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por Nájila Cabral

biodiesel

Fontes alternativas de energia no Ceará – Parte 5 (final)

Por Nájila Cabral em Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente

24 de agosto de 2012

       Não se constitui em tarefa fácil redesenhar o arranjo institucional do setor energético, de maneira a se investir mais em energias renováveis; mas é algo necessário e imprescindível, principalmente quando se tem em pauta o desenvolvimento em consonância com a manutenção da qualidade ambiental.

Planta da Mamona
Fonte: http://www.flickr.com/

       O estado do Ceará vem estudando as projeções de matriz energética para os próximos 20 anos. O estudo estabelece cenários para o Estado para 2030, considerando os investimentos em fontes alternativas de energia, como a eólica, a solar e biodiesel.

       Os estudos são necessários para que tomadores de decisão possam ter conhecimento prévio do que pode, dependendo das variáveis analisadas, acontecer quando se opta por determinado cenário. O foco é minimizar, de preferência extinguir, o uso não sustentável de carvão e lenha da vegetação Caatinga.

    A energia que vem da terra

        O engenheiro químico Expedito Parente, cearense, é o detentor da patente do biodiesel. O biodiesel, produzido de óleos vegetais, é uma fonte alternativa de energia interessante sob o ponto de vista ambiental.

Usina de Biodiesel, em Quixadá/CE
Fonte: http://www.flickr.com/

Em relação à história do biodiesel no Ceará, conforme Sales et al. (2006), pode ser vista da seguinte maneira:

1980 – Prof. Expedito Parente obteve Patente Biodiesel – UFC

2002 – Iniciada parceria com a TECBIO (Tecnologias de Biocombustíveis Ltda), empresa incubada no NUTEC (Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial) que desenvolve pesquisas sobre biodiesel.

2003 – Iniciou produção do biodiesel em bancada (laboratório).

2004 – Planta piloto NUTEC para produção em batelada.

2005 – Autorizado pela ANP (335) para produzir Biodiesel.

2005 – Projeto Diesel Verde com a Prefeitura de Fortaleza e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (SINDIÔNIBUS) para testar biodiesel em 17 ônibus com B5.

2006 – Fase de conclusão de usina para produção contínua.

         Em 2008, foi inaugurada a Usina de Biodiesel, em Quixadá, com capacidade de produção de 57 mil litros de biodiesel por ano. Trinta por cento desta produção é destinada ao consumo interno e o restante a outros estados do Nordeste. Conforme ADECE (2011), são 8.522 agricultores que cultivam mamona e girassol em 161 municípios cearenses cadastrados para fornecer matéria-prima.

    A energia que vem do lixo

Foto: Arquivo pessoal

         A decomposição da matéria orgânica existente nos resíduos sólidos (lixo) produz gás. O reaproveitamento de gás proveniente de aterros sanitários (biogás) pode se constituir em importante fonte alternativa de energia e ainda, minimizar a emissão de gases para atmosfera, notadamente o metano (CH4) e o dióxido de carbono (CO2). Soma-se ainda aos benefícios do reaproveitamento de gases de aterros sanitários, a probabilidade de ganhos econômicos com a comercialização dos créditos de carbono.

        Em 2007, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do estado do Ceará (SECITECE) produziu um Relatório Técnico para estudar a viabilidade de reaproveitamento de gases  de dois aterros sanitários no Ceará: o de Jangurussu, em Fortaleza e o de Sobral, interior do Estado.

       Com dados da época do estudo, Cabral; Santos (2007) relatavam que considerando os anos de 2000 e 2001, em que o aterro do Jangurussu estava em pleno funcionamento, a probabilidade de geração de biogás era de 203.124.996 Nm3/ano. Em Sobral, nos 21 anos (2000 a 2020) de potencial funcionamento do aterro, estimava-se que a produção de biogás fosse de 51.054.803 Nm3.

        Para finalizar, importante ressaltar a necessidade de estabelecimento dos papéis dos diferentes atores envolvidos no processo (incluindo atores governamentais, institucionais e sociedade civil), por intermédio, inclusive, da descentralização das ações de reaproveitamento e comercialização do biogás.

        Os governos locais (municípios) têm neste viés um interessante caminho para seus territórios. Quando forem implantar seus aterros sanitários, seja de forma individual ou consorciada, atentar para a possibilidade de reaproveitamento do biogás, com oportunidades factíveis de comercialização dos créditos de carbono, além de fazer cumprir o compromisso assumido pelo Brasil nas Conferências Mundiais em reduzir o passivo ambiental concernente ao saneamento ambiental.

               Em síntese, a Tabela a seguir, traz as fontes alternativas de energia, apresentadas nas diversas partes deste Blog Verde, que se encontram em operação em 2012, no Ceará, bem como o município em que estão implementadas.

Tipo de fonte alternativa

Nome do empreendimento

município

 

Hidrelétrica

Pequena Central Hidrelétrica (PCH) – Usina Araras Norte

Varjota

 

 

 

Energia eólica

UEE Praia Formosa

Camocim

UEE Canoa Quebrada

Aracati

UEE Bons Ventos
UEE Enacel
UEE Eólica Canoa Quebrada
UEE Lagoa do Mato
UEE Icaraizinho

Amontada

UEE Volta do Rio

Acaraú

UEE Praia do Morgado
UEE Praias de Parajuru

Beberibe

UEE Beberibe
UEE Foz do rio Choró
UEE Paracuru

Paracuru

UEE Taíba-Albatroz

São Gonçalo do Amarante

UEE Taíba
UEE Prainha

Aquiraz

UEE Mucuripe

Fortaleza

Energia solar Usina Solar Tauá MPX

Tauá

Energia das Marés Usina Piloto Coppe/UFRJ

São Gonçalo do Amarante

Energia das plantas Usina de Biodiesel

Quixadá

 

Fontes:

Sales, J.C et al. O biodiesel produzido a partir da mamona e suas consequências para o desenvolvimento no Ceará: aspectos ambientais, sociais e econômicos. Sergipe: 2º. Congresso Brasileiro de Mamona, 2006.

Cabral, N; Santos, F.J.P.N. Estudo de viabilidade de reaproveitamento de gás em aterros sanitários nos municípios cearenses – Relatório Técnico. Fortaleza: SECITECE, 2007.

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Fontes alternativas de energia no Ceará – Parte 5 (final)

Por Nájila Cabral em Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente

24 de agosto de 2012

       Não se constitui em tarefa fácil redesenhar o arranjo institucional do setor energético, de maneira a se investir mais em energias renováveis; mas é algo necessário e imprescindível, principalmente quando se tem em pauta o desenvolvimento em consonância com a manutenção da qualidade ambiental.

Planta da Mamona
Fonte: http://www.flickr.com/

       O estado do Ceará vem estudando as projeções de matriz energética para os próximos 20 anos. O estudo estabelece cenários para o Estado para 2030, considerando os investimentos em fontes alternativas de energia, como a eólica, a solar e biodiesel.

       Os estudos são necessários para que tomadores de decisão possam ter conhecimento prévio do que pode, dependendo das variáveis analisadas, acontecer quando se opta por determinado cenário. O foco é minimizar, de preferência extinguir, o uso não sustentável de carvão e lenha da vegetação Caatinga.

    A energia que vem da terra

        O engenheiro químico Expedito Parente, cearense, é o detentor da patente do biodiesel. O biodiesel, produzido de óleos vegetais, é uma fonte alternativa de energia interessante sob o ponto de vista ambiental.

Usina de Biodiesel, em Quixadá/CE
Fonte: http://www.flickr.com/

Em relação à história do biodiesel no Ceará, conforme Sales et al. (2006), pode ser vista da seguinte maneira:

1980 – Prof. Expedito Parente obteve Patente Biodiesel – UFC

2002 – Iniciada parceria com a TECBIO (Tecnologias de Biocombustíveis Ltda), empresa incubada no NUTEC (Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial) que desenvolve pesquisas sobre biodiesel.

2003 – Iniciou produção do biodiesel em bancada (laboratório).

2004 – Planta piloto NUTEC para produção em batelada.

2005 – Autorizado pela ANP (335) para produzir Biodiesel.

2005 – Projeto Diesel Verde com a Prefeitura de Fortaleza e o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (SINDIÔNIBUS) para testar biodiesel em 17 ônibus com B5.

2006 – Fase de conclusão de usina para produção contínua.

         Em 2008, foi inaugurada a Usina de Biodiesel, em Quixadá, com capacidade de produção de 57 mil litros de biodiesel por ano. Trinta por cento desta produção é destinada ao consumo interno e o restante a outros estados do Nordeste. Conforme ADECE (2011), são 8.522 agricultores que cultivam mamona e girassol em 161 municípios cearenses cadastrados para fornecer matéria-prima.

    A energia que vem do lixo

Foto: Arquivo pessoal

         A decomposição da matéria orgânica existente nos resíduos sólidos (lixo) produz gás. O reaproveitamento de gás proveniente de aterros sanitários (biogás) pode se constituir em importante fonte alternativa de energia e ainda, minimizar a emissão de gases para atmosfera, notadamente o metano (CH4) e o dióxido de carbono (CO2). Soma-se ainda aos benefícios do reaproveitamento de gases de aterros sanitários, a probabilidade de ganhos econômicos com a comercialização dos créditos de carbono.

        Em 2007, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior do estado do Ceará (SECITECE) produziu um Relatório Técnico para estudar a viabilidade de reaproveitamento de gases  de dois aterros sanitários no Ceará: o de Jangurussu, em Fortaleza e o de Sobral, interior do Estado.

       Com dados da época do estudo, Cabral; Santos (2007) relatavam que considerando os anos de 2000 e 2001, em que o aterro do Jangurussu estava em pleno funcionamento, a probabilidade de geração de biogás era de 203.124.996 Nm3/ano. Em Sobral, nos 21 anos (2000 a 2020) de potencial funcionamento do aterro, estimava-se que a produção de biogás fosse de 51.054.803 Nm3.

        Para finalizar, importante ressaltar a necessidade de estabelecimento dos papéis dos diferentes atores envolvidos no processo (incluindo atores governamentais, institucionais e sociedade civil), por intermédio, inclusive, da descentralização das ações de reaproveitamento e comercialização do biogás.

        Os governos locais (municípios) têm neste viés um interessante caminho para seus territórios. Quando forem implantar seus aterros sanitários, seja de forma individual ou consorciada, atentar para a possibilidade de reaproveitamento do biogás, com oportunidades factíveis de comercialização dos créditos de carbono, além de fazer cumprir o compromisso assumido pelo Brasil nas Conferências Mundiais em reduzir o passivo ambiental concernente ao saneamento ambiental.

               Em síntese, a Tabela a seguir, traz as fontes alternativas de energia, apresentadas nas diversas partes deste Blog Verde, que se encontram em operação em 2012, no Ceará, bem como o município em que estão implementadas.

Tipo de fonte alternativa

Nome do empreendimento

município

 

Hidrelétrica

Pequena Central Hidrelétrica (PCH) – Usina Araras Norte

Varjota

 

 

 

Energia eólica

UEE Praia Formosa

Camocim

UEE Canoa Quebrada

Aracati

UEE Bons Ventos
UEE Enacel
UEE Eólica Canoa Quebrada
UEE Lagoa do Mato
UEE Icaraizinho

Amontada

UEE Volta do Rio

Acaraú

UEE Praia do Morgado
UEE Praias de Parajuru

Beberibe

UEE Beberibe
UEE Foz do rio Choró
UEE Paracuru

Paracuru

UEE Taíba-Albatroz

São Gonçalo do Amarante

UEE Taíba
UEE Prainha

Aquiraz

UEE Mucuripe

Fortaleza

Energia solar Usina Solar Tauá MPX

Tauá

Energia das Marés Usina Piloto Coppe/UFRJ

São Gonçalo do Amarante

Energia das plantas Usina de Biodiesel

Quixadá

 

Fontes:

Sales, J.C et al. O biodiesel produzido a partir da mamona e suas consequências para o desenvolvimento no Ceará: aspectos ambientais, sociais e econômicos. Sergipe: 2º. Congresso Brasileiro de Mamona, 2006.

Cabral, N; Santos, F.J.P.N. Estudo de viabilidade de reaproveitamento de gás em aterros sanitários nos municípios cearenses – Relatório Técnico. Fortaleza: SECITECE, 2007.