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Blog Paulo Sertek

por Paulo Sertek

#política

Prudência e o bom governante

Por paulosertek em Comportamento, Ética na política, Liderança, Política, virtude

09 de agosto de 2019

Com a inteligência esclarecida, o conselho oportuno, e sendo pessoa de juízo, poupa-se muita dor de cabeça. Vale como referência a máxima do carpinteiro: “é necessário medir duas vezes e serrar somente uma”. É decisiva a ponderação para tomar a boa decisão, pois, a experiência circunstanciada na aprendizagem vivencial favorece a qualidade que os antigos gregos denominavam de sofrosine que se traduz por prudência, ou sabedoria.

Tomás de Aquino ensina na Suma Teológica que a prudentia se compõe fundamentalmente de três atos-chave: conhecer a realidade, julgar sobre a forma mais conveniente de agir e realizar efetivamente o que se decide.

A fase do conhecimento é a deliberação amadurecida: uma avaliação das situações da forma o mais objetiva possível. Para o juízo sobre a conveniência de uma determinada atuação é imprescindível ter critérios de referência, que dão apoio a juízos mais seguros sobre as possíveis decisões, como por exemplo: o critério-chave da defesa da vida, ou o que rege a segurança das construções, de que: o critério econômico não pode colocar em risco a idoneidade de uma construção prejudicando a segurança humana.

Os médicos seguem o critério do “primum non nocere”, primeiro não prejudicar, que se deve aplicar com mais força nas decisões de governo.

Para um determinado tipo de problema e suas circunstâncias, a pessoa prudente é a que ganha experiência nas pequenas ações diárias, aplicando os critérios mais adequados, e aprendendo no pequeno, obterá uma melhor capacidade de governo em situações conflitivas.

A prudência é uma virtude que se adquire por meio da serenidade e se distancia do governo guiado pela irreflexão.

Não haveria boa decisão se, depois de deliberar e julgar com critério adequado, a pessoa atuasse por influência do medo, da preguiça, da ira, e de outros vícios. Decidir-se bem requer a prática das quatro virtudes morais: prudência, justiça, fortaleza e temperança ou autodomínio. Não basta que alguém tenha boas intenções para ser um bom governante. 

Paulo Sertek

Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela

Escola de Engenharia Maua (SP).

Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.

Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Sobre a virtude da prudência consulte o livro do autor:

Autor: Paulo Sertek Dr
Editora Intersaberes

Responsabilidade Social e Competência Interpessoal

http://www.intersaberes.com/item-catalogo/responsabilidade-social-e-competencia-interpessoal/

 

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Sem negociar a ética

O empreendedor-servidor é o que se entrega a iniciativas de valor social e se afasta da busca de um resultado da virtude que morre em si próprio. Líder-magnânimo pauta o seu comportamento pela excelência e excede-se no cumprimento dos deveres.

Magnanimidade, como ensina Aristóteles, é o ornamento das virtudes, e reluz como a qualidade dos que têm alma grande e desejo de fazer o bem a serviço de causas nobres e que repelem instintivamente o simplesmente fazer, rejeitam a pequenez de coração e não cedem ao rebaixamento negligente dos seus compromissos.

Os estudos biográficos de personalidades dos mais diferentes estilos permitem descobrir como esta qualidade aumenta significativamente o poder de incutir a visão de futuro.

Convêm ressaltar, entre outros, o empreendedor modelar que foi Jorge Lacerda-ex-gov SC, inspirador de várias gerações por meio dos seus conselhos, obras e ações, e que, ainda hoje estimula os que pretendem dar um pouco mais de si às causas nobres.

Adonias Filho, na sua nota sobre Jorge Lacerda, na introdução do livro póstumo de Jorge Lacerda, Democracia e Nação, organizado por Nereu Corrêa diz que: Jorge Lacerda era um católico, e no seu discurso sobre os soldados de Cristo – que se completa ao reivindicar a reconstrução do homem no sentido do espírito-, confirmando a consciência em sua fé, transmitia com valor ortodoxo o respeito à pessoa humana.

Jorge Lacerda sobressai como um grande temperamento, forjador de líderes, líder transformador e multiplicador das energias criadoras de cada pessoa. Nos deixa o legado: nas decisões que tomava enquanto político, tanto no legislativo como no executivo, observava-se um talento raro para harmonizar os resultados imediatos à visão de conjunto, de modo a não condicionar os frutos de longo prazo aos dividendos políticos mais vistosos. O seu perfil de estadista revela-se, sobretudo pela constância em agir, além das condições puramente efêmeras ao visar os frutos duradouros, sem transigir nas questões de valor ético.

Confira aqui o perfil de Jorge Lacerda.

Paulo Sertek

Doutor em Educação pela UFPR, Mestre em Tecnologia e Desenvolvimento pela UTFPR, Engenheiro Mecânico pela Escola de Engenharia Maua (SP).

Diplomado pelo ISE-IESE no Program for Management Development.

Professor do Centro Universitário da Grande Fortaleza – UNIGRANDE

Confira o livro do autor aqui:

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura

disponível para download:  https://goo.gl/DpKN4b

Jorge Lacerda: Uma luminosa mensagem de cultura. Autor: Paulo Sertek. Ano: 2015 São Paulo. Editora: Cultor de Livros

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Nova sensibilidade religiosa

Por paulosertek em Cidadania, Educação, Política, Religião, Responsabilidade Social

05 de Março de 2019

Na atualidade observam-se dois fenômenos de certa magnitude: o primeiro é o da secularização, e outro, concomitante, o do ressurgimento de uma nova sensibilidade religiosa. A secularização equivale à privatização do sagrado, ao reduto particular de cada cidadão, com suas crenças, e reduz-se consequentemente o espaço público permitido ao ato religioso.

Ao mesmo tempo, dissemina-se o sentimento religioso subjetivo, de contornos pouco definidos, em geral de conteúdo moral débil, marcado pelo sentimento religioso cosmético, em que se ausentam os critérios morais vinculantes. O filósofo Zygmunt Bauman, pensa, em vez de chamar pós-modernidade, à situação atual em que “a incerteza é a única certeza”, prefere chamá-la de “modernidade líquida”, porquanto se abandonaram os pontos de referência e critérios orientadores da conduta.

Atualmente constata-se que o mais determinante da conduta é o sentimentalismo extremamente flexível e mutável.
A nova religiosidade assemelha-se à satisfação das necessidades de consciência de ocasião, como as de objetos descartáveis. Equipara-se à religiosidade de “supermercado”, cujo fim nada mais serve senão para aquietar as próprias culpas e faltas de sentido e de critério de vida, que povoam as mentes em nossa sociedade.

A religiosidade de “supermercado” valoriza a convivência do plural e da diversidade, o que é muito bom e é sinal de tolerância; não obstante, como não se acredita em nenhum tipo de identidade, tudo acaba valendo o mesmo, o que aniquila a diferenciação antropológica entre virtudes e vícios.

A fidelidade matrimonial e a dedicação para formar os filhos com sacrifício equiparam-se ao mesmo nível moral do amor fugaz e sem responsabilidade. É uma época de grandes sensibilidades e de grandes indiferenças. Dá-se valor muito positivo às diferenças individuais comportamentais, não obstante, nutre-se a indiferença às diferentes opções. Todas as coisas dão mais ou menos na mesma; já não há um melhor ou pior. Apenas há liberdades de escolha, e enquanto tais ganham por si próprias a categoria de ações valorosas, tornando-nos forçosamente indiferentes a todo tipo de diferenças. Tudo dá na mesma! O amor aos pais e o amor, por exemplo, às tartarugas, ao se equipararem, tornam-se clamorosas indiferenças e injustiças.

Jürgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão, herdeiro da Escola de Frankfurt está redescobrindo a importância das religiões e especialmente a do cristianismo. O recente Habermas, que se considera como um pensador pós-metafísico, a princípio não crente, defende que a sociedade democrática e liberal deve possuir um fundamento não religioso, porém, tem a convicção de que a religião exerce um papel insubstituível, pois, segundo ele, toda sociedade se apoia em “uma solidariedade que não se pode impor com leis”, e salienta que é necessário fundamentar a sociedade “não só no próprio interesse legítimo, mas direcionando-se ao bem comum”. Não apenas baseando-se na vontade consensual, porquanto, – numa sociedade em que nada há de firme -, em termos de critérios vinculantes -, apenas resta a possibilidade vinculante externa por meio das leis positivas e não por nenhum tipo de valor em si das ações. Em outras palavras a bondade do comportamento do amor e respeito aos pais, nesta ótica, não tem valor em si, mas a partir apenas de uma vontade consensual. Habermas postula que a vida em sociedade não pode se limitar à promoção das obrigações meramente externas, mas deve abrir-se à dimensão ética – aos compromissos morais vinculantes de caráter universal -, contando com a religião. Destaca Habermas: “Contra um abstencionismo ético de um pensamento pós-metafísico que abre mão de qualquer conceito universalmente vinculante de vida boa e exemplar, nas escrituras sagradas e nas tradições religiosas que foram articuladas, transliteradas com sutileza e conservadas por milênios hermeneuticamente vivas as intuições de culpa, redenção e salvação graças ao abandono de uma vida percebida como iníqua. Por isso na vida das comunidades religiosas (…) pode permanecer intacta alguma coisa que, alhures, se tenha perdido e é relevante para o ser humano”.

Os vínculos com o sagrado, requeridos pela religião, municiam a vida com as orientações e critérios que ajudam a tomar decisões orientadas para o bem-viver – a vida virtuosa- fundamental para sustentar, alimentar e fazer crescer qualquer forma de convivência humana. A nova sensibilidade religiosa necessita urgentemente de fundamentação em bases morais seguras.

Paulo Sertek Doutor em educação

Autor do livro Responsabilidade Social e Competência Interpessoal Ed. Intersaberes.

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Artimanhas e falsidades: até quando?

Por paulosertek em Cidadania, Educação, Política

03 de Março de 2019

O discurso político pode se transformar numa técnica cheia de falsidade quando a palavra é semeada mais para confundir do que para esclarecer. Por isso, Platão no diálogo de Sócrates com Fedro sobre a verdade se refere ao mito de Adônis (amante de Afrodite) morto num acidente de caça, e Zeus, a pedido dela, permite que Adônis ressurja do reino dos mortos durante a metade do ano. Os gregos comemoravam o ressurgimento de Adônis, semeando nos conhecidos “Jardins de Adônis”. Eram jardins falsos, porquanto durante os festejos colocavam-se sementes de fácil crescimento em vasos dispostos nos lugares semelhantes a estufas, e as plantas cresciam rapidamente. Com a mesma brevidade que se desenvolviam, também morriam. Esta é a figura que representa bem os políticos atuais que tem lábia apenas para obter os votos nas eleições.

Também conta-se na mitologia que Prometeu foi ao Olimpo, à morada dos deuses, entrou astuciosamente e furtou o fogo de Vulcano (deus das técnicas) e a inteligência de Atena. A posse da inteligência e o domínio do fogo pelas técnicas tornariam o homem capaz de se defender dos outros animais que possuíam garras, mandíbulas fortes, pele grossa, e não passariam fome seriam capazes de prover suas necessidades através do trabalho.

No mito de Prometeu, verifica-se a insuficiência destas técnicas, pois são capacidades cegas e requerem as qualidades do coração humano como são a sabedoria e a justiça. As virtudes políticas não se desenvolvem como as sementes dos jardins de Adônis, somente chegam aos frutos através de honestidade e um trabalho perseverante. A educação política se faz através de exemplos de sacrifício e esforço continuados. A mentira dos jardins de Adônis desenvolve-se rapidamente na camuflagem das barbaridades realizadas nos recantos do poder com a manipulação da verdade fingindo-se defender os princípios de justiça e de liberdade.

Tesouro perene está no cultivo esforçado das virtudes políticas por todos os cidadãos e as artimanhas não transformam um grupo de pessoas em um povo com visão de futuro. Lembro-me de ter ficado impressionado com umas palavras de Jorge Lacerda (ex-gov SC), pois destacava que: “As nações sobrevivem na história, não pelos seus efêmeros empreendimentos materiais, mas, sobretudo, pela marca inapagável que sua cultura deixa na face do tempo”.

Temos de repudiar os poderosos que se nutrem da astúcia e das artimanhas de Prometeu e semeiam a falsidade dos jardins de Adônis, porquanto os frutos da verdadeira democracia crescem sob o cultivo da Justiça e da Liberdade. Quanto deve fascinar a excelência da Justiça, como desejava Rui Barbosa: “mais alta que a coroa dos reis e tão pura quanto as coroas dos santos.”

Download gratuito do livro do autor:
JORGE LACERDA: UMA LUMINOSA MENSAGEM DE CULTURA,

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Aprender com Jorge Lacerda

Por paulosertek em Educação, Política

15 de Fevereiro de 2019

Um exemplo marcante, uma narrativa expressiva provoca uma impressão permanente. Os modelos de atuação são mobilizadores do aprendizado.

Sugiro a leitura, no link abaixo, do livro de minha autoria sobre Jorge Lacerda ex-governador de Santa Catarina, pois visa o desenvolvimento do intelectual que pretende ampliar a sua participação na construção democrática. Esta produção literária é o resultado de quatro anos de pesquisa no doutorado da UFPR e outros três anos de estudos sobre as contribuições de Jorge Lacerda para a educação e política. Chegamos nesta pesquisa exploratória a respostas sobre os conhecimentos e as habilidades intelectuais e sociopolíticas que foram orientadoras desta personalidade marcante da história política brasileira.

Fiquei admirado nesta pesquisa sobre como a aprendizagem vivencial contribuiu para a construção da sua personalidade política. Dizia ele: “aprendi no contato com as nossas palpitantes realidades, diretamente com o povo.”

Já como deputado federal em 1950 soube que em São Joaquim SC havia um lavrador, o Senhor João, que tinha perdido sua esposa e filha de forma traumática e que mantinha com enorme fortaleza seus oito filhos. Depois de ter-se informado bem do sitio em que morava para lá rumou. O camponês, às seis e meia de um amanhecer extremamente frio, ao abrir a porta de sua cabana deparou-se, sentado na escada, com um homem elegantemente vestido com sobretudo preto, terno escuro e gravata, a cabeça coberta por elegante chapéu que imediatamente retirou ao se levantar, sorriu e disse:

-“Bom dia; meu nome é Jorge Lacerda. Estou aqui para buscar energia e inspirar-me em seu exemplo de homem e pai. O senhor me dá a honra de partilhar o seu chimarrão e o seu café da manhã?” Deste momento em diante firmou uma amizade que perdurou por toda a vida!

O trabalho nesta pesquisa foi o de garimpar quais foram as ideias, exemplos, práticas de virtude e anseios que levaram a um intelectual atuar como político.

Por que não aprender com Jorge Lacerda?

Paulo Sertek é doutor em educação e autor do livro Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download: Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura
Autor: Paulo Sertek
Ed.: Cultor de Livros
São Paulo, 2015


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Aprender com Jorge Lacerda

Por paulosertek em Educação, Política

15 de Fevereiro de 2019

Um exemplo marcante, uma narrativa expressiva provoca uma impressão permanente. Os modelos de atuação são mobilizadores do aprendizado.

Sugiro a leitura, no link abaixo, do livro de minha autoria sobre Jorge Lacerda ex-governador de Santa Catarina, pois visa o desenvolvimento do intelectual que pretende ampliar a sua participação na construção democrática. Esta produção literária é o resultado de quatro anos de pesquisa no doutorado da UFPR e outros três anos de estudos sobre as contribuições de Jorge Lacerda para a educação e política. Chegamos nesta pesquisa exploratória a respostas sobre os conhecimentos e as habilidades intelectuais e sociopolíticas que foram orientadoras desta personalidade marcante da história política brasileira.

Fiquei admirado nesta pesquisa sobre como a aprendizagem vivencial contribuiu para a construção da sua personalidade política. Dizia ele: “aprendi no contato com as nossas palpitantes realidades, diretamente com o povo.”

Já como deputado federal em 1950 soube que em São Joaquim SC havia um lavrador, o Senhor João, que tinha perdido sua esposa e filha de forma traumática e que mantinha com enorme fortaleza seus oito filhos. Depois de ter-se informado bem do sitio em que morava para lá rumou. O camponês, às seis e meia de um amanhecer extremamente frio, ao abrir a porta de sua cabana deparou-se, sentado na escada, com um homem elegantemente vestido com sobretudo preto, terno escuro e gravata, a cabeça coberta por elegante chapéu que imediatamente retirou ao se levantar, sorriu e disse:

-“Bom dia; meu nome é Jorge Lacerda. Estou aqui para buscar energia e inspirar-me em seu exemplo de homem e pai. O senhor me dá a honra de partilhar o seu chimarrão e o seu café da manhã?” Deste momento em diante firmou uma amizade que perdurou por toda a vida!

O trabalho nesta pesquisa foi o de garimpar quais foram as ideias, exemplos, práticas de virtude e anseios que levaram a um intelectual atuar como político.

Por que não aprender com Jorge Lacerda?

Paulo Sertek é doutor em educação e autor do livro Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura, disponível para download: Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura

Jorge Lacerda: uma luminosa mensagem de cultura
Autor: Paulo Sertek
Ed.: Cultor de Livros
São Paulo, 2015