COVID-19 e saneamento básico: risco de contaminação por esgoto - Blog Verde 
Publicidade

Blog Verde

por Nájila Cabral

COVID-19 e saneamento básico: risco de contaminação por esgoto

Por Nájila Cabral em Impacto Ambiental, Meio Ambiente, Saúde Ambiental

02 de Abril de 2020

             Estamos diante de um desafio grande por causa da pandemia do novo Coronavírus, que está presente em 181 países, com 998.047 casos confirmados da doença e 51.335 mortes por COVID-19, conforme dados da Johns Hopkins University (2020).

Fonte: Johns Hopkins University, 2020.

            A respeito das características gerais sobre a infecção humana pelo novo Coronavírus, o Ministério da Saúde afirma que os coronavírus, altamente patogênicos, causam infecções respiratórias e intestinais em humanos (MS, 2020a). Acredita-se que a transmissão acontece “por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra” (MS, 2020a). Assim, a disseminação acontece por contato próximo.

            O Boletim Epidemiológico no 5 (MS, 2020b) informa que contato próximo pode ser: contato físico direto (por exemplo, aperto de mãos); ou contato direto desprotegido com secreções infecciosas (por exemplo, gotículas de tosse, contato sem proteção com tecido ou lenços de papel usados e que contenham secreções); ou contato frente a frente por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou se uma pessoa que esteve em um ambiente fechado por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou, ainda, profissional de saúde ou outra pessoa que cuide diretamente de um caso de COVID-19 (MS, 2020b).

            Para conter a transmissão, o Ministério da Saúde recomenda, fortemente, as medidas não farmacológicas, dentre estas: isolamento de sintomático por até 14 dias; equipamento de proteção individual (EPI) para doentes e profissionais da saúde; lavar bem as mãos; uso de toalhas descartáveis; ampliação na frequência de limpeza de piso, corrimão, maçaneta e banheiros; restrição de contato social; evitar aglomeração; redução de fluxo urbano e outras (MS, 2020b).

            Uma preocupação, então, aparece nesse cenário de possibilidade de transmissão, se considerarmos as infecções intestinais e a possibilidade de contaminação feco-oral do novo Coronavírus. Os serviços de saneamento (manejo adequado de resíduos sólidos, abastecimento de água potável e esgotamento sanitário) são importantes elementos para minimizar a possibilidade de transmissão.

            O pesquisador Márcio Botto, consultor de Pesquisa e Conhecimento da CAWST, afirma que até o presente momento não há relato de transmissão feco-oral do Coronavirus entre pessoas. O pesquisador cita o artigo da Organização Mundial da Saúde “Water, sanitation, hygiene, and waste management for the COVID-19 virus”, para embasar sua afirmação.

            No entanto, continua o pesquisador, “acredita-se que seja possível sua transmissão, uma vez que o SARS-Cov-2 (Novo Coronavírus) foi detectado em efluentes domésticos e em fezes de pacientes”. Acrescenta que a sobrevida de vírus semelhantes a este é de “14 dias em esgotos a 4 graus Celsius e de até 2 dias a 20 graus Celsius”.

            Para Márcio Botto, essa constatação permite sugerir que existe a possibilidade de que esgotos e fezes sejam fontes de transmissão do novo Coronavírus. Ainda são poucos os trabalhos científicos que correlacionam causa e efeito, mas adverte o pesquisador que as “maiores implicações quanto a transmissão feco-oral do novo Coronavírus e os maiores desafios a serem enfrentados serão nas áreas sem saneamento básico, como os bolsões de pobreza, favelas e áreas peri-urbanas com alta concentração populacional”.

            Reconhecidamente, os serviços de saneamento no mundo são um dos grandes desafios e representam um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com a meta de universalização do saneamento básico, até 2030. No caso do Brasil, nos dias atuais, “35 milhões de brasileiros não tem acesso a água tratada por rede geral e mais de 100 milhões vivem sem coleta pública de esgoto”, conforme dados do Instituto Trata Brasil. Márcio Botto finaliza alertando que a presença do Coronavírus por longos períodos em água e esgoto “sugere um contínuo risco de contaminação de pessoas sem acesso a água segura e sistemas apropriados de disposição de excretas”.

            Para ter acesso na íntegra do documento do pesquisador, cliquem aqui.

Referências

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico n. 2. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, fev. 2020a.

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico COE- COVID-19. N. 5. COE. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, 2020b.

 

Publicidade aqui

COVID-19 e saneamento básico: risco de contaminação por esgoto

Por Nájila Cabral em Impacto Ambiental, Meio Ambiente, Saúde Ambiental

02 de Abril de 2020

             Estamos diante de um desafio grande por causa da pandemia do novo Coronavírus, que está presente em 181 países, com 998.047 casos confirmados da doença e 51.335 mortes por COVID-19, conforme dados da Johns Hopkins University (2020).

Fonte: Johns Hopkins University, 2020.

            A respeito das características gerais sobre a infecção humana pelo novo Coronavírus, o Ministério da Saúde afirma que os coronavírus, altamente patogênicos, causam infecções respiratórias e intestinais em humanos (MS, 2020a). Acredita-se que a transmissão acontece “por meio de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra” (MS, 2020a). Assim, a disseminação acontece por contato próximo.

            O Boletim Epidemiológico no 5 (MS, 2020b) informa que contato próximo pode ser: contato físico direto (por exemplo, aperto de mãos); ou contato direto desprotegido com secreções infecciosas (por exemplo, gotículas de tosse, contato sem proteção com tecido ou lenços de papel usados e que contenham secreções); ou contato frente a frente por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou se uma pessoa que esteve em um ambiente fechado por 15 minutos ou mais e a uma distância inferior a 2 metros; ou, ainda, profissional de saúde ou outra pessoa que cuide diretamente de um caso de COVID-19 (MS, 2020b).

            Para conter a transmissão, o Ministério da Saúde recomenda, fortemente, as medidas não farmacológicas, dentre estas: isolamento de sintomático por até 14 dias; equipamento de proteção individual (EPI) para doentes e profissionais da saúde; lavar bem as mãos; uso de toalhas descartáveis; ampliação na frequência de limpeza de piso, corrimão, maçaneta e banheiros; restrição de contato social; evitar aglomeração; redução de fluxo urbano e outras (MS, 2020b).

            Uma preocupação, então, aparece nesse cenário de possibilidade de transmissão, se considerarmos as infecções intestinais e a possibilidade de contaminação feco-oral do novo Coronavírus. Os serviços de saneamento (manejo adequado de resíduos sólidos, abastecimento de água potável e esgotamento sanitário) são importantes elementos para minimizar a possibilidade de transmissão.

            O pesquisador Márcio Botto, consultor de Pesquisa e Conhecimento da CAWST, afirma que até o presente momento não há relato de transmissão feco-oral do Coronavirus entre pessoas. O pesquisador cita o artigo da Organização Mundial da Saúde “Water, sanitation, hygiene, and waste management for the COVID-19 virus”, para embasar sua afirmação.

            No entanto, continua o pesquisador, “acredita-se que seja possível sua transmissão, uma vez que o SARS-Cov-2 (Novo Coronavírus) foi detectado em efluentes domésticos e em fezes de pacientes”. Acrescenta que a sobrevida de vírus semelhantes a este é de “14 dias em esgotos a 4 graus Celsius e de até 2 dias a 20 graus Celsius”.

            Para Márcio Botto, essa constatação permite sugerir que existe a possibilidade de que esgotos e fezes sejam fontes de transmissão do novo Coronavírus. Ainda são poucos os trabalhos científicos que correlacionam causa e efeito, mas adverte o pesquisador que as “maiores implicações quanto a transmissão feco-oral do novo Coronavírus e os maiores desafios a serem enfrentados serão nas áreas sem saneamento básico, como os bolsões de pobreza, favelas e áreas peri-urbanas com alta concentração populacional”.

            Reconhecidamente, os serviços de saneamento no mundo são um dos grandes desafios e representam um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), com a meta de universalização do saneamento básico, até 2030. No caso do Brasil, nos dias atuais, “35 milhões de brasileiros não tem acesso a água tratada por rede geral e mais de 100 milhões vivem sem coleta pública de esgoto”, conforme dados do Instituto Trata Brasil. Márcio Botto finaliza alertando que a presença do Coronavírus por longos períodos em água e esgoto “sugere um contínuo risco de contaminação de pessoas sem acesso a água segura e sistemas apropriados de disposição de excretas”.

            Para ter acesso na íntegra do documento do pesquisador, cliquem aqui.

Referências

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico n. 2. Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, fev. 2020a.

MS – Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico COE- COVID-19. N. 5. COE. Brasília: Ministério da Saúde/ Secretaria de Vigilância da Saúde, 2020b.