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Blog Paulo Sertek

por Paulo Sertek

O que a escola não faz

Por paulosertek em Família, Violência, virtude

24 de agosto de 2019

O escritor Alessandro D’Avenia consegue colocar o leitor na cena do que é o inferno na vida de muitas pessoas em situações de ausência, do que, e de quem amar. Cruamente mostra o impacto nefasto da realidade brutal da violência, especialmente entre as crianças e adolescentes, pois “o inferno atua com muito mais eficácia na carne tenra”. No seu romance, “O que o inferno não é” descreve o comportamento de um menino malvado, órfão de pai e de mãe, que na escola tem um comportamento habitual violento, chegando ao limite de quase matar outro estudante a pancadas. Foi expulso por isso, e neste dia, o autor reproduz, de forma dramática, que o pelotão de professores se enfileira em ordem de execução e o fuzilam com olhares acusatórios. O diretor hierático escolta o criminoso, seguindo-o por trás como um algoz. O moleque, de olhar vidrado, com amargura e ódio, caminha com a sua sina, e de repente, ouve-se um soluço contido e ele se vira para trás: é sua professora que se parte de dor. O infeliz corre e se desvia do diretor que o tenta agarrar. Grita e esperneia em prantos, vou mudar, vou mudar, vou mudar!

Este menino, diz o autor, viverá desse momento em diante agarrado a esta professora. Começa o seu processo de transformação inexplicável, porém a razão, quase sem razão, é eloquente: “ninguém nunca tinha chorado por mim”.

O que aprendera na rua? A lutar, a brigar, a se defender, a roubar, a bater, a chutar, porém nunca tinha aprendido a amar e a ser amado. No seu meio somente aprendeu a destruir, foi o seu jeito de sinalizar a todos de que precisava de ajuda. A sua sobrevivência na selva da cidade violenta se deu ao desamparo completo de qualquer atenção ou afeto.

A transformação radical teve como gatilho a pedagogia que não se aprende na escola, pois “faltam lágrimas pela vida desses adolescentes, pela vida dessas crianças”.

O propósito do personagem principal do romance serve de princípio orientador de pais e mestres: “É preciso defender sua alma antes que alguém a despeje delas”.

Paulo Sertek

Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).

Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.

Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Autor: Paulo Sertek Dr
Editora Intersaberes

Consulte o livro do autor:

Responsabilidade Social e Competência Interpessoal

http://www.intersaberes.com/item-catalogo/responsabilidade-social-e-competencia-interpessoal/

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O que a escola não faz

Por paulosertek em Família, Violência, virtude

24 de agosto de 2019

O escritor Alessandro D’Avenia consegue colocar o leitor na cena do que é o inferno na vida de muitas pessoas em situações de ausência, do que, e de quem amar. Cruamente mostra o impacto nefasto da realidade brutal da violência, especialmente entre as crianças e adolescentes, pois “o inferno atua com muito mais eficácia na carne tenra”. No seu romance, “O que o inferno não é” descreve o comportamento de um menino malvado, órfão de pai e de mãe, que na escola tem um comportamento habitual violento, chegando ao limite de quase matar outro estudante a pancadas. Foi expulso por isso, e neste dia, o autor reproduz, de forma dramática, que o pelotão de professores se enfileira em ordem de execução e o fuzilam com olhares acusatórios. O diretor hierático escolta o criminoso, seguindo-o por trás como um algoz. O moleque, de olhar vidrado, com amargura e ódio, caminha com a sua sina, e de repente, ouve-se um soluço contido e ele se vira para trás: é sua professora que se parte de dor. O infeliz corre e se desvia do diretor que o tenta agarrar. Grita e esperneia em prantos, vou mudar, vou mudar, vou mudar!

Este menino, diz o autor, viverá desse momento em diante agarrado a esta professora. Começa o seu processo de transformação inexplicável, porém a razão, quase sem razão, é eloquente: “ninguém nunca tinha chorado por mim”.

O que aprendera na rua? A lutar, a brigar, a se defender, a roubar, a bater, a chutar, porém nunca tinha aprendido a amar e a ser amado. No seu meio somente aprendeu a destruir, foi o seu jeito de sinalizar a todos de que precisava de ajuda. A sua sobrevivência na selva da cidade violenta se deu ao desamparo completo de qualquer atenção ou afeto.

A transformação radical teve como gatilho a pedagogia que não se aprende na escola, pois “faltam lágrimas pela vida desses adolescentes, pela vida dessas crianças”.

O propósito do personagem principal do romance serve de princípio orientador de pais e mestres: “É preciso defender sua alma antes que alguém a despeje delas”.

Paulo Sertek

Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).

Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.

Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Autor: Paulo Sertek Dr
Editora Intersaberes

Consulte o livro do autor:

Responsabilidade Social e Competência Interpessoal

http://www.intersaberes.com/item-catalogo/responsabilidade-social-e-competencia-interpessoal/