O CEO dos ateus - MOUSE OU MENOS 
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MOUSE OU MENOS

por Nonato Albuquerque

O CEO dos ateus

Por Nonato Albuquerque em RELIGIÃO

27 de julho de 2014

religionUm escritor suíço, residente na Inglaterra, Alain de Botton, desenvolve em seu livro ‘Religião para ateus’, reflexões interessantes sobre crença – no caso, a descrença – em Deus. As suas teses filosóficas seguem a tradição de Sêneca e Montaigne.

Por mais incrível que possa imaginar, os ateus ainda hoje permanecem um grupo de indivíduos que sofrem algum tipo de restrição. Não seria exagero incluí-los entre os grupos marginalizados por questões de credo e raça. Sempre que se fala sobre ateus, ninguém se preocupa em buscar conhecer o seu pensamento e, principalmente, a prática que eles exercem na sociedade civil.

Por absoluta dependência religiosa, os fanáticos rapidamente os colocam no lugar para onde eles próprios destinam os pecadores, as prostitutas, os homossexuais e todos aqueles que não comungam de sua fé. Mas temos conhecimento de agnósticos como o Betinho que, mesmo não sendo um desses papa-hóstias de plantão, concebeu um dos projetos sociais mais importantes que foi o ‘Fome Zero’. Não se viu nenhum católico, protestante, espírita, judeu ou muçulmano que tivesse o bom senso de criar uma ajuda tão substancial para a grande parcela dos miseráveis no Brasil. Fez mais do que eu e muitos ditos cristãos fazem.

Bem, o livro de Alain de Botton atrai curiosos não só pelo título mas por colocar o tema do ateísmo em dia. Para De Botton, as pessoas se tornam adeptas de uma religião porque ela consegue manter a saúde emocional e dar sustentação psicóloga para se aceitar e conviver com difíceis questões humanas, como morte, as desilusões e as decepções no amor, na relação com a família, etc. E enumera que se deve construir um senso de comunidade; tornar as nossas relações mais humanas; superar os sentimentos de inveja e inadequação e criar novos projetos para atender as necessidades emocionais.

Curioso que um espírita como eu, esteja divulgando as teses de um ateu convicto. Na verdade, somos abertos a todo tipo de ensinamento que promova o bem estar social e não a divisão das pessoas. Enquanto religiões promulgarem esse tipo de coisa e forem fatores de guerras, preferível não ter religião e sim religiosidade e abdicar das prédicas que visam o bem estar só no céu, ainda que permaneçamos num verdadeiro inferno.

De Botton, não tem interesse em provar que Deus não existe como fazem os ateus sem substância ou arregimentar pessoas para a sua (des)crença. Ele criou uma escola para ensinar filosofia prática a ser vivenciada no dia-a-dia. A ‘The School of Life’ busca dar respostas para que o homem consiga lidar com suas dificuldades e medos, problemas criados por ele e que devem buscar soluções pelo próprio homem. As orientações dadas no livro por Alain são humanamente possíveis de serem vivenciadas por qualquer um, mesmo achando que elas partam de alguém que não acredita no mesmo Deus que eu. Aliás, entre adeptos de religiões já existe essa divisão. Evangélicos não acreditam no Deus dos católicos, estes não se junta nem mortos com espíritas; alguns seguidores de Kardec torcem o nariz aos adeptos das religiões afro-brasileiras; judeus andam às turras com os palestinos e, por aí, vão as contradições dos que pregam o amor e vivem a indiferença.

Alain de Botton, nessa escola moderna de filosofia, é o CEO do ateísmo.

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O CEO dos ateus

Por Nonato Albuquerque em RELIGIÃO

27 de julho de 2014

religionUm escritor suíço, residente na Inglaterra, Alain de Botton, desenvolve em seu livro ‘Religião para ateus’, reflexões interessantes sobre crença – no caso, a descrença – em Deus. As suas teses filosóficas seguem a tradição de Sêneca e Montaigne.

Por mais incrível que possa imaginar, os ateus ainda hoje permanecem um grupo de indivíduos que sofrem algum tipo de restrição. Não seria exagero incluí-los entre os grupos marginalizados por questões de credo e raça. Sempre que se fala sobre ateus, ninguém se preocupa em buscar conhecer o seu pensamento e, principalmente, a prática que eles exercem na sociedade civil.

Por absoluta dependência religiosa, os fanáticos rapidamente os colocam no lugar para onde eles próprios destinam os pecadores, as prostitutas, os homossexuais e todos aqueles que não comungam de sua fé. Mas temos conhecimento de agnósticos como o Betinho que, mesmo não sendo um desses papa-hóstias de plantão, concebeu um dos projetos sociais mais importantes que foi o ‘Fome Zero’. Não se viu nenhum católico, protestante, espírita, judeu ou muçulmano que tivesse o bom senso de criar uma ajuda tão substancial para a grande parcela dos miseráveis no Brasil. Fez mais do que eu e muitos ditos cristãos fazem.

Bem, o livro de Alain de Botton atrai curiosos não só pelo título mas por colocar o tema do ateísmo em dia. Para De Botton, as pessoas se tornam adeptas de uma religião porque ela consegue manter a saúde emocional e dar sustentação psicóloga para se aceitar e conviver com difíceis questões humanas, como morte, as desilusões e as decepções no amor, na relação com a família, etc. E enumera que se deve construir um senso de comunidade; tornar as nossas relações mais humanas; superar os sentimentos de inveja e inadequação e criar novos projetos para atender as necessidades emocionais.

Curioso que um espírita como eu, esteja divulgando as teses de um ateu convicto. Na verdade, somos abertos a todo tipo de ensinamento que promova o bem estar social e não a divisão das pessoas. Enquanto religiões promulgarem esse tipo de coisa e forem fatores de guerras, preferível não ter religião e sim religiosidade e abdicar das prédicas que visam o bem estar só no céu, ainda que permaneçamos num verdadeiro inferno.

De Botton, não tem interesse em provar que Deus não existe como fazem os ateus sem substância ou arregimentar pessoas para a sua (des)crença. Ele criou uma escola para ensinar filosofia prática a ser vivenciada no dia-a-dia. A ‘The School of Life’ busca dar respostas para que o homem consiga lidar com suas dificuldades e medos, problemas criados por ele e que devem buscar soluções pelo próprio homem. As orientações dadas no livro por Alain são humanamente possíveis de serem vivenciadas por qualquer um, mesmo achando que elas partam de alguém que não acredita no mesmo Deus que eu. Aliás, entre adeptos de religiões já existe essa divisão. Evangélicos não acreditam no Deus dos católicos, estes não se junta nem mortos com espíritas; alguns seguidores de Kardec torcem o nariz aos adeptos das religiões afro-brasileiras; judeus andam às turras com os palestinos e, por aí, vão as contradições dos que pregam o amor e vivem a indiferença.

Alain de Botton, nessa escola moderna de filosofia, é o CEO do ateísmo.