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Blog Paulo Sertek

por Paulo Sertek

Política

Memórias de Jorge Lacerda – Uma época de ouro na política catarinense

Por paulosertek em Cidadania, Cultura, Jorge Lacerda, Política

16 de dezembro de 2019

Assinada por neto, biografia do ex-governador Jorge Lacerda ganha novos detalhes

Resultado de 22 anos de pesquisas, obra traz memórias e acervo da família sobre um dos governadores mais populares que Santa Catarina já teve

PAULO CLÓVIS SCHMITZ, FLORIANÓPOLIS14/12/2019 ÀS 11H37

Muito já se escreveu sobre Jorge Lacerda, um dos governadores mais populares e carismáticos que Santa Catarina já teve, mas a curiosidade aumenta quando a iniciativa de acrescentar novos elementos à trajetória pública e pessoal do político vem de alguém da família. É o que está acontecendo agora com a publicação do livro “Memórias de Jorge Lacerda – Uma época de ouro na política catarinense”, de Roberto Westrupp. O autor é neto do ex-governador e contou com as memórias e o acervo da família e muita obstinação (foram 22 anos de pesquisas!) para ir além do que já era conhecido, produzindo uma obra diferente, uma biografia póstuma eivada de referências afetivas, que foi lançada no dia 11, quarta-feira, no Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis.

Última foto de Jorge Lacerda, um dos mais populares e carismáticos governadores que Santa Catarina já teve – Foto: Reprodução/ND

Roberto Westrupp é administrador, mas já havia produzido um documentário sobre o avô e viu que tinha material suficiente para levar a empreitada adiante. Parte do estímulo veio de Kyrana Lacerda, mulher do ex-governador, que em almoços com os filhos, genros e netos costumava falar dos discursos do marido, guardados em algum canto da casa. “Era material gravado pelas emissoras de rádio da época, convertido depois para CD, com pronunciamentos que traziam o tom poético do intelectual que ele foi”, diz o autor.

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A tragédia de 16 de junho de 1958, quando o avião em que estavam Lacerda, Nereu Ramos e Leoberto Leal caiu perto de Curitiba, interrompeu a trajetória política do governador, mas a reverência ao seu nome e ao legado que deixou ainda aparece nas hostes parlamentares, na imprensa e na academia. Jornalista, ele tinha a leitura como paixão e foi amigo dos artistas e escritores do Grupo Sul, que trouxe o Modernismo para Santa Catarina quase três décadas depois que o movimento eclodiu em São Paulo, em 1922. E também foi um homem público preocupado com as desigualdades sociais, a ponto de abrir o palácio do governo para o povo, uma vez por semana, recebendo gente simples, assalariados, trabalhadores braçais e pessoas analfabetas.

Tragédia interrompeu carreira de Lacerda, Nereu Ramos e Leoberto Leal – Foto: Reprodução/ND

“Quando ele morreu, no exercício do mandato de governador, a dívida pública de Santa Catarina comprometia apenas 15% do orçamento”, informa Roberto Westrupp. Hoje, o Estado tem precária capacidade de investimento porque gasta demais com a amortização da dívida, a folha de pessoal, as aposentadorias e a sustentação da pesada máquina administrativa.

Integralismo e antipatia por Getúlio Vargas

Jorge Lacerda nasceu em 1914 em Paranaguá (PR), mas seus pais eram da ilha grega de Kastelórizo, próxima à Turquia, na encruzilhada entre Ocidente e Oriente. A história impôs muitos desafios aos moradores da região, dominados durante séculos pelo império turco-otomano, mas que não perderam as principais referências de sua cultura. “Savas Lakerdis, bisavô paterno de Jorge Lacerda, por causa da opressão turca mudou o seu sobrenome Komninos para Lakerdis – um derivado do peixe grego lakerda, seu apelido”, diz Roberto Westrupp no primeiro capítulo do livro. Logo após se casarem, os pais de Lacerda migraram para o Brasil, permanecendo no Paraná até se mudarem para Florianópolis, onde, em 1883, havia sido fundada a primeira colônia grega no Brasil.

Bem relacionado, o ex-governador posa com o ex-presidente Jânio Quadros – Foto: Reprodução/ND

Estudante aplicado e inteligente, Lacerda frequentou o Gymnásio Catharinense, e seus professores, vendo abertura para isso, lhe recomendavam leituras dos filósofos Aristóteles, Platão e Cícero. Fez medicina em Curitiba num momento delicado para o país, após a Revolução de 1930, a revolta dos constitucionalistas em São Paulo, a instalação do movimento integralista e a ascensão do comunismo e do proletariado urbano. O futuro governador catarinense mais tarde aderiu ao integralismo e nunca escondeu sua antipatia por Getúlio Vargas, a quem dedicou um poema crítico publicado em novembro de 1932, sob o pseudônimo de Greguinho.

O integralismo foi reprimido por Vargas, com a prisão de Plínio Salgado, e Lacerda, para não ter o mesmo destino, isolou-se em São Paulo, de onde foi para o Rio de Janeiro, então capital da República. Foi lá que abraçou a carreira de jornalista, no periódico “A Manhã”. Roberto Westrupp entrevistou figuras destacadas como a escritora Laurita Mourão, o ex-ministro João Paulo dos Reis Veloso e o escritor Ledo Ivo, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), para dar a real dimensão da passagem de Lacerda pelo Rio. “A partir do que ouvi, posso dizer que meu avô teve inimigos políticos, mas jamais perseguiu algum deles”, diz o autor.

EXPOSIÇÃO LACERDA DEZEMBRO 2019

https://ndmais.com.br/entretenimento/assinada-por-neto-biografia-do-ex-governador-jorge-lacerda-ganha-novos-detalhes/

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EXPOSIÇÃO LACERDA 11 DE DEZEMBRO DE 2019 Florianópolis SC

Por paulosertek em Cultura, Política

04 de dezembro de 2019

EXPOSIÇÃO OCORRERA EM 11 DE DEZEMBRO DE 2019

Lançamento do livro Memórias de Jorge Lacerda: uma época de ouro na política catarinense

 

EXPOSIÇÃO LACERDA DEZEMBRO 2019

Assista o vídeo

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Jorge Lacerda: o itinerário de um líder

Visa conhecer trajetória de desenvolvimento de liderança do médico, advogado, jornalista e político como deputado federal em duas legislaturas e governador de Santa Catarina.

Tema destaca o papel educativo das narrativas de vida no desenvolvimento das qualidades humanas.

DOWNLOAD GRATUITO
ESTUDO SOBRE JORGE LACERDA EX-GOVERNADOR DE SC
JORGE LACERDA: UMA LUMINOSA MENSAGEM DE CULTURA
https://goo.gl/DpKN4b

 

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JORGE LACERDA: UM LÍDER FASCINANTE

Por paulosertek em Cidadania, Cultura, Discurso, Narrativa, Política

16 de outubro de 2019

Paulo Sertek Dr

Jorge Lacerda: um líder fascinante
https://youtu.be/L6r0nxIbr4o
Live do dia 14/10/2019 Brasil 19 H
download Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download:

https://goo.gl/DpKN4b

Trata-se de um método de trabalho de investigação que alia a análise de conteúdo de discurso com a pesquisa com narrativas aplicável a pessoas a quem se quer explicitar conhecimentos relevantes como fonte de aprendizado vivencial.

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Violência na base da pirâmide

A violência, antes de aparecer nas primeiras páginas dos jornais, nos noticiários e nas redes sociais é o sinal externo de que a sociedade está há muito tempo doente, e acostumou-se com os comportamentos injustos, que ocorrem na vida familiar, na vida do trabalho, no transito, isto é, nas situações mais comuns do dia a dia. O descuido da qualidade moral nas pequenas ações acaba tendo efeitos cada vez maiores no ambiente coletivo.

O experimento das “janelas quebradas” comprovou que: para passar do descuido em pequenas coisas para o colapso social, basta a incúria prolongada e a falta de diligência em tomar as ações que visam manter as coisas bem arrumadas e limpas.

Frank Bird pesquisador da área de saúde e segurança no trabalho já havia observado a correlação entre, o volume de pequenos descuidos em hábitos de disciplina, de atenção, de limpeza, de organização e do uso de protetores, e a ocorrência de acidentes de trabalho com dano grave.

A pirâmide de Frank Bird, como ficou conhecida, indica que para 600 incidentes corriqueiros, que poderiam ser qualificados como “sem maior importância”, levam a 30 ocorrências de danos materiais, a 10 danos físicos leves, e acabam chegando a pelo menos um evento de dano físico sério ou acidente fatal.

Mesmo com as limitações das analogias: a do experimento “Broken Windows” e a da constatação de Frank Bird, a ideia de fundo é que, a fatalidade, é a ponta do iceberg e origina-se no descuido da educação familiar.

Apontando apenas para os meios preventivos, sabe-se que a violência miúda começa bem cedo e no âmbito da família. Um bom ponto de partida está no cuidado de políticas públicas voltadas ao bem estar familiar, à moradia digna e a eliminação da miséria.  Porém, ainda que estas ações preventivas exijam mudanças estruturais na economia, na educação, nos serviços públicos há ações que são decisivas, pois, mesmo com poucos recursos, atuar na base da pirâmide, no seio das famílias, por meio da educação das virtudes assegura a paz social.

Paulo Sertek

Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).

Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.

Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Consulte o livro do autor:

Autor: Paulo Sertek Dr
Editora Intersaberes

Responsabilidade Social e Competência Interpessoal

http://www.intersaberes.com/item-catalogo/responsabilidade-social-e-competencia-interpessoal/

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Prudência e o bom governante

Por paulosertek em Comportamento, Ética na política, Liderança, Política, virtude

09 de agosto de 2019

Com a inteligência esclarecida, o conselho oportuno, e sendo pessoa de juízo, poupa-se muita dor de cabeça. Vale como referência a máxima do carpinteiro: “é necessário medir duas vezes e serrar somente uma”. É decisiva a ponderação para tomar a boa decisão, pois, a experiência circunstanciada na aprendizagem vivencial favorece a qualidade que os antigos gregos denominavam de sofrosine que se traduz por prudência, ou sabedoria.

Tomás de Aquino ensina na Suma Teológica que a prudentia se compõe fundamentalmente de três atos-chave: conhecer a realidade, julgar sobre a forma mais conveniente de agir e realizar efetivamente o que se decide.

A fase do conhecimento é a deliberação amadurecida: uma avaliação das situações da forma o mais objetiva possível. Para o juízo sobre a conveniência de uma determinada atuação é imprescindível ter critérios de referência, que dão apoio a juízos mais seguros sobre as possíveis decisões, como por exemplo: o critério-chave da defesa da vida, ou o que rege a segurança das construções, de que: o critério econômico não pode colocar em risco a idoneidade de uma construção prejudicando a segurança humana.

Os médicos seguem o critério do “primum non nocere”, primeiro não prejudicar, que se deve aplicar com mais força nas decisões de governo.

Para um determinado tipo de problema e suas circunstâncias, a pessoa prudente é a que ganha experiência nas pequenas ações diárias, aplicando os critérios mais adequados, e aprendendo no pequeno, obterá uma melhor capacidade de governo em situações conflitivas.

A prudência é uma virtude que se adquire por meio da serenidade e se distancia do governo guiado pela irreflexão.

Não haveria boa decisão se, depois de deliberar e julgar com critério adequado, a pessoa atuasse por influência do medo, da preguiça, da ira, e de outros vícios. Decidir-se bem requer a prática das quatro virtudes morais: prudência, justiça, fortaleza e temperança ou autodomínio. Não basta que alguém tenha boas intenções para ser um bom governante. 

Paulo Sertek

Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela

Escola de Engenharia Maua (SP).

Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.

Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Sobre a virtude da prudência consulte o livro do autor:

Autor: Paulo Sertek Dr
Editora Intersaberes

Responsabilidade Social e Competência Interpessoal

http://www.intersaberes.com/item-catalogo/responsabilidade-social-e-competencia-interpessoal/

 

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Escravidão da mentira

Por paulosertek em Ética na política, fake news, Política, virtude

14 de julho de 2019

Toda vez que se afirma algo dentro de um contexto de seriedade, o que se espera do conteúdo da informação, é que esteja de acordo com a verdade e não subordinada a fins utilitários.

Neste sentido há necessidade da coerência entre o que se comunica e os fatos. Qualidade informativa requer o esclarecimento dos assuntos para não se enganar e não ser causa do engano dos outros por imprudência, negligência, superficialidade e dolo.

O relativismo moral quase generalizado acaba influenciando, na falta de critérios objetivos para a veracidade informativa, recorrer como critério de valoração definitivo, entre outros, o politicamente correto, o levar vantagem, o não causar desgosto, e, por vezes, passar para outro nível de justificativas, tais como: é que todo mundo faz, se eu não tirar vantagem outro vai tirar, e assim se podem levar estes comportamentos a extremos insuspeitáveis de injustiça e de improbidade.

Verifica-se que a mentira nada mais é que produzir o engano do outro com a intenção de ludibriar. O autor da mentira pretende passar um conteúdo para frente por meio de uma verdade aparente, ou de verdades que encobrem as mentiras. O mentiroso, precisa do disfarce da verdade para enganar os de boa fé.

A reiteração de condutas falsas gera o caráter vicioso. Aparentemente com este tipo de comportamento as coisas andam bem, porém não se consegue manter uma trajetória digna. Boa parte do tempo tenta-se o equilíbrio entre as meias verdades e as verdades aparentes. Esta atuação, leva à ruptura da personalidade que se pode manifestar na dupla vida. Confirma-se o adágio que diz: “quem não age como pensa acaba pensando como age”, pois somente a submissão à verdade é o que se contrapõe à escravidão da mentira.

A verdade é o fundamento de toda sociedade justa e no momento em que as mentiras, as fake-news, tomam conta das fontes de informação já não se pode dizer que haja liberdade, porquanto esta se apoia na investigação responsável e criteriosa dos fatos e na informação fidedigna.

 

Paulo Sertek

Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).

Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.

Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Confira o livro do autor aqui:

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download:  https://goo.gl/DpKN4b

Jorge Lacerda: Uma luminosa mensagem de cultura. Autor: Paulo Sertek. Ano: 2015 São Paulo. Editora: Cultor de Livros

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Sem negociar a ética

O empreendedor-servidor é o que se entrega a iniciativas de valor social e se afasta da busca de um resultado da virtude que morre em si próprio. Líder-magnânimo pauta o seu comportamento pela excelência e excede-se no cumprimento dos deveres.

Magnanimidade, como ensina Aristóteles, é o ornamento das virtudes, e reluz como a qualidade dos que têm alma grande e desejo de fazer o bem a serviço de causas nobres e que repelem instintivamente o simplesmente fazer, rejeitam a pequenez de coração e não cedem ao rebaixamento negligente dos seus compromissos.

Os estudos biográficos de personalidades dos mais diferentes estilos permitem descobrir como esta qualidade aumenta significativamente o poder de incutir a visão de futuro.

Convêm ressaltar, entre outros, o empreendedor modelar que foi Jorge Lacerda-ex-gov SC, inspirador de várias gerações por meio dos seus conselhos, obras e ações, e que, ainda hoje estimula os que pretendem dar um pouco mais de si às causas nobres.

Adonias Filho, na sua nota sobre Jorge Lacerda, na introdução do livro póstumo de Jorge Lacerda, Democracia e Nação, organizado por Nereu Corrêa diz que: Jorge Lacerda era um católico, e no seu discurso sobre os soldados de Cristo – que se completa ao reivindicar a reconstrução do homem no sentido do espírito-, confirmando a consciência em sua fé, transmitia com valor ortodoxo o respeito à pessoa humana.

Jorge Lacerda sobressai como um grande temperamento, forjador de líderes, líder transformador e multiplicador das energias criadoras de cada pessoa. Nos deixa o legado: nas decisões que tomava enquanto político, tanto no legislativo como no executivo, observava-se um talento raro para harmonizar os resultados imediatos à visão de conjunto, de modo a não condicionar os frutos de longo prazo aos dividendos políticos mais vistosos. O seu perfil de estadista revela-se, sobretudo pela constância em agir, além das condições puramente efêmeras ao visar os frutos duradouros, sem transigir nas questões de valor ético.

Confira aqui o perfil de Jorge Lacerda.

Paulo Sertek

Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).

Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.

Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Confira o livro do autor aqui:

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura

disponível para download:  https://goo.gl/DpKN4b

Jorge Lacerda: Uma luminosa mensagem de cultura. Autor: Paulo Sertek. Ano: 2015 São Paulo. Editora: Cultor de Livros

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A LINGUAGEM DAS FORMAS E DAS CORES

Por paulosertek em Cultura, Discurso, Política, virtude

23 de Maio de 2019

JORGE LACERDA GOVERNADOR DE SANTA CATARINA 1958

Discurso proferido na inauguração da exposição de parte do acervo do Museu de Arte de São Paulo, em 29 de março de 1958.

Nota jornalística

Convidado especialmente pelo deputado Horácio Lafer, Diretor Presidente da Associação Museu de Arte de São Paulo, o Governador Jorge Lacerda pronunciou uma brilhante oração na abertura da grande exposição do acervo daquela entidade realizada quarta feira última na Escola Nacional de Belas Artes. Foi um discurso que teve a melhor repercussão. Foram oradores, na cerimônia, o Presidente Juscelino Kubitschek, o ex-ministro Alexandre Marcondes Filho, o Deputado Horácio Lafer, Embaixador Assis Chateaubriand, Dr. Armando Simone Pereira e Sr. Osvaldo Teixeira. O acervo do Museu reúne telas da mais alta importância dos pintores mais famosos
desde a Renascença aos dias de hoje.

Discurso

Esta exposição só poderia, sem dúvida, ter nascido de um ato de loucura — dessa benemérita desordem criadora que capitaneia o espírito e os gestos de Assis Chateaubriand.

Foi ele, por certo, o Quixote árdego desta empreitada heroica no território da cultura.

Mas não sonhou só, pois os Sanchos prudentes tocados pela sua flama converteram-se em novos e arrebatados Quixotes. E a vida que imitando, por vezes, imita a arte, fez renovar entre nós o processo de quixotização do Sancho.

Efetivamente, os acautelados que, tímidos e perplexos, acompanharam os atrevimentos do “engenhoso fidalgo”, desbordaram das lições do cavaleiro andante, recolhendo-lhe das mãos ousadas a lança audaz para jornadas ainda mais temerárias. E eis que, tangidos pela visão ardente do pioneiro, industriais, comerciantes, banqueiros, se transfiguraram para as sortidas intrépidas pelo mundo da arte.

Foram eles que nos convocaram para este desfile mágico de seis séculos de glórias da arte e em que resplandece uma visão instantânea de seus gênios criadores.

Os homens práticos do Brasil transmitem-nos, assim, a lição recolhida dos tempos, segundo a qual as nações estruturam a sua perpetuidade menos nos alicerces de seus empreendimentos materiais do que nessas luminosas e eternas criações do espírito.

A arte ocidental aqui está presente nesta síntese magnífica, através de suas mensagens imperecíveis, desde os primórdios da Renascença aos dias de hoje. É uma visão do nosso próprio mundo, da nossa cultura, desde que emergiu da Idade Média.

Essas telas são, pois, intérpretes do espírito do homem, a partir dos albores renascentistas, quando já se delineiam as tentativas de sua integração no mundo em trânsito, aos dias agônicos que estamos vivendo, quando ele tenta fugir da realidade dramática e cruel da época, nessa obstinação em não retratá-la em suas exterioridades, para antes exprimir, através da pura linguagem das formas e das cores, os seus sentimentos mais íntimos e as suas aspirações mais secretas!

Senhores:

Esta exposição que, com extraordinário êxito, já percorreu vários dos mais importantes centros de cultura da América e da Europa, constituiu uma demonstração da pujança do Brasil em criar um acervo dos mais ricos, justamente quando quase todas as obras-primas da pintura se converteram em patrimônio inalienável dos grandes museus do universo.

O Museu de Arte de São Paulo não é, entretanto, apenas um mero repositório de belas obras, uma entidade estática, mas, sobretudo um organismo dinâmico que procura a participação efetiva e constante das novas gerações brasileiras em todos os ramos do conhecimento estético.

O Brasil deve orgulhar-se deste empreendimento para cujo êxito concorreu decisivamente, além do seu fundador, o Prof. Pietro Maria Bardi, responsável pela seleção desta imponente galeria da pintura universal. Agora, porém, um novo e poderoso impulso estamos testemunhando com a presidência do eminente homem público, Ministro Horácio Lafer e dessa plêiade de preclaros compatriotas que compõem a sua atual diretoria.

A esse valioso contingente de energias esclarecidas, postas a serviço da expansão de obra de tal magnitude, veio juntar-se há pouco a Fundação Armando Alvares Penteado, que terminou assegurando ao Museu de Arte aquelas condições imprescindíveis para a sua sobrevivência.

A obra sonhada pelo idealismo do inolvidável paulista aqui revive na grandeza deste acontecimento. Revive, sobretudo na figura sob todos os títulos venerável da Sra. Annie Alvares Penteado, fiel executora da generosa mensagem de benemerência que Armando Alvares Penteado legou à inteligência artística do país.

Meus senhores:

Em face de tão renomeadas personalidades, de tantas presenças ilustres, não se explicaria a palavra de orador, não fora talvez o reconhecimento da obscura contribuição por ele oferecida a empreendimentos culturais do país, em decorrência de sua atividade na imprensa literária e de seu labor na vida parlamentar.

Diante desta mensagem de sua capacidade criadora, que o Ocidente oferece ao Brasil, através do Museu de Arte de São Paulo, renova-se em todos nós a confiança no poder de sobrevivência de nossa Cultura. Ortega y Gasset, falando à consciência do mundo do alto das ruínas fumegantes de Berlim, proclamava, numa réplica aos profetas da decadência de nossa civilização, que o crepúsculo que se estava prenunciando não era vespertino, mas sim matutino.

Com efeito, meus senhores, os artistas dos nossos tempos, confirmando o pensador, parecem oferecer, nas cores vibrantes de suas telas, a sugestão magnífica dessa madrugada, que se vai rasgando diante de nós como ardente e luminosa esperança.

Fonte Democracia e Nação

Livro: Democracia e Nação contem os discursos de Jorge Lacerda. Prefácio de Adonias Filho e organizado por Nereu Corrêa

Paulo Sertek é doutor em educação e autor do livro

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura,

disponível para download:  https://goo.gl/DpKN4b

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura
Autor: Paulo Sertek
Ed.: Cultor de Livros
São Paulo, 2015

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MENSAGEM DE ANGÚSTIA

Por paulosertek em Cidadania, Discurso, Política

18 de Maio de 2019

Jorge Lacerda

Democracia e Nação (discurso proferido na sessão de 6 de julho de 1952 como deputado federal SC)

Senhor Presidente, tive oportunidade, por várias vezes, de trazer ao conhecimento da Câmara dos Deputados, alguns aspectos desoladores suscitados pela indústria carbonífera, no Sul de Santa Catarina. Municípios que produzem ou beneficiam o carvão, quase nada recebem em troca, pela riqueza oferecida ao país. É-lhes vedado, como se sabe, estabelecer qualquer taxa sobre o carvão produzido ou beneficiado. Do tributo existente, arrecadado pela União, quase nada lhes é destinado, como determina a lei.

Governador Jorge Lacerda visita mina de carvão em Criciúma SC em 1957-Acervo da família.

A mineração revolve-lhes inteiramente o solo. Com as chuvas, os detritos do carvão são carreados para os rios, cujas águas, nas periódicas enchentes, vão inutilizar os campos e comprometer as lavouras. Os vales, outrora ricos e opulentos, se desfiguram num espetáculo de penúria.

Melhor fora não contar Santa Catarina com o carvão, a tê-lo, assim, com esse cortejo de flagelos: a esterilização da terra, a ascensão dos índices de mortalidade infantil, da tuberculose e de outras moléstias, o drama dos mineiros, no fundo das minas úmidas, a inquietação dos mineradores, e a angústia dos lavradores, que, paradoxalmente, amaldiçoam as enchentes, porque no bojo delas sobe, não o que fertiliza, mas a pirita, que calcina o solo.

Fomos a primeira voz a denunciar, nesta Casa, os aspectos pungentes dessa paisagem social e humana — até então inéditos em terras catarinenses — gerados pela mineração do carvão.

Senhor Presidente, desejo, agora, assinalar os sofrimentos de certa região catarinense, a Madre, no município de Tubarão. Banhada pelo rio Tubarão, era famosa pelos seus campos, em que pastavam 60.000 cabeças de gado. Célebres eram o queijo e a manteiga que produzia. O rio, bastante piscoso, fornecia peixe, em tal abundância, que, não só abastecia a localidade, como as regiões vizinhas. A Madre é, praticamente, uma extensa rua, densamente povoada, de cerca de 17 quilômetros, que perlonga o sinuoso rio Tubarão. Recordavam-me os seus moradores, quando lá estive a última vez, os bons tempos em que lançavam suas tarrafas nas águas do rio, e recolhiam, em quantidade, o peixe que nunca faltou nas mesas mais modestas.

Com uma simples tarrafada fazia-se uma boa refeição para a família inteira — dizia-me um velho habitante da Madre. A produção do camarão, pescado na vizinha lagoa da cidade de Laguna, onde desemboca o rio Tubarão, era calculada em Cr$ 15.000.000,00. Hoje, tudo se transformou. O próprio rio mudou de nome, ali na Madre. Passou a ser chamado rio Seco ou rio Morto. As pastagens vão desaparecendo. A água potável, a população vai buscá-la a quilômetros de distância. A água potável, de antigamente, se tornou salobra, no fundo dos poços, pela infiltração dos resíduos do carvão. Os peixes sumiram.

A Madre — que recebera do destino as águas que fertilizavam as terras, e os peixes que alimentavam as famílias — recolhe, agora, pela imprevidência e cupidez dos homens, os detritos do carvão, que contaminam os rios e devastam as várzeas. As enchentes, que eram bênçãos dos céus, naquele vale fecundo, converteram-se em flagelo.

Como desejaria a Madre que se lhe restituísse a tranqüilidade de outrora! Nada mais aspiraria, senão àquilo que já lhe pertencia, por uma dádiva da natureza.

Esse problema, infelizmente, não se circunscreve, apenas, a essa região, mas a várias outras, no Sul catarinense, assoladas, igualmente pelas águas, que carregam os resíduos piritosos do minério.

Cabe ao poder público estudar e resolver o problema, que assume proporções de verdadeira calamidade.

Durante os debates travados nesta Casa, em torno do Plano do Carvão Nacional, logramos obter, através de emenda de nossa autoria, uma dotação de Cr$ 15.000.000,00, destinada a obras de assistência social, naquela área carbonífera, e cuja aplicação foi confiada às mãos honradas do Presidente da Comissão Executiva daquele plano, C.el Pinto da Veiga. Esses recursos são, entretanto, para hospitais, creches, postos de saúde. E o problema, que venho focalizando, é de maior envergadura.

Sr. Presidente, é inacreditável que, para explorarmos, em nosso país, apenas 2 milhões de toneladas anuais de carvão, tenhamos de testemunhar tanta desgraça resultante da desídia dos poderes públicos. Imaginemos, então, se o Brasil produzisse, como os Estados Unidos, setecentos milhões de toneladas de carvão, isto é, trezentas e cinqüenta vezes mais. O que nos aconteceria? Entretanto, nos Estados Unidos, como em qualquer país europeu ou asiático, a indústria carbonífera, pelas cautelas que lá são tomadas, não gera as tristes conseqüências que aqui presenciamos.

Só no Brasil, desgraçadamente, é que domina uma tal política de imprevidência. Como certos povos primitivos, derrubamos as árvores, para comer-lhes os frutos.

Saqueamos a terra, expropriando-lhe as riquezas, sem que nos preocupem as angústias das populações, decorrentes dessa nossa empreitada sinistra, de verdadeiros vândalos do solo.

É o Brasil em plena autofagia.

Sr. Presidente, não é justo, portanto, que uma região, que vivia tranqüila, nos seus misteres da lavoura e da pesca, venha sofrer, pelo descaso dos governos, os efeitos nefastos de uma exploração voraz e inconsciente das riquezas do nosso subsolo. Riquezas que, paradoxalmente, depauperam as zonas de que são extraídas.

Esta é a mensagem de angústia, que transmito à Câmara dos Deputados, em nome, não só da população da Madre, como de outras regiões sofredoras do Sul de Santa Catarina.

Livro de autoria de Paulo Sertek: obtenha o livro digital

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura
Autor: Paulo Sertek
Ed.: Cultor de Livros
São Paulo, 2015

Mensagem de Angústia fonte: LACERDA, J. In.: CORREA, Nereu (Org). Democracia e Nação: Discursos Políticos e Literários. Rio de Janeiro: Ed. J. Olympio, 1960. p. 83-86.

Livro: Democracia e Nação contem os discursos de Jorge Lacerda. Prefácio de Adonias Filho e organizado por Nereu Corrêa

 

 

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MENSAGEM DE ANGÚSTIA

Por paulosertek em Cidadania, Discurso, Política

18 de Maio de 2019

Jorge Lacerda

Democracia e Nação (discurso proferido na sessão de 6 de julho de 1952 como deputado federal SC)

Senhor Presidente, tive oportunidade, por várias vezes, de trazer ao conhecimento da Câmara dos Deputados, alguns aspectos desoladores suscitados pela indústria carbonífera, no Sul de Santa Catarina. Municípios que produzem ou beneficiam o carvão, quase nada recebem em troca, pela riqueza oferecida ao país. É-lhes vedado, como se sabe, estabelecer qualquer taxa sobre o carvão produzido ou beneficiado. Do tributo existente, arrecadado pela União, quase nada lhes é destinado, como determina a lei.

Governador Jorge Lacerda visita mina de carvão em Criciúma SC em 1957-Acervo da família.

A mineração revolve-lhes inteiramente o solo. Com as chuvas, os detritos do carvão são carreados para os rios, cujas águas, nas periódicas enchentes, vão inutilizar os campos e comprometer as lavouras. Os vales, outrora ricos e opulentos, se desfiguram num espetáculo de penúria.

Melhor fora não contar Santa Catarina com o carvão, a tê-lo, assim, com esse cortejo de flagelos: a esterilização da terra, a ascensão dos índices de mortalidade infantil, da tuberculose e de outras moléstias, o drama dos mineiros, no fundo das minas úmidas, a inquietação dos mineradores, e a angústia dos lavradores, que, paradoxalmente, amaldiçoam as enchentes, porque no bojo delas sobe, não o que fertiliza, mas a pirita, que calcina o solo.

Fomos a primeira voz a denunciar, nesta Casa, os aspectos pungentes dessa paisagem social e humana — até então inéditos em terras catarinenses — gerados pela mineração do carvão.

Senhor Presidente, desejo, agora, assinalar os sofrimentos de certa região catarinense, a Madre, no município de Tubarão. Banhada pelo rio Tubarão, era famosa pelos seus campos, em que pastavam 60.000 cabeças de gado. Célebres eram o queijo e a manteiga que produzia. O rio, bastante piscoso, fornecia peixe, em tal abundância, que, não só abastecia a localidade, como as regiões vizinhas. A Madre é, praticamente, uma extensa rua, densamente povoada, de cerca de 17 quilômetros, que perlonga o sinuoso rio Tubarão. Recordavam-me os seus moradores, quando lá estive a última vez, os bons tempos em que lançavam suas tarrafas nas águas do rio, e recolhiam, em quantidade, o peixe que nunca faltou nas mesas mais modestas.

Com uma simples tarrafada fazia-se uma boa refeição para a família inteira — dizia-me um velho habitante da Madre. A produção do camarão, pescado na vizinha lagoa da cidade de Laguna, onde desemboca o rio Tubarão, era calculada em Cr$ 15.000.000,00. Hoje, tudo se transformou. O próprio rio mudou de nome, ali na Madre. Passou a ser chamado rio Seco ou rio Morto. As pastagens vão desaparecendo. A água potável, a população vai buscá-la a quilômetros de distância. A água potável, de antigamente, se tornou salobra, no fundo dos poços, pela infiltração dos resíduos do carvão. Os peixes sumiram.

A Madre — que recebera do destino as águas que fertilizavam as terras, e os peixes que alimentavam as famílias — recolhe, agora, pela imprevidência e cupidez dos homens, os detritos do carvão, que contaminam os rios e devastam as várzeas. As enchentes, que eram bênçãos dos céus, naquele vale fecundo, converteram-se em flagelo.

Como desejaria a Madre que se lhe restituísse a tranqüilidade de outrora! Nada mais aspiraria, senão àquilo que já lhe pertencia, por uma dádiva da natureza.

Esse problema, infelizmente, não se circunscreve, apenas, a essa região, mas a várias outras, no Sul catarinense, assoladas, igualmente pelas águas, que carregam os resíduos piritosos do minério.

Cabe ao poder público estudar e resolver o problema, que assume proporções de verdadeira calamidade.

Durante os debates travados nesta Casa, em torno do Plano do Carvão Nacional, logramos obter, através de emenda de nossa autoria, uma dotação de Cr$ 15.000.000,00, destinada a obras de assistência social, naquela área carbonífera, e cuja aplicação foi confiada às mãos honradas do Presidente da Comissão Executiva daquele plano, C.el Pinto da Veiga. Esses recursos são, entretanto, para hospitais, creches, postos de saúde. E o problema, que venho focalizando, é de maior envergadura.

Sr. Presidente, é inacreditável que, para explorarmos, em nosso país, apenas 2 milhões de toneladas anuais de carvão, tenhamos de testemunhar tanta desgraça resultante da desídia dos poderes públicos. Imaginemos, então, se o Brasil produzisse, como os Estados Unidos, setecentos milhões de toneladas de carvão, isto é, trezentas e cinqüenta vezes mais. O que nos aconteceria? Entretanto, nos Estados Unidos, como em qualquer país europeu ou asiático, a indústria carbonífera, pelas cautelas que lá são tomadas, não gera as tristes conseqüências que aqui presenciamos.

Só no Brasil, desgraçadamente, é que domina uma tal política de imprevidência. Como certos povos primitivos, derrubamos as árvores, para comer-lhes os frutos.

Saqueamos a terra, expropriando-lhe as riquezas, sem que nos preocupem as angústias das populações, decorrentes dessa nossa empreitada sinistra, de verdadeiros vândalos do solo.

É o Brasil em plena autofagia.

Sr. Presidente, não é justo, portanto, que uma região, que vivia tranqüila, nos seus misteres da lavoura e da pesca, venha sofrer, pelo descaso dos governos, os efeitos nefastos de uma exploração voraz e inconsciente das riquezas do nosso subsolo. Riquezas que, paradoxalmente, depauperam as zonas de que são extraídas.

Esta é a mensagem de angústia, que transmito à Câmara dos Deputados, em nome, não só da população da Madre, como de outras regiões sofredoras do Sul de Santa Catarina.

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Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura

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Autor: Paulo Sertek
Ed.: Cultor de Livros
São Paulo, 2015

Mensagem de Angústia fonte: LACERDA, J. In.: CORREA, Nereu (Org). Democracia e Nação: Discursos Políticos e Literários. Rio de Janeiro: Ed. J. Olympio, 1960. p. 83-86.

Livro: Democracia e Nação contem os discursos de Jorge Lacerda. Prefácio de Adonias Filho e organizado por Nereu Corrêa