Publicidade

Blog Paulo Sertek

por Paulo Sertek

#liberdade

Educação e o reino das sensações

Por paulosertek em Cultura, Desenvolvimento Pessoal, Educação, virtude

01 de junho de 2019

A cultura genuína provê o ser humano dos conhecimentos e dos valores existenciais que permitem uma forma de viver que ultrapasse o reino das sensações. Ortega y Gasset compara a cultura a um instrumento de sobrevivência no meio da correnteza que são as sensações e solicitações das realidades mutáveis. Associa a uma prancha que permite flutuar e navegar sobre a fugacidade do reino das sensações e dá a possibilidade de viver humanamente.

Verifica-se quase sempre que a pressão do consumismo impele a uma vida humana imersa no reino das sensações imediatas, porém, o característico do homem é o definir-se como ser racional, portanto dotado de liberdade. Seria sinal de liberdade deixar-se levar pela correnteza das sensações, mas isto não significa que seja verdadeira liberdade, pois, se a correnteza levasse para a morte, esta escolha não seria verdadeiramente livre.

Os mecanismos da sociedade de consumo adestram contingentes enormes de indivíduos ao comportamento de atração-impulso-consumo, mais ou menos consciente e a produção de pessoas que se transformam em máquinas-de-desejo.

A habituação a ter ao alcance da mão absolutamente tudo o que se deseja gera pessoas descontentes de tudo e insaciáveis, especialmente, entre o segmento da população mais desafogado financeiramente, e de forma mais envolvente as crianças, adolescentes e jovens. As privações e contrariedades desestruturam o seu estado de animo.

Fenômeno muito atual são: a crescente imaturidade, a fragilidade diante das dificuldades e as variações de humor por não se saber lidar com as renuncias.

Para os educadores vale a pena a formulação do diagnóstico preventivo desta doença da vontade que evolui progressivamente, com as doses de condescendência, facilidade, moleza de caráter, consumo fácil, entre outros.

Oportuno considerar a abordagem da educação da liberdade de forma permanente, na medida em que, a liberdade é conquistada por meio de escolhas virtuosas e por vezes requerem a renuncia do mais agradável.

 

Paulo Sertek

Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).

Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.

Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Confira o livro do autor

Editora Intersaberes

Responsabilidade Social e Competência Interpessoal

http://www.intersaberes.com/item-catalogo/responsabilidade-social-e-competencia-interpessoal/

 

Autor: Paulo Sertek Dr
Editora Intersaberes

Publicidade

Faz o que quiseres!

Por paulosertek em Educação

14 de Fevereiro de 2019

Agostinho utiliza a expressão: “Ama e faz o que quiseres”. Aparentemente o autor das Confissões está sendo condescendente, e talvez alguém julgasse que ele “liberou o geral”. O amor acabaria justificando tudo, a ponto de se afirmar que o importante é fazer tudo com amor.

Convém pensar que dentro da ótica agostiniana Amar é idêntico ao conceito de querer o bem, querer o que é bom, enfim querer o bem viver. Com a palavra Amor refere-se à aspiração de todo ser humano ao ideal de excelência comportamental, como por exemplo: não dar no mesmo ser generoso com os outros que ser egoísta; ser leal a preferir contemporizar e mentir. Amar é uma prática que vai de mão dada à virtude. Outro conceito importante é o da virtude que inclina o ser humano a cultivar o melhor de si.

É necessário refletir sobre o “faz o que quiseres”, pois a primeira vista poderia se entender como escolher o que dá na “telha”, isto é, o que quiser sem mais considerações. Uma coisa é a liberdade de arbítrio: “fazer o que dá na telha”. Outra é a liberdade sustentável, que exige escolhas que afiançam a liberdade futura. Sempre que se escolhe algo que favoreça a pratica da virtude, ou do bem, resulta no aumento da autodeterminação na bondade.

Compreende-se melhor esta questão pensando que, na nossa inteligência, ainda que se pensasse que falar mal dos outros fosse algo salutar, este conhecimento não seria verdadeiro conhecimento. Escolher o mal pode ser sinal de que há liberdade na vontade, porém não é verdadeira liberdade. A liberdade genuína se verifica pela categoria de vínculos que uma pessoa escolhe durante a sua existência.

O uso continuado da liberdade na escolha dos atos maus geram os vícios, o que redunda em uma diminuição progressiva da liberdade. É o que se observa com a preguiça que, ao dominar progressivamente a conduta da pessoa conduz à condição de escravidão, pois já não consegue fazer o que verdadeiramente quer.

Quem Ama, quer de verdade por meio das virtudes, e por isso pode fazer o que quiser!

Paulo Sertek é doutor em educação e autor do livro Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download: https://goo.gl/DpKN4b

confira o meu video

leia tudo sobre

Publicidade

Faz o que quiseres!

Por paulosertek em Educação

14 de Fevereiro de 2019

Agostinho utiliza a expressão: “Ama e faz o que quiseres”. Aparentemente o autor das Confissões está sendo condescendente, e talvez alguém julgasse que ele “liberou o geral”. O amor acabaria justificando tudo, a ponto de se afirmar que o importante é fazer tudo com amor.

Convém pensar que dentro da ótica agostiniana Amar é idêntico ao conceito de querer o bem, querer o que é bom, enfim querer o bem viver. Com a palavra Amor refere-se à aspiração de todo ser humano ao ideal de excelência comportamental, como por exemplo: não dar no mesmo ser generoso com os outros que ser egoísta; ser leal a preferir contemporizar e mentir. Amar é uma prática que vai de mão dada à virtude. Outro conceito importante é o da virtude que inclina o ser humano a cultivar o melhor de si.

É necessário refletir sobre o “faz o que quiseres”, pois a primeira vista poderia se entender como escolher o que dá na “telha”, isto é, o que quiser sem mais considerações. Uma coisa é a liberdade de arbítrio: “fazer o que dá na telha”. Outra é a liberdade sustentável, que exige escolhas que afiançam a liberdade futura. Sempre que se escolhe algo que favoreça a pratica da virtude, ou do bem, resulta no aumento da autodeterminação na bondade.

Compreende-se melhor esta questão pensando que, na nossa inteligência, ainda que se pensasse que falar mal dos outros fosse algo salutar, este conhecimento não seria verdadeiro conhecimento. Escolher o mal pode ser sinal de que há liberdade na vontade, porém não é verdadeira liberdade. A liberdade genuína se verifica pela categoria de vínculos que uma pessoa escolhe durante a sua existência.

O uso continuado da liberdade na escolha dos atos maus geram os vícios, o que redunda em uma diminuição progressiva da liberdade. É o que se observa com a preguiça que, ao dominar progressivamente a conduta da pessoa conduz à condição de escravidão, pois já não consegue fazer o que verdadeiramente quer.

Quem Ama, quer de verdade por meio das virtudes, e por isso pode fazer o que quiser!

Paulo Sertek é doutor em educação e autor do livro Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download: https://goo.gl/DpKN4b

confira o meu video