Ceará.

O cruzamento das Avenidas Coronel Carvalho com Francisco Sá, na Barra do Ceará, ficou interditado na madrugada desta sexta-feira (4).

No local, foi apreendido um carro com explosivos. Foi mais uma ação da série de ataques que vem ocorrendo em Fortaleza e Região Metropolitana desde a noite da última quarta-feira (3).

Na madrugada de quinta (3), houve tentativa de implosão do viaduto na BR-020, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Uma das pilastras ficou parcialmente destruída.

Os fatos ocorreram após as primeiras declarações do novo Secretário da Administração Prisional, Luis Mauro Albuquerque, sobre a divisão dos presos em penitenciárias cearenses conforme filiação a grupos criminosos.

Essas facções criaram um estado paralelo, as três facções que mais atuam no Ceará estão atuando cada uma na sua área confrontando o Estado. Ou seja, o Estado não tem condição nesse momento de dominar a situação. Ele não tem o domínio dos presídios e dos bairros onde as facções atuam”, explica Walmir Medeiros, coronel do Exército e advogado criminalista.

O uso de explosivos pelo crime organizado para confrontar o Estado não é uma novidade. Em julho do ano passado uma granada foi arremessada contra o 28º Distrito Policial, em Maracanaú. O artefato não chegou a explodir.

Em 2016, um carro-bomba foi encontrado ao lado da Assembleia Legislativa, com uma carga de mais de 10 quilos de explosivos.

O veículo foi deixado aqui após aprovação de um projeto de lei sobre a proibição do fornecimento de sinal de telefonia móvel pelas operadoras em áreas de presídios e penitenciárias. Desde o episódio, houve mudanças no acesso de pessoas à Assembleia Legislativa e também ficou proibido estacionar no entorno do prédio.

De acordo com especialistas, a maior parte do material utilizado nesses ataques é roubada. “Tudo que é usado para detonações se consegue por roubo e pelas fronteiras”, afirma Walmir.

Em dezembro do ano passado, um caminhão carregado com explosivos foi tomado de assalto em Aquiraz e abandonado em Maracanaú, próximo ao quarto Anel Viário. A secretaria de Segurança Pública segue na captura dos suspeitos.

Para Walmir Medeiros, o uso de explosivos em ações criminosas deve ser tratado como ato de terrorismo.

Quem está fazendo isso é terrorista. Eles estão causando o terror. O nome disso em qualquer lugar do mundo é terrorismo. Quando acontece uma coisa dessas na França, na Espanha, nos Estados Unidos, vira notícia no mundo inteiro. Aqui eles estão fazendo 10 atos de terrorismo numa noite. Estão fazendo isso para amedrontar o Estado, deixar o Estado com insegurança de como agir e estão conseguindo”.

Veja todos os detalhes no vídeo do Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT:

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