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Blog Paulo Sertek

por Paulo Sertek

Fragmentos

Por paulosertek em Poesia

20 de Abril de 2019

Poesia recorre a figuras simbólicas, ainda em fase de ajustes, ao que parece é um pequeno ensaio de natureza expressiva. Recorre a figuras imaginativas.

Xilogravura: Osvaldo Goeldi

A fio contam-se os punhados,
Anos de memória vividos.
Ontem os sabores de mocidade,
Hoje luzes claras,
Em maturidade tingida.

Fragmentos em lembranças,
Qual trem por bela paisagem,
Em desfilar rápido passam.
Bancos escolares: uma saudade,
Chão batido: agora nova cidade!
Ruas em coração: hoje avenidas,
Qual nuvem no ar,
Recordações das mãos escapam.

À busca de esmeraldas, a miragem,
Somente as verdadeiras suprem,
D’alma caminhante em vida,
Rumos de ciência a caminhos de mar.
Hoje ao longe, sendas a sulcar!

Amizade afeiçoa-se imponente,
Singular, de rumos entre muitos.
Valor imprime suavemente,
Pois em oculto vive a semente.

Índole dos que a muitos ensina,
Apraz à mente que trilha,
Caminhos novos desvendam,
Por muito que se estime.
Grandeza de sabedoria os guia,
Horizontes descortinam, com certeza!

Maturidade fragmentos revelam,
Luzes fugazes da mocidade,
Lições como cores de aquarela,
Manifestam harmonia e felicidade.

Autor: Atalgísio de Ribeiro Schmidt

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Estratégia na empresa virtuosa

O bem do indivíduo não se contrapõe ao bem coletivo, para isto deve-se construir uma relação harmônica entre capital, trabalho e homem no âmbito produtivo, pois, de acordo com Jorge Lacerda ex-gov SC: “capital e trabalho não são valores que se combatem, ou se entredevorem, porque embasam e estruturam a harmonia indispensável à paz social”.

Jorge Lacerda, Carlos Lacerda e Magalhães Pinto abril de 1953.

Alguns estudos apontam convergências sobre esta possível harmonia na gestão de empresas e negócios que resulta do esforço das partes interessadas em atuar com sentido de solidariedade humana.
O ponto de partida é agir de acordo com as virtudes, especialmente a da justiça, que corresponde à vontade constante de dar a cada um o devido, e, a virtude é o hábito operativo bom, que aperfeiçoa o ser humano, e o torna mais possuidor dos valores morais.

Um empreendimento virtuoso exige que no planejamento estratégico seja configurada a missão institucional como contribuição a todos os envolvidos e que os valores éticos criem uma cultura que gere a confiança e o comprometimento nas relações internas e externas.

Esta orientação permite combater a tendência centrifuga de afastar-se da prática da virtude, que se traduz em fazer o bem e evitar o mal. Procedendo deste modo impede-se que os resultados econômicos em curto prazo corrompam a cultura da empresa.

Desenvolver profissionais com a mentalidade de serviço à sociedade exige a capacitação para criar ambientes virtuosos. Bem conhecidas são as virtudes fundamentais como a prudência, que permite a tomada de decisão por meio de critérios éticos; a justiça, a qual leva a dar a cada um aquilo que lhe é devido; a fortaleza, atributo propiciador de energia de caráter necessário para se empreender o que é justo e bom em cada momento; e a temperança que é a reitora dos “altos” e “baixos” das emoções.

A abordagem harmonizando a busca de resultados financeiros por meio da gestão virtuosa pode ser encontrada no livro de nossa autoria: Administração e Planejamento Estratégico referenciado no link a seguir.

Paulo Sertek
Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).
Formado pelo ISE-IESE Program for Management Development.
Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Confira o livro do autor
Editora IntersaberesAdministração e Planejamento Estratégico

Administração e planejamento estratégico

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Virtude: o melhor capital humano-intelectual

Modernidade líquida é o termo cunhado pelo filósofo Zygmunt Bauman que ainda nos traz luz para os processos educativos da atualidade.

Domina a pedagogia que prioriza os sentimentos, não à luz do desenvolvimento das virtudes, porém ao estímulo dos comportamentos caprichosos, gerando personalidades mais vulneráveis ao fracasso, à dor e à contrariedade. Pouco se aprende sobre constância e perseverança, e a disciplina praticamente inexiste no léxico pedagógico.
Os programas nos diversos níveis de escolaridade são fundamentados em uma enorme quantidade de teorias, entretanto padecem de uma síndrome: o medo de falar da virtude. Isto é da educação dos sentimentos por meio do fortalecimento da vontade.

Verifica-se que os estudantes desconhecem o que são as virtudes e falta promover a questão do crescimento da força de vontade.

Na literatura e prática educativa destaca-se a condição-chave da educação sócio emocional, mas carece da educação dos limites que significa educar a vontade debilitada entre muitas crianças e jovens.

Entre outras causas da deliquescência educativa, do estado alérgico à disciplina e à ascese moral estão a filosofia do comportamento moral e antropologia que pretendem adequar os processos educativos aos impulsos espontâneos da geração de gostos e interesses. Talvez seja necessário recordar que o fator motivacional-chave do crescimento na competência pessoal está no desenvolvimento do amor ao conhecimento e à conduta virtuosa. Estas conquistas se fazem por meio dos hábitos estáveis que geram as virtudes. A aquisição da virtude por parte dos estudantes é o melhor “capital humano-intelectual” gerador de uma sociedade empreendedora e inovadora.

Recomendo visitar os estudos de mestrado e doutorado em que foi possível identificar a correlação entre a prática das virtudes e os resultados acadêmicos e crescimento profissional.

Confira uma abordagem deste tipo para o âmbito educativo e profissional no livro do autor do artigo: Responsabilidade Social e Competência Interpessoal.

Paulo Sertek
Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e desenvolvimento pela UTFPR , Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).
Formado pelo ISE-IESE Program for Management Development.
Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Confira o livro do autorEditora IntersaberesResponsabilidade Social e Competência Interpessoal

Responsabilidade social e competência interpessoal

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Como desenvolver o talento criador-inovador

José Antônio Marina no seu livro sobre a Teoria da Inteligência Criadora ensina que: “Os grandes criadores manuseiam sempre mais informações que os demais. A realidade aparece cheia de possibilidades só diante dos olhos de quem será capaz de interpretá-la em um grande número de operações. Ter muitos possíveis quer dizer ser muito rico em operações”.

Este pode ser o roteiro do processo de desenvolvimento do talento criador-inovador. Focar em um campo de inovação em que se tem um interesse maior e desenvolver o hábito de garimpar ideias, soluções e conceitos na literatura sobre o que se fez para transformar em oportunidades, os casos de insucesso, de sucesso inesperado e os acidentes. Aprender a colher as sementes das pequenas ou grandes mudanças de paradigma.

Vale a pena o estudo acurado do livro de Peter Drucker: Inovação e Espírito Empreendedor. Este livro tem sido fonte de inspiração permanente para muita gente. Drucker sistematiza em sete as fontes de inovação, tais como: o inesperado, as incongruências, as necessidades de processo, as estruturas da indústria e do mercado, as mudanças demográficas e o conhecimento novo. Sem sombra de dúvida é necessário buscar o conhecimento de autoridades na área para não ter que reinventar a roda.

Seguindo a trilha de Marina é necessário lidar e assimilar conhecimentos e saber manuseá-los, isto é, aplicá-los em situações-problema-insatisfação da realidade atual. De ordinário consiste em anotar os problemas a se resolver e, de forma sistemática, tentar encontrar soluções. O inovador opera com maior número de informações e desenvolve a capacidade de integrá-las em soluções inesperadas.

Para desenvolver sistematicamente o espirito criador-inovador é conveniente “trabalhar com duas possibilidades: a primeira é a de antecipar-se a um futuro que já aconteceu e outra é a de criar ou desenvolver um futuro, fazê-lo acontecer!” Estes dois aspectos sobre os fatores possibilitadores de realizações futuras exploro no livro de minha autoria: Empreendedorismo.

Paulo Sertek
Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia pela UTFPR e desenvolvimento, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).
Formado pelo ISE-IESE Program for Management Development.
Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Confira o livro do autorEmpreendedorismo, Ed. Intersaberes.http://www.intersaberes.com/item-catalogo/empreendedorismo/

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Doar e dar o melhor de si

Pitirim Sorokin, destacado sociólogo russo, foi preso e condenado ao fuzilamento por oposição à Revolução Russa de 1917. Depois de estar seis semanas na iminência de fuzilamento foi poupado, porém foi definitivamente expulso da Rússia em 1922. Defendia que historicamente “a cooperação é um fenômeno mais universal que o antagonismo”, porquanto os frutos da cooperação eram condizentes com a índole social humana. Este sociólogo define a solidariedade como sendo o fato ou qualidade de estar unido ou ligado ao outro em uma comunidade de interesses e responsabilidades ou obrigações. Seu pensamento formula a solidariedade como uma propriedade da pessoa humana e que os homens são sociáveis porque são solidários e não ao contrário. A solidariedade é nesta perspectiva uma tendência fundamental que resulta na soma de esforços para atingir metas valiosas e comuns a todos em um mesmo grupo.

Pitirim A. Sorokin


Conclui que o homem é um “ser-mediante–o-outro”, “um ser-com-o-outro” e um “ser-para-o-outro” e como decorrência o “doar-e-dar-o-melhor-de-si” é uma necessidade intrínseca do ser humano para sua realização e consequente felicidade.

O entorno próximo reclama o dar-o-melhor-de-si para atividades que contribuam: para a promoção da dignidade humana, para a participação nos bens da cultura, para o acesso à educação de qualidade e para os instrumentos sociais que estimulem a prática das virtudes.

Entre as iniciativas de caráter performativo, aquelas que não ficam apenas nos aspectos cognitivos, mas se preocupam com o desenvolvimento humano, encontra-se uma instituição que nasceu em Fortaleza, a ANECE- Associação Nordestina de Ensino Cultura e Esporte (www.anece.org.br). Visa “a formação ética e a excelência humana” como “pilares para o alcance de uma nova cultura e uma educação mais digna, que respeite e desenvolva as competências e aptidões do homem”.

Sugiro o conhecimento dos propósitos desta instituição e o apoio financeiro na aba “donativos”, pois estão empenhados na expansão das atividades em Fortaleza.

Consulte o site da ANECEwww.anece.org.br

Paulo Sertek é doutor em educação e autor do livro Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download: https://goo.gl/DpKN4b
Email: psertek@gmail.com

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O decisivo para desenvolver os hábitos

Nos programas de desenvolvimento pessoal costumo trabalhar com uma apresentação sobre o processo dos desenvolvimentos dos hábitos, ou virtudes em que o ponto de partida da transformação requer o conhecimento próprio para a identificação das próprias insuficiências e limitações. Não é suficiente o simplesmente saber, pois hábitos se adquirem por meio das disposições. A que se refere esta disposição? Dispor dos meios necessários, da motivação adequada para por em prática determinado tipo de atos.

Digamos que você quer aprender uma nova língua, não basta tomar a decisão para isto, porém é preciso dispor de todos os elementos: tempo, dinheiro, material e o esforço para seguir um método de estudo.

Até este ponto está em jogo o conhecimento próprio, o saber como, ter as disposições adequadas e por em prática. De qualquer forma não basta saber, é necessário querer, porém o decisivo para desenvolver os hábitos, ou virtudes está no fazer. Saber reside na inteligência das pessoas, o querer na vontade, mas nada substitui o fazer. Saber, querer e fazer são as três dimensões de um continuum absolutamente necessário para ir mais longe que a média das pessoas. Corresponde à busca da excelência pessoal e profissional.

A finalidade da ação deve estar primeiro na mente para que depois se configure na realidade. Uma boa dica de Rojas: “a motivação e o entusiasmo constituem uma das duas margens da vontade, a outra é a ordem e a constância. A vontade melhor disposta é a mais motivada”.

Sugiro seguir algumas dicas de Enrique Rojas que distingue entre querer e desejar. Querer é um ato volitivo. Quem responde pela situação de mudança pessoal é a vontade determinada a um objetivo de crescimento. Desejar é simplesmente inclinar-se sensivelmente; algo como afeiçoar-se ao objetivo. Esta condição é o prelúdio da atuação da vontade, porém não existe almoço grátis é necessária uma dose de vencimento da tendência à zona de conforto e aos esquemas antigos de resposta que nos prendem ao passado.

Confira os vídeos do autor:
a. Palestra sobre desenvolvimento de qualidades pessoais acadêmicas e profissionaishttps://www.youtube.com/watch?v=Xl_mhXLrgo4&t=139s
b. Janela de Johari: plano de desenvolvimento pessoalhttps://www.youtube.com/watch?v=BNblp7HgXCM&t=66s
c. Plano de desenvolvimento Pessoal: questionário e orientaçõeshttps://www.youtube.com/watch?v=uQrSheZNF5k&t=15s
Questionário de avaliação de competênciashttps://drive.google.com/file/d/1k6Y1jciI10RX2026htBej8iuDp_S-z8h/view?usp=sharing

Paulo Sertek é doutor em educação e autor do livro Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download: https://goo.gl/DpKN4b
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Educação na mão de amadores: até quando?

Por paulosertek em Cidadania, Educação, Política

21 de Março de 2019

Em 2017 cerca de 2,5 milhões de pessoas começaram a fazer o curso superior no país e a esmagadora maioria buscou os cursos oferecidos pela rede particular, e neste mesmo ano, 1,2 milhões acabaram se formando. Sabe-se pelos dados do INEP que, depois de quatro anos de curso, aproximadamente 31% desistem e somente 11% chegam a se formar. A desistência de estudantes dos cursos das instituições privadas é ainda mais pronunciada e registra-se algo em torno de 37%.

 

As universidades federais oferecem 300 mil vagas. Você sabe quantos pleiteiam estas vagas? Da ordem de sete milhões de estudantes são os que fazem o exame do ENEM. O que chama a atenção é que há uma grande massa de pessoas que acredita no milagre de ser aprovado em Universidades Federais, porém é uma ínfima minoria que consegue.

Os gastos da educação pública federal estão crescendo desde 2008 a 2017: de R$32 bilhões para R$75 bilhões. Grande parte dos estudantes busca o financiamento da educação superior privada e o crédito educativo chegou a R$ 30 bilhões nos anos de 2016 e 2017. Em matemática simples 30% deste valor – R$ 9 bilhões- se perdem por ineficiência. Além da enorme desistência verifica-se a baixa qualidade de aprendizagem nos cursos superiores.

Não adianta tampar o sol com a peneira, os estudantes que chegam ao final do ensino médio têm lacunas abissais que impedem o acesso a qualquer curso superior. Verifica-se que o nosso ensino público, fundamental e médio é medíocre, porquanto, estamos na rabeira dos testes internacionais de avaliação PISA. Enviei um artigo de Simon Schartzman avaliando o nosso sistema educativo a um professor, também doutor em educação, e simplesmente me respondeu que o nosso problema não dá para ficar na mão de amadores.

Uma nação será no futuro aquilo que o seu projeto educativo conseguir atingir. Para isso deve promover os fatores possibilitadores de futuro graças ao emprego eficiente e eficaz do dinheiro público e a busca da excelência profissional dos diretores e professores.

Paulo Sertek é doutor em educação e professor universitário

Jorge Lacerda: Uma luminosa mensagem de cultura. Autor: Paulo Sertek. Ano: 2015 São Paulo. Editora: Cultor de Livros

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download: 

https://goo.gl/DpKN4b

Email:   psertek@gmail.com

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Riqueza que gera estorvo

Por paulosertek em Comportamento, Educação, Responsabilidade Social, virtude

12 de Março de 2019

Uma porção da população brasileira vive na abundancia e descomprometida das condições de vida de grande parte dos brasileiros sujeitos a inúmeras privações. Aplica-se o que Jorge Lacerda ex-gov SC afirmava: “sobreviver é o único verbo que as massas exasperadas sabem conjugar, assoberbadas pelo presente e preocupadas com o futuro”.
O supérfluo consiste em algo que sobra e que não há justificativa para possuir, converte-se num fator prejudicial na medida em que é contrário à razão, portanto irracional.

Certa vez um autor considerava a necessidade de distinguir entre superfluidade e riqueza. A posse de bens desnecessários é negativa, já a riqueza é positiva. As riquezas tanto materiais como culturais têm valor significativo para sociedade, porquanto podem promover ações virtuosas.

O supérfluo é um tipo de riqueza que gera estorvo e estreita o espírito humano na medida em que impede a paz da alma pela inquietação que produz. As riquezas genuínas ampliam o raio de ação da virtude, e o supérfluo, pelo contrário, afasta o ser humano da vida feliz.

A crise de valores da atualidade alimenta a avidez pelo supérfluo, o que gera o desassossego da alma. Tempos atrás escreveu Octavio Paz, e se aplica mais do que nunca ao nosso caso: “a tristeza e a angústia dos europeus e dos norte americanos não vem da falta de comida, mas sim da abundância de bens”.

Explica-se então que a avareza seja a fonte de angústia por causa do afã de uso das riquezas além do que seria conveniente para praticar as virtudes. As “boas riquezas” são as que permitem potenciar as ações boas, promover as virtudes e contribuir para o bem comum.

A excitação do consumo e do descarte prejudica o uso adequado dos bens, pois em vez de serem meios para o crescimento pessoal e social, tornam as pessoas cada vez mais ávidas pelo “ter” e o seu espirito fervilha irrequieto. Portanto, na medida em que os bens se convertem em fonte de inquietação pela acumulação progressiva tornam-se nocivos, e desviam da prática das virtudes.

Paulo Sertek é doutor em educação
formado em Program for Management Development pelo ISE-IESE Business Scool
Autor do livro:
Responsabilidade social e Competência Interpessoal

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O que fazer com o tempo de ócio?

Por paulosertek em Comportamento, Religião, Saúde

09 de Março de 2019

O antropólogo Javier Aranguren concluía seu ensaio sobre tendências sociais para o século 21 com uma observação muito aguda: “Talvez, vendo o panorama cultural desolador, como por exemplo, o televisivo ou o político, não investimos em conhecimento, mas em diversão e, em consequência, não tratamos de entender-nos a nós mesmos e vivemos mais anos para ficarmos paralisados no banal. Porém, a culpa será nossa: a evolução tecnológica nos deu as ferramentas e o tempo para que, tendo superado o patamar da necessidade e sobrevivência, nos atrevamos levantar a inteligência ao mais alto. Tempo nós temos: saberemos aproveitá-lo?”

Com o crescimento da expectativa de vida da população intensificou-se a atenção à qualidade de vida, que não se reduz a ter saúde física, mas, sobretudo à necessidade do cultivo da saúde espiritual. Chamou-me a atenção o que dizia Robert Fogel, economista da Escola de Chicago e prêmio Nobel de Economia, que: “Temos de dar passagem a novas formas educativas que não satisfaçam somente a nossa curiosidade, mas que também nos ajudem a melhorar a nossa faceta espiritual, a compreender melhor o sentido da vida para que possamos aprender entretendo-nos e socializando-nos. Uma vez satisfeitas nossas necessidades básicas, o desejo de entender-nos a nós mesmos e ao nosso entorno é uma das grandes forças impulsionadoras da humanidade. Além disso, à medida que se elevem os ingressos per capita e siga abaixando o custo das necessidades básicas e dos bens duradouros, os indivíduos e os lares investirão porcentagens cada vez maiores de seus ingressos no pagamento de serviços que melhorem sua saúde, fomentem o conhecimento e elevem a sua consciência espiritual.”

Viktor Frankl
Fundador da Logoterapia

O que fazer com o tempo de ócio? Viktor Frankl, fundador da logoterapia, nos propõe a busca do sentido da existência por meio de valores criadores a fim de enriquecer a realidade com o trabalho bem feito; de valores vivenciais visando entregar-se nas tarefas em bem da comunidade; e de valores de atitude para descobrir o sentido da dor e da doença. Sem isso o mais provável é que fiquemos paralisados no banal.

Paulo Sertek
Engenheiro Mecânico Engenharia Maua (SP)
Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento (UTFPR)
Doutor em Educação pela UFPR
Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza

Autor do Livro Administração e Planejamento Estratégico

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Nova sensibilidade religiosa

Por paulosertek em Cidadania, Educação, Política, Religião, Responsabilidade Social

05 de Março de 2019

Na atualidade observam-se dois fenômenos de certa magnitude: o primeiro é o da secularização, e outro, concomitante, o do ressurgimento de uma nova sensibilidade religiosa. A secularização equivale à privatização do sagrado, ao reduto particular de cada cidadão, com suas crenças, e reduz-se consequentemente o espaço público permitido ao ato religioso.

Ao mesmo tempo, dissemina-se o sentimento religioso subjetivo, de contornos pouco definidos, em geral de conteúdo moral débil, marcado pelo sentimento religioso cosmético, em que se ausentam os critérios morais vinculantes. O filósofo Zygmunt Bauman, pensa, em vez de chamar pós-modernidade, à situação atual em que “a incerteza é a única certeza”, prefere chamá-la de “modernidade líquida”, porquanto se abandonaram os pontos de referência e critérios orientadores da conduta.

Atualmente constata-se que o mais determinante da conduta é o sentimentalismo extremamente flexível e mutável.
A nova religiosidade assemelha-se à satisfação das necessidades de consciência de ocasião, como as de objetos descartáveis. Equipara-se à religiosidade de “supermercado”, cujo fim nada mais serve senão para aquietar as próprias culpas e faltas de sentido e de critério de vida, que povoam as mentes em nossa sociedade.

A religiosidade de “supermercado” valoriza a convivência do plural e da diversidade, o que é muito bom e é sinal de tolerância; não obstante, como não se acredita em nenhum tipo de identidade, tudo acaba valendo o mesmo, o que aniquila a diferenciação antropológica entre virtudes e vícios.

A fidelidade matrimonial e a dedicação para formar os filhos com sacrifício equiparam-se ao mesmo nível moral do amor fugaz e sem responsabilidade. É uma época de grandes sensibilidades e de grandes indiferenças. Dá-se valor muito positivo às diferenças individuais comportamentais, não obstante, nutre-se a indiferença às diferentes opções. Todas as coisas dão mais ou menos na mesma; já não há um melhor ou pior. Apenas há liberdades de escolha, e enquanto tais ganham por si próprias a categoria de ações valorosas, tornando-nos forçosamente indiferentes a todo tipo de diferenças. Tudo dá na mesma! O amor aos pais e o amor, por exemplo, às tartarugas, ao se equipararem, tornam-se clamorosas indiferenças e injustiças.

Jürgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão, herdeiro da Escola de Frankfurt está redescobrindo a importância das religiões e especialmente a do cristianismo. O recente Habermas, que se considera como um pensador pós-metafísico, a princípio não crente, defende que a sociedade democrática e liberal deve possuir um fundamento não religioso, porém, tem a convicção de que a religião exerce um papel insubstituível, pois, segundo ele, toda sociedade se apoia em “uma solidariedade que não se pode impor com leis”, e salienta que é necessário fundamentar a sociedade “não só no próprio interesse legítimo, mas direcionando-se ao bem comum”. Não apenas baseando-se na vontade consensual, porquanto, – numa sociedade em que nada há de firme -, em termos de critérios vinculantes -, apenas resta a possibilidade vinculante externa por meio das leis positivas e não por nenhum tipo de valor em si das ações. Em outras palavras a bondade do comportamento do amor e respeito aos pais, nesta ótica, não tem valor em si, mas a partir apenas de uma vontade consensual. Habermas postula que a vida em sociedade não pode se limitar à promoção das obrigações meramente externas, mas deve abrir-se à dimensão ética – aos compromissos morais vinculantes de caráter universal -, contando com a religião. Destaca Habermas: “Contra um abstencionismo ético de um pensamento pós-metafísico que abre mão de qualquer conceito universalmente vinculante de vida boa e exemplar, nas escrituras sagradas e nas tradições religiosas que foram articuladas, transliteradas com sutileza e conservadas por milênios hermeneuticamente vivas as intuições de culpa, redenção e salvação graças ao abandono de uma vida percebida como iníqua. Por isso na vida das comunidades religiosas (…) pode permanecer intacta alguma coisa que, alhures, se tenha perdido e é relevante para o ser humano”.

Os vínculos com o sagrado, requeridos pela religião, municiam a vida com as orientações e critérios que ajudam a tomar decisões orientadas para o bem-viver – a vida virtuosa- fundamental para sustentar, alimentar e fazer crescer qualquer forma de convivência humana. A nova sensibilidade religiosa necessita urgentemente de fundamentação em bases morais seguras.

Paulo Sertek Doutor em educação

Autor do livro Responsabilidade Social e Competência Interpessoal Ed. Intersaberes.

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Nova sensibilidade religiosa

Por paulosertek em Cidadania, Educação, Política, Religião, Responsabilidade Social

05 de Março de 2019

Na atualidade observam-se dois fenômenos de certa magnitude: o primeiro é o da secularização, e outro, concomitante, o do ressurgimento de uma nova sensibilidade religiosa. A secularização equivale à privatização do sagrado, ao reduto particular de cada cidadão, com suas crenças, e reduz-se consequentemente o espaço público permitido ao ato religioso.

Ao mesmo tempo, dissemina-se o sentimento religioso subjetivo, de contornos pouco definidos, em geral de conteúdo moral débil, marcado pelo sentimento religioso cosmético, em que se ausentam os critérios morais vinculantes. O filósofo Zygmunt Bauman, pensa, em vez de chamar pós-modernidade, à situação atual em que “a incerteza é a única certeza”, prefere chamá-la de “modernidade líquida”, porquanto se abandonaram os pontos de referência e critérios orientadores da conduta.

Atualmente constata-se que o mais determinante da conduta é o sentimentalismo extremamente flexível e mutável.
A nova religiosidade assemelha-se à satisfação das necessidades de consciência de ocasião, como as de objetos descartáveis. Equipara-se à religiosidade de “supermercado”, cujo fim nada mais serve senão para aquietar as próprias culpas e faltas de sentido e de critério de vida, que povoam as mentes em nossa sociedade.

A religiosidade de “supermercado” valoriza a convivência do plural e da diversidade, o que é muito bom e é sinal de tolerância; não obstante, como não se acredita em nenhum tipo de identidade, tudo acaba valendo o mesmo, o que aniquila a diferenciação antropológica entre virtudes e vícios.

A fidelidade matrimonial e a dedicação para formar os filhos com sacrifício equiparam-se ao mesmo nível moral do amor fugaz e sem responsabilidade. É uma época de grandes sensibilidades e de grandes indiferenças. Dá-se valor muito positivo às diferenças individuais comportamentais, não obstante, nutre-se a indiferença às diferentes opções. Todas as coisas dão mais ou menos na mesma; já não há um melhor ou pior. Apenas há liberdades de escolha, e enquanto tais ganham por si próprias a categoria de ações valorosas, tornando-nos forçosamente indiferentes a todo tipo de diferenças. Tudo dá na mesma! O amor aos pais e o amor, por exemplo, às tartarugas, ao se equipararem, tornam-se clamorosas indiferenças e injustiças.

Jürgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão, herdeiro da Escola de Frankfurt está redescobrindo a importância das religiões e especialmente a do cristianismo. O recente Habermas, que se considera como um pensador pós-metafísico, a princípio não crente, defende que a sociedade democrática e liberal deve possuir um fundamento não religioso, porém, tem a convicção de que a religião exerce um papel insubstituível, pois, segundo ele, toda sociedade se apoia em “uma solidariedade que não se pode impor com leis”, e salienta que é necessário fundamentar a sociedade “não só no próprio interesse legítimo, mas direcionando-se ao bem comum”. Não apenas baseando-se na vontade consensual, porquanto, – numa sociedade em que nada há de firme -, em termos de critérios vinculantes -, apenas resta a possibilidade vinculante externa por meio das leis positivas e não por nenhum tipo de valor em si das ações. Em outras palavras a bondade do comportamento do amor e respeito aos pais, nesta ótica, não tem valor em si, mas a partir apenas de uma vontade consensual. Habermas postula que a vida em sociedade não pode se limitar à promoção das obrigações meramente externas, mas deve abrir-se à dimensão ética – aos compromissos morais vinculantes de caráter universal -, contando com a religião. Destaca Habermas: “Contra um abstencionismo ético de um pensamento pós-metafísico que abre mão de qualquer conceito universalmente vinculante de vida boa e exemplar, nas escrituras sagradas e nas tradições religiosas que foram articuladas, transliteradas com sutileza e conservadas por milênios hermeneuticamente vivas as intuições de culpa, redenção e salvação graças ao abandono de uma vida percebida como iníqua. Por isso na vida das comunidades religiosas (…) pode permanecer intacta alguma coisa que, alhures, se tenha perdido e é relevante para o ser humano”.

Os vínculos com o sagrado, requeridos pela religião, municiam a vida com as orientações e critérios que ajudam a tomar decisões orientadas para o bem-viver – a vida virtuosa- fundamental para sustentar, alimentar e fazer crescer qualquer forma de convivência humana. A nova sensibilidade religiosa necessita urgentemente de fundamentação em bases morais seguras.

Paulo Sertek Doutor em educação

Autor do livro Responsabilidade Social e Competência Interpessoal Ed. Intersaberes.