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O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Por andreflavionb em Luto de relacionamento

30 de dezembro de 2019

Como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Recebi uma pergunta recentemente de uma seguidora de meu instagram (@Opsicologo) que trata de um tema que é bastante discutido hoje: estou com depressão ou apenas triste por ter rompido um relacionamento? E como superar?

Vamos chama-la de Silvia. Segue a sua pergunta:

“Terminei uma relação altamente instável, mas que durou cerca de 4 anos. Na verdade ele terminou comigo. Isso já tem cerca de 2 meses. Estou em depressão desde então. Fico depressiva na maioria dos dias. Choro por qualquer coisa. Está atrapalhando até meu sono. O que me deixa ainda mais angustiada (e até revoltada) é ficar na deprê desse jeito por alguém que nunca me valorizou de verdade. Mentia, saia escondido e tenho certeza que fui traída. E pior de tudo, ainda gosto dele, e muito. Sinto-me uma idiota por está sofrendo por alguém assim, mas não tenho como controlar. O que posso fazer?”

Silvia, antes de mais nada, vamos substituir o nome “depressão” por tristeza, ou, mais especificamente, um luto pelo fim de um relacionamento, ok? Digo isso porque não vi você mencionando que foi diagnosticada por um psiquiatra/psicólogo com algum transtorno depressivo anteriormente (que é uma doença grave, séria e que não pode ser diagnosticado agora porque pode-se confundir a dor desse rompimento com os sintomas da depressão. Então dificilmente um psiquiatra/psicólogo, sabendo disso, dirá que você está com depressão)

Dito isso, vamos ao que interessa: como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Primeiramente, precisamos normalizar essa sua emoção. O que quero dizer com isso? Quero dizer que é normal você se sentir triste, chorosa, pelo rompimento de um relacionamento de longa duração (apesar de todas as instabilidades citadas). Anormal seria você, ainda gostando dele, pular de alegria após esse rompimento. Entende?

Estamos vivendo em tempos que não toleramos mais sofrer. Isso é muito preocupante, uma vez que a vida é composta de altos e baixos e, acredite em mim, graças a esses “baixos” evoluímos na maioria das vezes.

Portanto, para começar a dar volta por cima, é preciso que você entenda a naturalidade dessa emoção. Você não precisa se sentir uma idiota. Aliás, o que deve estar piorando seu quadro de tristeza/luto é seu julgamento dessa emoção. “Estou triste, logo sou uma idiota.”. Toda vida que não aceitamos determinada emoção, a tendência é ela aumentar a intensidade. Para explicar isso de uma forma resumida (e didática),  basta entender que isso ocorre porque simplesmente mantemos a emoção viva em nosso cérebro, toda vez que lutamos contra. É como se eu dissesse pra mim, repetidamente; “eu não quero ficar ansioso antes de me apresentar”. Pode ter certeza que ficarei ansioso. Isso porque o cérebro não “capta” o comando “não”. Quer fazer uma teste de como isso funciona? Vamos lá: pense em um elefante rosa com manchinhas pretas! Pensou? Pronto, agora tente não pensar no elefante rosa com manchinha pretas? Conseguiu? Se você fez o exercício da forma correta, certamente não conseguiu.

Aceitar a emoção, entendendo que é normal se sentir triste após esse luto de relacionamento, é a maneira mais inteligente de dar a volta por cima. Detalhe: aceitar não é alimentar, tá?

Aceitar é simplesmente entender :”bem, estou me sentindo triste, mas é normal, afinal, terminei um relacionamento recentemente de longa data”.

Alimentar é você, sentindo-se triste, começar a procurar evidências de que seu ex está com outra, ou que está curtindo a vida, ou que está mais feliz sem você… (detalhe: todas essas “evidências” serão contaminadas pela minha emoção e atenção seletiva. Meu cérebro sai buscando no ambiente algo que comprove a sua teoria. Entendeu? Ou seja, se eu mostrar uma foto do seu ex em  algum lugar para alguém, a pessoa pode simplesmente dizer que ele está normal ou até mesmo triste, mas você pode dizer, vendo essa mesma foto; olha como ele está feliz! Isso é normal de acontecer.)

Portanto, repito: aceite a emoção sem julgamentos. Até porque desse julgamento “sou uma idiota por estar me sentindo triste”, brotam consequências: aumenta mais ainda a tristeza, pode vir raiva, revolta, diminuir sua autoestima… E não vai ajudar em nada a sua situação, percebe?

Essa virada de página não vai ocorrer do nada. Você precisa se engajar em uma mudança comportamental, por exemplo; não deixe de resgatar e praticar coisas que você gosta de fazer. De preferência, faça uma lista de coisas que você gosta de fazer e faça um planejamento de quando você pode fazer (executar) todas essas coisas.

Resgate o contato social, cuide da alimentação, regule seu sono (tente dormir pelo menos 8 horas por dia), faça alguma atividade física, faça (e execute) planos profissionais… Se você notar que fotos dele em seu feed de suas redes sociais estão lhe desestabilizando, bloquei. Oriente também seus amigos em comum não ficar levando ou trazendo assuntos do seu ex.

Se você notar também que ver ele no whatsapp online aumenta sua ansiedade ou tristeza, bloquei. Nesse tempo de recuperação é preciso você saber o que lhe tira do eixo (que lhe deixa triste e instável emocionalmente) e sair eliminando cada um desses itens (estímulos) que te deixa pra baixo.

Acredito que essas ações já se constituem um ótimo começo para virar essa página. Agora se essa condição de tristeza persistir de forma crônica por mais dois meses, mesmo você fazendo tudo isso, aconselho você buscar uma ajuda psiquiátrica e psicológica para examinar mais a fundo isso.

 

Espero ter ajudado,

 

André Barbosa

Psicólogo Clínico

CRP – 11/11089

Terapeuta Cognitivo- Comportamental

85 98813 9593

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BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Transtorno de personalidade boderline

09 de dezembro de 2019

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

 

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Hoje vamos falar sobre o transtorno de personalidade borderline; Um transtorno que pode provocar estragos emocionais na vida de quem sofre e de quem convive ao redor. O grande problema que dificulta o diagnóstico é a tendência a achar que é apenas um traço característico da pessoa; “Ah, não se preocupa, ela é assim mesmo.”/ “O que você tem? Nada, apenas baixou um espírito de tristeza e deu vontade chorar, normal”. “Não se preocupa, ela está puta contigo agora, mas amanhã ela volta atrás, é normal, ela é super bom coração”.

Um dos principais traços característico reconhecido por amigos ou familiares de um border é dizer “Ela é uma pessoa intensa”.

As pessoas que convivem com um borderline sente-se como se estivesse em constante estado alerta; é uma sensação de eternamente ter que pisar em ovos; “O grande problema é falar que fulano está errado, porque ele leva para o lado pessoal, fica extremamente ofendido, acha que você não gosta mais dele…”

E os borderlines sofrem todos os dias a angustia de conviver com a dor de ser aceito. Sentir uma grande necessidade de agradar. Desde demonstrar isso publicamente de forma exagerada (pessoas que postam nas redes sociais, por exemplo, que amam o outro, ou que encontrou o amor da vida, quando, na verdade, não tem nem 1 mês que conheceu o outro), ou tentam comprar presentes caros….

Os border vivem sempre como se estivessem no limite emocional. Qualquer coisa, por menor que seja, tem potencial de desestabilizar o sujeito que sofre desse transtorno; O medo de rejeição, por exemplo, deixa o sujeito em constante estado de alerta, buscando indícios se o outro está o deixando ou não, qualquer coisa, até um tom de voz, pode ser interpretado como um forte sinal de que o outro está prestes a deixa-la, ou, o que é pior; se apaixonando por outra.

Conviver com essas instabilidades emocionais não é fácil, a válvula de escape, muitas as vezes, é o comportamento compulsivo; comprar demais, comer demais… Além de ser fácil identificar atos impulsivos: tomar grandes (e drásticas) decisões sem pensar e rápido demais.

Aqui vamos falar de três casos;

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Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado.

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

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Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

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O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor, no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja.

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

Procure um psicólogo

André Barbosa

Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

85 988139593

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Coisas que aprendi com minha vó

Por andreflavionb em Luto

22 de setembro de 2019

COISAS QUE APRENDI COM MINHA VÓ

 

Coisas que aprendi com minha vó #1

Esse será um livro que escrevo para Loren, Lis, Lucca, Leozinho (nossa! enquanto escrevo, percebo que a nova geração dos Nepomucenos adora o “L”) e para Bento (o único que escapou do “L”).

Escrevo para vocês entenderem as suas raízes. De uma mulher guerreira que saiu, quase fugida (quase que retirante) do interior, sem levar nada (mesmo vindo de uma família de muitas posses), levando 8 filhos pequenos a tira-cola e, apenas agarrada a sua fé, coragem, e certeza de que estava fazendo o que era certo, transformou toda nossa história.

 

Vocês sabem o que é isso? A coragem desta mulher? Hoje vejo casais com medo de se mudar de apartamento, com medo de criar um cachorro “é muita responsabilidade, será que conseguiremos?”, e levar 8 filhos para uma cidade desconhecida, sem emprego, sem pedir 1 centavo de ajuda a sua afortunada família? Isso, meus sobrinhos, é só para Alzira. A dona da porra toda!

Escrevo, meus sobrinhos, para que vocês entendam a força da genética que carregam consigo. Escrevo para reparar a injustiça do destino de não ter convivido com essa mulher.

Uma mulher forte e guerreira até o fim. Indomável até seu ultimo suspiro. Tudo era no tempo dela. Quando todos achavam que ela se ia, ela ficou. Quando todos achavam que ela ia ficar, ela riu, e se foi… Acho que ela não resistiu ao convite de reencontrar seu avó (que ela amava profundamente).

*****

Fortaleza, 21 de setembro de 2019.

Hoje completam 7 dias desde que vi minha velhinha pela última vez. Era uma tarde de sábado. Lá estava ela, no leito “1” da UTI clínica, estava dormindo tranquila, estava tão bem que, de acordo com a equipe médica, iria receber alta já na segunda. A família toda comemorava!

Todos estavam impressionados com sua recuperação. “Como ela é forte!!” era o comentário geral da equipe médica. Em uma semana ela havia saído de um estágio de “vai morrer a qualquer segundo” para “não vejo necessidade dela continuar na UTI. Ela já está respirando sem ajuda, respondendo bem a medicação, pressão boa, oxigenação ótima, frequência cardíaca de bebê…”. Portanto, saí naquele dia, daquela sala, ainda mais feliz e esperançoso.

Lembro que ela estava dormindo tão bem, tão em paz, que decidi não conversar com ela (prática que fazia sempre que ia visita-la na UTI quando ela estava desacordada). Ela estava dormindo com aos mãos juntas, como se estivesse em oração, como quem estava conversando com Deus ( e talvez estivesse).

NOSSO ULTIMO ENCONTRO. ELA ESTAVA DORMINDO LINDA,EM PAZ, COMO SE ESTIVESSE ORANDO.

Saí do hospital pensando na vida. Em como as coisas haviam mudado profundamente em meu ser.

Em uma semana, minha perspectiva de “problemas da vida” haviam se transformado. Alguns dias atrás meus problemas eram “estou cansado”, “como essa cadeira é desconfortável, preciso trocar!” “Essa dor nas costas está acabando comigo”, “Meu sono está uma bosta!”, “essa cama está muito desconfortável”, “estou trabalhando muito!”, “preciso perder peso”, “preciso negociar com o corretor melhores condições do imóvel”, “que saco acordar cedo!”…

Mas quando vi minha velhinha, de 100 anos, toda furada, deitada em uma maca de hospital (ela nunca conseguia dormir em cama, somente em rede e odiava hospitais), cheia de tubos passando no nariz, máscara de oxigênio, barulho de morte pelos corredores… E, mesmo assim, quando a gente sussurrava no ouvidinho dela; “Meu amor vai sair desse hospital com mais saúde e viver muitoooo mais, não vai?” Ela respondia, ainda sem conseguir abrir os olhos, fazendo força para conseguir respirar dentro da máscara, um sonoro “VAI!”…

Portanto, diante da luta de minha velha, meus problemas viraram fumaça.

Aliás, que problemas?

Eu reclamando de acordar cedo, e minha vó ali lutando para continuar acordada… Eu reclamando que o elevador estava com problema e que tinha que subir de escada, e minha vó juntando todas as forças para conseguir sentar. Eu reclamando que não tinha para onde sair, que ia ter que passar sábado a noite em casa, e minha vó orando a Deus para poder voltar para casa.

Não, esse “André” não faz parte do sangue da Alzira que corre em minhas veias. A partir daquela semana, eu olhei pra mim e disse, lembrando da essência de minha vó; “reclamar da vida não fará mais parte de mim. Só tenho é que agradecer! Agradecer até pelos meus (agora) melhores amigos, chamados, outrora; problemas.”.

Nesse dia, Heidegger, finalmente, passou a fazer sentido pra mim. Para ele, a ideia de finitude nos liberta, nos faz perceber o que realmente importa, que o homem quando assume sua finitude diminui seus medos em relação ao fim da vida, mas, se eu soubesse que ali, naquele dia, seria nosso ultimo encontro… teria saído de lá rouco de tanto falar. Teria beijado tanto ela, que sairia com minha boca torta.

Teria agradecido por tudo (ela foi uma segunda mãe pra mim. Aliás, até meus 12/13 anos, chamava ela de mãe), teria falado de todo amor que sentia por ela mais uma vez, teria falado da saudade que ia sentir, do vazio que ela deixaria em nossas vidas, da vontade de leva-la, nem que fosse só mais uma vez, para nossas farras no shopping, assistir cinema e voltar no carro ao som de Luis Gonzaga (um de seus cantores favoritos) com ela batendo palma, sorrindo e agradecendo “Meu filho, como foi maravilhoso esse dia!! Quando você vem de novo??”.

Queria ter falado tanta coisa, sei lá… Mas, o que falar naquelas poucas horas restantes de vida para uma pessoa que compõe a essência de nossa vida? Talvez as palavras, nessas horas, não fossem o suficientes, mas, talvez o olhar (em lágrimas enquanto escrevo) falasse o resto…

Deixei meu tesouro com esperança no coração de que ela estaria em casa contando suas histórias de Pedro Alvares Cabral, do alfabeto, de quando era mais nova em Ibiapina… Mas, esse sonho se desfez, como hóstia em agua, na manhã seguinte (domingo).

Era por volta das 6am, quando alguém ligou para minha mãe e pediu para que ela comparecesse no hospital o mais rápido possível e, de preferencia, com um acompanhante.

Ela desligou aquela ligação em prantos, já em luto. Ela sabia o que significava aquilo; minha vó havia partido as 5am. Lembrei que esse era o horário que eu nasci. Era o horário que ela acordava quase todos dias para sair no mundo (as vezes para ir comprar goma no centro da cidade para fazer as suas famosas tapiocas, as vezes para ir para sua igreja, as vezes para ir visitar um filho). E esse foi o horário que ela decidiu partir para o outro mundo.

Fui ao hospital com minha prima. Esperei naquela sala fria noticias das mais variadas possíveis, desde; “Sua vó acordou gritando aqui, tá deixando todo mundo louco! Por favor, vamos dar alta para ela???”, ou “Aqui as coisas da sua vó, ela ja pode voltar para casa”… Juro que esperava ouvir qualquer coisa, menos a que eu ouvi; “Sua vó teve uma hemorragia no nariz, respirou sangue, teve uma parada cardiorrespiratória e veio a óbito”.

E foi isso; apenas duas linhas de palavras que resumiram o fim de 100 anos de vida de uma mulher com uma infinidades de histórias para contar, de uma mulher que mudou a história de vida dos Nepomucenos.

E foi ai que meu chão caiu. Não era possível aquilo. Demorei para digerir aquelas informações. A negação, que tanto combato junto aos meus pacientes, veio como uma grande amiga e me agarrei a ela como quem se agarra a uma boia para não morrer afogado.

Cheguei a perguntar “Tem certeza que foi minha vó, doutora?”. A médica, ainda de máscara, apenas olhou para minha prima, que é enfermeira, e disse; “Eu vou trazer alguns documentos e vou precisar preencher, ok?” o resto de sua fala foi apenas “bla, bla, bla, bla…” que nem lembro direito.

Mas lembro de uma palavra; Fatalidade. Essa é uma palavra escrota, mas foi essa palavra que, segundo a anunciante do apocalipse, levou minha velha a óbito; fatalidade.

Eu achava que fatalidade era um cometa caindo em minha casa, um relâmpago me transformando em churrasco, uma banda de forró fazendo versões de músicas dos Beatles… não aquilo que aconteceu com minha vó, Mas, aparentemente, uma hemorragia no nariz, sendo respirada, ao ponto de encher os pulmões dela, também é uma fatalidade. Minha vó passou 2 semanas combatendo uma pneumonia, mas quem foi fatal foi um sangramento em seu nariz.

Sim, essa ainda é minha parte que não aceitou a viagem de minha vó sem aviso prévio. Porém, enquanto escrevo, recordo, também, que viajar sem avisar era um hábito de minha vó. Foi e não foi, ela estava em Brasília, SP, RJ, Ibiapina… Então, posso dizer, que ela partiu ao seu modo; Sem avisar. Sem mais, nem menos.

Naquele domingo, depois da notícia, de 8 am até as 12h, eu não lembro de quase nada. Liguei o piloto automático, eu acho. Só lembro de flashes e sensações. Uma dessas sensações era que precisava ser forte para segurar as pontas da família. “Sou psicólogo, não posso deixa-los na mão essa hora”. Também pensava em minha mãe, que precisava estar com ela para abraça-la e dizer qualquer coisa que pudesse acalenta-la, mas no final daquele dia, foi ela que terminou fazendo esse papel comigo.

Pensava em minhas tias, em meus tios… “Como falarei isso para meu tio (que é uma espécie de ídolo, melhor amigo, irmão, pai, protetor; meu tio Boni), meu Deus?” .

“E minha tia que esteve lutando com ela até vê-la melhorar, mas que agora estava em Brasília, certa que minha vó iria ter alta?”.

“E minha outra tia que esteve cuidando com tanto carinho e amor de minha vó por tanto tempo? Como ela reagirá a isso?”.

“E meu tio do Rio que era um dos xodós de minha vó, “meu filho parece um ator”, que, devido sua saúde frágil (outro guerreiro que deu um cotoco na cara da morte e disse “vai tomar no C. dona morte!!! Eu sou filho da Alzira, porra!! Eu vou vencer essa merda e dar a volta por cima !!!)…

Pensei também em minha tia mais velha, apegada a minha vó mais que friera em pé de jogador, outra guerreira que tanto admiro, que honrou o sangue de minha vó…

Tive flashes do dia anterior, eu meu tio (Boni) estávamos tão esperançosos… Como eu ia falar aquilo para ele? Como ia falar que nossa amada velhinha ia furar nossos planos?

De alguma forma, avisei para algumas pessoas, não lembro para quem, não lembro como. O piloto automático do meu cérebro assumiu o volante e segui, robótico, para casa.

As 13h, parte da ficha caiu. Bem ali, naquele cemitério, onde realizaríamos o funeral.

Lembro que pensei que vê-la ali, naquele caixão, era admitir que meu amor havia realmente partido. Minha mente tomou um fluxo de evitação tão profunda que beirei a alucinação; recordo que pensei que enquanto eu não olhasse minha vó, a verdade continuaria a minha maneira, estaríamos em um mundo paralelo, onde ela ainda estaria no leito dormindo feito um anjo, esperando sua alta.

Vê-la, portanto, era como encarar as cinzas de meus sonhos… Então eu não ia vê-la. Não mesmo! Fiquei, portanto, a maior parte do tempo, do lado de fora do funeral.

É curioso esse processo de luto. Por alguns minutos, em minha mente, ela estava morta e viva ao mesmo tempo.

Foi quando vi meu tio, otimista que nem eu, chorando. Ali meu mundo caiu pela segunda vez e eu desabei com força. Quer saber? Não quero ser forte, pensei. Não quero ser “o psicólogo”. Hoje eu quero ser apenas um humano. Um humano que perdeu uma das pessoas mais importantes de sua vida.

E de 13h as 21h eu também não lembro de muita coisa. O piloto automático assumiu o volante novamente. Tudo se resumiu em lágrimas, inconformismo… e uma certeza; “Naquele lugar seria enterrado parte de mim”.

Lembro que falei algumas coisas para família. Coisas que guardava diariamente no coração; lembranças das nossas conversas, eu no sofá, ela na sua rede, ou na sua cadeirinha surrada de praia (que adorava enquanto morava no Icaraí), dos desejos de minha vó de ver a família unida, feliz, saudável (apesar dela ter me apresentado a coca-cola quando eu tinha cerca de 4 anos. Obrigado vozinha!)

Lembro que prometi, ali para todos da família, que jamais deixaria a memoria de minha dela ser esquecida. Aliás, a coisa que ela mais adorava era quando terminava de me contar suas história e eu dizia “vó, qualquer dia desses vou escrever um livro da vida da senhora, viu?”. Vixeeee, como ela adorava escutar aquilo! Ela olhava para mim com tanta satisfação e orgulho… Fazia uma pausa para contemplar o momento e dizia; “é mesmo né meu filho!? Minha vida daria muitasssss histórias”.

E depois que comentei isso (de escrever um livro sobre suas histórias), todas as vezes que a gente se falava no telefone ela dizia, quase como jargão, “meu filho, quando você vem me vê? Eu tenho muitaassssss históriassss para lhe contar!!”. Essa passou a ser sua frase favorita. Sua linda frase.

Ai! Que saudade, minha velhinha! Ao escrever sua frase nestas linhas acima, consigo até ouvir sua voz no meu ouvido. E depois que ela contava tudo a sua próxima frase era; “Meu filho, agora me deixe dormir, amanhã, quando eu acordar, eu conto muuuuitooooo mais, tá bom?”.

Ta bom minha velhinha, um dia a gente vai se reencontrar e a senhora vai ter que terminar de contar todas suas histórias e, até lá, vou cumprir minha promessa e escrever sobre sua vida (que se mistura com a minha e de muitos outros)…

E o nome do seu livro não podia ser outro que não fosse: “coisas que aprendi com minha vó”.

 

 

“Ta bom, Meu filho, deixa eu ir, tou cansada, tá? Amanhã a gente conversa mais…”

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Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Por andreflavionb em burnout, médico indiferente

08 de setembro de 2019

 

Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Este é um relato pessoal.

Enfim chegou o dia em que todos um dia temos que enfrentar, mas ninguém nunca nos preparou: ver um ente querido, lutando por sua vida em um leito de UTI.

Este dia chegou para mim. Tive que ir visitar minha amada vó, que, mesmo aos 100 anos de idade, há 3 semanas, ela, ainda saudável e em casa, lembrava as pessoas (mesmo com Alzheimer) de tomar seu remédio da pressão “se eu não tomar isso, eu posso morrer!”.  Ela que, em outra ocasião, acordou minha mãe, no meio da madrugada,  dizendo que estava com muito frio e pediu outro cobertor. Quando minha mãe foi colocar o cobertor em cima dela, ela mandou tirar de cima dela imediatamente porque “esse cobertor parece uma mortalha e eu não estou morta!”. Esses são apenas alguns dos relatos que trago para enfatizar o quanto minha amada vó ama a vida. Digo isso também para coibir determinados pensamentos automáticos de “Ah, mas ela ja viveu muito… “, como se viver muito fosse um ato egoísta de se manter vivo.

Pois bem, conhecedor da influencia do estado emocional para melhoria (ou para piora) do estado de saúde que sou, já me assustou, de cara, ver pessoas, nesse momento mais crítico da vida, afastadas de seus entes queridos. Explicaram que toda UTI era assim e que tem a ver com contaminação. Ok, até entendo. Mas é para isso que servem o uso protocolar de EPIs (avental, máscaras, luvas…), ou não?

Será que com o avanço da medicina ainda não conseguiram perceber que o conforto de estar perto de alguém que se ama, produz neurotransmissores que ajudam a relaxar mais poderosos que muitas das drogas que se aplicam nesses pacientes? Que isso ajuda a produzir mais anticorpos pela queda do cortisol (hormônio estressor)?  Será que nunca estudaram 1 parágrafo sequer das teses básicas da analise comportamento que mostram em estudos experimentais que afastar uma pessoa frágil de seus entes querido, ajuda a piorar seu estado de saúde e humor?

https://amenteemaravilhosa.com.br/experimento-harlow-teoria-do-apego/

https://pt.sainte-anastasie.org/articles/psicologa/el-experimento-de-harlow-y-la-privacin-materna-sustituyendo-a-la-madre.html

Voltando, entro na sala de UTI e vejo aquele ser que fez e faz parte ativa de minha vida ali desacordada, em seu estado mais frágil, como nunca vi antes. Logo minha vó, uma mulher forte e cheia de vontades, daquelas que só faz as coisas no seu tempo (para tudo; comer, tomar banho, e etc. Somente no tempo dela, e nem insista!), estava ela lá sem condição de dizer “não quero isso/ quero aquilo!”. Obvio que isso, por si só, já nos deixou completamente atordoados, sensibilizados, emocionados… Principalmente este que vos escreve. Este que não consegue lembrar de sua infância feliz sem ter sua vó nessas lembranças. Este que foi cuidado como filho querido, na ausência de sua guerreira mãe, enquanto esta precisava trabalhar e viajar longe do filho.

Aproximei-me e, mesmo desacordada, falei com ela, torcendo para que seu inconsciente captasse minha voz, meu carinho, meu afeto, meu amor. Em seguida me afastei e fui conversar com o médico plantonista que estava com um dos bens mais preciosos da família em suas mãos. Queria entender o prognóstico, conduta medicamentosa, enfim, um quadro geral de minha vó. E vou colocar, com o máximo de fidedignidade como foi com esse dialogo.

Ele, o médico, estava sentado, com fones de ouvido, afastado das enfermeiras, uma demonstração inconsciente de “sou superior a vocês e não quero ser incomodado”, mas tentei evitar analisa-lo. Esse não era o momento. Portanto, repreendi meu cérebro psicólogo.  E segui;

-Olá, tudo bem? Sou neto da paciente Maria Paula – Ele não estava me ouvindo e nem tinha me visto porque estava de cabeça baixa escrevendo alguma coisa no celular, com fones no ouvido. Então passei a mão em seu campo de visão para que notasse minha presença. Ele me viu, tirou UM fone de ouvido, voltou a escrever no celular e disse voltando a mexer no celular, de cabeça ainda baixa;

– Oi, pode falar.

– Certo, eu sou neto da paciente Maria Paula e …

– Ahn? Maria Paula? – Me cortou, olhou para mim 2 segundos com expressão confusa.

– Sim, Maria Paula – Dai apontei para o leito dela.

-Ahhhhhh, a paciente “leito 1” – Esse era o novo nome de minha vó. Não era mais um ser humano, com uma história de vida, importante para toda família, era apenas um número.

Tratar um número é diferente de tratar de gente. Embora, me veio a cabeça, depois de toda cena ocorrida, que aquele médico tinha menos empatia que o professor mais duro de matemática que tive no colegial. Lá estava eu, com a cara inchada, olhos vermelhos, abalado, tentando ensinar algo a ele que talvez a faculdade não o ensinou; a tratar as pessoas por seu nome, como dizia Jung “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”

–  Sim, a paciente Maria Paula – Corrigi educadamente.

– Sim, sim, o que você quer saber? – Perguntou, escrevendo no celular, com apenas 1 ouvido me escutando o outro escutando sua música.

– Bom, queria saber como está o quadro dela e a conduta medicamentosa (quais medicações estavam utilizando nela, quais sedativos…) – Ele ainda de cabeça baixa perguntou;

– Você é médico?

– Não, sou psicólogo – Respondi sem entender o porquê da pergunta.

– Então não adianta explicar para você, você não vai entender nada. – Bom, eu poderia explicar que na psicologia se estuda E MUITO o corpo humano, fisiologia, anatomia, psicofarmacologia, neurociências… podia explicar que, apesar de não ser médico, tinha alguma inteligência para compreender algo, caso ele tivesse a boa vontade me explicar… Lembrei que as pessoas mais inteligentes do planeta conseguem explicar as teorias mais complicadas da física quântica como se fosse algo simples e, exatamente por esse motivo,  são inteligentes; Porque conseguem repassar o conhecimento complicado de uma forma simples e acessível e você capta sem precisar ser um físico.

– Doutor, o senhor pode me mostrar o prontuário dela (já que você não quer se incomodado, permita-me pelo menos ler o que está sendo feito com minha velhinha)? – Ele, dessa vez, parou o chat, me olhou levantando a sobrancelha, narinas infladas, bufando, levantando o canto da boca (microexpressões faciais de puro desprezo) e disse:

-A paciente leito 1 está com o mesmo quadro da manhã – Disse como se eu soubesse qual era esse “mesmo quadro da manhã” e como se fosse algo obvio, porque pacientes que estão na UTI não alteram o quadro da manha para a tarde, certo? ( estou sendo sarcástico) – E está tomando as mesmas medicações da manhã – completou e voltou para o mais importante; não dá atenção as pessoas.

Eu podia deixar minha natureza humana tomar o seu curso e explodir ali. Afinal, raiva e indignação são emoções básicas humanas que estão ali por um sentido evolutivo de sobrevivência, portanto, em muitos momentos, podem ser usadas de forma positiva, como por exemplo; Mostrar pra ele o que Dra. Nise, uma das maiores psiquiatras do mundo (brasileira) fez em uma explosão de raiva ao notar que enfermeiros e médicos estavam tratando as pessoas de forma cruel, desrespeitosa, e indiferente, ela disse:  “essas pessoas não são lixos!! Não são objetos!! São seres humanos e são amadas e importantes para outras pessoas! Além do mais, são essas pessoas que pagam o salário de vocês e, para que lembrem disso, a partir de hoje, quero que chamem essas pessoas de clientes!”.

Sim, eu podia deixar o espirito de Nise tomar conta de mim, porém, isso não ia ter serventia alguma para aquele ser. Percebi isso no primeiro “paciente leito 1”. Eu não ia conseguir fazer brotar nele empatia, inteligência para explicar algo “difícil”… Tratava-se, talvez, de alguém sem preparo emocional para cuidar da vida de outras pessoas. Alguém já na fase de UTI emocional, em burnout. Portanto, se ele não foi empático com minha dor, eu iria ser com o possível problema dele. Retirei-me. “Parei de incomodar” e voltei para minha amada vó. Ia ser mais útil, naquele momento, estando com ela, do que virando Hulk naquela sala.

Enquanto acariciava a testa fria e pálida de minha velhinha, segurando sua mão, me veio um pensamento automático que me deixou muito angustiado “Se esse hospital caro, particular, está com esse médico dessa forma (despreparado e/ou doente), como será que estão os médicos dos hospitais públicos que recebem um volume extraordinariamente maior do que este?”. Aquele médico estava tomando conta de 7 leitos apenas e, claramente, já não cuidava de pessoas, cuidava de números.

Eu precisava fazer algo. Não podia ficar imparcial diante daquela horrível experiência. Decidi que precisava compartilhar essa experiência com meus leitores. Também decidi, ao lembrar de Freud que falava que a dor é uma ótima ferramenta para mudar as pessoas, que precisava abrir uma ocorrência na ouvidoria daquele hospital a respeito da conduta médica daquele sujeito. E que precisava abrir também uma ocorrência de sua conduta também no conselho regional de medicina. Essa seria minha melhor colaboração e oportunidade de mudança que daria para a vida daquele sujeito. Se ele não mudasse pelo amor, iria mudar pela dor, de toda forma, para o bem dele, ele teria que mudar. Consegui até imaginar Freud dizendo; “vá em frente!”.

Comentei com minha mãe do ocorrido. A resposta automática dela ( preocupada com a saúde de sua mãe) foi; “entendo meu filho, é assim mesmo, mas não vamos criar problemas, afinal, é ele quem está cuidando da mamãe. É igual ao reclamar da comida para o garçom, ele pode cuspir no prato”.

Ela estava certa? Talvez (geralmente ela está), mas, talvez, também seja por isso que temos hoje tantos médicos que deveriam ser mecânicos de oficina, ou torneiros, ou açougueiros… tudo menos médicos; porque as pessoas encontram-se reféns dessa má conduta e, ao não fazer nada, acabam perpetuando essa eterna má conduta.

Então é preciso sim começar essa mudança. Por isso, caro leitor, caso esteja passando por algo semelhante, sugiro que faça sua parte nessa mudança; vá na ouvidoria (todo hospital tem; publico ou privado), pegue o nome do médico, seu número de CRM (que é fornecido pelo próprio hospital) e faça sua reclamação ( reclame também no conselho regional de medicina do seu estado, basta dá um google para ver os números de telefone). Essa reclamação pode ser anônima também. Dessa forma, essas pessoas de jalecos que estudaram a vida inteira para cuidar e respeitar a vida, podem ter uma oportunidade de rever seus conceitos, de procurar ajuda.

Hoje, 80% de meus pacientes são médicos. E percebo a evolução dessas pessoas como profissionais, como pessoas, como seres humanos. Gostaria muito que todo médico fizesse terapia, essa seria uma maravilhosa forma de não ficar dessensibilizado com a dor dos outros, com a vida humana, de não entrar em parafuso (burnout), de não tratar as pessoas como números, como mercadoria, de tornar-se médicos melhores, diferenciados, com inteligência (e preparo) emocional, pois, hoje, o que percebi, nessa triste experiência, é que quem está em UTI é aquele médico, não minha velhinha.

André Barbosa

Orgulhosamente; Psicólogo Clínico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Como se prevenir de viver um relacionamento abusivo.

Por andreflavionb em relacionamento abusivo

21 de dezembro de 2018

Como se prevenir de viver um relacionamento abusivo.

 

Como se prevenir de um relacionamento abusivo.

A melhor prevenção é saber como funciona o modus operandi do abusador. Se você identificar alguns dos comportamentos abaixo, é hora de buscar ajuda.

Vamos lá;

Toda relação abusiva exige duas peças fundamentais: o abusador ( que inicia o relacionamento sendo a pessoa mais simpática do mundo, encantador, respeitoso… e depois vai iniciando as fases de controle e submissão do outro) e o abusado ( que vai, aos poucos, cedendo e aceitando coisas inaceitáveis, perdoando o imperdoável).

Para que a relação dure, o abusador tenta, a todo custo, jogar a ideia de que tudo é culpa do outro (até as traições e agressões que ele mesmo comete) e ainda joga a ideia de que o abusado tem que dar graças a Deus de ter ele em sua vida e que o abusado ( a vítima) não é ninguém, que é um lixo… e começa a afastar a vítima  da família,  dos amigos… 

Eu costumo dividir um relacionamento abusivo nas seguintes fases:

1 – O abusador tem predileção de encontrar pessoas instáveis, frágeis, com baixa auto estima (esse perfil facilita a vida deles no quesito: ser mais fácil de se manipular).

2- O abusador enche a vítima de elogios (você é a pessoa mais incrível),  de planos românticos, costuma falar mal da ex (que é maluca, possessiva, que sofreu muito nesse ultimo relacionamento)

3- Avisa que quer o bem da vítima e, justamente por isso, acha que é melhor ir se afastando de alguns amigos que, de acordo com ele, fazem mal a ela e ao relacionamento. Começa com amigos “conhecidos” ( irrelevantes para o ciclo social da vítima) e a vai indo até atingir os amigos mais próximos. A cada amigo que a vítima deixa de falar, o abusador cobre de dengos, presentes, viagens, elogios…

4 – O próximo passo é a afastar a família da vítima, o processo é o mesmo: “estou te usando/ nunca gostaram de você/ só quem realmente gosta de você sou eu/ só quem se importa com você sou eu”.

5 – Nessa fase o abusador quer as senhas e controle da vítima. A desculpa é o ciúmes, que não confia, que ela precisa provar que merece confiança. Uma vez que a vítima repassar as senhas, o abusador se vê com o controle absoluto.

5 – Agora o abusador tem a vítima nas mãos. Sem nenhum apoio exterior (que não seja o dele).  É justamente nessa fase que começa as ameaças e agressões. Porém, logo após o erro cometido, se diz arrependido, fala que a ama, que é a mulher da vida dele…

6 – Vendo que a vítima continua com ele, o abusador perde o respeito, começa as traições, mentiras, e, mesmo depois de tudo, consegue convencer que a vítima é louca de está com raiva, que deve dar graças a Deus por ele ainda estar com ela (pois ninguém quer mais ela por perto, apenas ele). Que ela é um lixo humano.

Tudo isso gera uma quebra comportamental por parte da vítima. Em outras palavras, é como se o sujeito, quando consegue sair desse relacionamento, estivesse todo quebrado por dentro, principalmente por ter se mantido em tal relacionamento, apesar de todo sofrimento, humilhação e dor gerado. 

Portanto, Sair desse relacionamento é quase como sair de um trauma, de um transtorno de estresse pós-traumático. Deixa muitas sequelas físicas e, principalmente, emocionais.

Exatamente por esse motivo é tão importante buscar ajuda psicoterápica.

 

André Barbosa

Psicoterapeuta Cognitivo-comportamental

85 98813-9593

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Odontologia sistêmica – os impactos da saúde bucal para sua vida.

Por andreflavionb em Odontologia sistêmica

19 de dezembro de 2018

 

 

Se tem uma coisa que eu gosto de entender e escutar  são as outras áreas das ciências da saúde, entender a visão aprofundará de cada profissional em sua área é algo que me causa impacto. Sou um curioso, quero saber sobre o impacto de derterminadas inflamações para saúde cerebral, quero saber sobre o impacto das alimentos na saúde mental e fisiológica, quero saber entender sobre a importância da odontologia sobre a saúde sistema e o impacto e prevenção se doenças.

 

E nesse sentido, ninguém melhor de conversar comigos sobre issso do que o Dr. Samuel Cavalcante, um dos renomes da odontologia cearense, com um currículo que fala por si só ( que vai desde Especialização em periodontia, ortodontia, ortodontia lingual, implantodontia Até Habilitação para uso de toxina botulinica na odontologia)

 

DR. SAMUEL, AS DOENÇAS DA GENGIVA PODEM ESTAR RELACIONADAS A  DOENCAS SISTÊMICAS  ?

A falta de uma boa higiene oral pode resultar no surgimento de várias doenças , como a gengivite e periodontite, que são doenças da gengiva .Mas se você pensa que todos estes problemas estão relacionados apenas com a boca, está totalmente enganado. Existe uma relação, comprovada cientificamente, da doença periodontal com diversas outras doenças do corpo, dentre elas podemos destacar a diabetes, problemas cardiovasculares , e nascimento de bebês prematuros de baixo peso. E como isso ocorre? Bem, as doenças periodontias  (gengivite e periodontite) são doenças  causadas por bactérias , essas bactérias podem circular por todo o corpo, agindo como fatores de risco. Hábitos saudáveis, aliados a uma correta higiene bucal e consultas semestrais ao dentista são atitudes simples que podem evitar problemas mais complexos.  Prevenir ainda é o melhor remédio.

DIABETES  X DOENÇAS ORAIS

VOCÊ HAVIA FALADO SOBRE QUEM SOFRE DE O CUIDADO É REDOBRADO, POR QUE?

As doenças bucais são um grande risco para a saúde dos dentes de qualquer pessoa. Para quem tem diabetes esse problema é ainda maior. A relação da doença periodontal com o diabetes parece ter interferência mútua, ou seja, a diabetes interfere piorando a saúde gengival/ periodontal ao passo que as doenças gengivais interferem aumentando a glicemia dos diabéticos. Por isso, quem tem este problema é importante o tratamento conjunto da doença gengiva e do controle de açúcar do sangue. O diabetes é uma doença silenciosa e apenas metade dos indivíduos são conscientes da sua condição de diabéticos.

O RISCOS PARA O BEBÊ DE GESTANTES SEM CUIDADOS ORAIS.

AS FUTURAS MAMÃES TEM QUE TER CUIDADO REDROBADO.

Os cuidados com a higiene bucal durante a gravidez é muito importante. Ainda mais por ser um período de várias mudanças hormonais, causando enjoos e desejos por alimentos calóricos. Por isso, é necessário ter cuidado para que o surgimento de doenças não atinja os dentes e gengivas das futuras mamães. No caso das gestantes é muito importante a realização do pré-natal odontológico, pois a periodontite ( doença que atinge a gengiva e toda a estrutura óssea ao redor do dente ,podendo levar a sua perda.) está associada a partos prematuros e ao nascimento de bebês com baixo peso.

 

A MELHOR ESCOLHA É A PREVENÇÃO. Quer saber mais ? Entre em contato .

Avenida Dom Luis 1200, Shopping Pátio Dom Luis , Torre l, Sala 516 | Fone – 85 40112774 | WhatsApp (85) 9 86762774

 

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Entrevista com o Dr. Matias Carvalho: a importância do sono para saúde mental.

Por andreflavionb em desregulação do sono

20 de novembro de 2018

“A insônia, por exemplo, se relaciona com diversos transtornos psiquiátricos. Ela atua como fator de risco para depressões e transtorno bipolar”.
Dr. Matias Carvalho Aguiar Melo.

Hoje tive a honra de entrevistar o Dr. Matias Carvalho Aguiar Melo, doutor em ciências médicas (UFC), psiquiatra, professor universitário, pesquisador, autor de inúmeros artigos publicados nas mais respeitadas revistas/plataformas cientificas referência em saúde no Brasil e exterior.

Conversamos, obviamente, sobre saúde mental e suas ultimas pesquisas sobre a desregulação do sono associado a alguns transtornos mentais.

 

Dr. Matias, para começar, gostaria que você nos dissesse quem deve buscar ajuda psiquiátrica?

Qualquer pessoa que apresente problemas emocionais ou comportamentais que gerem sofrimento significativo ou prejuízo às suas atividades. Isso inclui quadros de ansiosos, depressivos, psicóticos e psicossomáticos.

 

Existem determinados preconceitos referentes a busca de ajuda psiquiátrica (assim como ocorre na psicologia), principalmente no que diz respeito a medicações. Eu pergunto; Necessariamente o psiquiatra vai prescrever medicação?

Não. O psiquiatra é o médico que cuida da saúde mental. Dependendo do caso, o psiquiatra pode indicar diversas modalidades terapêuticas. As medicações constituem apenas parte do tratamento. Atividade física, modificações de comportamentos e psicoterapia são recomendadas em muitos casos.

 

E quais os benefícios de ter um acompanhamento psiquiátrico quando se está em psicoterapia?

Geralmente o tratamento combinado de psiquiatria e psicoterapia otimiza o tratamento. Isso acelera a recuperação dos pacientes e aumenta as chances de sucesso do tratamento. Então… Por que não usar essas duas modalidades ao mesmo tempo?

 

Entendi. E quais os maiores mitos, na sua opinião, referente ao trabalho do psiquiatra que podem impedir um sujeito de buscar esse acompanhamento? E por que essas “barreiras” ainda existem? O que você acha que pode ajudar a desmistificar isso?

Grande parte das pessoas ainda tem resistência em procurar ajuda psiquiátrica. Ainda hoje a psiquiatria é associada à imagem da loucura pelos leigos, como se todos os pacientes fossem doidos ou tivessem perdido o juízo da realidade. Aí o paciente é rotulado como agressivo, incapaz, sem jeito. E enquanto esses preconceitos não forem quebrados, o acesso dos pacientes ao tratamento adequado fica limitado. Além disso, não há como negar que o tratamento psiquiátrico é caro, né?

 

Referente ao sono; qual a importância de uma boa noite dormida para a saúde mental? É possível reduzir a Ansiedade, depressão apenas corrigindo a higiene do sono?

O sono está diretamente relacionado com qualidade de vida, disposição e concentração. A insônia, por exemplo, se relaciona com diversos transtornos psiquiátricos. Ela atua como fator de risco para depressões e transtorno bipolar. Além disso, aumenta as chances de crises e piora o seu prognóstico. Assim, o sono influencia o estado de humor e vice-versa. Por isso, realmente hábitos saudáveis de higiene do sono podem reduzir sintomas depressivos ou ansiosos e melhorar qualidade de vida de muitos pacientes.

 

Existe um número de horas ideal de sono para se ter qualidade de vida?

Isso é muito variável. Tem pessoas que precisam de 5h ou menos de sono para se satisfazer. Outras, mais de 8h. No geral, a quantidade é cerca de 6-8h de sono. Mas mais importante do que a quantidade é a qualidade do sono. É que o sono seja reparador, que a pessoa acorde bem e disposta para suas atividades.

 

E a famosa cochilada depois do almoço, ajuda em algo?

Realmente se a pessoa estiver muito cansada física ou mentalmente, um cochilo pode deixar a pessoa revigorada e aumentar a capacidade de concentração, a disposição, enfim… No entanto, cochilos diurnos podem afetar o sono à noite e não são recomendados para quem já tem insônia. É como se cada hora de sono dormida durante o dia significasse menos uma hora de sono à noite, agravando assim a insônia, entende?

 

Qual a associação entre desregulação do sono e a diabetes, obesidade?

Muitos estudos já mostram relação de causa-consequência entre essas variáveis. Tanto a desregulação do sono pode piorar o metabolismo, a glicemia e o peso como pessoas com sobrepeso e obesidade costumam ter maior irregularidade de sono. Por isso, essas pessoas devem dormir bem

 

Quais as dicas que você você daria para quem está hoje sofrendo de uma desregulação do sono?

Primeiro a pessoa deve melhorar alguns hábitos que podem afetar o sono. Dormir em quarto escuro, confortável, ventilado, sem estímulos visuais ou sonoros, como televisão, computador, celular ou tablet. Tentar manter a regularidade nos horários de dormir e acordar. Evitar café, chocolate ou atividade física à noite ou dormir no período do dia. Se mesmo assim, a pessoa continuar com dificuldade de dormir, é prudente procurar ajuda médica.

 

E para finalizar a pergunta mais importante: Quais dicas para se ter mais qualidade de saúde mental?

Boas noites de sono, atividade física regular, atividades de lazer, tudo isso pode melhorar a qualidade de vida e a saúde mental da população como um todo, inclusive pode prevenir transtornos psiquiátricos.

 

Dr. Matias Carvalho Aguiar Melo

Contato: (85) 99631-0299 / matcarv01@yahoo.com.br

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Botox: para além da estética

Por andreflavionb em botox

15 de outubro de 2018

Botox: para além da estética
Essa semana entrevistei o dentista, Dr. Samuel Cavalcante, sobre o uso do Botox para outras modalidades, para além da estética.
Além de ser conhecido por oferecer aos seus pacientes uma tecnologia de ponta que une psicologia e odontologia, o DSD (Digital Smile Design), onde se analisa a personalidade do paciente e a melhor estética para seu sorriso (que seja coerente com sua personalidade), o Dr. Samuel vem utilizando o botox para aliviar dores de cabeça tensionais  , bruxismo e  tratamento do sorriso gengival (antes somente possível com cirurgias).

Botox para o fim do sorriso gengival

André: De uma maneira bem clara e objetiva, para que a gente possa entender, quais as demais finalidade do botox na odontologia? 
Dr. Samuel: Olha, a toxina botulínica , mais conhecida pelo nome comercial , Botox, hoje é muito utilizada pelos dentistas para fins estéticos pelos pacientes que desejam uma suavização das rugas e prevenção  desses sinais da idade e também para o sorriso gengival.
Contudo seu uso na odontologia não se limita somente à estética, em alguns casos é utilizada  para resolver ou atenuar alguns problemas bucais e orofaciais. O mais comum deles é o bruxismo que são aqueles pacientes que sofrem em apertar ou ranger os dentes durante o dia ou à noite, problema que afeta 30 % dos brasileiros. Em casos mais avançados os pacientes desgastam tanto o dente rangendo que são necessários procedimentos mais complexos no tratamento desses dentes desgastados. A toxina botulínica nesses casos é injetada no músculo da mastigação, em pequenas proporções, para diminuir a sua potência e estímulo, assim o músculo não tem força para desgastar o dente, mas continua com sua força mastigatória.
 Outro uso é associado ao tratamento das dores orofaciais de origem muscular. A toxina bloqueia a liberação da acetilcolina que é um neurotransmissor que transporta mensagens do cérebro para as fibras musculares , sem ordens o músculo pára de movimentar e relaxa, consequentemente as dores vão embora. A toxina começa a atuar quatro dias depois da aplicação  e pode durar até 6 meses, quando está indicada outra aplicação.A vantagem desse recurso terapêutico é apresentar um resultado eficaz e rápido, sem quase nenhuma contraindicação.O intervalo mínimo é de 90 dias. Se esse prazo for desrespeitado, há o risco de o tratamento não surtir o efeito esperado.
Fale um pouco  sobre o  bruxismo?

Bruxismo um problema que afeta 30% dos brasileiros

Bruxismo um problema que afeta 30% dos brasileiros

O bruxismo e o apertamento dental também podem levar à hipertrofia dos músculos da mastigação, entre eles o Masseter e o Temporal. Esse aumento volumétrico dos músculos mastigatórios pode acometer ou não a função, mas geralmente, afeta a estética, ficando com a face com um aspecto mais quadrado. A utilização da toxina em pontos estratégicos ao longo do músculo proporciona um visível afinamento da face devido ao relaxamento do mesmo alcançando assim um aspecto facial mais delicado.
E ajuda a aliviar até dores de cabeça tensionais, aquelas que ocorrem devido ao apertamento e ao ranger dos dentes?
Sim.  O botox pode ser usado para ajudar no alívios dos sintomas , especialmente dos casos onde o bruxismo é tão intenso  e a contração muscular é excessiva da região da que pode causar essas dores de cabeça. Os sintomas das disfunções na ATM atingem cerca de 30% da população no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (ONU). O Botox relaxa a musculatura e faz com que as dores de cabeça, nuca, pescoço e face tenham um alívio mais rápido.A toxina começa a atuar quatro dias depois da

Botox ajuda aliviar a enxaqueca crônica

aplicação  e pode durar até 6 meses, quando está indicada outra aplicação.A vantagem desse recurso terapêutico é apresentar um resultado eficaz e rápido, sem quase nenhuma contraindicação.

Mudando um pouco de assunto, conversamos já sobre essa junção entre psicologia + odontologia, como funciona a odontologia Comportamental?
Vou começar com uma pergunta. O que é beleza? Difícil entrar num consenso, mas podemos dizer que beleza é, por definição, simetria, equilíbrio, harmonia e proporção. Quando fiz o curso de DSD (Digital Smile Design – Planejamento digital do sorriso), que é um planejamento digital do sorriso, vi que não somente os dentes teriam que ser proporcionais como teriam que combinar com a personalidade ou com a imagem que o paciente quer passar. Vou ser mais claro, imagine uma pessoa que exerce um cargo de chefia em uma empresa, mas quando sorri os dentes são pequenos e infantis, não combina nem um pouco. Hipócrates em seus estudos, identificou quatro tipos de personalidades diferentes: Colérico, Melancólico, Sanguíneo e Fleumático.
E consequentemente possui características da forma do dente diferentes. E esse é o segredo! É buscar adequar o visual da pessoa para que a sua personalidade seja refletida na sua imagem da melhor maneira possível! Claro que todo esse processo é discutido e revisado com o paciente de acordo com seus desejos e objetivos.
Muitíssimo obrigado mais uma vez por compartilhar um pouco de seu conhecimento conosco! 
Samuel: Eu que agradeço e estou sempre a disposição!
Contatos e dúvidas: Samuel Cavalcante: (85) 40112774 ou WhatsApp (85) 9 86762774.
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BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Sem categoria, Transtorno de personalidade boderline

09 de setembro de 2018

 

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

 Hoje vamos falar sobre o transtorno de personalidade borderline; Um transtorno que pode provocar estragos emocionais na vida de quem sofre e de quem convive ao redor. O grande problema que dificulta o diagnóstico é a tendência a achar que é apenas um traço característico da pessoa; “Ah, não se preocupa, ela é assim mesmo.”/ “O que você tem? Nada, apenas baixou um espírito de tristeza e deu vontade chorar, normal”. “Não se preocupa, ela está puta contigo agora, mas amanhã ela volta atrás, é normal, ela é super bom coração”.

Um dos principais traços característico reconhecido por amigos ou familiares de um border é dizer “Ela é uma pessoa intensa”.

As pessoas que convivem com um borderline sente-se como se estivesse em constante estado alerta; é uma sensação de eternamente ter que pisar em ovos; “O grande problema é falar que fulano está errado, porque ele leva para o lado pessoal, fica extremamente ofendido, acha que você não gosta mais dele…”

E os borderlines sofrem todos os dias a angustia de conviver com a dor de ser aceito. Sentir uma grande necessidade de agradar. Desde demonstrar isso publicamente de forma exagerada (pessoas que postam nas redes sociais, por exemplo, que amam o outro, ou que encontrou o amor da vida, quando, na verdade, não tem nem 1 mês que conheceu o outro), ou tentam comprar presentes caros….

Os border vivem sempre como se estivessem no limite emocional. Qualquer coisa, por menor que seja, tem potencial de desestabilizar o sujeito que sofre desse transtorno; O medo de rejeição, por exemplo, deixa o sujeito em constante estado de alerta, buscando indícios se o outro está o deixando ou não, qualquer coisa, até um tom de voz, pode ser interpretado como um forte sinal de que o outro está prestes a deixa-la, ou, o que é pior; se apaixonando por outra.

Conviver com essas instabilidades emocionais não é fácil, a válvula de escape, muitas as vezes, é o comportamento compulsivo; comprar demais, comer demais…  Além de ser fácil identificar atos impulsivos: tomar grandes (e drásticas) decisões sem pensar e rápido demais.

Aqui vamos falar de três casos;

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Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado. 

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

 

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Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

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O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor,  no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por  medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja. 

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

 

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

 

Procure um psicólogo

André Barbosa

Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

85 988139593

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CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Por andreflavionb em conflitos familiares

26 de julho de 2018

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Hoje falaremos sobre uma teoria que venho desenvolvendo sobre uma das principais causas de conflitos familiares, uma nova distorção cognitiva: o estereótipo imutável.

Sabe aquela queixa, um tanto quanto clichê de; “Minha mãe ainda acha que eu sou uma criança!”?, pois bem, ela é real e ocorre em todos os setores familiares; também achamos que nossa mãe, nosso irmão, irmã, tio, tia, primo, vô, vó.. não mudam.

Isso ocorre por um método preguiçoso de nosso cérebro de não querer repensar memorias já consolidadas de longo prazo. Antigamente, essa estratégia de não repensar fazia sentido, pois evitava gasto de energia desnecessário.

Como assim gasto de energia?

Acredite ou não; pensar gera gastos de energia metabólica corporal. Cada pensamento que você tem é uma onda eletroquímica gasta em seu cérebro. Imagine nuvens carregadas e vários relâmpagos; o espaço entre uma nuvem e outra chamaremos de sinapses, e cada raio disparado é um pensamento ou circuito neural automático gasto.

Para se ter uma leve noção do tamanho desse gasto, quando estamos dormindo, nosso cérebro gasta cerca de 30% do total de energia corpórea produzida. Imagine quando estamos pensando e repensando? (Exatamente por isso, quando uma pessoa é muito ansiosa – pensamentos acelerados – possui uma tendência maior de querer consumir alimentos calóricos. Essa vontade de comer quando se está ansiosa é um mecanismo cerebral para compensar o gasto de energia pensando em desgraça 24h por dia.).

Portanto, antigamente, há 150 mil anos atrás, quando os primeiros Homo Sapiens surgiram, era vital poupar energia, pois não havia alimentos disponíveis em fastfoods para repor os gastos calóricos perdidos/ desperdiçados em pensamentos. Por isso repensar sobre as coisas, pessoas, vida, passou a ser encarado pelo nosso cérebro como inimigo número 1 da sobrevivência humana.

Acontece que ainda hoje carregamos em nosso DNA esse hábito cognitivo de evitar repensar sobre memórias já consolidadas. Agora você conseguiu entender porquê aquele ditado “a primeira impressão é a que fica” é tão usada e real? Devemos isso ao sistema econômico cerebral.

Exatamente por conta desse mecanismo cerebral que temos uma equivocada tendência a acreditar que nossos pais ainda são as mesmas pessoas, que nosso irmão não muda, “continua o mesmo irresponsável de sempre”, que é importante não contar nada para tia Joaquina, pois ela poderá contar para todo mundo, que o primo Xiquinho continua não levando nenhum relacionamento a sério…

Sabe o que é mais engraçado disso tudo? É que temos uma nítida consciência de que a gente muda, pergunto: você acha que ainda é a mesmíssima pessoa de 6 meses atrás? Geralmente achamos que estamos em constante evolução, mas somos incapazes de acreditar que o outro também pode mudar da mesma forma. Estranho, incoerente, mas é real.

Criamos estereótipos mentais IMUTÁVEIS de nossos familiares para evitar repensar e evitar surpresas. “Não vou nem contar nada para João, pois ele é bocão.”. “Melhor não emprestar dinheiro para Tia Cintia, pois ela não paga.”. “Não vou emprestar o carro para Fernando pois ele é irresponsável”.

Geralmente não toleramos esses estereótipos quando somos vítimas deles, mas não temos problemas algum em utiliza-lo com os outros.

Não suportamos sermos vistos como erámos a 15 anos atrás, isso dói como se o outro apagasse, deliberadamente, de minha existência, toda história evolutiva de minha vida pessoal. Ser tratado como um moleque de 12 anos, quando temos mais de 20 nos causa uma angústia sem fim e, quando não raro, explosões de raiva. Dai as brigas e desentendimentos familiares.

Agora sabe qual a maior pegadinha cerebral disso tudo?

É que temos uma coisa chamada comportamento automático que são mantidos por determinadas contingências (situações) gravadas em nosso hipocampo por dopamina (que forma nossa memória de longo prazo), e esses comportamentos costumam surgir, quase involuntariamente (daí o termo: comportamento automático) quando estamos vivendo uma contingência repetida (e aprendida).

Calma eu explico; Em outras palavras, isso significa que, apesar de termos consciência de nossa evolução cronológica ( não somos mais os mesmos sujeitos de quando tínhamos 10 anos de idade, certo?), quando somos tratados da forma de como erámos no passado ( tratado como criança, por exemplo.), temos uma grande tendência de apresentar o mesmo comportamento que tínhamos lá atrás (ou, na melhor das hipóteses, um comportamento similar). Portanto, mesmo sem querer, acabamos alimentando a percepção de que continuamos os mesmos, imutáveis.

Em casais essa distorção ocorre quase de forma consciente: “Para que eu vou mudar se ela ainda continua achando que eu sou o mesmo de quando começamos?”.

Sim, é um jogo de xadrez complicado, mas nada no psiquismo humano é simples.

O que podemos fazer desde agora é por o cérebro para trabalhar e repensar e sair do automático.

Repensar sobre os conceitos que temos sobre o outro que estão congelados (imutáveis), pois afinal, é mais coerente (e inteligente) entender que: se não somos os mesmos de 4 meses atrás, porque o outro também não pode ter evoluído? Mudado? Ou só você acha que tem o dom da evolução humana que lhe foi dado com a mesma probabilidade de quem ganha na megasena?

O outro ponto é também repensar sobre os nossos comportamentos automáticos; Quais comportamentos eu ando tendo perante meus familiares que podem estar alimentando a crença de que ainda sou a mesma pessoa, parada no tempo, de 15 anos atrás?

 

André Barbosa

85 98813-9593

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

Instagram – O psicólogo.

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CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Por andreflavionb em conflitos familiares

26 de julho de 2018

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

CONFLITOS FAMILIARES: A TEORIA DO ESTEREÓTIPO IMUTÁVEL.

Hoje falaremos sobre uma teoria que venho desenvolvendo sobre uma das principais causas de conflitos familiares, uma nova distorção cognitiva: o estereótipo imutável.

Sabe aquela queixa, um tanto quanto clichê de; “Minha mãe ainda acha que eu sou uma criança!”?, pois bem, ela é real e ocorre em todos os setores familiares; também achamos que nossa mãe, nosso irmão, irmã, tio, tia, primo, vô, vó.. não mudam.

Isso ocorre por um método preguiçoso de nosso cérebro de não querer repensar memorias já consolidadas de longo prazo. Antigamente, essa estratégia de não repensar fazia sentido, pois evitava gasto de energia desnecessário.

Como assim gasto de energia?

Acredite ou não; pensar gera gastos de energia metabólica corporal. Cada pensamento que você tem é uma onda eletroquímica gasta em seu cérebro. Imagine nuvens carregadas e vários relâmpagos; o espaço entre uma nuvem e outra chamaremos de sinapses, e cada raio disparado é um pensamento ou circuito neural automático gasto.

Para se ter uma leve noção do tamanho desse gasto, quando estamos dormindo, nosso cérebro gasta cerca de 30% do total de energia corpórea produzida. Imagine quando estamos pensando e repensando? (Exatamente por isso, quando uma pessoa é muito ansiosa – pensamentos acelerados – possui uma tendência maior de querer consumir alimentos calóricos. Essa vontade de comer quando se está ansiosa é um mecanismo cerebral para compensar o gasto de energia pensando em desgraça 24h por dia.).

Portanto, antigamente, há 150 mil anos atrás, quando os primeiros Homo Sapiens surgiram, era vital poupar energia, pois não havia alimentos disponíveis em fastfoods para repor os gastos calóricos perdidos/ desperdiçados em pensamentos. Por isso repensar sobre as coisas, pessoas, vida, passou a ser encarado pelo nosso cérebro como inimigo número 1 da sobrevivência humana.

Acontece que ainda hoje carregamos em nosso DNA esse hábito cognitivo de evitar repensar sobre memórias já consolidadas. Agora você conseguiu entender porquê aquele ditado “a primeira impressão é a que fica” é tão usada e real? Devemos isso ao sistema econômico cerebral.

Exatamente por conta desse mecanismo cerebral que temos uma equivocada tendência a acreditar que nossos pais ainda são as mesmas pessoas, que nosso irmão não muda, “continua o mesmo irresponsável de sempre”, que é importante não contar nada para tia Joaquina, pois ela poderá contar para todo mundo, que o primo Xiquinho continua não levando nenhum relacionamento a sério…

Sabe o que é mais engraçado disso tudo? É que temos uma nítida consciência de que a gente muda, pergunto: você acha que ainda é a mesmíssima pessoa de 6 meses atrás? Geralmente achamos que estamos em constante evolução, mas somos incapazes de acreditar que o outro também pode mudar da mesma forma. Estranho, incoerente, mas é real.

Criamos estereótipos mentais IMUTÁVEIS de nossos familiares para evitar repensar e evitar surpresas. “Não vou nem contar nada para João, pois ele é bocão.”. “Melhor não emprestar dinheiro para Tia Cintia, pois ela não paga.”. “Não vou emprestar o carro para Fernando pois ele é irresponsável”.

Geralmente não toleramos esses estereótipos quando somos vítimas deles, mas não temos problemas algum em utiliza-lo com os outros.

Não suportamos sermos vistos como erámos a 15 anos atrás, isso dói como se o outro apagasse, deliberadamente, de minha existência, toda história evolutiva de minha vida pessoal. Ser tratado como um moleque de 12 anos, quando temos mais de 20 nos causa uma angústia sem fim e, quando não raro, explosões de raiva. Dai as brigas e desentendimentos familiares.

Agora sabe qual a maior pegadinha cerebral disso tudo?

É que temos uma coisa chamada comportamento automático que são mantidos por determinadas contingências (situações) gravadas em nosso hipocampo por dopamina (que forma nossa memória de longo prazo), e esses comportamentos costumam surgir, quase involuntariamente (daí o termo: comportamento automático) quando estamos vivendo uma contingência repetida (e aprendida).

Calma eu explico; Em outras palavras, isso significa que, apesar de termos consciência de nossa evolução cronológica ( não somos mais os mesmos sujeitos de quando tínhamos 10 anos de idade, certo?), quando somos tratados da forma de como erámos no passado ( tratado como criança, por exemplo.), temos uma grande tendência de apresentar o mesmo comportamento que tínhamos lá atrás (ou, na melhor das hipóteses, um comportamento similar). Portanto, mesmo sem querer, acabamos alimentando a percepção de que continuamos os mesmos, imutáveis.

Em casais essa distorção ocorre quase de forma consciente: “Para que eu vou mudar se ela ainda continua achando que eu sou o mesmo de quando começamos?”.

Sim, é um jogo de xadrez complicado, mas nada no psiquismo humano é simples.

O que podemos fazer desde agora é por o cérebro para trabalhar e repensar e sair do automático.

Repensar sobre os conceitos que temos sobre o outro que estão congelados (imutáveis), pois afinal, é mais coerente (e inteligente) entender que: se não somos os mesmos de 4 meses atrás, porque o outro também não pode ter evoluído? Mudado? Ou só você acha que tem o dom da evolução humana que lhe foi dado com a mesma probabilidade de quem ganha na megasena?

O outro ponto é também repensar sobre os nossos comportamentos automáticos; Quais comportamentos eu ando tendo perante meus familiares que podem estar alimentando a crença de que ainda sou a mesma pessoa, parada no tempo, de 15 anos atrás?

 

André Barbosa

85 98813-9593

Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

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