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Marketing Pro

por Agência Delantero

millennials

Millennials, não deixem que te chamem de millennial

Por Delantero em Opinião

03 de Maio de 2019

Já vi todo tipo de critério de recrutamento e seleção. Há quem contrate somente quem “já teve uma história de vida difícil”. Há quem prefira praticantes de triatlon. E há pré-requisitos mais bizarros. Já vi recrutador que não contrata quem pinta o cabelo, pois “não se trata de uma pessoa verdadeira”.

Após 6 anos entrevistando candidatos na Delantero e recebendo mais pedido de emprego que o iFood recebe de pizza, posso dizer que não há receita. Para recrutar, digo. Há gente de vida difícil, que faz de tudo para a situação piorar. E há uma moçada que tem grana e, mesmo assim, parece estar lutando por um prato de comida. Há triatletas cansados e sedentários empolgados. Bom, há de tudo, com ou sem cabelo pintado.

Isso porque o ser humano é um troço diverso, maravilhosamente diverso. “É o ser que inventou as câmaras de gás; mas é também aquele ser que entrou nas câmaras de gás, ereto, com uma oração nos lábios”, dizia Viktor Frankl.

Por isso, o resultado da corajosa enquete (https://bit.ly/2Ln6E4f) que a Unichristus lançou no seu Instagram causa algum espanto. A pesquisa era simples: a geração de hoje é preguiçosa ou dedicada, egoísta ou solidária, acomodada ou focada? O resultado não foi nada animador.

É uma geração preguiçosa para 78% dos votantes, egoísta para 83% e acomodada para 76%. Assim como no Datafolha, não há validade científica. Mas é possível inferir algumas coisinhas. Pode-se dizer, por exemplo, que os jovens que votaram – e a esmagadora maioria do público tinha entre 16 e 29 anos – não acreditam neles mesmos. E aqui não é papo de palestra motivacional ou restaurante vegano. Não acreditar em si mesmo normalmente é uma coisa boa. Mas, neste caso, a uniformidade da resposta negativa e a diferença no placar são alarmantes. Desconfio da causa.

Me parece que nós, trintões e quarentões, do alto dos nossos cargos e do nosso omeprazol matinal, despejamos sentenças condenatórias definitivas sobre a nova geração. Seja pela frustração do sucesso que prevíamos atingir e não alcançamos (sempre achamos que merecíamos ter chegado mais longe), seja por uma nostalgia boba que apaga o que foi ruim e rebobina apenas o que é bom, seja simplesmente para parecer melhor do que somos, rotulamos uma geração inteira afirmando categoricamente que o passado era muito, muito melhor. Sim, aquele mundo de fichas de telefone, Brahma ou Antarctica e caminhão da Sucam, de repente, nos remete ao próprio Éden. Nada mais injusto.

Fique tranquilo, caro millennial, o passado não era nada disso. E digo mais, millennials não existem. Há o João, a Carolina, o Mateus, com seus defeitos e qualidades. Porque, como dizia Nélson Rodrigues, “a mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito, ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades”.

 

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Millennials, não deixem que te chamem de millennial

Por Delantero em Opinião

03 de Maio de 2019

Já vi todo tipo de critério de recrutamento e seleção. Há quem contrate somente quem “já teve uma história de vida difícil”. Há quem prefira praticantes de triatlon. E há pré-requisitos mais bizarros. Já vi recrutador que não contrata quem pinta o cabelo, pois “não se trata de uma pessoa verdadeira”.

Após 6 anos entrevistando candidatos na Delantero e recebendo mais pedido de emprego que o iFood recebe de pizza, posso dizer que não há receita. Para recrutar, digo. Há gente de vida difícil, que faz de tudo para a situação piorar. E há uma moçada que tem grana e, mesmo assim, parece estar lutando por um prato de comida. Há triatletas cansados e sedentários empolgados. Bom, há de tudo, com ou sem cabelo pintado.

Isso porque o ser humano é um troço diverso, maravilhosamente diverso. “É o ser que inventou as câmaras de gás; mas é também aquele ser que entrou nas câmaras de gás, ereto, com uma oração nos lábios”, dizia Viktor Frankl.

Por isso, o resultado da corajosa enquete (https://bit.ly/2Ln6E4f) que a Unichristus lançou no seu Instagram causa algum espanto. A pesquisa era simples: a geração de hoje é preguiçosa ou dedicada, egoísta ou solidária, acomodada ou focada? O resultado não foi nada animador.

É uma geração preguiçosa para 78% dos votantes, egoísta para 83% e acomodada para 76%. Assim como no Datafolha, não há validade científica. Mas é possível inferir algumas coisinhas. Pode-se dizer, por exemplo, que os jovens que votaram – e a esmagadora maioria do público tinha entre 16 e 29 anos – não acreditam neles mesmos. E aqui não é papo de palestra motivacional ou restaurante vegano. Não acreditar em si mesmo normalmente é uma coisa boa. Mas, neste caso, a uniformidade da resposta negativa e a diferença no placar são alarmantes. Desconfio da causa.

Me parece que nós, trintões e quarentões, do alto dos nossos cargos e do nosso omeprazol matinal, despejamos sentenças condenatórias definitivas sobre a nova geração. Seja pela frustração do sucesso que prevíamos atingir e não alcançamos (sempre achamos que merecíamos ter chegado mais longe), seja por uma nostalgia boba que apaga o que foi ruim e rebobina apenas o que é bom, seja simplesmente para parecer melhor do que somos, rotulamos uma geração inteira afirmando categoricamente que o passado era muito, muito melhor. Sim, aquele mundo de fichas de telefone, Brahma ou Antarctica e caminhão da Sucam, de repente, nos remete ao próprio Éden. Nada mais injusto.

Fique tranquilo, caro millennial, o passado não era nada disso. E digo mais, millennials não existem. Há o João, a Carolina, o Mateus, com seus defeitos e qualidades. Porque, como dizia Nélson Rodrigues, “a mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito, ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades”.