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Física Marginal

por Idelfranio Moreira

setembro 2016

Para que não haja dois pesos, duas medidas

Por Idelfranio Moreira em Direito, Física, Política

17 de setembro de 2016

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“Não cometi injustiça contra os homens. Não maltratei os animais. Não fiz o mal em lugar da justiça. Não empobreci um pobre. Não fiz sofrer nem chorar. Não menti. (Confissão Negativa, O Livro dos Mortos)

 

Imagine que após a morte houvesse um julgamento para pesar o coração do morto, tendo uma ‘pena da verdade’ como contrapeso na balança. Após a confissão, se a pesagem mostrasse um coração mais leve que a pena, Vida Eterna! Caso contrário, o destino seria ‘O Devorador de Almas’…

Os antigos egípcios não só imaginavam como acreditavam nisso! O morto seria levado ao Tribunal de Osíris para que Anúbis pesasse seu coração na balança de Maat, tendo Tot como escriba e Amit, o devorador, à espreita.

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A depender apenas das confissões, o devorador de almas da mitologia egípcia jamais provaria o sabor de um político brasileiro… Por sorte, tem a tal pesagem!

Crime de responsabilidade fiscal, quebra de decoro parlamentar, mensalão. Que os julgamentos aconteçam. E que haja uma única pena, a da verdade, para todos os fins.

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Deuteronômio, 25; 13-16

 

Toda pesagem é uma comparação. Toda comparação precisa de um padrão de medida. Nosso Sistema Internacional de Unidades estabeleceu o quilograma como padrão de medida de massa. Desde 1889, o Protótipo Internacional do Quilograma é conservado no Birô Internacional de Pesos e Medidas, tendo acesso restrito e supervisionado.

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International Prototype of Kilogram (IPK), um cilindro com cerca de 39 mm de altura e de diâmetro. Composição: 90% platina, 10% irídio.

Para a Física o YPK é a pena da verdade. Com ele e uma balança podemos determinar a massa de um coração (‘pesar’ um coração).

 

Numa balança romana, o IPK seria colocado a uma distância fixa comhecida X, e o coração, preso a um suporte P móvel, seria deslocado até uma distância d para a qual houvesse o equilíbrio horizontal da barra.

Numa balança romana, o IPK seria colocado a uma distância fixa conhecida X, e o coração, preso a um suporte P móvel, seria deslocado até uma distância d para a qual houvesse o equilíbrio horizontal da barra.

Considerando um coração com cerca de trezentOs gramas, a distância d seria o triplo de X, aproximadamente (no equilíbrio, tendo o IPK como contrapeso).

Numa balança de braços iguais (balança de Roberval), diferentemente da balança romana, os braços são de comprimentos fixos e iguais um ao outro. Sendo assim, o equilíbrio horizontal da balança revela massas (pesos) iguais.

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Agora imagine que uma balança desse tipo tivesse os braços apenas aparentemente iguais. Uma diferença de 1% entre os comprimentos seria imperceptível ao olho humano, sem medição. Numa balança assim, o IPK, colocado no braço mais curto (0,99 X), seria equilibrado por um objeto de 990 gramas. Uma diferença de 10 gramas – pequena demais para ser percebida apenas segurando o peso, por exemplo -, permitiria a um vendedor desonesto obter lucro ilícito nas vendas. Parece pouco, mas não se diz que “de tostão em tostão é que se faz o milhão”?!

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Este tipo de balança é também chamada libra. E é o tipo de balança que usa a Dama da Justiça.

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Pois que ela abra o olho, na hora de pesar os corações! Todo cuidado é pouco, nestes tempos de confissões premiadas…

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Para ter certeza que a balança está calibrada – e que a medição está correta -, após o equilíbrio, troque os objetos de lado. Se o equilíbrio se mantiver, tudo certo! Caso contrário, se a balança estiver desigual, ela penderá para um dos lados.

Assim, a Física serve para garantir que não haja dois pesos e duas medidas!

 

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Para entender o preço do poder

Por Idelfranio Moreira em Política

05 de setembro de 2016

A Espada de Dâmocles

THe Sword of Damocles, pintura de Richard Westall, 1812. Fonte: Google Imagens.

 

Imagine você olhar para cima e descobrir, pendendo do alto do teto sobre sua cabeça, uma pesada e afiada espada, presa por um fino fio de crina de cavalo! Isto seria, certamente, assustador, sem dúvidas! Seria uma situação de perigo iminente, não é mesmo!?

Afinal, entendemos que

– quanto mais alta, pior a queda! Em outras palavras, grande altura (grande energia potencial) no início, significaria muita velocidade (muita energia cinética) ao final da queda.

– sendo fino, o fio não poderia suportar grande (força de) tração sem partir-se.

– sendo pesada, a espada submeteria o fio a uma tração de grande intensidade.

– a ponta afiada da espada aplicaria grande pressão ao mais leve toque. (Que dirá, então, sendo pesada e estando em alta velocidade ao final de tão alta queda!)

Fonte: http://goo.gl/bxSeoz

Fonte: http://goo.gl/bxSeoz

(Não fosse o fio tão fino, não fosse o teto tão alto, não fosse a espada tão pesada, nem mesmo tão afiada…)

Esta visão/imaginação assustadora/incômoda é considerada uma anedota moral conhecida como A Espada de Dâmocles. Segundo o que pesquisei, ela aparece contada por Marco Túlio Cícero em um livro intitulado Discussões Tusculanas. Mais ou menos como segue:

Dâmocles era bajulador de Dionísio, rei de Siracusa. Ele tanto falava que a vida de rei – com suas riquezas, bens, poder e serviçais – era fácil, que Dionísio, ofereceu-lhe ficar em seu lugar por um dia, para sentir como era. Tendo aceitado de pronto, este mandou preparar-lhe um farto banquete. Em certo momento, deslumbrado com toda ostentação e luxúria, ao olhar para cima, Dâmocles depara-se, assustado, com uma pesada e afiada espada pendendo do teto sobre sua cabeça, presa por um fio fio de crina de cavalo! Dionísio lhe explicada, então, que este é o fardo do poder. Usufruir de tudo o que sua posição de poder lhe proporciona tem o preço de estar sempre sob perigo iminente.

(Fonte: ancienthistory.about.com/od/ciceroworkslatin/f/DamoclesSword.htm)

Nestes tempos de acaloradas discussões/discordâncias políticas, a Física pode servir para entender o preço da disputa pelo poder. Reflita você aí se vale a pena.

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Para entender o preço do poder

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05 de setembro de 2016

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THe Sword of Damocles, pintura de Richard Westall, 1812. Fonte: Google Imagens.

 

Imagine você olhar para cima e descobrir, pendendo do alto do teto sobre sua cabeça, uma pesada e afiada espada, presa por um fino fio de crina de cavalo! Isto seria, certamente, assustador, sem dúvidas! Seria uma situação de perigo iminente, não é mesmo!?

Afinal, entendemos que

– quanto mais alta, pior a queda! Em outras palavras, grande altura (grande energia potencial) no início, significaria muita velocidade (muita energia cinética) ao final da queda.

– sendo fino, o fio não poderia suportar grande (força de) tração sem partir-se.

– sendo pesada, a espada submeteria o fio a uma tração de grande intensidade.

– a ponta afiada da espada aplicaria grande pressão ao mais leve toque. (Que dirá, então, sendo pesada e estando em alta velocidade ao final de tão alta queda!)

Fonte: http://goo.gl/bxSeoz

Fonte: http://goo.gl/bxSeoz

(Não fosse o fio tão fino, não fosse o teto tão alto, não fosse a espada tão pesada, nem mesmo tão afiada…)

Esta visão/imaginação assustadora/incômoda é considerada uma anedota moral conhecida como A Espada de Dâmocles. Segundo o que pesquisei, ela aparece contada por Marco Túlio Cícero em um livro intitulado Discussões Tusculanas. Mais ou menos como segue:

Dâmocles era bajulador de Dionísio, rei de Siracusa. Ele tanto falava que a vida de rei – com suas riquezas, bens, poder e serviçais – era fácil, que Dionísio, ofereceu-lhe ficar em seu lugar por um dia, para sentir como era. Tendo aceitado de pronto, este mandou preparar-lhe um farto banquete. Em certo momento, deslumbrado com toda ostentação e luxúria, ao olhar para cima, Dâmocles depara-se, assustado, com uma pesada e afiada espada pendendo do teto sobre sua cabeça, presa por um fio fio de crina de cavalo! Dionísio lhe explicada, então, que este é o fardo do poder. Usufruir de tudo o que sua posição de poder lhe proporciona tem o preço de estar sempre sob perigo iminente.

(Fonte: ancienthistory.about.com/od/ciceroworkslatin/f/DamoclesSword.htm)

Nestes tempos de acaloradas discussões/discordâncias políticas, a Física pode servir para entender o preço da disputa pelo poder. Reflita você aí se vale a pena.

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