Publicidade

Blog Paulo Sertek

por Paulo Sertek

Discurso

Jorge Lacerda: o itinerário de um líder

Visa conhecer trajetória de desenvolvimento de liderança do médico, advogado, jornalista e político como deputado federal em duas legislaturas e governador de Santa Catarina.

Tema destaca o papel educativo das narrativas de vida no desenvolvimento das qualidades humanas.

DOWNLOAD GRATUITO
ESTUDO SOBRE JORGE LACERDA EX-GOVERNADOR DE SC
JORGE LACERDA: UMA LUMINOSA MENSAGEM DE CULTURA
https://goo.gl/DpKN4b

 

Publicidade

JORGE LACERDA: UM LÍDER FASCINANTE

Por paulosertek em Cidadania, Cultura, Discurso, Narrativa, Política

16 de outubro de 2019

Paulo Sertek Dr

Jorge Lacerda: um líder fascinante
https://youtu.be/L6r0nxIbr4o
Live do dia 14/10/2019 Brasil 19 H
download Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download:

https://goo.gl/DpKN4b

Trata-se de um método de trabalho de investigação que alia a análise de conteúdo de discurso com a pesquisa com narrativas aplicável a pessoas a quem se quer explicitar conhecimentos relevantes como fonte de aprendizado vivencial.

Publicidade

A LINGUAGEM DAS FORMAS E DAS CORES

Por paulosertek em Cultura, Discurso, Política, virtude

23 de Maio de 2019

JORGE LACERDA GOVERNADOR DE SANTA CATARINA 1958

Discurso proferido na inauguração da exposição de parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo, em 29 de março de 1958.

Nota jornalística

Convidado especialmente pelo deputado Horácio Lafer, Diretor Presidente da Associação Museu de Arte de São Paulo, o Governador Jorge Lacerda pronunciou uma brilhante oração na abertura da grande exposição do acervo daquela entidade realizada quarta feira última na Escola Nacional de Belas Artes. Foi um discurso que teve a melhor repercussão. Foram oradores, na cerimônia, o Presidente Juscelino Kubitschek, o ex-ministro Alexandre Marcondes Filho, o Deputado Horácio Lafer, Embaixador Assis Chateaubriand, Dr. Armando Simone Pereira e Sr. Osvaldo Teixeira. O acervo do Museu reúne telas da mais alta importância dos pintores mais famosos
desde a Renascença aos dias de hoje.

Discurso

Esta exposição só poderia, sem dúvida, ter nascido de um ato de loucura — dessa benemérita desordem criadora que capitaneia o espírito e os gestos de Assis Chateaubriand.

Foi ele, por certo, o Quixote árdego desta empreitada heroica no território da cultura.

Mas não sonhou só, pois os Sanchos prudentes tocados pela sua flama converteram-se em novos e arrebatados Quixotes. E a vida que imitando, por vezes, imita a arte, fez renovar entre nós o processo de quixotização do Sancho.

Efetivamente, os acautelados que, tímidos e perplexos, acompanharam os atrevimentos do “engenhoso fidalgo”, desbordaram das lições do cavaleiro andante, recolhendo-lhe das mãos ousadas a lança audaz para jornadas ainda mais temerárias. E eis que, tangidos pela visão ardente do pioneiro, industriais, comerciantes, banqueiros, se transfiguraram para as sortidas intrépidas pelo mundo da arte.

Foram eles que nos convocaram para este desfile mágico de seis séculos de glórias da arte e em que resplandece uma visão instantânea de seus gênios criadores.

Os homens práticos do Brasil transmitem-nos, assim, a lição recolhida dos tempos, segundo a qual as nações estruturam a sua perpetuidade menos nos alicerces de seus empreendimentos materiais do que nessas luminosas e eternas criações do espírito.

A arte ocidental aqui está presente nesta síntese magnífica, através de suas mensagens imperecíveis, desde os primórdios da Renascença aos dias de hoje. É uma visão do nosso próprio mundo, da nossa cultura, desde que emergiu da Idade Média.

Essas telas são, pois, intérpretes do espírito do homem, a partir dos albores renascentistas, quando já se delineiam as tentativas de sua integração no mundo em trânsito, aos dias agônicos que estamos vivendo, quando ele tenta fugir da realidade dramática e cruel da época, nessa obstinação em não retratá-la em suas exterioridades, para antes exprimir, através da pura linguagem das formas e das cores, os seus sentimentos mais íntimos e as suas aspirações mais secretas!

Senhores:

Esta exposição que, com extraordinário êxito, já percorreu vários dos mais importantes centros de cultura da América e da Europa, constituiu uma demonstração da pujança do Brasil em criar um acervo dos mais ricos, justamente quando quase todas as obras-primas da pintura se converteram em patrimônio inalienável dos grandes museus do universo.

O Museu de Arte de São Paulo não é, entretanto, apenas um mero repositório de belas obras, uma entidade estática, mas, sobretudo um organismo dinâmico que procura a participação efetiva e constante das novas gerações brasileiras em todos os ramos do conhecimento estético.

O Brasil deve orgulhar-se deste empreendimento para cujo êxito concorreu decisivamente, além do seu fundador, o Prof. Pietro Maria Bardi, responsável pela seleção desta imponente galeria da pintura universal. Agora, porém, um novo e poderoso impulso estamos testemunhando com a presidência do eminente homem público, Ministro Horácio Lafer e dessa plêiade de preclaros compatriotas que compõem a sua atual diretoria.

A esse valioso contingente de energias esclarecidas, postas a serviço da expansão de obra de tal magnitude, veio juntar-se há pouco a Fundação Armando Alvares Penteado, que terminou assegurando ao Museu de Arte aquelas condições imprescindíveis para a sua sobrevivência.

A obra sonhada pelo idealismo do inolvidável paulista aqui revive na grandeza deste acontecimento. Revive, sobretudo na figura sob todos os títulos venerável da Sra. Annie Alvares Penteado, fiel executora da generosa mensagem de benemerência que Armando Alvares Penteado legou à inteligência artística do país.

Meus senhores:

Em face de tão renomeadas personalidades, de tantas presenças ilustres, não se explicaria a palavra de orador, não fora talvez o reconhecimento da obscura contribuição por ele oferecida a empreendimentos culturais do país, em decorrência de sua atividade na imprensa literária e de seu labor na vida parlamentar.

Diante desta mensagem de sua capacidade criadora, que o Ocidente oferece ao Brasil, através do Museu de Arte de São Paulo, renova-se em todos nós a confiança no poder de sobrevivência de nossa Cultura. Ortega y Gasset, falando à consciência do mundo do alto das ruínas fumegantes de Berlim, proclamava, numa réplica aos profetas da decadência de nossa civilização, que o crepúsculo que se estava prenunciando não era vespertino, mas sim matutino.

Com efeito, meus senhores, os artistas dos nossos tempos, confirmando o pensador, parecem oferecer, nas cores vibrantes de suas telas, a sugestão magnífica dessa madrugada, que se vai rasgando diante de nós como ardente e luminosa esperança.

Fonte Democracia e Nação

Livro: Democracia e Nação contem os discursos de Jorge Lacerda. Prefácio de Adonias Filho e organizado por Nereu Corrêa

Paulo Sertek é doutor em educação e autor do livro

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura,

disponível para download:  https://goo.gl/DpKN4b

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura
Autor: Paulo Sertek
Ed.: Cultor de Livros
São Paulo, 2015

Publicidade

MENSAGEM DE ANGÚSTIA

Por paulosertek em Cidadania, Discurso, Política

18 de Maio de 2019

Jorge Lacerda

Democracia e Nação (discurso proferido na sessão de 6 de julho de 1952 como deputado federal SC)

Senhor Presidente, tive oportunidade, por várias vezes, de trazer ao conhecimento da Câmara dos Deputados, alguns aspectos desoladores suscitados pela indústria carbonífera, no Sul de Santa Catarina. Municípios que produzem ou beneficiam o carvão, quase nada recebem em troca, pela riqueza oferecida ao país. É-lhes vedado, como se sabe, estabelecer qualquer taxa sobre o carvão produzido ou beneficiado. Do tributo existente, arrecadado pela União, quase nada lhes é destinado, como determina a lei.

Governador Jorge Lacerda visita mina de carvão em Criciúma SC em 1957-Acervo da família.

A mineração revolve-lhes inteiramente o solo. Com as chuvas, os detritos do carvão são carreados para os rios, cujas águas, nas periódicas enchentes, vão inutilizar os campos e comprometer as lavouras. Os vales, outrora ricos e opulentos, se desfiguram num espetáculo de penúria.

Melhor fora não contar Santa Catarina com o carvão, a tê-lo, assim, com esse cortejo de flagelos: a esterilização da terra, a ascensão dos índices de mortalidade infantil, da tuberculose e de outras moléstias, o drama dos mineiros, no fundo das minas úmidas, a inquietação dos mineradores, e a angústia dos lavradores, que, paradoxalmente, amaldiçoam as enchentes, porque no bojo delas sobe, não o que fertiliza, mas a pirita, que calcina o solo.

Fomos a primeira voz a denunciar, nesta Casa, os aspectos pungentes dessa paisagem social e humana — até então inéditos em terras catarinenses — gerados pela mineração do carvão.

Senhor Presidente, desejo, agora, assinalar os sofrimentos de certa região catarinense, a Madre, no município de Tubarão. Banhada pelo rio Tubarão, era famosa pelos seus campos, em que pastavam 60.000 cabeças de gado. Célebres eram o queijo e a manteiga que produzia. O rio, bastante piscoso, fornecia peixe, em tal abundância, que, não só abastecia a localidade, como as regiões vizinhas. A Madre é, praticamente, uma extensa rua, densamente povoada, de cerca de 17 quilômetros, que perlonga o sinuoso rio Tubarão. Recordavam-me os seus moradores, quando lá estive a última vez, os bons tempos em que lançavam suas tarrafas nas águas do rio, e recolhiam, em quantidade, o peixe que nunca faltou nas mesas mais modestas.

Com uma simples tarrafada fazia-se uma boa refeição para a família inteira — dizia-me um velho habitante da Madre. A produção do camarão, pescado na vizinha lagoa da cidade de Laguna, onde desemboca o rio Tubarão, era calculada em Cr$ 15.000.000,00. Hoje, tudo se transformou. O próprio rio mudou de nome, ali na Madre. Passou a ser chamado rio Seco ou rio Morto. As pastagens vão desaparecendo. A água potável, a população vai buscá-la a quilômetros de distância. A água potável, de antigamente, se tornou salobra, no fundo dos poços, pela infiltração dos resíduos do carvão. Os peixes sumiram.

A Madre — que recebera do destino as águas que fertilizavam as terras, e os peixes que alimentavam as famílias — recolhe, agora, pela imprevidência e cupidez dos homens, os detritos do carvão, que contaminam os rios e devastam as várzeas. As enchentes, que eram bênçãos dos céus, naquele vale fecundo, converteram-se em flagelo.

Como desejaria a Madre que se lhe restituísse a tranqüilidade de outrora! Nada mais aspiraria, senão àquilo que já lhe pertencia, por uma dádiva da natureza.

Esse problema, infelizmente, não se circunscreve, apenas, a essa região, mas a várias outras, no Sul catarinense, assoladas, igualmente pelas águas, que carregam os resíduos piritosos do minério.

Cabe ao poder público estudar e resolver o problema, que assume proporções de verdadeira calamidade.

Durante os debates travados nesta Casa, em torno do Plano do Carvão Nacional, logramos obter, através de emenda de nossa autoria, uma dotação de Cr$ 15.000.000,00, destinada a obras de assistência social, naquela área carbonífera, e cuja aplicação foi confiada às mãos honradas do Presidente da Comissão Executiva daquele plano, C.el Pinto da Veiga. Esses recursos são, entretanto, para hospitais, creches, postos de saúde. E o problema, que venho focalizando, é de maior envergadura.

Sr. Presidente, é inacreditável que, para explorarmos, em nosso país, apenas 2 milhões de toneladas anuais de carvão, tenhamos de testemunhar tanta desgraça resultante da desídia dos poderes públicos. Imaginemos, então, se o Brasil produzisse, como os Estados Unidos, setecentos milhões de toneladas de carvão, isto é, trezentas e cinqüenta vezes mais. O que nos aconteceria? Entretanto, nos Estados Unidos, como em qualquer país europeu ou asiático, a indústria carbonífera, pelas cautelas que lá são tomadas, não gera as tristes conseqüências que aqui presenciamos.

Só no Brasil, desgraçadamente, é que domina uma tal política de imprevidência. Como certos povos primitivos, derrubamos as árvores, para comer-lhes os frutos.

Saqueamos a terra, expropriando-lhe as riquezas, sem que nos preocupem as angústias das populações, decorrentes dessa nossa empreitada sinistra, de verdadeiros vândalos do solo.

É o Brasil em plena autofagia.

Sr. Presidente, não é justo, portanto, que uma região, que vivia tranqüila, nos seus misteres da lavoura e da pesca, venha sofrer, pelo descaso dos governos, os efeitos nefastos de uma exploração voraz e inconsciente das riquezas do nosso subsolo. Riquezas que, paradoxalmente, depauperam as zonas de que são extraídas.

Esta é a mensagem de angústia, que transmito à Câmara dos Deputados, em nome, não só da população da Madre, como de outras regiões sofredoras do Sul de Santa Catarina.

Livro de autoria de Paulo Sertek: obtenha o livro digital

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura
Autor: Paulo Sertek
Ed.: Cultor de Livros
São Paulo, 2015

Mensagem de Angústia fonte: LACERDA, J. In.: CORREA, Nereu (Org). Democracia e Nação: Discursos Políticos e Literários. Rio de Janeiro: Ed. J. Olympio, 1960. p. 83-86.

Livro: Democracia e Nação contem os discursos de Jorge Lacerda. Prefácio de Adonias Filho e organizado por Nereu Corrêa

 

 

Publicidade

MENSAGEM DE ANGÚSTIA

Por paulosertek em Cidadania, Discurso, Política

18 de Maio de 2019

Jorge Lacerda

Democracia e Nação (discurso proferido na sessão de 6 de julho de 1952 como deputado federal SC)

Senhor Presidente, tive oportunidade, por várias vezes, de trazer ao conhecimento da Câmara dos Deputados, alguns aspectos desoladores suscitados pela indústria carbonífera, no Sul de Santa Catarina. Municípios que produzem ou beneficiam o carvão, quase nada recebem em troca, pela riqueza oferecida ao país. É-lhes vedado, como se sabe, estabelecer qualquer taxa sobre o carvão produzido ou beneficiado. Do tributo existente, arrecadado pela União, quase nada lhes é destinado, como determina a lei.

Governador Jorge Lacerda visita mina de carvão em Criciúma SC em 1957-Acervo da família.

A mineração revolve-lhes inteiramente o solo. Com as chuvas, os detritos do carvão são carreados para os rios, cujas águas, nas periódicas enchentes, vão inutilizar os campos e comprometer as lavouras. Os vales, outrora ricos e opulentos, se desfiguram num espetáculo de penúria.

Melhor fora não contar Santa Catarina com o carvão, a tê-lo, assim, com esse cortejo de flagelos: a esterilização da terra, a ascensão dos índices de mortalidade infantil, da tuberculose e de outras moléstias, o drama dos mineiros, no fundo das minas úmidas, a inquietação dos mineradores, e a angústia dos lavradores, que, paradoxalmente, amaldiçoam as enchentes, porque no bojo delas sobe, não o que fertiliza, mas a pirita, que calcina o solo.

Fomos a primeira voz a denunciar, nesta Casa, os aspectos pungentes dessa paisagem social e humana — até então inéditos em terras catarinenses — gerados pela mineração do carvão.

Senhor Presidente, desejo, agora, assinalar os sofrimentos de certa região catarinense, a Madre, no município de Tubarão. Banhada pelo rio Tubarão, era famosa pelos seus campos, em que pastavam 60.000 cabeças de gado. Célebres eram o queijo e a manteiga que produzia. O rio, bastante piscoso, fornecia peixe, em tal abundância, que, não só abastecia a localidade, como as regiões vizinhas. A Madre é, praticamente, uma extensa rua, densamente povoada, de cerca de 17 quilômetros, que perlonga o sinuoso rio Tubarão. Recordavam-me os seus moradores, quando lá estive a última vez, os bons tempos em que lançavam suas tarrafas nas águas do rio, e recolhiam, em quantidade, o peixe que nunca faltou nas mesas mais modestas.

Com uma simples tarrafada fazia-se uma boa refeição para a família inteira — dizia-me um velho habitante da Madre. A produção do camarão, pescado na vizinha lagoa da cidade de Laguna, onde desemboca o rio Tubarão, era calculada em Cr$ 15.000.000,00. Hoje, tudo se transformou. O próprio rio mudou de nome, ali na Madre. Passou a ser chamado rio Seco ou rio Morto. As pastagens vão desaparecendo. A água potável, a população vai buscá-la a quilômetros de distância. A água potável, de antigamente, se tornou salobra, no fundo dos poços, pela infiltração dos resíduos do carvão. Os peixes sumiram.

A Madre — que recebera do destino as águas que fertilizavam as terras, e os peixes que alimentavam as famílias — recolhe, agora, pela imprevidência e cupidez dos homens, os detritos do carvão, que contaminam os rios e devastam as várzeas. As enchentes, que eram bênçãos dos céus, naquele vale fecundo, converteram-se em flagelo.

Como desejaria a Madre que se lhe restituísse a tranqüilidade de outrora! Nada mais aspiraria, senão àquilo que já lhe pertencia, por uma dádiva da natureza.

Esse problema, infelizmente, não se circunscreve, apenas, a essa região, mas a várias outras, no Sul catarinense, assoladas, igualmente pelas águas, que carregam os resíduos piritosos do minério.

Cabe ao poder público estudar e resolver o problema, que assume proporções de verdadeira calamidade.

Durante os debates travados nesta Casa, em torno do Plano do Carvão Nacional, logramos obter, através de emenda de nossa autoria, uma dotação de Cr$ 15.000.000,00, destinada a obras de assistência social, naquela área carbonífera, e cuja aplicação foi confiada às mãos honradas do Presidente da Comissão Executiva daquele plano, C.el Pinto da Veiga. Esses recursos são, entretanto, para hospitais, creches, postos de saúde. E o problema, que venho focalizando, é de maior envergadura.

Sr. Presidente, é inacreditável que, para explorarmos, em nosso país, apenas 2 milhões de toneladas anuais de carvão, tenhamos de testemunhar tanta desgraça resultante da desídia dos poderes públicos. Imaginemos, então, se o Brasil produzisse, como os Estados Unidos, setecentos milhões de toneladas de carvão, isto é, trezentas e cinqüenta vezes mais. O que nos aconteceria? Entretanto, nos Estados Unidos, como em qualquer país europeu ou asiático, a indústria carbonífera, pelas cautelas que lá são tomadas, não gera as tristes conseqüências que aqui presenciamos.

Só no Brasil, desgraçadamente, é que domina uma tal política de imprevidência. Como certos povos primitivos, derrubamos as árvores, para comer-lhes os frutos.

Saqueamos a terra, expropriando-lhe as riquezas, sem que nos preocupem as angústias das populações, decorrentes dessa nossa empreitada sinistra, de verdadeiros vândalos do solo.

É o Brasil em plena autofagia.

Sr. Presidente, não é justo, portanto, que uma região, que vivia tranqüila, nos seus misteres da lavoura e da pesca, venha sofrer, pelo descaso dos governos, os efeitos nefastos de uma exploração voraz e inconsciente das riquezas do nosso subsolo. Riquezas que, paradoxalmente, depauperam as zonas de que são extraídas.

Esta é a mensagem de angústia, que transmito à Câmara dos Deputados, em nome, não só da população da Madre, como de outras regiões sofredoras do Sul de Santa Catarina.

Livro de autoria de Paulo Sertek: obtenha o livro digital

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura
Autor: Paulo Sertek
Ed.: Cultor de Livros
São Paulo, 2015

Mensagem de Angústia fonte: LACERDA, J. In.: CORREA, Nereu (Org). Democracia e Nação: Discursos Políticos e Literários. Rio de Janeiro: Ed. J. Olympio, 1960. p. 83-86.

Livro: Democracia e Nação contem os discursos de Jorge Lacerda. Prefácio de Adonias Filho e organizado por Nereu Corrêa