MOUSE OU MENOS - por Nonato Albuquerque 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

O SENHOR ESQUECEU DE PAGAR AS COMPRAS

Por Nonato Albuquerque em Conto, Sem categoria

10 de julho de 2019


Dia desses eu tive um desprendimento. Essa coisa do eu sair do corpo e volitar pela dimensão dos sonhos. Os místicos dizem fazer isso com naturalidade. Eu me vi em Iguatu, cidade do interior cearense, onde já morei. Numa mercearia eu ia comprar um quilo de pedras. Curioso né? Mais ainda de saber que a dona da bodega achava a coisa normal e ao pesar as pedrinhas me dizia:

– Tudo pedrinha de primeira. Da melhor qualidade. Seixos do Jaguaribe que a gente apanha ali no Alto do Jucá.

Pois num era mesmo! Sabe aquelas pedrinhas que a gente encontra na beira dos rios? Seixos, isso. Minúsculas, lavadinhas, bem torneadaszinhas, como se a mão de um bom artífice as tivesse esculpidos com devotado brio.

Pois bem, o sonho me levara a essa mercearia para comprar pedras… para uma sopa! Sopa de pedras.

Eu também fiz essa cara de espanto, como você acabou de fazer. Mas fazer o quê? Eu sabia que aquilo era um sonho. E em sonho tudo é possível.

Comigo, mais duas senhoras de iguais aparência, esperavam a hora de ser atendidas. A dona da mercearia, ao me ver fez uma cara de surpresa e pensou:

– “Meu Deus, olha quem está aqui? Aquele homem da tv! – pois eu li desse jeito a o pensamento dela. E nem tinha aqueles balões das histórias de quadrinhos. Era sonho.

Eu pensei de ela se surpreender com a roupa que eu estava: um calção véi e um par de havaianas de tiras “que não largam cheiro”. Nu da cintura pra cima, naquele pequeno armazém de secos e molhados da rua da feira, estava eu. Era sonho.

No fiteiro sobre o balcão, me deliciei ver duas batidas, dessas de moagem – as bichinhas pareciam ter saído do engenho indagorinha.

Quando a mulher voltou para me entregar as compras, notei que uma das clientes havia saído. E deixara o celular sobre o balcão.

A senhora da venda pediu-me que eu verificasse se havia algum registro no número do aparelho que a identificasse. E eu vi, tinha. O nome dela, o endereço onde morava – na praça da matriz de Senhora Santana – o número do celular e uma foto. Resolvi ir até lá devolver-lhe o objeto.

Quando ia me retirando da bodega, ainda deu pra ouvir a vendedora cutucar a cliente e dizer baixinho:

– Num parece aquele homem da tv?

A cliente me olhou, de alto a baixo, com um ar de muxoxo danado e disse entre os dentes:

– É não, mulher. Homem de tv ia andar tão malamanhado assim! – e deu uma rabissaca.

Atravessei a rua em direção à praça da matriz, enquanto carros passavam, aproveitando o sinal aberto para eles. E eu passava por entre eles. Por dentro deles, dá pra entender? Isso! Era sonho.

Foi nesse instante que fui acordando, lembrando-me de todos os detalhes, como estou contando agora.

Desperto, ouço o meu celular tocar. Salto da cama. Tiro o aparelho da tomada onde estava carregando. Atendo. Sabe quem era? A mulher da bodega! Pra me contar que a dona do celular não recebera o aparelho, que eu prometera deixar na casa dela. Geente!

Dava pra estarrecer! E estarreci. Ora, eu eu já não estava mais sonhando. E como é que alguém, lá da dimensão da fantasia, conseguia ligar pra mim que estava desperto? Não era mais sonho.

Como se fosse pouca a surpresa, uma outra veio de carona. A voz da mulher, mudou o tom e gritou no meu ouvido:

– E tem mais: o senhor esqueceu de pagar as compras.

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EGOÍSMO, A CHAGA DA HUMANIDADE

Por Nonato Albuquerque em COMPORTAMENTO

26 de junho de 2019

A criação do programa FOME ZERO, pelo sociólogo Herbet de Souza (o Betinho) foi um marco na história recente deste País. Ele abriu os olhos para o drama de muitas famílias que passam fome nos grotões do Brasil e, principalmente, nas grandes cidades como Fortaleza.

O drama da família que, por necessidade, passou a morar numa calçada é mais um desses exemplos de como ainda há problemas dessa natureza, enquanto cometemos tantos desperdícios no dia-a-dia.

Enquanto há fome e miséria, existe desperdício de alimentos. Só o excedente da Ceasa, aquilo que não é vendido e é jogado no lixo no final do expediente, dá pra alimentar 10 mil crianças. Ontem foi lançado um programa para aproveitamento das frutas, verduras e legumes que seriam jogados no lixo e vão ser transformados em sopas e polpas.

Não vai resolver o problema da fome, sabemos. Mas é tão importante essa disposição de se doar em favo de uma causa tão nobre, para evitar que outras famílias venham a perecer nas ruas.

Na verdade, o problema maior do mundo não é só o desemprego, a violência e as doenças que vitimizam as pessoas. O problema maior do mundo é o egoísmo.

Ela é a chaga da humanidade, que impede o progresso moral da Terra, quando poucos detém tanto e muitos não têm quase nada.

Enquanto cada um de nós não tratar essa mazela do egoísmo, como o grande câncer da sociedade humana, seremos miseravelmente pobres, por mais riquezas  que imaginemos possuir.

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A Casa da Sopa

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

25 de junho de 2019

Num mundo cheio de contrastes e de desafios, onde a violência impera e os gestos de bondade são cada vez mais escassos, é fantástico descobrir ilhas de bons exemplos no mar de angústias que todos vivemos. Cito um deles, aqui mesmo em Fortaleza: a Casa da Sopa. Uma organização não governamental que, há dez anos, presta auxílio aos que vivem em situação de rua. Trabalho do voluntariado anônimo que o faz pelo lema do servir por servir.

Ela fica ali na rua Assunção. Diariamente, abre suas portas às seis da tarde para receber dezenas de párias sociais, que perderam seus laços de afeto familiares e perambulam pelas ruas, convivendo com a consequência de histórias germinadas em situações muitas.

Ninguém nasce, nem cresce, para se tornar morador de rua. São os atos impensados de cada um que geram essa consequência.

Se o olhar não compassivo de todos nós em relação a eles, não contemporiza o entendimento dessa realidade é que o egoísmo ainda nos nivela a alma e não temos sentimentos que os considere nossos irmãos.

A Casa da Sopa, coordenada pelo Leonardo e alguns voluntários, faz o que as autoridades deveriam. Voltar o olhar para garantir o mínimo possível a quem vive o máximo de necessidades. Não é muito. É um prato de sopa. Um banho. Um acolhimento. Um atendimento médico. E o aconselhamento para que essa gente não se perca da caminhada que todos nós enfrentamos em busca de um objetivo.

Na Casa da Sopa, o objetivo é o bem – já que tantos no mundo se recolhem ao seu egoísmo e ao seu individualismo como se o próximo não fosse o passaporte para nos elevar a condição de inscritos para o céu.

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Por Nonato Albuquerque em Sem categoria

25 de junho de 2019

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P de poesia: Báratro de dor

Por Nonato Albuquerque em POESIA

18 de junho de 2019

Báratro de dor 

Nonato Albuquerque

Eu ouço anjos
nas vozes dos meninos, aquietando silêncio.
Nas preces dos que nada pedem a Providência.
Na alegria de quem não guarda mágoa alguma
de quem lhe tirou o pão que lhe sacia a fome.Eu vejo santos
na sagrada inocência de adultos que, virtuosos,
não se arvoram em reclamar alguma prioridade
e na fila dos comensais aguardam tranquilos
a boia anunciada pelo profeta para os fins dos tempos.

Quem tem poder
de separar o joio desse trigo que abunda nas ruas
e que, nos lares esvaziados, consomem-se todos
no aguardo da promessa crística de alçar ao paraíso?

A vida é longa
para a brevidade da existência que nos dá a matéria
a fim de afugentar os miasmas de outras jornadas
feitas a fogo e ferro, no báratro de dor que é a Terra.

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Fortaleza, casa nossa sem dono

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

18 de junho de 2019

Uma cidade é a casa de todos. E toda casa só se define como verdadeiro lar, quando ela oferece condições ambientais para a verdadeira convivência. Ninguém vive bem numa casa desarrumada. Com lixo, entulhos e, principalmente, problemas funcionais que atingem sua própria estrutura.

Fortaleza é assim como uma grande casa. Abriga cearenses e visitantes. Tem tudo para ser a moradia ideal daqueles que aqui nascem e dos que a elegem como local de habitação, mas como toda grande casa – ou melhor, toda grande cidade, evidentemente, tem lá seus problemas.

Problemas provocados pela falta de cuidados dos que nela habitam e, claro, pelas intempéries que surgem com o passar do tempo.

Basta chover na cidade para se criar um pandemônio. No trânsito, nos sinais que se fixam no amarelo intermitente. Nos alagamentos, invadindo casas e desabrigando gente.Nos canais que transbordam.

Assim como uma casa cheia de goteiras, Fortaleza tem o equivalente no piso. Gente, o acúmulo das águas e a dificuldade de se escoarem provocam problemas no assoalho da cidade. E surgem os buracos. Alguns viram crateras. Causam danos e transtornos.

Hoje, Fortaleza é um retrato real de uma casa repleta de buracos. O registro deles na mídia se evidenciou com a voz do povo reclamando soluções. Os donos desse imóvel-cidade dizem que estão fazendo a sua parte. Esperamos. Mas é preciso que se dê qualidade aos serviços.

São famosos os casos de “asfalto-sonrisal”, que na primeira neblina já se desmancha. Se não for um serviço de vergonha, a casa deixa de ser o lar da gente. E a vontade é de não pagar mais o aluguel – que são os impostos, por serviços que nunca estão nas mesma proporção do esforço coletivo que se faz quando se paga tantos tributos pra se ter o que, infelizmente, não se tem.

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A segurança da cadeirinha

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

13 de junho de 2019

Nada acontece por acaso. Diante de medidas consideradas absurdas, como a dispensa da cadeirinha para transportar crianças, é incrível como vem um fato para chamar atenção, exatamente nesse aspecto.

O governo baixou algumas medidas que alteram o potencial de alerta no trânsito. A retirada dos fotosenssores das rodovias federais, oportunizando a que os transgressores da lei possam empurrar o pé no acelerador ultrapassando os limites de segurança.

Uma outra iniciativa, a de retirar as cadeirinhas que facilitam transportar crianças no banco traseiro, é outro ponto que vem sendo discutido. Como para reforçar a importância desse equipamento, eis que ocorre um acidente vitimando uma criança que foi arremessada fora do veículo sinistrado.

Ela viajava sem a devida proteção. Sem a cadeirinha. E sem o cinto de segurança.

Alguém vai dize que acidentes acontecem e, mesmo que a família não tivesse dispensado o uso da cadeirinha, poderia ter ocorrido o acidente. Mas se estivesse ela adequadamente protegida, provavelmente, seu corpo não teria sido arremessado para fora do transporte.

Segundo especialistas e legisladores, esse governo tem tomado medidas consideradas incorretas no tocante à segurança do cidadão no trânsito.

Da nossa parte, é preciso bom senso e, mesmo que não seja cobrada multa, não custa nada ser previdente. E fazer a parte que nos toca nesse trânsito louco.

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Namorados da Vida

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

12 de junho de 2019

Hoje é o dia dos namorados. Uma data sempre promissora ao enlevo de casais que se descobrem afetivamente e àqueles que, já unidos em matrimônio, não perdem a chance de celebrar as venturas desse afeto.

Quiçá, o enlevo dessa data, pudesse ser incorporado a outras paixões. O de se namorar sempre a Vida, como o maior tesouro que temos, evitando tantos desentendimentos e tormentos que a alma humana concilia.

Quem dera que enamorados da Vida compreendessem quão gratificante é respeitar os sagrados direitos da existência, não chegando jamais a ameaçar a vida de si mesmo e a dos outros.

Se a gente tivesse sempre o pensamento voltado para o bem da Vida, não haveriam as disputas, as ofensas, as brigas, que chegam às vias do fato e culminam com as perdas de entes queridos.

Quem namora a Vida, celebra sempre a paz como bandeira de abrigo. E faz por onde não causar nenhum dano a quem quer que seja.

E aos namorados, a quem a data confere homenagear, é necessário lembrar que o amor é a fortaleza comum dos dois. Que se vença com ele, a terrível praga do ciúme. E que sejam afetuosos, não só agora na época do namoro. Mas que haja respeito e consideração entre os que se unem e que responderão pelo bem estar da família e pela melhoria do Planeta que nos acolhe.

Feliz dia dos que namoram a Vida em toda a sua plenitude.

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O PLANETA ESCOLA, HOSPITAL E PRESÍDIO

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

11 de junho de 2019

Tantos crimes bárbaros. Tanta gente fazendo o mal. Tantos horrores que, às vezes, nos levam a desacreditar na melhoria do mundo. Mas é mera impressão.

A Terra, todos sabemos, não é nenhum ‘spa’ – não é nenhum hotel de cinco estrelas, nem um remanso onde seus habitantes desfrutem de tranquilidade e descanso. O planeta onde moramos mais parece uma escola, onde buscamos nos alfabetizar dos valores maiores da vida. Crescer com ajuda da família e da educação formal.

Para uma outra boa parte da humanidade, o planeta assemelha-se mesmo a um grande hospital, onde doentes de todos os males, buscam medicar-se para restabelecimento da saúde – seja física ou mental. O mais incrível é que os doentes da alma superam os doentes do corpo, com suas atitudes desequilibradas.

Mas a Terra, onde estamos de passagem, tem sido para grande parcela dos indivíduos nada mais do que uma espécie de presídio, onde fomos lançados à guisa de purgar algumas faltas e equívocos.

Nessa linha de raciocínio, pode olhar como tem gente que se sente prisioneira de si. De regras. De obediências, até porque são necessárias para o aprimoramento das pessoas.

Há casos de prisioneiros que se ressentem mais nas suas mazelas. São os que sofrem com as restrições do físico – os com algum tipo de deficiência – ou se vêem constrangidos pela ignorância absurda dos que ainda detém algum tipo de preconceito. Seja por conta da raça, da cor, do sexo, da religião.

Na Terra, nada é perfeito. Ninguém pode considerar-se melhor ou pior do que outros. Todos somos iguais. Todos estamos no mesmo barco. E diante daquele que se desgraça no crime e na dor, não esqueçamos de que devemos a eles, no mínimo, o desejo de que, algum dia, eles também melhorem.

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Sobre coisas que sabemos e não colocamos em prática: o perdão

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

31 de Maio de 2019

Um mentor espiritual de grande envergadura moral ao se referir sobre a questão do perdão lembra que é preciso ter paciência com os erros nossos e, principalmente, os dos outros. Somos seres em construção. Ninguém é perfeito.

A gente costuma reclamar sempre de quem erra. No entanto, diz o mestre, antes de acusar, silencie. É preciso perdoar e servir sempre.

Diante da mãe que tenta tirar a vida do pequeno filho, lançando numa correnteza, medite. Provavelmente ela não exibe as marcas da enfermidade com que, talvez, amanhã se recolha à sombra de um hospício.

Alguém passou por você e não respondeu a cordialidade do cumprimento? Pense na possibilidade de algum motivo inconfesso de dor e tormento que ela deva estar convivendo.

Aquele que, tendo cargo de chefia e por falta de humildade, desconhece a prática da bonomia, de ser cortês com seus pares, é mais infeliz do que os infelicitados por ele. Os que oprimem subalternos se esquecem de que, em breve tempo, podem perder o cargo e até cair sob o golpe da morte.

Por isso, importa perdoar sempre; porque os ofensores de qualquer condição carregam consigo o remorso, como espinho de fogo encravado no próprio ser.

Antes de qualquer julgamento antecipado, contra quem quer que seja, cale a sua voz de acusação. Permita-se à certeza de que, todos nós, estamos na escola de aprendizado terreno. E ninguém ainda tirou diploma de autoridade maior para julgar os que, a exemplo de todos nós, ainda não se edificaram no aprendizado do Bem.

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Sobre coisas que sabemos e não colocamos em prática: o perdão

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

31 de Maio de 2019

Um mentor espiritual de grande envergadura moral ao se referir sobre a questão do perdão lembra que é preciso ter paciência com os erros nossos e, principalmente, os dos outros. Somos seres em construção. Ninguém é perfeito.

A gente costuma reclamar sempre de quem erra. No entanto, diz o mestre, antes de acusar, silencie. É preciso perdoar e servir sempre.

Diante da mãe que tenta tirar a vida do pequeno filho, lançando numa correnteza, medite. Provavelmente ela não exibe as marcas da enfermidade com que, talvez, amanhã se recolha à sombra de um hospício.

Alguém passou por você e não respondeu a cordialidade do cumprimento? Pense na possibilidade de algum motivo inconfesso de dor e tormento que ela deva estar convivendo.

Aquele que, tendo cargo de chefia e por falta de humildade, desconhece a prática da bonomia, de ser cortês com seus pares, é mais infeliz do que os infelicitados por ele. Os que oprimem subalternos se esquecem de que, em breve tempo, podem perder o cargo e até cair sob o golpe da morte.

Por isso, importa perdoar sempre; porque os ofensores de qualquer condição carregam consigo o remorso, como espinho de fogo encravado no próprio ser.

Antes de qualquer julgamento antecipado, contra quem quer que seja, cale a sua voz de acusação. Permita-se à certeza de que, todos nós, estamos na escola de aprendizado terreno. E ninguém ainda tirou diploma de autoridade maior para julgar os que, a exemplo de todos nós, ainda não se edificaram no aprendizado do Bem.