Arquivos 1 de novembro de 2013 - Blog Verde 
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Blog Verde

por Nájila Cabral

1 de novembro de 2013

Convivência com a seca e combate à desertificação – parte 1

Por Nájila Cabral em Conservação da Natureza, Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente, Semiárido

01 de novembro de 2013

     Um dos primeiros contatos que eu tive com o tema da Seca, eu era ainda muito jovem, em idade escolar, com o romance da cearense Rachel de Queiroz, Seca do Quinze, que me causou forte impressão. Saber que a narrativa contava, de uma certa maneira, experiências da infância da autora me deixava perplexa! Saber que terras secas e clima semiárido ou árido eram vivências de milhares de pessoas me deixou pensativa.

     Um pouco mais adulta e já com as perspectivas profissionais se delineando para a área ambiental um pensamento era recorrente: o que fazer para auxiliar, para minimizar os conflitos e sofrimentos? De que maneira? É possível a convivência com a seca?

     Períodos prolongados de estiagem afligem o semiárido nordestino há tempos. Existem esforços em minimizar os efeitos da seca e viabilizar a convivência da população local com períodos das secas, que remontam o século XVII. “As primeiras referências à seca vêm de um período anterior a 1614, dos registros de uma mina de prospecção de esmeraldas no Vale do Rio São Francisco. Mas foi somente com a ocorrência da severa seca de 1877 que o governo brasileiro reconheceu oficialmente as secas do Nordeste como um problema nacional” (ROBOCK, 1992)

     Em 1992, aqui no Ceará, houve a ICID (Conferência Internacional sobre Impactos de Variações Climáticas e o Desenvolvimento Sustentável em regiões Semiáridas), no período de 27 de janeiro a 01º de fevereiro, no Centro de Convenções de Fortaleza. Centenas de pesquisadores, representantes da sociedade civil e do poder público do mundo inteiro, vindos de 45 países, estiveram reunidos discutindo a temática de desenvolvimento sustentável em regiões semiáridas.

     A Conferência ICID, que teve como Coordenador Geral o economista cearense, prof. Dr. Antônio Rocha Magalhães, produziu resultados e desdobramentos importantes. Um desses resultados foi que seus relatórios viabilizaram a elaboração do Projeto Áridas.

     Conforme o Observatório de Políticas Públicas (OPP), da Universidade Federal do Ceará (UFC), o Projeto Áridas tinha por objetivo traçar estratégias de desenvolvimento sustentável para o nordeste brasileiro, baseadas em critérios de uso sustentável de recursos naturais, sociais, econômicos e políticos. Para alcançar esse objetivo, o Projeto Áridas buscou um processo participativo entre entidades governamentais, não governamentais e a sociedade na tentativa de tornar eficaz essa política de desenvolvimento a qual deve obter resultados concretos e duráveis ao longo do tempo de análise. A abrangência temporal do Projeto Áridas era de 1993 a 2020. Mencionado projeto tornou-se referência para elaboração de políticas de desenvolvimento sustentável dentro da região, a exemplo do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Ceará, datado de 1995.

      Talvez, o resultado mais impactante da ICID 1992 foi o favorecimento da aprovação da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas (UNCCD) durante a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio92.

Fontes: Observatório de Políticas Públicas, da UFC

         ROBOCK, Stepan H. Algumas reflexões históricas sobre o desenvolvimento de uma importante região semiárida: o Nordeste do Brasil. Fortaleza: ICID/Fundação Grupo Esquel Brasil. Volume 11, 1992. pp 3501-3510

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Convivência com a seca e combate à desertificação – parte 1

Por Nájila Cabral em Conservação da Natureza, Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente, Semiárido

01 de novembro de 2013

     Um dos primeiros contatos que eu tive com o tema da Seca, eu era ainda muito jovem, em idade escolar, com o romance da cearense Rachel de Queiroz, Seca do Quinze, que me causou forte impressão. Saber que a narrativa contava, de uma certa maneira, experiências da infância da autora me deixava perplexa! Saber que terras secas e clima semiárido ou árido eram vivências de milhares de pessoas me deixou pensativa.

     Um pouco mais adulta e já com as perspectivas profissionais se delineando para a área ambiental um pensamento era recorrente: o que fazer para auxiliar, para minimizar os conflitos e sofrimentos? De que maneira? É possível a convivência com a seca?

     Períodos prolongados de estiagem afligem o semiárido nordestino há tempos. Existem esforços em minimizar os efeitos da seca e viabilizar a convivência da população local com períodos das secas, que remontam o século XVII. “As primeiras referências à seca vêm de um período anterior a 1614, dos registros de uma mina de prospecção de esmeraldas no Vale do Rio São Francisco. Mas foi somente com a ocorrência da severa seca de 1877 que o governo brasileiro reconheceu oficialmente as secas do Nordeste como um problema nacional” (ROBOCK, 1992)

     Em 1992, aqui no Ceará, houve a ICID (Conferência Internacional sobre Impactos de Variações Climáticas e o Desenvolvimento Sustentável em regiões Semiáridas), no período de 27 de janeiro a 01º de fevereiro, no Centro de Convenções de Fortaleza. Centenas de pesquisadores, representantes da sociedade civil e do poder público do mundo inteiro, vindos de 45 países, estiveram reunidos discutindo a temática de desenvolvimento sustentável em regiões semiáridas.

     A Conferência ICID, que teve como Coordenador Geral o economista cearense, prof. Dr. Antônio Rocha Magalhães, produziu resultados e desdobramentos importantes. Um desses resultados foi que seus relatórios viabilizaram a elaboração do Projeto Áridas.

     Conforme o Observatório de Políticas Públicas (OPP), da Universidade Federal do Ceará (UFC), o Projeto Áridas tinha por objetivo traçar estratégias de desenvolvimento sustentável para o nordeste brasileiro, baseadas em critérios de uso sustentável de recursos naturais, sociais, econômicos e políticos. Para alcançar esse objetivo, o Projeto Áridas buscou um processo participativo entre entidades governamentais, não governamentais e a sociedade na tentativa de tornar eficaz essa política de desenvolvimento a qual deve obter resultados concretos e duráveis ao longo do tempo de análise. A abrangência temporal do Projeto Áridas era de 1993 a 2020. Mencionado projeto tornou-se referência para elaboração de políticas de desenvolvimento sustentável dentro da região, a exemplo do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Ceará, datado de 1995.

      Talvez, o resultado mais impactante da ICID 1992 foi o favorecimento da aprovação da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas (UNCCD) durante a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio92.

Fontes: Observatório de Políticas Públicas, da UFC

         ROBOCK, Stepan H. Algumas reflexões históricas sobre o desenvolvimento de uma importante região semiárida: o Nordeste do Brasil. Fortaleza: ICID/Fundação Grupo Esquel Brasil. Volume 11, 1992. pp 3501-3510