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Blog Paulo Sertek

por Paulo Sertek

#Roberto Westrupp

Memórias de Jorge Lacerda – Uma época de ouro na política catarinense

Por paulosertek em Cidadania, Cultura, Jorge Lacerda, Política

16 de dezembro de 2019

Assinada por neto, biografia do ex-governador Jorge Lacerda ganha novos detalhes

Resultado de 22 anos de pesquisas, obra traz memórias e acervo da família sobre um dos governadores mais populares que Santa Catarina já teve

PAULO CLÓVIS SCHMITZ, FLORIANÓPOLIS14/12/2019 ÀS 11H37

Muito já se escreveu sobre Jorge Lacerda, um dos governadores mais populares e carismáticos que Santa Catarina já teve, mas a curiosidade aumenta quando a iniciativa de acrescentar novos elementos à trajetória pública e pessoal do político vem de alguém da família. É o que está acontecendo agora com a publicação do livro “Memórias de Jorge Lacerda – Uma época de ouro na política catarinense”, de Roberto Westrupp. O autor é neto do ex-governador e contou com as memórias e o acervo da família e muita obstinação (foram 22 anos de pesquisas!) para ir além do que já era conhecido, produzindo uma obra diferente, uma biografia póstuma eivada de referências afetivas, que foi lançada no dia 11, quarta-feira, no Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis.

Última foto de Jorge Lacerda, um dos mais populares e carismáticos governadores que Santa Catarina já teve – Foto: Reprodução/ND

Roberto Westrupp é administrador, mas já havia produzido um documentário sobre o avô e viu que tinha material suficiente para levar a empreitada adiante. Parte do estímulo veio de Kyrana Lacerda, mulher do ex-governador, que em almoços com os filhos, genros e netos costumava falar dos discursos do marido, guardados em algum canto da casa. “Era material gravado pelas emissoras de rádio da época, convertido depois para CD, com pronunciamentos que traziam o tom poético do intelectual que ele foi”, diz o autor.

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A tragédia de 16 de junho de 1958, quando o avião em que estavam Lacerda, Nereu Ramos e Leoberto Leal caiu perto de Curitiba, interrompeu a trajetória política do governador, mas a reverência ao seu nome e ao legado que deixou ainda aparece nas hostes parlamentares, na imprensa e na academia. Jornalista, ele tinha a leitura como paixão e foi amigo dos artistas e escritores do Grupo Sul, que trouxe o Modernismo para Santa Catarina quase três décadas depois que o movimento eclodiu em São Paulo, em 1922. E também foi um homem público preocupado com as desigualdades sociais, a ponto de abrir o palácio do governo para o povo, uma vez por semana, recebendo gente simples, assalariados, trabalhadores braçais e pessoas analfabetas.

Tragédia interrompeu carreira de Lacerda, Nereu Ramos e Leoberto Leal – Foto: Reprodução/ND

“Quando ele morreu, no exercício do mandato de governador, a dívida pública de Santa Catarina comprometia apenas 15% do orçamento”, informa Roberto Westrupp. Hoje, o Estado tem precária capacidade de investimento porque gasta demais com a amortização da dívida, a folha de pessoal, as aposentadorias e a sustentação da pesada máquina administrativa.

Integralismo e antipatia por Getúlio Vargas

Jorge Lacerda nasceu em 1914 em Paranaguá (PR), mas seus pais eram da ilha grega de Kastelórizo, próxima à Turquia, na encruzilhada entre Ocidente e Oriente. A história impôs muitos desafios aos moradores da região, dominados durante séculos pelo império turco-otomano, mas que não perderam as principais referências de sua cultura. “Savas Lakerdis, bisavô paterno de Jorge Lacerda, por causa da opressão turca mudou o seu sobrenome Komninos para Lakerdis – um derivado do peixe grego lakerda, seu apelido”, diz Roberto Westrupp no primeiro capítulo do livro. Logo após se casarem, os pais de Lacerda migraram para o Brasil, permanecendo no Paraná até se mudarem para Florianópolis, onde, em 1883, havia sido fundada a primeira colônia grega no Brasil.

Bem relacionado, o ex-governador posa com o ex-presidente Jânio Quadros – Foto: Reprodução/ND

Estudante aplicado e inteligente, Lacerda frequentou o Gymnásio Catharinense, e seus professores, vendo abertura para isso, lhe recomendavam leituras dos filósofos Aristóteles, Platão e Cícero. Fez medicina em Curitiba num momento delicado para o país, após a Revolução de 1930, a revolta dos constitucionalistas em São Paulo, a instalação do movimento integralista e a ascensão do comunismo e do proletariado urbano. O futuro governador catarinense mais tarde aderiu ao integralismo e nunca escondeu sua antipatia por Getúlio Vargas, a quem dedicou um poema crítico publicado em novembro de 1932, sob o pseudônimo de Greguinho.

O integralismo foi reprimido por Vargas, com a prisão de Plínio Salgado, e Lacerda, para não ter o mesmo destino, isolou-se em São Paulo, de onde foi para o Rio de Janeiro, então capital da República. Foi lá que abraçou a carreira de jornalista, no periódico “A Manhã”. Roberto Westrupp entrevistou figuras destacadas como a escritora Laurita Mourão, o ex-ministro João Paulo dos Reis Veloso e o escritor Ledo Ivo, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), para dar a real dimensão da passagem de Lacerda pelo Rio. “A partir do que ouvi, posso dizer que meu avô teve inimigos políticos, mas jamais perseguiu algum deles”, diz o autor.

EXPOSIÇÃO LACERDA DEZEMBRO 2019

https://ndmais.com.br/entretenimento/assinada-por-neto-biografia-do-ex-governador-jorge-lacerda-ganha-novos-detalhes/

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Memórias de Jorge Lacerda – Uma época de ouro na política catarinense

Por paulosertek em Cidadania, Cultura, Jorge Lacerda, Política

16 de dezembro de 2019

Assinada por neto, biografia do ex-governador Jorge Lacerda ganha novos detalhes

Resultado de 22 anos de pesquisas, obra traz memórias e acervo da família sobre um dos governadores mais populares que Santa Catarina já teve

PAULO CLÓVIS SCHMITZ, FLORIANÓPOLIS14/12/2019 ÀS 11H37

Muito já se escreveu sobre Jorge Lacerda, um dos governadores mais populares e carismáticos que Santa Catarina já teve, mas a curiosidade aumenta quando a iniciativa de acrescentar novos elementos à trajetória pública e pessoal do político vem de alguém da família. É o que está acontecendo agora com a publicação do livro “Memórias de Jorge Lacerda – Uma época de ouro na política catarinense”, de Roberto Westrupp. O autor é neto do ex-governador e contou com as memórias e o acervo da família e muita obstinação (foram 22 anos de pesquisas!) para ir além do que já era conhecido, produzindo uma obra diferente, uma biografia póstuma eivada de referências afetivas, que foi lançada no dia 11, quarta-feira, no Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis.

Última foto de Jorge Lacerda, um dos mais populares e carismáticos governadores que Santa Catarina já teve – Foto: Reprodução/ND

Roberto Westrupp é administrador, mas já havia produzido um documentário sobre o avô e viu que tinha material suficiente para levar a empreitada adiante. Parte do estímulo veio de Kyrana Lacerda, mulher do ex-governador, que em almoços com os filhos, genros e netos costumava falar dos discursos do marido, guardados em algum canto da casa. “Era material gravado pelas emissoras de rádio da época, convertido depois para CD, com pronunciamentos que traziam o tom poético do intelectual que ele foi”, diz o autor.

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A tragédia de 16 de junho de 1958, quando o avião em que estavam Lacerda, Nereu Ramos e Leoberto Leal caiu perto de Curitiba, interrompeu a trajetória política do governador, mas a reverência ao seu nome e ao legado que deixou ainda aparece nas hostes parlamentares, na imprensa e na academia. Jornalista, ele tinha a leitura como paixão e foi amigo dos artistas e escritores do Grupo Sul, que trouxe o Modernismo para Santa Catarina quase três décadas depois que o movimento eclodiu em São Paulo, em 1922. E também foi um homem público preocupado com as desigualdades sociais, a ponto de abrir o palácio do governo para o povo, uma vez por semana, recebendo gente simples, assalariados, trabalhadores braçais e pessoas analfabetas.

Tragédia interrompeu carreira de Lacerda, Nereu Ramos e Leoberto Leal – Foto: Reprodução/ND

“Quando ele morreu, no exercício do mandato de governador, a dívida pública de Santa Catarina comprometia apenas 15% do orçamento”, informa Roberto Westrupp. Hoje, o Estado tem precária capacidade de investimento porque gasta demais com a amortização da dívida, a folha de pessoal, as aposentadorias e a sustentação da pesada máquina administrativa.

Integralismo e antipatia por Getúlio Vargas

Jorge Lacerda nasceu em 1914 em Paranaguá (PR), mas seus pais eram da ilha grega de Kastelórizo, próxima à Turquia, na encruzilhada entre Ocidente e Oriente. A história impôs muitos desafios aos moradores da região, dominados durante séculos pelo império turco-otomano, mas que não perderam as principais referências de sua cultura. “Savas Lakerdis, bisavô paterno de Jorge Lacerda, por causa da opressão turca mudou o seu sobrenome Komninos para Lakerdis – um derivado do peixe grego lakerda, seu apelido”, diz Roberto Westrupp no primeiro capítulo do livro. Logo após se casarem, os pais de Lacerda migraram para o Brasil, permanecendo no Paraná até se mudarem para Florianópolis, onde, em 1883, havia sido fundada a primeira colônia grega no Brasil.

Bem relacionado, o ex-governador posa com o ex-presidente Jânio Quadros – Foto: Reprodução/ND

Estudante aplicado e inteligente, Lacerda frequentou o Gymnásio Catharinense, e seus professores, vendo abertura para isso, lhe recomendavam leituras dos filósofos Aristóteles, Platão e Cícero. Fez medicina em Curitiba num momento delicado para o país, após a Revolução de 1930, a revolta dos constitucionalistas em São Paulo, a instalação do movimento integralista e a ascensão do comunismo e do proletariado urbano. O futuro governador catarinense mais tarde aderiu ao integralismo e nunca escondeu sua antipatia por Getúlio Vargas, a quem dedicou um poema crítico publicado em novembro de 1932, sob o pseudônimo de Greguinho.

O integralismo foi reprimido por Vargas, com a prisão de Plínio Salgado, e Lacerda, para não ter o mesmo destino, isolou-se em São Paulo, de onde foi para o Rio de Janeiro, então capital da República. Foi lá que abraçou a carreira de jornalista, no periódico “A Manhã”. Roberto Westrupp entrevistou figuras destacadas como a escritora Laurita Mourão, o ex-ministro João Paulo dos Reis Veloso e o escritor Ledo Ivo, membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), para dar a real dimensão da passagem de Lacerda pelo Rio. “A partir do que ouvi, posso dizer que meu avô teve inimigos políticos, mas jamais perseguiu algum deles”, diz o autor.

EXPOSIÇÃO LACERDA DEZEMBRO 2019

https://ndmais.com.br/entretenimento/assinada-por-neto-biografia-do-ex-governador-jorge-lacerda-ganha-novos-detalhes/