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Blog Paulo Sertek

por Paulo Sertek

Religião

O que fazer com o tempo de ócio?

Por paulosertek em Comportamento, Religião, Saúde

09 de Março de 2019

O antropólogo Javier Aranguren concluía seu ensaio sobre tendências sociais para o século 21 com uma observação muito aguda: “Talvez, vendo o panorama cultural desolador, como por exemplo, o televisivo ou o político, não investimos em conhecimento, mas em diversão e, em consequência, não tratamos de entender-nos a nós mesmos e vivemos mais anos para ficarmos paralisados no banal. Porém, a culpa será nossa: a evolução tecnológica nos deu as ferramentas e o tempo para que, tendo superado o patamar da necessidade e sobrevivência, nos atrevamos levantar a inteligência ao mais alto. Tempo nós temos: saberemos aproveitá-lo?”

Com o crescimento da expectativa de vida da população intensificou-se a atenção à qualidade de vida, que não se reduz a ter saúde física, mas, sobretudo à necessidade do cultivo da saúde espiritual. Chamou-me a atenção o que dizia Robert Fogel, economista da Escola de Chicago e prêmio Nobel de Economia, que: “Temos de dar passagem a novas formas educativas que não satisfaçam somente a nossa curiosidade, mas que também nos ajudem a melhorar a nossa faceta espiritual, a compreender melhor o sentido da vida para que possamos aprender entretendo-nos e socializando-nos. Uma vez satisfeitas nossas necessidades básicas, o desejo de entender-nos a nós mesmos e ao nosso entorno é uma das grandes forças impulsionadoras da humanidade. Além disso, à medida que se elevem os ingressos per capita e siga abaixando o custo das necessidades básicas e dos bens duradouros, os indivíduos e os lares investirão porcentagens cada vez maiores de seus ingressos no pagamento de serviços que melhorem sua saúde, fomentem o conhecimento e elevem a sua consciência espiritual.”

Viktor Frankl
Fundador da Logoterapia

O que fazer com o tempo de ócio? Viktor Frankl, fundador da logoterapia, nos propõe a busca do sentido da existência por meio de valores criadores a fim de enriquecer a realidade com o trabalho bem feito; de valores vivenciais visando entregar-se nas tarefas em bem da comunidade; e de valores de atitude para descobrir o sentido da dor e da doença. Sem isso o mais provável é que fiquemos paralisados no banal.

Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico Engenharia Maua (SP)
Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento (UTFPR)
Doutor em Educação pela UFPR
Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza

Autor do Livro Administração e Planejamento Estratégico

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Nova sensibilidade religiosa

Por paulosertek em Cidadania, Educação, Política, Religião, Responsabilidade Social

05 de Março de 2019

Na atualidade observam-se dois fenômenos de certa magnitude: o primeiro é o da secularização, e outro, concomitante, o do ressurgimento de uma nova sensibilidade religiosa. A secularização equivale à privatização do sagrado, ao reduto particular de cada cidadão, com suas crenças, e reduz-se consequentemente o espaço público permitido ao ato religioso.

Ao mesmo tempo, dissemina-se o sentimento religioso subjetivo, de contornos pouco definidos, em geral de conteúdo moral débil, marcado pelo sentimento religioso cosmético, em que se ausentam os critérios morais vinculantes. O filósofo Zygmunt Bauman, pensa, em vez de chamar pós-modernidade, à situação atual em que “a incerteza é a única certeza”, prefere chamá-la de “modernidade líquida”, porquanto se abandonaram os pontos de referência e critérios orientadores da conduta.

Atualmente constata-se que o mais determinante da conduta é o sentimentalismo extremamente flexível e mutável.
A nova religiosidade assemelha-se à satisfação das necessidades de consciência de ocasião, como as de objetos descartáveis. Equipara-se à religiosidade de “supermercado”, cujo fim nada mais serve senão para aquietar as próprias culpas e faltas de sentido e de critério de vida, que povoam as mentes em nossa sociedade.

A religiosidade de “supermercado” valoriza a convivência do plural e da diversidade, o que é muito bom e é sinal de tolerância; não obstante, como não se acredita em nenhum tipo de identidade, tudo acaba valendo o mesmo, o que aniquila a diferenciação antropológica entre virtudes e vícios.

A fidelidade matrimonial e a dedicação para formar os filhos com sacrifício equiparam-se ao mesmo nível moral do amor fugaz e sem responsabilidade. É uma época de grandes sensibilidades e de grandes indiferenças. Dá-se valor muito positivo às diferenças individuais comportamentais, não obstante, nutre-se a indiferença às diferentes opções. Todas as coisas dão mais ou menos na mesma; já não há um melhor ou pior. Apenas há liberdades de escolha, e enquanto tais ganham por si próprias a categoria de ações valorosas, tornando-nos forçosamente indiferentes a todo tipo de diferenças. Tudo dá na mesma! O amor aos pais e o amor, por exemplo, às tartarugas, ao se equipararem, tornam-se clamorosas indiferenças e injustiças.

Jürgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão, herdeiro da Escola de Frankfurt está redescobrindo a importância das religiões e especialmente a do cristianismo. O recente Habermas, que se considera como um pensador pós-metafísico, a princípio não crente, defende que a sociedade democrática e liberal deve possuir um fundamento não religioso, porém, tem a convicção de que a religião exerce um papel insubstituível, pois, segundo ele, toda sociedade se apoia em “uma solidariedade que não se pode impor com leis”, e salienta que é necessário fundamentar a sociedade “não só no próprio interesse legítimo, mas direcionando-se ao bem comum”. Não apenas baseando-se na vontade consensual, porquanto, – numa sociedade em que nada há de firme -, em termos de critérios vinculantes -, apenas resta a possibilidade vinculante externa por meio das leis positivas e não por nenhum tipo de valor em si das ações. Em outras palavras a bondade do comportamento do amor e respeito aos pais, nesta ótica, não tem valor em si, mas a partir apenas de uma vontade consensual. Habermas postula que a vida em sociedade não pode se limitar à promoção das obrigações meramente externas, mas deve abrir-se à dimensão ética – aos compromissos morais vinculantes de caráter universal -, contando com a religião. Destaca Habermas: “Contra um abstencionismo ético de um pensamento pós-metafísico que abre mão de qualquer conceito universalmente vinculante de vida boa e exemplar, nas escrituras sagradas e nas tradições religiosas que foram articuladas, transliteradas com sutileza e conservadas por milênios hermeneuticamente vivas as intuições de culpa, redenção e salvação graças ao abandono de uma vida percebida como iníqua. Por isso na vida das comunidades religiosas (…) pode permanecer intacta alguma coisa que, alhures, se tenha perdido e é relevante para o ser humano”.

Os vínculos com o sagrado, requeridos pela religião, municiam a vida com as orientações e critérios que ajudam a tomar decisões orientadas para o bem-viver – a vida virtuosa- fundamental para sustentar, alimentar e fazer crescer qualquer forma de convivência humana. A nova sensibilidade religiosa necessita urgentemente de fundamentação em bases morais seguras.

Paulo Sertek Doutor em educação

Autor do livro Responsabilidade Social e Competência Interpessoal Ed. Intersaberes.

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Nova sensibilidade religiosa

Por paulosertek em Cidadania, Educação, Política, Religião, Responsabilidade Social

05 de Março de 2019

Na atualidade observam-se dois fenômenos de certa magnitude: o primeiro é o da secularização, e outro, concomitante, o do ressurgimento de uma nova sensibilidade religiosa. A secularização equivale à privatização do sagrado, ao reduto particular de cada cidadão, com suas crenças, e reduz-se consequentemente o espaço público permitido ao ato religioso.

Ao mesmo tempo, dissemina-se o sentimento religioso subjetivo, de contornos pouco definidos, em geral de conteúdo moral débil, marcado pelo sentimento religioso cosmético, em que se ausentam os critérios morais vinculantes. O filósofo Zygmunt Bauman, pensa, em vez de chamar pós-modernidade, à situação atual em que “a incerteza é a única certeza”, prefere chamá-la de “modernidade líquida”, porquanto se abandonaram os pontos de referência e critérios orientadores da conduta.

Atualmente constata-se que o mais determinante da conduta é o sentimentalismo extremamente flexível e mutável.
A nova religiosidade assemelha-se à satisfação das necessidades de consciência de ocasião, como as de objetos descartáveis. Equipara-se à religiosidade de “supermercado”, cujo fim nada mais serve senão para aquietar as próprias culpas e faltas de sentido e de critério de vida, que povoam as mentes em nossa sociedade.

A religiosidade de “supermercado” valoriza a convivência do plural e da diversidade, o que é muito bom e é sinal de tolerância; não obstante, como não se acredita em nenhum tipo de identidade, tudo acaba valendo o mesmo, o que aniquila a diferenciação antropológica entre virtudes e vícios.

A fidelidade matrimonial e a dedicação para formar os filhos com sacrifício equiparam-se ao mesmo nível moral do amor fugaz e sem responsabilidade. É uma época de grandes sensibilidades e de grandes indiferenças. Dá-se valor muito positivo às diferenças individuais comportamentais, não obstante, nutre-se a indiferença às diferentes opções. Todas as coisas dão mais ou menos na mesma; já não há um melhor ou pior. Apenas há liberdades de escolha, e enquanto tais ganham por si próprias a categoria de ações valorosas, tornando-nos forçosamente indiferentes a todo tipo de diferenças. Tudo dá na mesma! O amor aos pais e o amor, por exemplo, às tartarugas, ao se equipararem, tornam-se clamorosas indiferenças e injustiças.

Jürgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão, herdeiro da Escola de Frankfurt está redescobrindo a importância das religiões e especialmente a do cristianismo. O recente Habermas, que se considera como um pensador pós-metafísico, a princípio não crente, defende que a sociedade democrática e liberal deve possuir um fundamento não religioso, porém, tem a convicção de que a religião exerce um papel insubstituível, pois, segundo ele, toda sociedade se apoia em “uma solidariedade que não se pode impor com leis”, e salienta que é necessário fundamentar a sociedade “não só no próprio interesse legítimo, mas direcionando-se ao bem comum”. Não apenas baseando-se na vontade consensual, porquanto, – numa sociedade em que nada há de firme -, em termos de critérios vinculantes -, apenas resta a possibilidade vinculante externa por meio das leis positivas e não por nenhum tipo de valor em si das ações. Em outras palavras a bondade do comportamento do amor e respeito aos pais, nesta ótica, não tem valor em si, mas a partir apenas de uma vontade consensual. Habermas postula que a vida em sociedade não pode se limitar à promoção das obrigações meramente externas, mas deve abrir-se à dimensão ética – aos compromissos morais vinculantes de caráter universal -, contando com a religião. Destaca Habermas: “Contra um abstencionismo ético de um pensamento pós-metafísico que abre mão de qualquer conceito universalmente vinculante de vida boa e exemplar, nas escrituras sagradas e nas tradições religiosas que foram articuladas, transliteradas com sutileza e conservadas por milênios hermeneuticamente vivas as intuições de culpa, redenção e salvação graças ao abandono de uma vida percebida como iníqua. Por isso na vida das comunidades religiosas (…) pode permanecer intacta alguma coisa que, alhures, se tenha perdido e é relevante para o ser humano”.

Os vínculos com o sagrado, requeridos pela religião, municiam a vida com as orientações e critérios que ajudam a tomar decisões orientadas para o bem-viver – a vida virtuosa- fundamental para sustentar, alimentar e fazer crescer qualquer forma de convivência humana. A nova sensibilidade religiosa necessita urgentemente de fundamentação em bases morais seguras.

Paulo Sertek Doutor em educação

Autor do livro Responsabilidade Social e Competência Interpessoal Ed. Intersaberes.