Por falta de esperança ninguém morre - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

Por falta de esperança ninguém morre

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

20 de julho de 2019

Eu me chamo Brasil. Senhor Brasil. Sobrenome, atualmente, Pátria Amada. Há quem desejasse armada no lugar de amada. Moro ali abaixo da Linha do Equador, onde dizem que todo pecado será perdoado. Mas o último que cometeram comigo, eu não perdoo nunca. De jeito nenhum. Só me trouxe dissabores. Consequências gravíssimas. Foi em novembro passado.

Eu, particularmente, já andava meio sem rumo, entontecido por um golpe que me aplicaram na cabeça, sob a anestésica alegação de que, os que cuidavam de mim, andaram pisando na bola – ou melhor dando pedaladas e, para restaurar minha autonomia, deram-me uma medicação que é de fazer ‘temer’ a qualquer paciente.

A prescrição médica, nesses casos, orienta que o calmante ‘Eleições’ seja aplicado de quando em vez, para que se atinja aos efeitos reparadores. Na vida, isso tem sido a fórmula mágica a que chamamos de esperança. Vivemos dela, desde que inventaram a estória de que ela é a última que morre. Por isso, acharam de me aplicar uma dose que, por conta do mau uso da bula, acabou em efeitos colaterais dos diabos. Fizeram comigo regressão de memória. Tinham expectativa de que eu voltaria a um tempo melhor. Voltei foi ao tempo das trevas.

É verdade que eu tinha algumas saídas para a crise; escapatórias simples, mas parte dos consultados no pleito, preferiu me encaminhar para fazer um tratamento de regressão, a fim de ver se achavam o X do problema. Confesso que, até me animei com essa possibilidade, com o uso dessas terapias alternativas,  chegar a tempos passados onde eu vivi uma época mais saudável, do ponto de vista econômico. Onde a minha moeda era mais forte. Onde a inflação não se inflamava tanto. Onde, imaginei, pudesse voltar a tempos do ‘sonho de JK’ – crescer 50 anos em 5.

Miséria! Regrediram tanto que eu fui parar na Idade Média. Onde o absolutismo parece conviver com as regras mais insensatas do ponto de vista cultural, econômico e social.

O terapeuta que escolheram para me tratar chegou a diagnosticar que eu sou um paciente tratado com quimioterapia. Então, fiquei preocupado; não com o diagnóstico, mas com o profissional que me deram.

Sua primeira ação (e a única, até aqui) foi cortar as veias por onde, ele dizia sangrar o fulcro da energia da memória – que em outros tempos, alguém as nomimou de ‘vagabundos’. Lembram-se da dose efeagácequiana, que administram em mim?

Bem, estou doente sim; muito mais pela imperícia médica de quem me trata atualmente, usando modelo que a Ciência humana já havia descartado há um bom tempo. Preciso de reformas sim, reconheço. Mas não as que se fazem atualmente sob os auspícios de proteger os mais fortes e não os mais fracos.

Sabe aquela proibição de usar o medicamento da liberdade de expressão, que é tão bom para a saúde do corpo e da alma? Estão fazendo isso comigo. O efeito retroativo desse sistema está me tirando as forças dos membros da Educação, Cultura, Humanismo, Ciência Social e outras vértebras indispensáveis ao funcionamento desse paciente Brasil.

Tinha esperança que uma profecia – e a gente adora uma promessa de mudança, nem que seja pra se dar mal – de que hoje, 20 de julho era a data limite da casa onde moro, pudesse justificar o fim desse malefício. Quem sabe, acabando com tudo, vislumbrasse a promessa – e como a gente adora uma promessa, ne? – de uma vida melhor na outra vida. Que nada! O mundo, mais uma vez, não acabou.

Agora, o filho do médico, menino de notáveis prodígios na culinária – fritou hamburguer no Maine – está reclamando um lugar, no lugar que é destinado aos que cursam o Itamaraty. Dizem que ele quer fazer embaixada lá. O Tite poderia convocá-lo para a seleção. Se não for bom de bola – que de cabeça já não bate bem – seria útil no preparo das merendas dos jogadores.

Como eu dizendo: o mundo não acabou. Eu não voltei ainda do hipnotismo que me aplicaram. Continuo anestesiado, doido pra voltar para 2019, na esperança de que eu me recomponha. Mas, o dito cujo, cujo nome eu não dito, disse que tenho que aguardar o receituário de 2022, quando novamente vão me dar um chá de povo.

Que seja de povo de bom senso. Pois o último que tomei, mais parecia de zabumba. Me deixou nessa lombra disgramada.

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Por falta de esperança ninguém morre

Por Nonato Albuquerque em ARTIGO

20 de julho de 2019

Eu me chamo Brasil. Senhor Brasil. Sobrenome, atualmente, Pátria Amada. Há quem desejasse armada no lugar de amada. Moro ali abaixo da Linha do Equador, onde dizem que todo pecado será perdoado. Mas o último que cometeram comigo, eu não perdoo nunca. De jeito nenhum. Só me trouxe dissabores. Consequências gravíssimas. Foi em novembro passado.

Eu, particularmente, já andava meio sem rumo, entontecido por um golpe que me aplicaram na cabeça, sob a anestésica alegação de que, os que cuidavam de mim, andaram pisando na bola – ou melhor dando pedaladas e, para restaurar minha autonomia, deram-me uma medicação que é de fazer ‘temer’ a qualquer paciente.

A prescrição médica, nesses casos, orienta que o calmante ‘Eleições’ seja aplicado de quando em vez, para que se atinja aos efeitos reparadores. Na vida, isso tem sido a fórmula mágica a que chamamos de esperança. Vivemos dela, desde que inventaram a estória de que ela é a última que morre. Por isso, acharam de me aplicar uma dose que, por conta do mau uso da bula, acabou em efeitos colaterais dos diabos. Fizeram comigo regressão de memória. Tinham expectativa de que eu voltaria a um tempo melhor. Voltei foi ao tempo das trevas.

É verdade que eu tinha algumas saídas para a crise; escapatórias simples, mas parte dos consultados no pleito, preferiu me encaminhar para fazer um tratamento de regressão, a fim de ver se achavam o X do problema. Confesso que, até me animei com essa possibilidade, com o uso dessas terapias alternativas,  chegar a tempos passados onde eu vivi uma época mais saudável, do ponto de vista econômico. Onde a minha moeda era mais forte. Onde a inflação não se inflamava tanto. Onde, imaginei, pudesse voltar a tempos do ‘sonho de JK’ – crescer 50 anos em 5.

Miséria! Regrediram tanto que eu fui parar na Idade Média. Onde o absolutismo parece conviver com as regras mais insensatas do ponto de vista cultural, econômico e social.

O terapeuta que escolheram para me tratar chegou a diagnosticar que eu sou um paciente tratado com quimioterapia. Então, fiquei preocupado; não com o diagnóstico, mas com o profissional que me deram.

Sua primeira ação (e a única, até aqui) foi cortar as veias por onde, ele dizia sangrar o fulcro da energia da memória – que em outros tempos, alguém as nomimou de ‘vagabundos’. Lembram-se da dose efeagácequiana, que administram em mim?

Bem, estou doente sim; muito mais pela imperícia médica de quem me trata atualmente, usando modelo que a Ciência humana já havia descartado há um bom tempo. Preciso de reformas sim, reconheço. Mas não as que se fazem atualmente sob os auspícios de proteger os mais fortes e não os mais fracos.

Sabe aquela proibição de usar o medicamento da liberdade de expressão, que é tão bom para a saúde do corpo e da alma? Estão fazendo isso comigo. O efeito retroativo desse sistema está me tirando as forças dos membros da Educação, Cultura, Humanismo, Ciência Social e outras vértebras indispensáveis ao funcionamento desse paciente Brasil.

Tinha esperança que uma profecia – e a gente adora uma promessa de mudança, nem que seja pra se dar mal – de que hoje, 20 de julho era a data limite da casa onde moro, pudesse justificar o fim desse malefício. Quem sabe, acabando com tudo, vislumbrasse a promessa – e como a gente adora uma promessa, ne? – de uma vida melhor na outra vida. Que nada! O mundo, mais uma vez, não acabou.

Agora, o filho do médico, menino de notáveis prodígios na culinária – fritou hamburguer no Maine – está reclamando um lugar, no lugar que é destinado aos que cursam o Itamaraty. Dizem que ele quer fazer embaixada lá. O Tite poderia convocá-lo para a seleção. Se não for bom de bola – que de cabeça já não bate bem – seria útil no preparo das merendas dos jogadores.

Como eu dizendo: o mundo não acabou. Eu não voltei ainda do hipnotismo que me aplicaram. Continuo anestesiado, doido pra voltar para 2019, na esperança de que eu me recomponha. Mas, o dito cujo, cujo nome eu não dito, disse que tenho que aguardar o receituário de 2022, quando novamente vão me dar um chá de povo.

Que seja de povo de bom senso. Pois o último que tomei, mais parecia de zabumba. Me deixou nessa lombra disgramada.