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Física Marginal

por Idelfranio Moreira

óculos

Para você não ter que usar óculos com lentes “fundo de garrafa”!

 

A compra de óculos de grau requer a escolha de uma armação – dentre tantas alternativas de formatos, cores, marcas e preços. E, no caso de uma pessoa que tenha miopia, há ainda a preocupação com a grossura das lentes! Isto porque as lentes que a miopia requer têm bordas grossas, como resultado da combinação de uma face plana com outra côncava ou da combinação de duas faces côncavas.

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Quanto maior o grau de miopia, mais grossas as lentes! E, como se não bastasse, há ainda outro efeito: os olhos do míope aparecem bem pequenos por trás das lentes. Quanto maior o grau da lente, maior a auto-estima necessária para abstrair o efeito sobre a estética do rosto do usuário!

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É exatamente dessa característica das lentes para miopia que surgiu o clássico termo – jocoso – “óculos de fundo de garrafa” (objeto obrigatório numa fantasia de nerd, por exemplo)!nerd_glasses_dork_geek

 

Acontece que não é apenas a geometria – os formatos esféricos das faces e seus respectivos raios – que determinam o grau da lente! O material de que a lente é feita – representado por um índice, chamado ‘índice de refração’ – também é decisivo para o grau da lente.

Essas relações entre o grau da lente (V), os raios de curvatura das faces (R1 e R2) e o índice de refração (n) do material da lente aparecem na chamada ‘equação dos fabricantes de lentes’ (até porque não poderia ser chamada de outra forma, concorda?!:

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Segundo esta equação, se o material da lente tiver baixo índice de refração, a lente terá que ser grossa para alcançar o (alto) grau necessário. Logo, se a lente for fabricada de um material com alto índice de refração, o grau necessário poderá ser conseguido com uma lente mais fina!

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No gráfico comparativo acima, vê-se uma lente de 6,0 graus. Repare que, para um índice 1,74, as dimensões da lente são praticamente a metade das dimensões necessárias com um material de índice 1,5! (bordas de 5,2 milímetros, em vez de 9,0 milímetros; corpo de 1,1 milímetro, em vez de 2,0 milímetros.)

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Logicamente, há um preço a pagar por este benefício, como em tudo na vida: quanto maior o índice, maior o custo. Pelo menos você não teria que fazer como Fernando Pessoa que, segundo o biógrafo José Paulo Cavalcanti Filho, apesar de seus 12 graus de miopia, usava óculos com apenas 3 graus(!): “… com 12 graus de miopia, jamais poderia essa receita prescrever apenas 3 graus para seus óculos. Salvo para atender ‘a vaidade do próprio paciente, que terá ele mesmo pedido ao oculista a prescrição de um grau menor – em que seus olhos não ficassem miúdos, para quem os visse, pelo uso das grossíssimas lentes indicadas para quem tem 12 graus de miopia.” [FERNANDO PESSOA: UMA QUASE AUTOBRIOGRAFIA, José Paulo Cavalcanti Filho, 6a edição, Rio de Janeiro. Editora Record, 2012.]

E se, de repente, você achar tanta preocupação com a estética apenas uma frescura, vale a pena saber que há casos extremos que exigem, de fato, uma ação: uma miopia de 21 graus, por exemplo! Dia desses soube de uma aluna – cujo grau de miopia é 11 – que seu irmão tem miopia 20,50! E trouxe-me a receita e os óculos. Não que eu duvidasse, mas para o caso de ter que comprovar pra alguém que ache que miopia nos olhos dos outros é frescura!

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Para você não ter que usar óculos com lentes “fundo de garrafa”!

 

A compra de óculos de grau requer a escolha de uma armação – dentre tantas alternativas de formatos, cores, marcas e preços. E, no caso de uma pessoa que tenha miopia, há ainda a preocupação com a grossura das lentes! Isto porque as lentes que a miopia requer têm bordas grossas, como resultado da combinação de uma face plana com outra côncava ou da combinação de duas faces côncavas.

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Quanto maior o grau de miopia, mais grossas as lentes! E, como se não bastasse, há ainda outro efeito: os olhos do míope aparecem bem pequenos por trás das lentes. Quanto maior o grau da lente, maior a auto-estima necessária para abstrair o efeito sobre a estética do rosto do usuário!

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É exatamente dessa característica das lentes para miopia que surgiu o clássico termo – jocoso – “óculos de fundo de garrafa” (objeto obrigatório numa fantasia de nerd, por exemplo)!nerd_glasses_dork_geek

 

Acontece que não é apenas a geometria – os formatos esféricos das faces e seus respectivos raios – que determinam o grau da lente! O material de que a lente é feita – representado por um índice, chamado ‘índice de refração’ – também é decisivo para o grau da lente.

Essas relações entre o grau da lente (V), os raios de curvatura das faces (R1 e R2) e o índice de refração (n) do material da lente aparecem na chamada ‘equação dos fabricantes de lentes’ (até porque não poderia ser chamada de outra forma, concorda?!:

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Segundo esta equação, se o material da lente tiver baixo índice de refração, a lente terá que ser grossa para alcançar o (alto) grau necessário. Logo, se a lente for fabricada de um material com alto índice de refração, o grau necessário poderá ser conseguido com uma lente mais fina!

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No gráfico comparativo acima, vê-se uma lente de 6,0 graus. Repare que, para um índice 1,74, as dimensões da lente são praticamente a metade das dimensões necessárias com um material de índice 1,5! (bordas de 5,2 milímetros, em vez de 9,0 milímetros; corpo de 1,1 milímetro, em vez de 2,0 milímetros.)

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Logicamente, há um preço a pagar por este benefício, como em tudo na vida: quanto maior o índice, maior o custo. Pelo menos você não teria que fazer como Fernando Pessoa que, segundo o biógrafo José Paulo Cavalcanti Filho, apesar de seus 12 graus de miopia, usava óculos com apenas 3 graus(!): “… com 12 graus de miopia, jamais poderia essa receita prescrever apenas 3 graus para seus óculos. Salvo para atender ‘a vaidade do próprio paciente, que terá ele mesmo pedido ao oculista a prescrição de um grau menor – em que seus olhos não ficassem miúdos, para quem os visse, pelo uso das grossíssimas lentes indicadas para quem tem 12 graus de miopia.” [FERNANDO PESSOA: UMA QUASE AUTOBRIOGRAFIA, José Paulo Cavalcanti Filho, 6a edição, Rio de Janeiro. Editora Record, 2012.]

E se, de repente, você achar tanta preocupação com a estética apenas uma frescura, vale a pena saber que há casos extremos que exigem, de fato, uma ação: uma miopia de 21 graus, por exemplo! Dia desses soube de uma aluna – cujo grau de miopia é 11 – que seu irmão tem miopia 20,50! E trouxe-me a receita e os óculos. Não que eu duvidasse, mas para o caso de ter que comprovar pra alguém que ache que miopia nos olhos dos outros é frescura!

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