Warning: Use of undefined constant S3_URL - assumed 'S3_URL' (this will throw an Error in a future version of PHP) in /home/tribu/public_html/blogs/wp-content/themes/2016_tribuna_blogs/functions.php on line 11
Arquivos Abril 2020 - Blog Verde 
Publicidade

Blog Verde

por Nájila Cabral

Abril 2020

Descarte de máscaras pela sociedade e a Covid-19

Por Nájila Cabral em Educação Ambiental, Impacto Ambiental, Meio Ambiente, Saúde Ambiental

29 de Abril de 2020

      Nem nos meus piores pesadelos, imaginei passarmos por uma situação de pandemia como a que estamos vivenciando, atualmente, no mundo inteiro. Os dados da Johns Hopkins University (2020) para hoje, 29 de abril de 2020, são estes: 3.187.030 casos confirmados da doença e 227.177 mortes por Covid-19, em 185 países (ver figura abaixo).

Fonte: Johns Hopkins University, 2020.

    O Brasil aparece nesse quadro com 78.162 casos confirmados e 5.466 mortos. O Ceará, hoje, tem 7.409 casos confirmados e 450 mortes, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (ver figura abaixo); o que nos leva a refletir sobre os caminhos que precisamos seguir para evitarmos mais contaminação e disseminação do novo Coronavírus (SARS-CoV-2).

Fonte: Secretaria da Saúde do Ceará, 2020.

     Em outras oportunidades, falamos um pouco sobre ausência ou a ineficiência do saneamento e a potencial contaminação do novo Coronavírus em esgotoem estação de tratamento de esgoto; nos resíduos sólidose na água para abastecimento.

     Importante frisar as medidas preventivas e que, segundo as autoridades sanitárias, são as ações que podem minimizar o risco de contaminação, a exemplo do distanciamento entre pessoas de, no mínimo, 2 metros; evitar contato direto, dentre outras (MS,2020).

     No Estado do Ceará, o Decreto Estadual no 33.544, de 19 de abril de 2020, prorrogou as medidas necessárias ao enfrentamento da pandemia da Covid-19 em âmbito estadual (CEARÁ, 2020). Dentro do escopo das medidas estão: prorrogação das vedações e demais disposições do Decreto Estadual no 33.519, de 19 de março de 2020, e alterações posteriores; evitar a aglomeração de pessoas e manter o distanciamento mínimo do público; uso obrigatório por todos os trabalhadores de máscaras de proteção, individuais ou caseiras. Além disso, o Decreto Estadual recomenda, fortemente, o uso de máscaras de proteção, industriais ou caseiras, por quem, durante a pandemia, precisar sair de suas residências, principalmente quando estiverem em espaço e locais públicos (Ar. 2o, CEARÁ, 2020).

     Vem, então, uma preocupação com o descarte dessas máscaras, pois representam alto risco potencial de contaminação, notadamente para os catadores de materiais recicláveis e para os trabalhadores da limpeza urbana, considerando que um dos veículos de contaminação são as gotículas de saliva (MS, 2020).

     A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), em seu documento “Recomendações para a gestão de resíduos em situação de pandemia por Coronavírus (Covid-19)”, informa que é de responsabilidade dos cidadãos acondicionar esse tipo de material, potencialmente contaminado, em sacos duplos: colocar as máscaras e outros materiais contaminados (como luvas, papéis sanitários, etc) em sacos de lixo resistentes e descartáveis, fechados com nó quando o saco tiver 2/3 de sua capacidade e colocá-lo dentro de outro saco, para, então, dispor no coletor, no horário da coleta regular (ABES, 2020).

     Nunca descartar diretamente em via pública ou em lixeiras. Não dispor entre os materiais recicláveis, pois ambas as situações incorrem em potencial risco de contaminação aos trabalhadores da limpeza urbana e aos catadores de materiais recicláveis.

     A Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Ceará faz, também, esse apelo pelo Facebook: “Preserve a vida dos catadores de recicláveis! Não descarte luvas e máscaras e outros EPIs diretamente nas vias públicas ou lixeiras sem proteção. Coloque num saco plástico bem fechado, no lixo comum. Nunca no lixo reciclável!” Aos interessados em acessar a mensagem da Secretaria de Meio Ambiente, cliquem aqui

     Se cada um fizer a sua parte, respeitando as condições e recomendações de higiene e segurança, diminuiremos o risco de disseminação e contaminação da Covid-19, bem como estaremos contribuindo para o respeito à vida e ao meio ambiente.

Referências:

ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. Recomendações para Gestão de Resíduos em situação de pandemia por Coronavírus (COVID-19). Rio de Janeiro, 2020.

CEARÁ. Decreto Estadual no 33.544, de 19 de abril de 2020. Prorroga, em âmbito estadual, as medidas necessárias ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, e dá outras providências. Fortaleza: DOE, 19 abr 2020.

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico COE- COVID-19. N. 5. COE. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, 2020b.

 

Publicidade

Água para abastecimento e COVID-19

     Um dos importantes aspectos do saneamento é a água potável para abastecimento humano. Água é vida. A Agenda 2030 traz como Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6, assegurar a disponibilidade e gestão sustentável de água e saneamento para todos. A meta nacional 6.1 é “até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo à água para consumo humano, segura e acessível para todos”.

     Em tempos de pandemia do novo Coronavírus (SARS-Cov-2) em que, reconhecidamente, a transmissão é alta e pode acontecer, segundo o Ministério da Saúde (2020) “por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra, semelhante à maneira como a influenza e outros patógenos respiratórios”, é preciso, também, atentar para a possibilidade de transmissão por via feco-oral (BOTTO, 2020, KWR, 2020).

     Conforme BOTTO (2020), “acredita-se que o risco de contaminação através de água de abastecimento público seja baixo. Até o momento o SARS-Cov-2 não foi detectado em sistemas de abastecimento”. Assim, a água para abastecimento humano deve ser disponibilizada com a qualidade compatível aos padrões de potabilidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, e também em consonância com Botto (2020), os sistemas de abastecimento público com processos de tratamento, incluindo a etapa de desinfecção, e bem operados inativam o vírus da Covid-19 (WHO, 2020; SOARES et al, 2020).

      Soares et al (2020) alertam para a obrigatoriedade de que as águas de abastecimento público recebam o tratamento com a etapa de desinfecção. Acrescentam os autores que as “águas provenientes de mananciais superficiais devem incluir os processos de filtração e desinfecção, cumprindo o que determina a Portaria de Consolidação MS no 5/2017” (SOARES et al, 2020).

     No entanto, o Brasil tem mais de 35 milhões de pessoas sem acesso à água tratada por rede geral, conforme o Instituto Trata Brasil (2020), o que deve preocupar autoridades locais (municípios), que são os responsáveis pelos serviços de saneamento. Para essas pessoas, os municípios devem ter olhar mais atencioso, em virtude da sugestão do contínuo risco de contaminação de pessoas sem acesso a água segura e de sistemas apropriados de disposição de excretas (BOTTO, 2020; SOARES et al, 2020).

     Naqueles locais que não tenham rede geral de abastecimento de água potável, Soares et al (2020) recomendam que se pode evitar a disseminação do novo Coronavírus nas próprias residências, adotando-se a adição de hipoclorito de sódio (2,5%), conforme dosagem especificada, a seguir, deixando a água em repouso por 30 (trinta) minutos, após a adição do hipoclorito:

– Para um volume de água de 1 litro, correspondente a 5 xícaras de chá, adicionar 0,08 mL de hipoclorito de sódio (2,5%). O volume de hipoclorito a ser adicionado corresponde a duas gotas.

     Os serviços de saneamento (água potável para abastecimento, coleta de resíduos sólidos, coleta e tratamento de esgoto) são essenciais e imprescindíveis, portanto não podem parar. Cabe aos gestores municipais a responsabilidade de manter esses serviços essenciais, bem como dar as condições para que as pessoas que não tem acesso a água potável por rede geral possam adotar, em suas casas, a solução de desinfecção da água de beber por hipoclorito de sódio, após filtração e fervura.

     Aos que queiram saber mais sobre as recomendações para prevenção da Covid-19 realizadas pela sala técnica do saneamento, acessem aqui.

Referências

BOTTO, Márcio. COVID-19 e o risco de transmissão por água e esgoto. Disponível em <https://www.linkedin.com/pulse/covid-19-e-o-risco-de-transmiss%25C3%25A3o-por-agua-esgoto-marcio-botto/?trackingId=8IAH1POzQs2w03bTzNQfcw%3D%3D>. Acesso em 31 mar 2020

Instituto Trata Brasil (2019) O que acontece quando não temos saneamento básico. Disponível em http://www.tratabrasil.org.br/blog/2019/07/05/o-que-acontece-quando-nao-temos-saneamentobasico/ Acesso em 02 abr 2020

KWR (2020). What we learn about Coronavirus through wastewater research. Disponível em <https://www.kwrwater.nl/en/actueel/what-can-we-learn-about-the-corona-virus-through-waste-water-research/> Acesso em 02 abr 2020

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico n. 2. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, fev. 2020

SOARES, Alexandra Fátima Saraiva; NUNES, Bárbara Caroline Ricci; SANTOS Caludoaldo Viana dos; COSTA, Flávia Cristina Rodrigues; SANTOS, Hélio Rodrigues dos; SILVA, Luís Fernando de Morais; SOUZA, Roseane Maria Garcia Lopes (organizadores). Recomendações para prevenção do contágio da Covid-19 (Novo Coronavírus – SARS-CoV-2) pela água e por esgoto doméstico. Disponível em http://www.mpc.sc.gov.br/download/recomendacoes-para-prevencao-do-contagio-da-covid-19-novo-coronavirus-sars-cov-2-pela-agua-e-por-esgoto-domestico/ Acesso em 04 abr 2020.

WHO (2020). Water, sanitation, hygiene, and waste management for the COVID-19 virus. Interim guidance 19 March 2020

Publicidade

Resíduos sólidos e COVID-19: risco de contaminação

Por Nájila Cabral em Impacto Ambiental, Meio Ambiente, Saúde Ambiental

04 de Abril de 2020

            O Saneamento Básico se constitui no conjunto de serviços e infraestruturas nas seguintes áreas: abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, drenagem das águas pluviais e manejo de resíduos sólidos. A Lei Federal no 11.455, de 05 de janeiro de 2007, estabeleceu a Política Federal de Saneamento Básico, determinando que os municípios são os responsáveis pela prestação dos serviços de saneamento. A população é partícipe nesse processo fazendo sua parte, a exemplo do descarte adequado de resíduos sólidos domiciliares para posterior coleta pública.

            Nos locais onde não há coleta regular de resíduos sólidos, neste momento de emergência sanitária e de calamidade pública advinda da pandemia do novo Coronavírus, é necessário que o poder público municipal tenha um olhar mais atento e demande esforços emergenciais para viabilizar a adequada gestão de resíduos sólidos.

            Há de se observar que, no quadro atual, o cuidado com higiene e limpeza precisa ser redobrado. Reconhecidamente, a COVID-19 ocasiona infecções respiratórias e intestinais, podendo ocasionar sintomas como fadiga, náusea, diarreia, vômito, desidratação, gânglios linfáticos aumentados e outros (MS, 2020). Existe, com efeito, a possibilidade de transmissão feco-oral (BOTTO, 2020; KWR, 2020). Então, ocorre potencial possibilidade de contaminação caso não haja adequado manejo, controle e precauções no trato dos resíduos sólidos e de outros materiais (toalhas, lençóis, roupas, entre outros) que foram expostos a fluidos nasais ou orais de pessoas contaminadas.

            Como recomendação para minimizar a transmissão do novo Coronavírus, a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam, dentre outras medidas: o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), preferencialmente descartáveis, para doentes e profissionais da saúde; uso de toalhas descartáveis; ampliação da frequência de limpeza de piso, corrimão, maçaneta e banheiros com álcool 70% ou solução de água sanitária (MS, 2020). Existe aqui um aumento na produção de resíduos, que exige gerenciamento adequado, de maneira a minimizar o risco de contaminação.

            A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) publicou, recentemente, Recomendações para Gestão de Resíduos em situação de pandemia por coronavírus (COVID-19), em que adverte que o novo Coronavírus pode persistir em determinados materiais por até 5 dias, como é o caso do plástico e papel (ABES, 2020). No caso da madeira e do vidro, o novo Coronavírus pode permanecer por 4 dias; em luvas cirúrgicas por até 8 horas (ABES, 2020).

            Dessa maneira, cabe, então, a cada pessoa a consciência de descartar adequadamente seus resíduos (domiciliares), por meio da separação de resíduos. Uma observação importante para os casos de pessoas contaminadas, em isolamento, seria o acondicionamento dos papéis sanitários em sacola separada e, se possível, com indicação de cuidado no manuseio. Isso se deve ao fato de que a sobrevida de vírus semelhantes ao do novo Coronavírus é de “14 dias em esgotos a 4 graus Celsius e de até 2 dias a 20 graus Celsius” (BOTTO, 2020).

            Os serviços de limpeza urbana municipal não podem parar, pois se constituem em serviço fundamental no controle e minimização da disseminação do novo Coronavírus, cabendo aos gestores municipais e suas empresas contratadas a responsabilidade de fornecer as medidas protetivas imprescindíveis aos trabalhadores da limpeza urbana.

            Aos interessados em ler o documento da ABES, na íntegra, cliquem aqui

Referências

ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. Recomendações para Gestão de Resíduos em situação de pandemia por coronavírus (COVID-19). Rio de Janeiro, 2020.

BOTTO, Márcio. COVID-19 e o risco de transmissão por água e esgoto. Disponível em <https://www.linkedin.com/pulse/covid-19-e-o-risco-de-transmiss%25C3%25A3o-por-agua-esgoto-marcio-botto/?trackingId=8IAH1POzQs2w03bTzNQfcw%3D%3D>. Acesso em 31 mar 2020

KWR (2020). What we learn about Coronavirus through wastewater research. Disponível em <https://www.kwrwater.nl/en/actueel/what-can-we-learn-about-the-corona-virus-through-waste-water-research/> Acesso em 02 abr 2020

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico COE- COVID-19. N. 5. COE. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, 2020.

Publicidade

Estação de tratamento de esgoto e COVID-19

Por Nájila Cabral em Impacto Ambiental, Meio Ambiente, Saúde Ambiental

03 de Abril de 2020

            Existem estudos que correlacionam a possibilidade de presença do novo Coronavírus em esgoto e fezes, conforme KWR (2020) e XIAO et al (2020). O pesquisador Márcio Botto, Consultor de Pesquisa e Conhecimento da CAWST, em resposta ao questionamento se as estações de tratamento e reúso de esgoto são capazes de destruir o novo Coronavírus, considera que “estações convencionais de tratamento de esgoto quando projetadas para atender os padrões de tratamento e de lançamento de esgotos em corpos d’água são, de forma geral, suficientes para controlar a transmissão do vírus por essa rota”.

            Vale lembrar que o novo Coronavírus é altamente patogênico e pode causar infecções intestinais, além das infecções respiratórias e outras. Segundo MS (2020) a transmissão se dá por intermédio de gotículas respiratórias, com contato próximo entre pessoas. Em virtude de o novo Coronavírus estar presente em fezes e esgoto, há uma potencial transmissão sugerida pela rota feco-oral, o que demanda cuidado e práticas de precaução e controle de disseminação.

            Dessa maneira, em consonância com as informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), prossegue Márcio Botto, “tecnologias simples como as lagoas de estabilização com tempo de detenção acima de 20 dias, elevada atividade biológica e alta incidência da luz solar são geralmente eficientes na inativação e remoção de patógenos”. No entanto adverte que “para as tecnologias de tratamento de esgoto que não são projetadas para remoção de vírus, uma etapa de desinfecção se faz necessária”.

            Com relação à possibilidade de transmissão para os operadores de sistemas de tratamento de esgoto, o pesquisador Márcio Botto, afirma que no surto do Coronavírus (SARS-Cov 2003) não houve nenhuma evidência de transmissão. Em consonância com Chin et al (2020), admite Márcio Botto que o novo Coronavírus “(SARS-Cov-2) é apenas mais um de vários outros patógenos existentes (como norovírus, adenovírus, hepatite A, Cryptosporidium e Giárdia) presentes em efluentes domésticos”.

            Fundamental, então, que os municípios cumpram seu dever de prestar adequadamente os serviços de saneamento para todos os cidadãos, de maneira a minimizar ambientes insalubres, que são, reconhecidamente, meios de transmissão de doenças, não apenas da COVID-19. Importante que sejam observados e seguidos os preceitos, metas e prazos do Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB) e da Política Nacional de Saneamento Básico.

            Para ter acesso na íntegra do documento do pesquisador, cliquem aqui.

Referências

CHIN et al (2020) Stability of SARS-CoV-2 in different environmental conditions. medRxiv. doi: https://doi.org/10.1101/2020.03.15.20036673

KWR (2020). What we learn about Coronavirus through wastewater research. https://www.kwrwater.nl/en/actueel/what-can-we-learn-about-the-corona-virus-through-wastewater-research/

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico n. 2. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, fev. 2020

XIAO et al (2020). Evidence for gastrointestinal infection of SARS-CoV-2. Gastroenterology. DOI: https://doi.org/10.1053/j.gastro.2020.02.055

Publicidade

COVID-19 e saneamento básico: risco de contaminação por esgoto

Por Nájila Cabral em Impacto Ambiental, Meio Ambiente, Saúde Ambiental

02 de Abril de 2020

             Estamos diante de um desafio grande por causa da pandemia do novo Coronavírus, que está presente em 181 países, com 998.047 casos confirmados da doença e 51.335 mortes por COVID-19, conforme dados da Johns Hopkins University (2020).

Fonte: Johns Hopkins University, 2020.

            A respeito das características gerais sobre a infecção humana pelo novo Coronavírus, o Ministério da Saúde afirma que os coronavírus, altamente patogênicos, causam infecções respiratórias e intestinais em humanos (MS, 2020a). Acredita-se que a transmissão acontece “por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra” (MS, 2020a). Assim, a disseminação acontece por contato próximo.

            O Boletim Epidemiológico no 5 (MS, 2020b) informa que contato próximo pode ser: contato físico direto (por exemplo, aperto de mãos); ou contato direto desprotegido com secreções infecciosas (por exemplo, gotículas de tosse, contato sem proteção com tecido ou lenços de papel usados e que contenham secreções); ou contato frente a frente por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou se uma pessoa que esteve em um ambiente fechado por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou, ainda, profissional de saúde ou outra pessoa que cuide diretamente de um caso de COVID-19 (MS, 2020b).

            Para conter a transmissão, o Ministério da Saúde recomenda, fortemente, as medidas não farmacológicas, dentre estas: isolamento de sintomático por até 14 dias; equipamento de proteção individual (EPI) para doentes e profissionais da saúde; lavar bem as mãos; uso de toalhas descartáveis; ampliação na frequência de limpeza de piso, corrimão, maçaneta e banheiros; restrição de contato social; evitar aglomeração; redução de fluxo urbano e outras (MS, 2020b).

            Uma preocupação, então, aparece nesse cenário de possibilidade de transmissão, se considerarmos as infecções intestinais e a possibilidade de contaminação feco-oral do novo Coronavírus. Os serviços de saneamento (manejo adequado de resíduos sólidos, abastecimento de água potável e esgotamento sanitário) são importantes elementos para minimizar a possibilidade de transmissão.

            O pesquisador Márcio Botto, consultor de Pesquisa e Conhecimento da CAWST, afirma que até o presente momento não há relato de transmissão feco-oral do Coronavirus entre pessoas. O pesquisador cita o artigo da Organização Mundial da Saúde “Water, sanitation, hygiene, and waste management for the COVID-19 virus”, para embasar sua afirmação.

            No entanto, continua o pesquisador, “acredita-se que seja possível sua transmissão, uma vez que o SARS-Cov-2 (Novo Coronavírus) foi detectado em efluentes domésticos e em fezes de pacientes”. Acrescenta que a sobrevida de vírus semelhantes a este é de “14 dias em esgotos a 4 graus Celsius e de até 2 dias a 20 graus Celsius”.

            Para Márcio Botto, essa constatação permite sugerir que existe a possibilidade de que esgotos e fezes sejam fontes de transmissão do novo Coronavírus. Ainda são poucos os trabalhos científicos que correlacionam causa e efeito, mas adverte o pesquisador que as “maiores implicações quanto a transmissão feco-oral do novo Coronavírus e os maiores desafios a serem enfrentados serão nas áreas sem saneamento básico, como os bolsões de pobreza, favelas e áreas peri-urbanas com alta concentração populacional”.

            Reconhecidamente, os serviços de saneamento no mundo são um dos grandes desafios e representam um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com a meta de universalização do saneamento básico, até 2030. No caso do Brasil, nos dias atuais, “35 milhões de brasileiros não tem acesso a água tratada por rede geral e mais de 100 milhões vivem sem coleta pública de esgoto”, conforme dados do Instituto Trata Brasil. Márcio Botto finaliza alertando que a presença do Coronavírus por longos períodos em água e esgoto “sugere um contínuo risco de contaminação de pessoas sem acesso a água segura e sistemas apropriados de disposição de excretas”.

            Para ter acesso na íntegra do documento do pesquisador, cliquem aqui.

Referências

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico n. 2. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, fev. 2020a.

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico COE- COVID-19. N. 5. COE. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, 2020b.

 

Publicidade

COVID-19 e saneamento básico: risco de contaminação por esgoto

Por Nájila Cabral em Impacto Ambiental, Meio Ambiente, Saúde Ambiental

02 de Abril de 2020

             Estamos diante de um desafio grande por causa da pandemia do novo Coronavírus, que está presente em 181 países, com 998.047 casos confirmados da doença e 51.335 mortes por COVID-19, conforme dados da Johns Hopkins University (2020).

Fonte: Johns Hopkins University, 2020.

            A respeito das características gerais sobre a infecção humana pelo novo Coronavírus, o Ministério da Saúde afirma que os coronavírus, altamente patogênicos, causam infecções respiratórias e intestinais em humanos (MS, 2020a). Acredita-se que a transmissão acontece “por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra” (MS, 2020a). Assim, a disseminação acontece por contato próximo.

            O Boletim Epidemiológico no 5 (MS, 2020b) informa que contato próximo pode ser: contato físico direto (por exemplo, aperto de mãos); ou contato direto desprotegido com secreções infecciosas (por exemplo, gotículas de tosse, contato sem proteção com tecido ou lenços de papel usados e que contenham secreções); ou contato frente a frente por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou se uma pessoa que esteve em um ambiente fechado por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou, ainda, profissional de saúde ou outra pessoa que cuide diretamente de um caso de COVID-19 (MS, 2020b).

            Para conter a transmissão, o Ministério da Saúde recomenda, fortemente, as medidas não farmacológicas, dentre estas: isolamento de sintomático por até 14 dias; equipamento de proteção individual (EPI) para doentes e profissionais da saúde; lavar bem as mãos; uso de toalhas descartáveis; ampliação na frequência de limpeza de piso, corrimão, maçaneta e banheiros; restrição de contato social; evitar aglomeração; redução de fluxo urbano e outras (MS, 2020b).

            Uma preocupação, então, aparece nesse cenário de possibilidade de transmissão, se considerarmos as infecções intestinais e a possibilidade de contaminação feco-oral do novo Coronavírus. Os serviços de saneamento (manejo adequado de resíduos sólidos, abastecimento de água potável e esgotamento sanitário) são importantes elementos para minimizar a possibilidade de transmissão.

            O pesquisador Márcio Botto, consultor de Pesquisa e Conhecimento da CAWST, afirma que até o presente momento não há relato de transmissão feco-oral do Coronavirus entre pessoas. O pesquisador cita o artigo da Organização Mundial da Saúde “Water, sanitation, hygiene, and waste management for the COVID-19 virus”, para embasar sua afirmação.

            No entanto, continua o pesquisador, “acredita-se que seja possível sua transmissão, uma vez que o SARS-Cov-2 (Novo Coronavírus) foi detectado em efluentes domésticos e em fezes de pacientes”. Acrescenta que a sobrevida de vírus semelhantes a este é de “14 dias em esgotos a 4 graus Celsius e de até 2 dias a 20 graus Celsius”.

            Para Márcio Botto, essa constatação permite sugerir que existe a possibilidade de que esgotos e fezes sejam fontes de transmissão do novo Coronavírus. Ainda são poucos os trabalhos científicos que correlacionam causa e efeito, mas adverte o pesquisador que as “maiores implicações quanto a transmissão feco-oral do novo Coronavírus e os maiores desafios a serem enfrentados serão nas áreas sem saneamento básico, como os bolsões de pobreza, favelas e áreas peri-urbanas com alta concentração populacional”.

            Reconhecidamente, os serviços de saneamento no mundo são um dos grandes desafios e representam um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com a meta de universalização do saneamento básico, até 2030. No caso do Brasil, nos dias atuais, “35 milhões de brasileiros não tem acesso a água tratada por rede geral e mais de 100 milhões vivem sem coleta pública de esgoto”, conforme dados do Instituto Trata Brasil. Márcio Botto finaliza alertando que a presença do Coronavírus por longos períodos em água e esgoto “sugere um contínuo risco de contaminação de pessoas sem acesso a água segura e sistemas apropriados de disposição de excretas”.

            Para ter acesso na íntegra do documento do pesquisador, cliquem aqui.

Referências

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico n. 2. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, fev. 2020a.

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico COE- COVID-19. N. 5. COE. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, 2020b.