31 de outubro de 2016 - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

31 de outubro de 2016

Multas sobem, mas cai o ideal educativo que se deve ao trânsito

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

31 de outubro de 2016

Hoje eu vi uma cena bastante comum, que revela o desrespeito às normas de trânsito. Um motoqueiro circulava na contramão, com uma mulher e um menor na garupa. Os três sem capacetes. Passaram diante de uma viatura da Polícia, bem em frente, sem que lhes fosse feita nenhuma advertência para lembrá-los da obediência à lei. Ah! Nonato, mas não eram agentes de trânsito, dirão vocês. Mas eram agentes de segurança. Se aos ocupantes da moto era evidente a transgressão às normas de trânsito, parecia sobrar aos agentes de segurança um involuntário conluio com o erro. O que eu quero dizer é que nenhum dos ocupantes da viatura teve atenção para exercitar, naquela momento, o verdadeiro sentido da concidadania. O ideal da polícia cidadã. De chegar, parar a moto e dizer aos ocupantes que eles estavam errados. Mesmo que eles não fossem agentes de trânsito.

Numa sociedade civilizada, onde esse tipo de coisa funcione, os indivíduos provavelmente saberão respeitar as normas até por uma questão de consciência. Infelizmente no Brasil, não se teme a autoridade. Teme-se a multa. Multa que, aliás, passa a ser reajustada a partir de amanhã, numa tentativa muito mais de meter a mão no bolso do cidadão, do que propor um sentido educativo.

Só pra se ter uma ideia, além do aumento nos valores, a legislação fará outras mudanças no Código de Trânsito Brasileiro. As infrações de natureza leve são as que sofrerão maior reajuste. O valor passará dos atuais R$ 53,20 para R$ 88,38, uma correção de 66%. Já as multas consideradas gravíssimas, hoje R$ 191,54, passarão para R$ 293,47 –um crescimento de 53%. Dirigir com celular deixa de ser uma infração média e passará a ser gravíssima. Estacionar irregularmente em vaga de idosos ou de pessoas com deficiência e se recusar a fazer o teste do bafômetro, que não era infração, também passam a ser gravíssimas. Claro que não somos contra a punição dos erros de guiadores via cobrança de multa – que se cobre de quem erra. Mas no Brasil, infelizmente, as leis parecem funcionar apenas com esse objetivo de multar.

Você estacionar numa vaga de idoso é multa gravíssima; mas atropelar uma criança e sair arrastando ela por uns 10 metros, como o caso do pequeno Kaíque, sem prestar nenhum tipo de assistência, não dá multa e tampouco levará o culpado à prisão. Pode até ir num primeiro instante, ir à delegacia, prestar um depoimento, pagar uma fiança e ser posto depois em liberrdade para continuar dirigindo. Me aponte uma só pessoa que esteja presa nas cadeias por crime de trânsito. Não é que esse tipo de crime não exista; existe sim. Mas aí, a lei se mostra branda e não chega a atingir os que erram. No país, há mais eficiência em usar a máquina arrecadadora do que exercitar o verdadeiro sentido educacional. Educá-lo para o trânsito com vistas a que ele se porte como um verdadeiro cidadão.

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Multas sobem, mas cai o ideal educativo que se deve ao trânsito

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

31 de outubro de 2016

Hoje eu vi uma cena bastante comum, que revela o desrespeito às normas de trânsito. Um motoqueiro circulava na contramão, com uma mulher e um menor na garupa. Os três sem capacetes. Passaram diante de uma viatura da Polícia, bem em frente, sem que lhes fosse feita nenhuma advertência para lembrá-los da obediência à lei. Ah! Nonato, mas não eram agentes de trânsito, dirão vocês. Mas eram agentes de segurança. Se aos ocupantes da moto era evidente a transgressão às normas de trânsito, parecia sobrar aos agentes de segurança um involuntário conluio com o erro. O que eu quero dizer é que nenhum dos ocupantes da viatura teve atenção para exercitar, naquela momento, o verdadeiro sentido da concidadania. O ideal da polícia cidadã. De chegar, parar a moto e dizer aos ocupantes que eles estavam errados. Mesmo que eles não fossem agentes de trânsito.

Numa sociedade civilizada, onde esse tipo de coisa funcione, os indivíduos provavelmente saberão respeitar as normas até por uma questão de consciência. Infelizmente no Brasil, não se teme a autoridade. Teme-se a multa. Multa que, aliás, passa a ser reajustada a partir de amanhã, numa tentativa muito mais de meter a mão no bolso do cidadão, do que propor um sentido educativo.

Só pra se ter uma ideia, além do aumento nos valores, a legislação fará outras mudanças no Código de Trânsito Brasileiro. As infrações de natureza leve são as que sofrerão maior reajuste. O valor passará dos atuais R$ 53,20 para R$ 88,38, uma correção de 66%. Já as multas consideradas gravíssimas, hoje R$ 191,54, passarão para R$ 293,47 –um crescimento de 53%. Dirigir com celular deixa de ser uma infração média e passará a ser gravíssima. Estacionar irregularmente em vaga de idosos ou de pessoas com deficiência e se recusar a fazer o teste do bafômetro, que não era infração, também passam a ser gravíssimas. Claro que não somos contra a punição dos erros de guiadores via cobrança de multa – que se cobre de quem erra. Mas no Brasil, infelizmente, as leis parecem funcionar apenas com esse objetivo de multar.

Você estacionar numa vaga de idoso é multa gravíssima; mas atropelar uma criança e sair arrastando ela por uns 10 metros, como o caso do pequeno Kaíque, sem prestar nenhum tipo de assistência, não dá multa e tampouco levará o culpado à prisão. Pode até ir num primeiro instante, ir à delegacia, prestar um depoimento, pagar uma fiança e ser posto depois em liberrdade para continuar dirigindo. Me aponte uma só pessoa que esteja presa nas cadeias por crime de trânsito. Não é que esse tipo de crime não exista; existe sim. Mas aí, a lei se mostra branda e não chega a atingir os que erram. No país, há mais eficiência em usar a máquina arrecadadora do que exercitar o verdadeiro sentido educacional. Educá-lo para o trânsito com vistas a que ele se porte como um verdadeiro cidadão.