20 de outubro de 2016 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

20 de outubro de 2016

Cobaia do fim do mundo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

20 de outubro de 2016

O dia-a-dia de quem lê jornal, ouve rádio e abre a tv tem sido marcado por um volume  bastante expressivo de notícias ligadas à área de segurança. Não há como fugir de uma realidade que nem é propriedade nossa, mas do mundo inteiro. Segurança – ou melhor, a falta dela – é algo que se tornou tão perceptível aos nossos olhos, porque autoridades em todo o mundo sempre empurraram com a barriga esse tema.

Quando no Rio, o morro invadiu a cidade; a cracolândia assombrou quem transitava pelas avenidas paulistas; e as gangues passaram a determinar quem devia viver na conturbada área compreendida entre o Lagamar e Aerolândia; é que se percebeu que alguma coisa estranha estava acontecendo. Senão vejamos: cresceu o número de consumidores de drogas. O de menores agindo sob efeito delas e cooptados por adultos. Quando foragidos de outras paragens, afugentados pelas operações de pacificação dos morros cariocas, vieram dar com os costados em áreas do Eusébio, Aquiraz e outras cidades litorâneas, começou-se a sentir que o ar já contaminado por episódios criminosos ficara ainda mais perturbado. Governantes passaram a investir em programas de combate à violência. Comprou-se carros, motos – até uns dispensáveis ‘segways’ para se mostrar aos turistas da Beira Mar -, além de armamentos para reforço do aparelho policial. O que se vendeu de cerca elétrica para residências, ninguém conta. Casas e lojas de comércio adotaram câmeras de segurança, na ilusória tentativa de que tudo isso desestimularia os atos violentos. Que nada!

Como a fazer frente a isso, a violência parecia se vitaminar de novos ingredientes com a chegada de grupos criminosos que se associavam à corrente do crime organizado, como se recebessem deles orientações para agir com mais ousadia, sem medo de mostrar a cara para as câmeras e sem temor de deparar-se com a figura do Estado repressor.

Agora, ouço falar que moradores do bairro Cajazeiras, importunados pelos constantes assaltos e pela falta de policiamento, estão querendo construir um muro para tentar barrar o acesso de criminosos que os tem deixado intranquilos. Gente, somente o desespero levaria o cidadão de bem a essa saída desesperadora. Nem as arrasadas cidades da Síria em guerra chegaram a uma iniciativa dessas que, em última análise, so revela a incapacidade do Estado em prover a população com o mínimo de segurança. É preciso reprogramar o sistema de segurança, que passa não pelo aparelhamento policial, mas por um projeto de educação de toda sua gente. Afinal, Fortaleza não tem vocação para ser cobaia do fim do mundo.

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Cobaia do fim do mundo

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

20 de outubro de 2016

O dia-a-dia de quem lê jornal, ouve rádio e abre a tv tem sido marcado por um volume  bastante expressivo de notícias ligadas à área de segurança. Não há como fugir de uma realidade que nem é propriedade nossa, mas do mundo inteiro. Segurança – ou melhor, a falta dela – é algo que se tornou tão perceptível aos nossos olhos, porque autoridades em todo o mundo sempre empurraram com a barriga esse tema.

Quando no Rio, o morro invadiu a cidade; a cracolândia assombrou quem transitava pelas avenidas paulistas; e as gangues passaram a determinar quem devia viver na conturbada área compreendida entre o Lagamar e Aerolândia; é que se percebeu que alguma coisa estranha estava acontecendo. Senão vejamos: cresceu o número de consumidores de drogas. O de menores agindo sob efeito delas e cooptados por adultos. Quando foragidos de outras paragens, afugentados pelas operações de pacificação dos morros cariocas, vieram dar com os costados em áreas do Eusébio, Aquiraz e outras cidades litorâneas, começou-se a sentir que o ar já contaminado por episódios criminosos ficara ainda mais perturbado. Governantes passaram a investir em programas de combate à violência. Comprou-se carros, motos – até uns dispensáveis ‘segways’ para se mostrar aos turistas da Beira Mar -, além de armamentos para reforço do aparelho policial. O que se vendeu de cerca elétrica para residências, ninguém conta. Casas e lojas de comércio adotaram câmeras de segurança, na ilusória tentativa de que tudo isso desestimularia os atos violentos. Que nada!

Como a fazer frente a isso, a violência parecia se vitaminar de novos ingredientes com a chegada de grupos criminosos que se associavam à corrente do crime organizado, como se recebessem deles orientações para agir com mais ousadia, sem medo de mostrar a cara para as câmeras e sem temor de deparar-se com a figura do Estado repressor.

Agora, ouço falar que moradores do bairro Cajazeiras, importunados pelos constantes assaltos e pela falta de policiamento, estão querendo construir um muro para tentar barrar o acesso de criminosos que os tem deixado intranquilos. Gente, somente o desespero levaria o cidadão de bem a essa saída desesperadora. Nem as arrasadas cidades da Síria em guerra chegaram a uma iniciativa dessas que, em última análise, so revela a incapacidade do Estado em prover a população com o mínimo de segurança. É preciso reprogramar o sistema de segurança, que passa não pelo aparelhamento policial, mas por um projeto de educação de toda sua gente. Afinal, Fortaleza não tem vocação para ser cobaia do fim do mundo.