Publicidade

O Psicólogo

por André Flávio Nepomuceno Barbosa

Deixando meu relacionamento para assumir com o amante.

Por andreflavionb em amante

17 de Março de 2020

Deixando meu relacionamento para assumir com o amante.

Essa semana recebi uma pergunta de uma seguidora (instagram – @opsicologo) que tenho visto se repetir em muitos casos clínicos; a ilusão do amante.

Vou reproduzir a pergunta; “Estou em um relacionamento a 9 anos, somos casados, tenho 1 filho de 4 anos e tenho um caso extraconjugal há 1 ano. Noto que estou cada vez mais apaixonada pelo meu amante e cada vez mais desgostosa com meu relacionamento. Tenho pensado bastante em divorcio e assumir com meu amante. Ele diz que me ama, tem ciúmes de mim, e quando a gente briga, eu fico mais mal do que quando brigo com meu marido. O que o senhor acha de tudo isso?”

Minha resposta;

O amante sempre é uma autoilusão. Uma fantasia que crio e alimento. O amante não discute sobre contas a pagar, não discute sobre problemas com os filhos, não cuida de você enquanto está doente, o amante se resume a se encontrar na surdina, transar (sempre pode ser um local diferente) e ir embora o mais rápido possível para não levantar suspeitas…

Não tem essa de discutir relacionamento, atividades de casa, enfim, não lida com a realidade. Portanto, ele ( ou ela), acaba sendo uma forma de fuga da sua vida. Uma tentativa de preencher uma falta. Mas que falta?

A pergunta que vc deve se fazer é: será que eu dei oportunidade para meu casamento preencher isso também!? O que está me faltando? Será que comuniquei isso ao outro? Será que me sinto valorizado? Será que me conformei em não ser valorizado? Será que me conformei com coisas que não deveria me conformar? Será que eu ando fazendo minha parte? Será que tenho mostrado de forma assertiva ( e não acusatória) como o outro pode fazer a parte dele ( ler artigo sobre discutir a relação)?

Alguns casais falam que vivem relacionamentos felizes, mas quando vamos analisar isso a fundo, a felicidade que relatam, não é realmente felicidade, mas apenas ausência de dor, de problemas. O “viver em paz”, resume-se em empurrar para debaixo do tapete todos os problemas da relação.

O preço dessa paz (fake) é; não ser ser assertivo no meu relacionamento, não comunicar ao outro o que me dói; não comunicar o que ele (ela) deve melhorar (inclusive no sexo), não comunicar algumas angústias, não comunicar algumas insatisfações.

Na relação com amante, geralmente, não existe tal aprofundamento. Ele ( ela) só quer garantir a parte boa. Para isso ele (ela) precisa demarcar o território com palavras que o outro quer escutar como; “estou com saudade!”, “quando é que a gente vai poder se ver?”,  “te amo”, “vc é tudo!”, “queria eu ter a sorte de te ter como esposo (a)”, e até algumas cobranças; “vc não me assume porquê?” “Quero que a gente tenha algo de verdade!”, para que o outro se sinta amado e desejado (para que o outro tenha o que falta na relação real).

Mas, na maioria da vezes, quando o outro “cai” na autoilusão, no começo é “lindo e intenso”, mas depois a realidade vem ( Não era essa pessoa que achei que conhecia), e começam as brigas e desconfianças INTENSAS ( “Se traiu o outro comigo, pode me trair tbm.”. “Se ela ficou com um cara casado, ela pode ficar com qualquer outro tbm”). 

O amante não te conhece de verdade. Nem você a ele. Porque nunca viveram uma relação de verdade.

Fora que, acredite em mim, para maioria dos amantes, o maior atrativo é você estar comprometida e não exigir um compromisso com ele.

Existe um outro ingrediente importante que pode ter colaborado para seu relacionamento atual está te deixando desgostosa; Ao se focar no amante, você vai tornando-se indiferente e até impaciente no seu relacionamento real, te impedindo, assim, de reconstruir este mesmo relacionamento.

Além disso, por mais que você peça o divorcio, você tem que entender que os erros que vc cometeu na relação atual, você poderá cometer novamente e viver em um eterno filme repetido: sabotando todos os seus relacionamentos e uma forte candidata a viver sozinha.

Minha recomendação; procure terapia. Além de promover uma autoconhecimento, você entenderá como pode fazer para se libertar desse ciclo de autossabotagem.

 

André Barbosa

85 98813-9593

Psicologo Clinico

Terapeuta Cognitivo-Comportamental.

Instagram/Facebook – @opsicologo

Publicidade

Terapia Online – O avanço da psicologia.

Por andreflavionb em terapia online

17 de Março de 2020

TERAPIA ONLINE – O AVANÇO DA PSICOLOGIA

Atendimento online: Por que sim?

Recebi  algumas perguntas por direct de seguidores estudante de psicologia sobre o atendimento online. Copio e colo abaixo;

“Olá, sou estudante de psicologia e estamos discutindo bastante sobre atendimento online. Qual sua seu posicionamento sobre o assunto?”

“Estou a procura de atendimento psicológico, mas, devido a essa pandemia (Corana Virus), gostaria de saber se existe alguma perda de qualidade em realizar o atendimento online”.

Como psicólogo certificado para atendimentos online pelo conselho federal de psicologia ( e com alguns anos de experiência em atendimento online), posso falar com segurança sobre o assunto. Vamos lá…

Primeiramente, não posso falar por todos profissionais da psicologia de diferentes abordagens, mas falando especificamente da terapia cognitivo-comportamental (atendimento clínico individual), não consigo visualizar perdas entre atendimentos online e presencial. Digo isso até porque um dos principais nomes da cognitivo-comportamento no mundo, Jesse H. Wright, tem inclusive visto ganhos na terapia online que a presencial não tem, como por exemplo; tratamento inicial para transtornos graves como síndrome do pânico, agorafobia, depressão maior… são alguns transtornos que, na fase aguda da doença, o paciente não consegue sequer sair de casa. Se estes pacientes recebem terapia online em casa, podem reduzir os sintomas através de técnicas e protocolos cognitivos-comportamentais e adquirirem força para sair de casa e participar da terapia presencial posteriormente. Portanto, ponto para o atendimento online.

Sem contar as pessoas que buscam terapia e que não encontram atendimento em sua cidade ou pessoas que estão fazendo terapia, mas que, por algum motivo, precisam viajar ou se mudar de cidade e querem continuar a terapia com o seu terapeuta, ou pessoas que simplesmente ouviram falar do trabalho de um determinando psicólogo e querem fazer terapia com o mesmo, mas moram distante. Outro ponto para o atendimento online.

Vale lembrar que a cognitivo-comportamental é uma abordagem da psicologia que trabalha reestruturando crenças, pensamentos, regulando emoções e modificando comportamentos. Por ser uma ciência baseada no funcionamento cerebral teve uma boa influencia da tecnologia e avanços científicos (ex: neurociência, neuropsicologia, mindfulness… ).

Portanto, esse casamento com a tecnologia já era previsível, usamos desde monitoramento de estruturações cognitivas dos pacientes por aplicativos, além de controle da ansiedade e foco/atenção (também através de aplicativos), até monitoramento de qualidade do sono (todas essas ferramentas mencionadas uso em meu consultório e ajuda muito na estratégia terapêutica do paciente).

Nos EUA e boa parte da Europa, as sessões de terapia cognitivo-comportamental já são permitidos atendimento online praticamente desde a invenção da internet. Para um mundo cada vez mais conectado e que até procedimentos cirúrgicos estão sendo realizados online (uma pessoa em outro país controla/supervisiona e até realiza procedimentos cirúrgicos através da robótica) , o atendimento online é um movimento até normal de acontecer.

Quanto a eficiência da terapia online, isso vai depender de profissional para profissional. Alguns se adaptam. Outros não. Isso é normal. Porém, desde que a conexão de internet seja boa e o local de atendimento (tanto do psicólogo quanto do paciente) sejam adequados, posso até arriscar dizer que não fará diferença sendo presencial ou online. Veja bem, o que quero dizer é que se você ficar feliz com o atendimento presencial do seu terapeuta, provavelmente você ficará feliz com o atendimento online do mesmo. Agora se você não gostou do atendimento online, provavelmente poderá não gostar ao vivo. Tudo é uma questão de adaptação e empatia com o psicólogo e da sua própria adaptação como paciente com essa tecnologia.

Na cognitivo-comportamental trabalhamos com muitas técnicas que são acompanhadas por material psicoeduticativo, formulários, protocolos, aplicativos… E o atendimento online até facilita essa troca de informação e acompanhamento. Todo material de acompanhamento, por exemplo, pode ser enviado por email ou por Skype na mesma hora do atendimento online.

*imagem retirada de facebook.com/opsicologooficial

Talvez para psicólogos que possuem como abordagem a psicanalise, o atendimento online seja um pouco complicado. Falo da psicanalise tradicional; aquela em que paciente se posiciona deitado no divã. Porém, mesmo assim, existe um aplicativo disponível que se propõe atender pacientes apenas por profissionais da abordagem psicanalítica.

Fora isso não consigo verificar desvantagens. E acho que foi até um grande avanço do conselho federal de psicologia acompanhar esse avanço tecnológico, pois certamente, caso fosse proibido, seria uma espaço ocupado por pessoas sem capacitação nenhuma, podendo causar mais danos do que beneficio a saúde mental do paciente.

Referente a ética, todo o procedimento de atendimento online é respaldado pelo conselho federal de psicologia. Quem quer (psicólogo) possuir a devida certificação para atendimento online, deve procurar o Conselho Regional de Psicologia para submeter-se a certificação.

Portanto, vejo com bons olhos esse avanço da psicologia e parabenizo os psicólogos que estão expandindo nossa linda ciência para ajudar pessoas em todos os cantos do país e do mundo através do atendimento online.

Espero ter ajudado a esclarecer o tema.

ATENÇÃO BUSQUE PROFISSIONAIS DEVIDAMENTE  CERTIFICADO!

#TerapiaOnline #PsicologiaOnline #ConsultaOnline #Depressão #ansiedade

André Flávio Nepomuceno Barbosa

CONTATO – 85 988139593

CRP 11/11089

Psicólogo Clínico

Terapeuta Cognitivo-Comportamental.

Publicidade

Desconfiança: o maior sabotador das relações

Por andreflavionb em Desconfiança

11 de Fevereiro de 2020

Desconfiança: o maior sabotador das relações.

 

 

Hoje vamos conversar um pouco sobre um tema que está presente em quase todos os rompimentos/discórdias das relações (sejam elas; amorosa, familiares, profissionais, de amizade): a desconfiança.

A desconfiança é uma estratégia cerebral (cognitiva) que todos nós temos e que tem como principal objetivo nos proteger de frustrações futuras. A pegadinha cerebral disso é que acabamos vivendo essa frustração em nossos pensamentos e sentindo todas as dores emocionais como se o pior já estivesse ocorrido (ou ocorrendo).

O que muitos não sabem é que também existe a desconfiança positiva. É aquela que nos move a detectar falhas e nos aprimorar. Evoluir. A própria ciência, como estudamos hoje, é resultado de anos e anos de desconfianças. Devemos isso, principalmente, a René Descartes, um dos mais importantes filósofos do mundo, que ajudou a ciência a dar um salto enorme com seu método: a dúvida, que é a busca incansável pela verdade das coisas que nos são apresentadas (não aceitar dogmas).

A desconfiança positiva ajudou o homem a descobrir que a terra é redonda e que gira em torno do sol, e não ao contrário. Nos permite reler um relatório antes de entregar para o chefe, nos faz solicitar uma nova correção quando desconfiamos que o professor corrigiu errado.

O problema é o excesso de desconfiança. Quando você desconfia de seu namorado, no fundo, quer evitar sofrer futuramente. Quer evitar perdê-lo. Portanto, usa como estratégia ficar cercando o par de todas as formas. Saber por onde anda, o que está fazendo, quem são seus amigos… E pior: para quem desconfia, tudo é um indício de que o outro realmente pode quebrar (ou já quebrou) sua confiança, pois temos uma grande tendência a selecionar fatos que confirmam nossas teorias e eliminar as que não confirmam.

Por excesso de medo de perder, portanto, acabamos perdendo. Afinal, do outro lado dessa relação existe alguém que sente-se constantemente vigiado, em sinal de alerta máximo, pisando em ovos, em tensão máxima. E sabe o que mais pode acontecer? A vítima da sua desconfiança pode começar a achar que você desconfia porque faz coisa pior. Aí começa um relacionamento instável.

Questionar várias vezes sobre um determinado assunto que envolva o tema desconfiança, faz com que o outro se sinta em um tribunal, à espera de algum erro em sua versão dos fatos. O que precisamos saber é que nossa memória (uma das funções principais do hipocampo) é altamente flexível e a toda hora pode adicionar ou omitir algum fato que ocorreu (e às vezes até criar, sem intenção alguma de enganar. Vide teoria da sedução de Freud que fala das falsas memórias). Portanto, esses lapsos de memória são naturais, mas para quem desconfia isso é a prova cabal de uma traição. Ou seja, quando o outro, ao relatar o fato por várias vezes e cair no erro (comum) de acrescentar ou retirar algum relato, isso poderá ser entendido como uma mentira e quebrar a confiança do desconfiado.

Quando a desconfiança não destrói uma relação, acaba transformando um relacionamento em uma ilha deserta. Aqueles casos em que o casal se afasta de tudo e todos, que é uma estratégia para manter a salvo o relacionamento. A má noticia é que relacionamentos “ilha deserta” não costumam durar muito. Isso porque, geneticamente, fomos programados para viver em sociedade e, ao mesmo tempo, ter nossa individualidade(que é afirmar nossa própria essência a essa sociedade). Fugir disso é colocar nossa própria saúde mental em risco.

Uma das histórias de traição mais famosa é do século I A.C., fala do Imperador Romano Júlio César, o qual foi vítima de uma conspiração de senadores para tirá-lo do cargo. Entre eles estava o seu filho adotivo Marcus Brutus. O complô resultou no assassinato do imperador a punhaladas pelo grupo de senadores. Na hora da morte, Júlio César reconheceu o filho entre os seus algozes e proferiu a famosa frase. “Até tu, Brutus, filho meu?”.

Essa história nos ensina uma coisa, um tanto quanto cruel, mas verdadeira: quem quer trair, trai. Não adianta tentar cercar o outro, ele vai dar o seu jeito (se ele quiser trair). Portanto, perceba que desconfiar é uma estratégia que não garante nenhuma segurança. Pelo contrário, se o seu parceiro estiver realmente te traindo e souber de seu excesso de desconfiança, ele vai se armar de estratégias fantásticas para acobertar a traição.

O contrário também é verdade: quanto menos eu desconfio, mais eu deixo o parceiro relapso em disfarçar o “rastro do crime” e, portanto, mais fácil será pegá-lo no erro.

Quando eu sofro por desconfiança eu acabo vivendo essa traição (mesmo que não seja real) todos os dias em minha cabeça. É torturante. Além do mais, eu acabo despertando no outro, como falei anteriormente, uma desconfiança da minha desconfiança. Existem casos, e não são poucos, de pessoas que cometem algo errado pelo simples fato de sentirem “incriminados” por algo que não cometeram. “Já que me acusa de ter feito algo errado, vou fazer!”.

 

Nas relações de amizade, a desconfiança age da mesma maneira. Desgasta o relacionamento. Transforma o carinho em algo aversivo. Principalmente quando isso é reincidente. A pessoa que desconfia de todos e tudo, acaba, infelizmente, tornando-se uma pessoa solitária no mundo.

Existe, ainda, a desconfiança de si mesmo, que nos causa sofrimento e insegurança quanto a nossa capacidade de enfrentar problemas, alcançar objetivos, melhorar relacionamentos.

A desconfiança é fruto de um severo medo de rejeição, medo de abandono, medo de ser feito de otário.

A desconfiança tem cura? Claro que tem! Mas é um processo complicado que requer terapia, comprometimento e aceitar mudanças. Minha dica para iniciar essa mudança: procure um psicólogo.

 

André Barbosa

Psicólogo Clínico – Cognitivo-Comportamental

(85) 98813-9593

Instagram
@opsicologo

Publicidade

Como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Por andreflavionb em Luto de relacionamento

30 de dezembro de 2019

Como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Recebi uma pergunta recentemente de uma seguidora de meu instagram (@Opsicologo) que trata de um tema que é bastante discutido hoje: estou com depressão ou apenas triste por ter rompido um relacionamento? E como superar?

Vamos chama-la de Silvia. Segue a sua pergunta:

“Terminei uma relação altamente instável, mas que durou cerca de 4 anos. Na verdade ele terminou comigo. Isso já tem cerca de 2 meses. Estou em depressão desde então. Fico depressiva na maioria dos dias. Choro por qualquer coisa. Está atrapalhando até meu sono. O que me deixa ainda mais angustiada (e até revoltada) é ficar na deprê desse jeito por alguém que nunca me valorizou de verdade. Mentia, saia escondido e tenho certeza que fui traída. E pior de tudo, ainda gosto dele, e muito. Sinto-me uma idiota por está sofrendo por alguém assim, mas não tenho como controlar. O que posso fazer?”

Silvia, antes de mais nada, vamos substituir o nome “depressão” por tristeza, ou, mais especificamente, um luto pelo fim de um relacionamento, ok? Digo isso porque não vi você mencionando que foi diagnosticada por um psiquiatra/psicólogo com algum transtorno depressivo anteriormente (que é uma doença grave, séria e que não pode ser diagnosticado agora porque pode-se confundir a dor desse rompimento com os sintomas da depressão. Então dificilmente um psiquiatra/psicólogo, sabendo disso, dirá que você está com depressão)

Dito isso, vamos ao que interessa: como lidar com a dor de um rompimento amoroso?

Primeiramente, precisamos normalizar essa sua emoção. O que quero dizer com isso? Quero dizer que é normal você se sentir triste, chorosa, pelo rompimento de um relacionamento de longa duração (apesar de todas as instabilidades citadas). Anormal seria você, ainda gostando dele, pular de alegria após esse rompimento. Entende?

Estamos vivendo em tempos que não toleramos mais sofrer. Isso é muito preocupante, uma vez que a vida é composta de altos e baixos e, acredite em mim, graças a esses “baixos” evoluímos na maioria das vezes.

Portanto, para começar a dar volta por cima, é preciso que você entenda a naturalidade dessa emoção. Você não precisa se sentir uma idiota. Aliás, o que deve estar piorando seu quadro de tristeza/luto é seu julgamento dessa emoção. “Estou triste, logo sou uma idiota.”. Toda vida que não aceitamos determinada emoção, a tendência é ela aumentar a intensidade. Para explicar isso de uma forma resumida (e didática),  basta entender que isso ocorre porque simplesmente mantemos a emoção viva em nosso cérebro, toda vez que lutamos contra. É como se eu dissesse pra mim, repetidamente; “eu não quero ficar ansioso antes de me apresentar”. Pode ter certeza que ficarei ansioso. Isso porque o cérebro não “capta” o comando “não”. Quer fazer uma teste de como isso funciona? Vamos lá: pense em um elefante rosa com manchinhas pretas! Pensou? Pronto, agora tente não pensar no elefante rosa com manchinha pretas? Conseguiu? Se você fez o exercício da forma correta, certamente não conseguiu.

Aceitar a emoção, entendendo que é normal se sentir triste após esse luto de relacionamento, é a maneira mais inteligente de dar a volta por cima. Detalhe: aceitar não é alimentar, tá?

Aceitar é simplesmente entender :”bem, estou me sentindo triste, mas é normal, afinal, terminei um relacionamento recentemente de longa data”.

Alimentar é você, sentindo-se triste, começar a procurar evidências de que seu ex está com outra, ou que está curtindo a vida, ou que está mais feliz sem você… (detalhe: todas essas “evidências” serão contaminadas pela minha emoção e atenção seletiva. Meu cérebro sai buscando no ambiente algo que comprove a sua teoria. Entendeu? Ou seja, se eu mostrar uma foto do seu ex em  algum lugar para alguém, a pessoa pode simplesmente dizer que ele está normal ou até mesmo triste, mas você pode dizer, vendo essa mesma foto; olha como ele está feliz! Isso é normal de acontecer.)

Portanto, repito: aceite a emoção sem julgamentos. Até porque desse julgamento “sou uma idiota por estar me sentindo triste”, brotam consequências: aumenta mais ainda a tristeza, pode vir raiva, revolta, diminuir sua autoestima… E não vai ajudar em nada a sua situação, percebe?

Essa virada de página não vai ocorrer do nada. Você precisa se engajar em uma mudança comportamental, por exemplo; não deixe de resgatar e praticar coisas que você gosta de fazer. De preferência, faça uma lista de coisas que você gosta de fazer e faça um planejamento de quando você pode fazer (executar) todas essas coisas.

Resgate o contato social, cuide da alimentação, regule seu sono (tente dormir pelo menos 8 horas por dia), faça alguma atividade física, faça (e execute) planos profissionais… Se você notar que fotos dele em seu feed de suas redes sociais estão lhe desestabilizando, bloquei. Oriente também seus amigos em comum não ficar levando ou trazendo assuntos do seu ex.

Se você notar também que ver ele no whatsapp online aumenta sua ansiedade ou tristeza, bloquei. Nesse tempo de recuperação é preciso você saber o que lhe tira do eixo (que lhe deixa triste e instável emocionalmente) e sair eliminando cada um desses itens (estímulos) que te deixa pra baixo.

Acredito que essas ações já se constituem um ótimo começo para virar essa página. Agora se essa condição de tristeza persistir de forma crônica por mais dois meses, mesmo você fazendo tudo isso, aconselho você buscar uma ajuda psiquiátrica e psicológica para examinar mais a fundo isso.

 

Espero ter ajudado,

 

André Barbosa

Psicólogo Clínico

CRP – 11/11089

Terapeuta Cognitivo- Comportamental

85 98813 9593

Publicidade

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Por andreflavionb em Transtorno de personalidade boderline

09 de dezembro de 2019

Instabilidade emocional, sensação de inutilidade, insegurança, impulsividade e relações sociais prejudicadas. Imagem retirada: http://images1.minhavida.com.br/imagensconteudo/17514/mediabox%20luto%20relacionamentos_17514_242_427.jpg

 

BORDERLINE: QUANDO É AMOR OU DEPENDÊNCIA?

Hoje vamos falar sobre o transtorno de personalidade borderline; Um transtorno que pode provocar estragos emocionais na vida de quem sofre e de quem convive ao redor. O grande problema que dificulta o diagnóstico é a tendência a achar que é apenas um traço característico da pessoa; “Ah, não se preocupa, ela é assim mesmo.”/ “O que você tem? Nada, apenas baixou um espírito de tristeza e deu vontade chorar, normal”. “Não se preocupa, ela está puta contigo agora, mas amanhã ela volta atrás, é normal, ela é super bom coração”.

Um dos principais traços característico reconhecido por amigos ou familiares de um border é dizer “Ela é uma pessoa intensa”.

As pessoas que convivem com um borderline sente-se como se estivesse em constante estado alerta; é uma sensação de eternamente ter que pisar em ovos; “O grande problema é falar que fulano está errado, porque ele leva para o lado pessoal, fica extremamente ofendido, acha que você não gosta mais dele…”

E os borderlines sofrem todos os dias a angustia de conviver com a dor de ser aceito. Sentir uma grande necessidade de agradar. Desde demonstrar isso publicamente de forma exagerada (pessoas que postam nas redes sociais, por exemplo, que amam o outro, ou que encontrou o amor da vida, quando, na verdade, não tem nem 1 mês que conheceu o outro), ou tentam comprar presentes caros….

Os border vivem sempre como se estivessem no limite emocional. Qualquer coisa, por menor que seja, tem potencial de desestabilizar o sujeito que sofre desse transtorno; O medo de rejeição, por exemplo, deixa o sujeito em constante estado de alerta, buscando indícios se o outro está o deixando ou não, qualquer coisa, até um tom de voz, pode ser interpretado como um forte sinal de que o outro está prestes a deixa-la, ou, o que é pior; se apaixonando por outra.

Conviver com essas instabilidades emocionais não é fácil, a válvula de escape, muitas as vezes, é o comportamento compulsivo; comprar demais, comer demais… Além de ser fácil identificar atos impulsivos: tomar grandes (e drásticas) decisões sem pensar e rápido demais.

Aqui vamos falar de três casos;

**************************************

Mesmo depois de 4 meses solteira, Luanne continua questionando-se o que fez de errado para que seu namoro de 2 anos chegasse ao fim? Fez tudo que o namorado pediu: Afastou-se dos amigos, deu todas as senhas de suas redes sociais, só saía se fosse com o ele e excluiu alguns amigos de suas redes para evitar confusão.

Comenta com a família, geralmente chorando, que nunca mais vai encontrar alguém, que tem medo de morrer sozinha, apesar de nunca ter ficado solteira por mais de 4 meses. Sempre quando achava que um namoro estava para acabar, ela ja tratava de garantir um paquera que fosse um forte candidato a futuro namorado.

O mais estranho, comentário geral, era a facilidade de se envolver. Namora fulano por 1 mês e já esta se declarando na redes sociais. “O amor de minha vida!”

Criou uma conta fake no instagram e facebook para seguir o ex e saber de sua vida. Para seu desespero, descobriu que ele está saindo com outra. Comenta com as amigas que sente uma dor profunda, na alma… Uma dor insuportável… que está perdendo a alegria de viver.

Hoje os pais de Luanne comentam que ela piorou a instabilidade de humor, está comendo demais, bebendo demais, trancou a faculdade e irrita-se facilmente por qualquer coisa. Fala aos pais que sente um vazio, como se precisasse de alguém para se sentir completa, mas sempre sentiu isso a vida inteira.

****************************************

Lícia sempre foi uma pessoa intensa. Daquelas que ou ama ou odeia. Uma pessoa que se entrega de corpo e alma quando gosta de alguém, mas que vive a mesma intensidade de dor quando se decepciona com essas pessoas. É como se parte dela morresse ao ver-se traída, seja por amigas ou namorado.

Costuma achar (e ter quase certeza) que as pessoas ficam falando dela quando chega em algum canto e vê alguém cochichando ou olhando de lado. Inclusive ja pegou várias brigas por isso. Quando questionada sobre o motivo, apenas fala “Eu tenho certeza que ela não gosta de mim! Ou que estava falando mal de mim!”.

Lícia foi miss, mas se considera feia e desinteressante. É uma pessoa extremamente carente e hoje está sofrendo violentamente por um relacionamento de 4 meses que terminou. Perdoou a traição do namorado com outra menina a fim de manter o relacionamento, mas foi Roberto que quis o fim, alegando querer “curtir mais a vida com os amigos”.

Sentir-se trocada, abandonada, rejeitada, está sendo pesado demais para Licia, que confessa ter pensado se matar já algumas vezes.

****************************************************

O que Luanne e Lícia tem em comum é que as duas sofrem do transtorno de personalidade boderline.

Um transtorno extremamente complicado e que afeta todas as áreas da vida de uma pessoa (profissional, familiar, afetivo… ).

Um dos traços característicos do transtorno de personalidade Borderline (que refere-se viver na borda, no limite) é instabilidade no humor, no comportamento e e nos relacionamentos.

Geralmente são pessoas que precisam da aprovação dos outros para se sentir bem consigo. Submetem-se aos desejos e ao controle ( incluindo tolerar invasão de privacidade) dos outros para sentirem-se aceitos. Podem apresentar um ciúmes excessivo dos parceiros por medo de abandono.

Alguns tem a necessidade de estar sempre em um relacionamento (São pessoas que você nunca viu solteiro por muito tempo) e que, em um espaço curtíssimo de tempo, já está se declarando apaixonado.

Borders sentem-se inferiores (baixa autoestima). Às vezes, evitam contato com as outras pessoas por medo de não se sentir aceito. Não reagem bem a criticas. Aliás, são pessoas que geralmente temos que “pisar em ovos” para realizar qualquer crítica por menor que seja.

Outro traço característico é impulsividade (ou compra demais, ou/e come demais, ou/e promiscuidade nas relações….) , tomam decisões e atitudes impulsivas (e geralmente se arrependem na sequencia). São pessoas que confiam demais nas emoções.

Relatam sentir uma angústia/sensação de vazio.

É difícil também saber o que um border sente pelo outro; Se é amor ou se é simplesmente um traço da doença; a dependência de ter um relacionamento para se sentir completo… Custe o que custar.

Não existe medicação que cure o transtorno, embora seja necessário, em casos graves, alguma medicação que ajude no controle da depressão e impulsividade juntamente com a terapia.

Hoje o tratamento mais efetivo no controle da doença é a psicoterapia. Vários estudos apontam a Terapia Cognitivo-Comportamental como a terapia de maior eficiência no tratamento, especificamente: a terapia dialética.

O ponta pé inicial é buscar ajuda.

Procure um psicólogo

André Barbosa

Psicólogo Clínico/ CRP 11/11089

Terapeuta Cognitivo-Comportamental

85 988139593

Publicidade

Coisas que aprendi com minha vó

Por andreflavionb em Luto

22 de setembro de 2019

COISAS QUE APRENDI COM MINHA VÓ

 

Coisas que aprendi com minha vó #1

Esse será um livro que escrevo para Loren, Lis, Lucca, Leozinho (nossa! enquanto escrevo, percebo que a nova geração dos Nepomucenos adora o “L”) e para Bento (o único que escapou do “L”).

Escrevo para vocês entenderem as suas raízes. De uma mulher guerreira que saiu, quase fugida (quase que retirante) do interior, sem levar nada (mesmo vindo de uma família de muitas posses), levando 8 filhos pequenos a tira-cola e, apenas agarrada a sua fé, coragem, e certeza de que estava fazendo o que era certo, transformou toda nossa história.

 

Vocês sabem o que é isso? A coragem desta mulher? Hoje vejo casais com medo de se mudar de apartamento, com medo de criar um cachorro “é muita responsabilidade, será que conseguiremos?”, e levar 8 filhos para uma cidade desconhecida, sem emprego, sem pedir 1 centavo de ajuda a sua afortunada família? Isso, meus sobrinhos, é só para Alzira. A dona da porra toda!

Escrevo, meus sobrinhos, para que vocês entendam a força da genética que carregam consigo. Escrevo para reparar a injustiça do destino de não ter convivido com essa mulher.

Uma mulher forte e guerreira até o fim. Indomável até seu ultimo suspiro. Tudo era no tempo dela. Quando todos achavam que ela se ia, ela ficou. Quando todos achavam que ela ia ficar, ela riu, e se foi… Acho que ela não resistiu ao convite de reencontrar seu avó (que ela amava profundamente).

*****

Fortaleza, 21 de setembro de 2019.

Hoje completam 7 dias desde que vi minha velhinha pela última vez. Era uma tarde de sábado. Lá estava ela, no leito “1” da UTI clínica, estava dormindo tranquila, estava tão bem que, de acordo com a equipe médica, iria receber alta já na segunda. A família toda comemorava!

Todos estavam impressionados com sua recuperação. “Como ela é forte!!” era o comentário geral da equipe médica. Em uma semana ela havia saído de um estágio de “vai morrer a qualquer segundo” para “não vejo necessidade dela continuar na UTI. Ela já está respirando sem ajuda, respondendo bem a medicação, pressão boa, oxigenação ótima, frequência cardíaca de bebê…”. Portanto, saí naquele dia, daquela sala, ainda mais feliz e esperançoso.

Lembro que ela estava dormindo tão bem, tão em paz, que decidi não conversar com ela (prática que fazia sempre que ia visita-la na UTI quando ela estava desacordada). Ela estava dormindo com aos mãos juntas, como se estivesse em oração, como quem estava conversando com Deus ( e talvez estivesse).

NOSSO ULTIMO ENCONTRO. ELA ESTAVA DORMINDO LINDA,EM PAZ, COMO SE ESTIVESSE ORANDO.

Saí do hospital pensando na vida. Em como as coisas haviam mudado profundamente em meu ser.

Em uma semana, minha perspectiva de “problemas da vida” haviam se transformado. Alguns dias atrás meus problemas eram “estou cansado”, “como essa cadeira é desconfortável, preciso trocar!” “Essa dor nas costas está acabando comigo”, “Meu sono está uma bosta!”, “essa cama está muito desconfortável”, “estou trabalhando muito!”, “preciso perder peso”, “preciso negociar com o corretor melhores condições do imóvel”, “que saco acordar cedo!”…

Mas quando vi minha velhinha, de 100 anos, toda furada, deitada em uma maca de hospital (ela nunca conseguia dormir em cama, somente em rede e odiava hospitais), cheia de tubos passando no nariz, máscara de oxigênio, barulho de morte pelos corredores… E, mesmo assim, quando a gente sussurrava no ouvidinho dela; “Meu amor vai sair desse hospital com mais saúde e viver muitoooo mais, não vai?” Ela respondia, ainda sem conseguir abrir os olhos, fazendo força para conseguir respirar dentro da máscara, um sonoro “VAI!”…

Portanto, diante da luta de minha velha, meus problemas viraram fumaça.

Aliás, que problemas?

Eu reclamando de acordar cedo, e minha vó ali lutando para continuar acordada… Eu reclamando que o elevador estava com problema e que tinha que subir de escada, e minha vó juntando todas as forças para conseguir sentar. Eu reclamando que não tinha para onde sair, que ia ter que passar sábado a noite em casa, e minha vó orando a Deus para poder voltar para casa.

Não, esse “André” não faz parte do sangue da Alzira que corre em minhas veias. A partir daquela semana, eu olhei pra mim e disse, lembrando da essência de minha vó; “reclamar da vida não fará mais parte de mim. Só tenho é que agradecer! Agradecer até pelos meus (agora) melhores amigos, chamados, outrora; problemas.”.

Nesse dia, Heidegger, finalmente, passou a fazer sentido pra mim. Para ele, a ideia de finitude nos liberta, nos faz perceber o que realmente importa, que o homem quando assume sua finitude diminui seus medos em relação ao fim da vida, mas, se eu soubesse que ali, naquele dia, seria nosso ultimo encontro… teria saído de lá rouco de tanto falar. Teria beijado tanto ela, que sairia com minha boca torta.

Teria agradecido por tudo (ela foi uma segunda mãe pra mim. Aliás, até meus 12/13 anos, chamava ela de mãe), teria falado de todo amor que sentia por ela mais uma vez, teria falado da saudade que ia sentir, do vazio que ela deixaria em nossas vidas, da vontade de leva-la, nem que fosse só mais uma vez, para nossas farras no shopping, assistir cinema e voltar no carro ao som de Luis Gonzaga (um de seus cantores favoritos) com ela batendo palma, sorrindo e agradecendo “Meu filho, como foi maravilhoso esse dia!! Quando você vem de novo??”.

Queria ter falado tanta coisa, sei lá… Mas, o que falar naquelas poucas horas restantes de vida para uma pessoa que compõe a essência de nossa vida? Talvez as palavras, nessas horas, não fossem o suficientes, mas, talvez o olhar (em lágrimas enquanto escrevo) falasse o resto…

Deixei meu tesouro com esperança no coração de que ela estaria em casa contando suas histórias de Pedro Alvares Cabral, do alfabeto, de quando era mais nova em Ibiapina… Mas, esse sonho se desfez, como hóstia em agua, na manhã seguinte (domingo).

Era por volta das 6am, quando alguém ligou para minha mãe e pediu para que ela comparecesse no hospital o mais rápido possível e, de preferencia, com um acompanhante.

Ela desligou aquela ligação em prantos, já em luto. Ela sabia o que significava aquilo; minha vó havia partido as 5am. Lembrei que esse era o horário que eu nasci. Era o horário que ela acordava quase todos dias para sair no mundo (as vezes para ir comprar goma no centro da cidade para fazer as suas famosas tapiocas, as vezes para ir para sua igreja, as vezes para ir visitar um filho). E esse foi o horário que ela decidiu partir para o outro mundo.

Fui ao hospital com minha prima. Esperei naquela sala fria noticias das mais variadas possíveis, desde; “Sua vó acordou gritando aqui, tá deixando todo mundo louco! Por favor, vamos dar alta para ela???”, ou “Aqui as coisas da sua vó, ela ja pode voltar para casa”… Juro que esperava ouvir qualquer coisa, menos a que eu ouvi; “Sua vó teve uma hemorragia no nariz, respirou sangue, teve uma parada cardiorrespiratória e veio a óbito”.

E foi isso; apenas duas linhas de palavras que resumiram o fim de 100 anos de vida de uma mulher com uma infinidades de histórias para contar, de uma mulher que mudou a história de vida dos Nepomucenos.

E foi ai que meu chão caiu. Não era possível aquilo. Demorei para digerir aquelas informações. A negação, que tanto combato junto aos meus pacientes, veio como uma grande amiga e me agarrei a ela como quem se agarra a uma boia para não morrer afogado.

Cheguei a perguntar “Tem certeza que foi minha vó, doutora?”. A médica, ainda de máscara, apenas olhou para minha prima, que é enfermeira, e disse; “Eu vou trazer alguns documentos e vou precisar preencher, ok?” o resto de sua fala foi apenas “bla, bla, bla, bla…” que nem lembro direito.

Mas lembro de uma palavra; Fatalidade. Essa é uma palavra escrota, mas foi essa palavra que, segundo a anunciante do apocalipse, levou minha velha a óbito; fatalidade.

Eu achava que fatalidade era um cometa caindo em minha casa, um relâmpago me transformando em churrasco, uma banda de forró fazendo versões de músicas dos Beatles… não aquilo que aconteceu com minha vó, Mas, aparentemente, uma hemorragia no nariz, sendo respirada, ao ponto de encher os pulmões dela, também é uma fatalidade. Minha vó passou 2 semanas combatendo uma pneumonia, mas quem foi fatal foi um sangramento em seu nariz.

Sim, essa ainda é minha parte que não aceitou a viagem de minha vó sem aviso prévio. Porém, enquanto escrevo, recordo, também, que viajar sem avisar era um hábito de minha vó. Foi e não foi, ela estava em Brasília, SP, RJ, Ibiapina… Então, posso dizer, que ela partiu ao seu modo; Sem avisar. Sem mais, nem menos.

Naquele domingo, depois da notícia, de 8 am até as 12h, eu não lembro de quase nada. Liguei o piloto automático, eu acho. Só lembro de flashes e sensações. Uma dessas sensações era que precisava ser forte para segurar as pontas da família. “Sou psicólogo, não posso deixa-los na mão essa hora”. Também pensava em minha mãe, que precisava estar com ela para abraça-la e dizer qualquer coisa que pudesse acalenta-la, mas no final daquele dia, foi ela que terminou fazendo esse papel comigo.

Pensava em minhas tias, em meus tios… “Como falarei isso para meu tio (que é uma espécie de ídolo, melhor amigo, irmão, pai, protetor; meu tio Boni), meu Deus?” .

“E minha tia que esteve lutando com ela até vê-la melhorar, mas que agora estava em Brasília, certa que minha vó iria ter alta?”.

“E minha outra tia que esteve cuidando com tanto carinho e amor de minha vó por tanto tempo? Como ela reagirá a isso?”.

“E meu tio do Rio que era um dos xodós de minha vó, “meu filho parece um ator”, que, devido sua saúde frágil (outro guerreiro que deu um cotoco na cara da morte e disse “vai tomar no C. dona morte!!! Eu sou filho da Alzira, porra!! Eu vou vencer essa merda e dar a volta por cima !!!)…

Pensei também em minha tia mais velha, apegada a minha vó mais que friera em pé de jogador, outra guerreira que tanto admiro, que honrou o sangue de minha vó…

Tive flashes do dia anterior, eu meu tio (Boni) estávamos tão esperançosos… Como eu ia falar aquilo para ele? Como ia falar que nossa amada velhinha ia furar nossos planos?

De alguma forma, avisei para algumas pessoas, não lembro para quem, não lembro como. O piloto automático do meu cérebro assumiu o volante e segui, robótico, para casa.

As 13h, parte da ficha caiu. Bem ali, naquele cemitério, onde realizaríamos o funeral.

Lembro que pensei que vê-la ali, naquele caixão, era admitir que meu amor havia realmente partido. Minha mente tomou um fluxo de evitação tão profunda que beirei a alucinação; recordo que pensei que enquanto eu não olhasse minha vó, a verdade continuaria a minha maneira, estaríamos em um mundo paralelo, onde ela ainda estaria no leito dormindo feito um anjo, esperando sua alta.

Vê-la, portanto, era como encarar as cinzas de meus sonhos… Então eu não ia vê-la. Não mesmo! Fiquei, portanto, a maior parte do tempo, do lado de fora do funeral.

É curioso esse processo de luto. Por alguns minutos, em minha mente, ela estava morta e viva ao mesmo tempo.

Foi quando vi meu tio, otimista que nem eu, chorando. Ali meu mundo caiu pela segunda vez e eu desabei com força. Quer saber? Não quero ser forte, pensei. Não quero ser “o psicólogo”. Hoje eu quero ser apenas um humano. Um humano que perdeu uma das pessoas mais importantes de sua vida.

E de 13h as 21h eu também não lembro de muita coisa. O piloto automático assumiu o volante novamente. Tudo se resumiu em lágrimas, inconformismo… e uma certeza; “Naquele lugar seria enterrado parte de mim”.

Lembro que falei algumas coisas para família. Coisas que guardava diariamente no coração; lembranças das nossas conversas, eu no sofá, ela na sua rede, ou na sua cadeirinha surrada de praia (que adorava enquanto morava no Icaraí), dos desejos de minha vó de ver a família unida, feliz, saudável (apesar dela ter me apresentado a coca-cola quando eu tinha cerca de 4 anos. Obrigado vozinha!)

Lembro que prometi, ali para todos da família, que jamais deixaria a memoria de minha dela ser esquecida. Aliás, a coisa que ela mais adorava era quando terminava de me contar suas história e eu dizia “vó, qualquer dia desses vou escrever um livro da vida da senhora, viu?”. Vixeeee, como ela adorava escutar aquilo! Ela olhava para mim com tanta satisfação e orgulho… Fazia uma pausa para contemplar o momento e dizia; “é mesmo né meu filho!? Minha vida daria muitasssss histórias”.

E depois que comentei isso (de escrever um livro sobre suas histórias), todas as vezes que a gente se falava no telefone ela dizia, quase como jargão, “meu filho, quando você vem me vê? Eu tenho muitaassssss históriassss para lhe contar!!”. Essa passou a ser sua frase favorita. Sua linda frase.

Ai! Que saudade, minha velhinha! Ao escrever sua frase nestas linhas acima, consigo até ouvir sua voz no meu ouvido. E depois que ela contava tudo a sua próxima frase era; “Meu filho, agora me deixe dormir, amanhã, quando eu acordar, eu conto muuuuitooooo mais, tá bom?”.

Ta bom minha velhinha, um dia a gente vai se reencontrar e a senhora vai ter que terminar de contar todas suas histórias e, até lá, vou cumprir minha promessa e escrever sobre sua vida (que se mistura com a minha e de muitos outros)…

E o nome do seu livro não podia ser outro que não fosse: “coisas que aprendi com minha vó”.

 

 

“Ta bom, Meu filho, deixa eu ir, tou cansada, tá? Amanhã a gente conversa mais…”

Publicidade

Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Por andreflavionb em burnout, médico indiferente

08 de setembro de 2019

 

Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Este é um relato pessoal.

Enfim chegou o dia em que todos um dia temos que enfrentar, mas ninguém nunca nos preparou: ver um ente querido, lutando por sua vida em um leito de UTI.

Este dia chegou para mim. Tive que ir visitar minha amada vó, que, mesmo aos 100 anos de idade, há 3 semanas, ela, ainda saudável e em casa, lembrava as pessoas (mesmo com Alzheimer) de tomar seu remédio da pressão “se eu não tomar isso, eu posso morrer!”.  Ela que, em outra ocasião, acordou minha mãe, no meio da madrugada,  dizendo que estava com muito frio e pediu outro cobertor. Quando minha mãe foi colocar o cobertor em cima dela, ela mandou tirar de cima dela imediatamente porque “esse cobertor parece uma mortalha e eu não estou morta!”. Esses são apenas alguns dos relatos que trago para enfatizar o quanto minha amada vó ama a vida. Digo isso também para coibir determinados pensamentos automáticos de “Ah, mas ela ja viveu muito… “, como se viver muito fosse um ato egoísta de se manter vivo.

Pois bem, conhecedor da influencia do estado emocional para melhoria (ou para piora) do estado de saúde que sou, já me assustou, de cara, ver pessoas, nesse momento mais crítico da vida, afastadas de seus entes queridos. Explicaram que toda UTI era assim e que tem a ver com contaminação. Ok, até entendo. Mas é para isso que servem o uso protocolar de EPIs (avental, máscaras, luvas…), ou não?

Será que com o avanço da medicina ainda não conseguiram perceber que o conforto de estar perto de alguém que se ama, produz neurotransmissores que ajudam a relaxar mais poderosos que muitas das drogas que se aplicam nesses pacientes? Que isso ajuda a produzir mais anticorpos pela queda do cortisol (hormônio estressor)?  Será que nunca estudaram 1 parágrafo sequer das teses básicas da analise comportamento que mostram em estudos experimentais que afastar uma pessoa frágil de seus entes querido, ajuda a piorar seu estado de saúde e humor?

https://amenteemaravilhosa.com.br/experimento-harlow-teoria-do-apego/

https://pt.sainte-anastasie.org/articles/psicologa/el-experimento-de-harlow-y-la-privacin-materna-sustituyendo-a-la-madre.html

Voltando, entro na sala de UTI e vejo aquele ser que fez e faz parte ativa de minha vida ali desacordada, em seu estado mais frágil, como nunca vi antes. Logo minha vó, uma mulher forte e cheia de vontades, daquelas que só faz as coisas no seu tempo (para tudo; comer, tomar banho, e etc. Somente no tempo dela, e nem insista!), estava ela lá sem condição de dizer “não quero isso/ quero aquilo!”. Obvio que isso, por si só, já nos deixou completamente atordoados, sensibilizados, emocionados… Principalmente este que vos escreve. Este que não consegue lembrar de sua infância feliz sem ter sua vó nessas lembranças. Este que foi cuidado como filho querido, na ausência de sua guerreira mãe, enquanto esta precisava trabalhar e viajar longe do filho.

Aproximei-me e, mesmo desacordada, falei com ela, torcendo para que seu inconsciente captasse minha voz, meu carinho, meu afeto, meu amor. Em seguida me afastei e fui conversar com o médico plantonista que estava com um dos bens mais preciosos da família em suas mãos. Queria entender o prognóstico, conduta medicamentosa, enfim, um quadro geral de minha vó. E vou colocar, com o máximo de fidedignidade como foi com esse dialogo.

Ele, o médico, estava sentado, com fones de ouvido, afastado das enfermeiras, uma demonstração inconsciente de “sou superior a vocês e não quero ser incomodado”, mas tentei evitar analisa-lo. Esse não era o momento. Portanto, repreendi meu cérebro psicólogo.  E segui;

-Olá, tudo bem? Sou neto da paciente Maria Paula – Ele não estava me ouvindo e nem tinha me visto porque estava de cabeça baixa escrevendo alguma coisa no celular, com fones no ouvido. Então passei a mão em seu campo de visão para que notasse minha presença. Ele me viu, tirou UM fone de ouvido, voltou a escrever no celular e disse voltando a mexer no celular, de cabeça ainda baixa;

– Oi, pode falar.

– Certo, eu sou neto da paciente Maria Paula e …

– Ahn? Maria Paula? – Me cortou, olhou para mim 2 segundos com expressão confusa.

– Sim, Maria Paula – Dai apontei para o leito dela.

-Ahhhhhh, a paciente “leito 1” – Esse era o novo nome de minha vó. Não era mais um ser humano, com uma história de vida, importante para toda família, era apenas um número.

Tratar um número é diferente de tratar de gente. Embora, me veio a cabeça, depois de toda cena ocorrida, que aquele médico tinha menos empatia que o professor mais duro de matemática que tive no colegial. Lá estava eu, com a cara inchada, olhos vermelhos, abalado, tentando ensinar algo a ele que talvez a faculdade não o ensinou; a tratar as pessoas por seu nome, como dizia Jung “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”

–  Sim, a paciente Maria Paula – Corrigi educadamente.

– Sim, sim, o que você quer saber? – Perguntou, escrevendo no celular, com apenas 1 ouvido me escutando o outro escutando sua música.

– Bom, queria saber como está o quadro dela e a conduta medicamentosa (quais medicações estavam utilizando nela, quais sedativos…) – Ele ainda de cabeça baixa perguntou;

– Você é médico?

– Não, sou psicólogo – Respondi sem entender o porquê da pergunta.

– Então não adianta explicar para você, você não vai entender nada. – Bom, eu poderia explicar que na psicologia se estuda E MUITO o corpo humano, fisiologia, anatomia, psicofarmacologia, neurociências… podia explicar que, apesar de não ser médico, tinha alguma inteligência para compreender algo, caso ele tivesse a boa vontade me explicar… Lembrei que as pessoas mais inteligentes do planeta conseguem explicar as teorias mais complicadas da física quântica como se fosse algo simples e, exatamente por esse motivo,  são inteligentes; Porque conseguem repassar o conhecimento complicado de uma forma simples e acessível e você capta sem precisar ser um físico.

– Doutor, o senhor pode me mostrar o prontuário dela (já que você não quer se incomodado, permita-me pelo menos ler o que está sendo feito com minha velhinha)? – Ele, dessa vez, parou o chat, me olhou levantando a sobrancelha, narinas infladas, bufando, levantando o canto da boca (microexpressões faciais de puro desprezo) e disse:

-A paciente leito 1 está com o mesmo quadro da manhã – Disse como se eu soubesse qual era esse “mesmo quadro da manhã” e como se fosse algo obvio, porque pacientes que estão na UTI não alteram o quadro da manha para a tarde, certo? ( estou sendo sarcástico) – E está tomando as mesmas medicações da manhã – completou e voltou para o mais importante; não dá atenção as pessoas.

Eu podia deixar minha natureza humana tomar o seu curso e explodir ali. Afinal, raiva e indignação são emoções básicas humanas que estão ali por um sentido evolutivo de sobrevivência, portanto, em muitos momentos, podem ser usadas de forma positiva, como por exemplo; Mostrar pra ele o que Dra. Nise, uma das maiores psiquiatras do mundo (brasileira) fez em uma explosão de raiva ao notar que enfermeiros e médicos estavam tratando as pessoas de forma cruel, desrespeitosa, e indiferente, ela disse:  “essas pessoas não são lixos!! Não são objetos!! São seres humanos e são amadas e importantes para outras pessoas! Além do mais, são essas pessoas que pagam o salário de vocês e, para que lembrem disso, a partir de hoje, quero que chamem essas pessoas de clientes!”.

Sim, eu podia deixar o espirito de Nise tomar conta de mim, porém, isso não ia ter serventia alguma para aquele ser. Percebi isso no primeiro “paciente leito 1”. Eu não ia conseguir fazer brotar nele empatia, inteligência para explicar algo “difícil”… Tratava-se, talvez, de alguém sem preparo emocional para cuidar da vida de outras pessoas. Alguém já na fase de UTI emocional, em burnout. Portanto, se ele não foi empático com minha dor, eu iria ser com o possível problema dele. Retirei-me. “Parei de incomodar” e voltei para minha amada vó. Ia ser mais útil, naquele momento, estando com ela, do que virando Hulk naquela sala.

Enquanto acariciava a testa fria e pálida de minha velhinha, segurando sua mão, me veio um pensamento automático que me deixou muito angustiado “Se esse hospital caro, particular, está com esse médico dessa forma (despreparado e/ou doente), como será que estão os médicos dos hospitais públicos que recebem um volume extraordinariamente maior do que este?”. Aquele médico estava tomando conta de 7 leitos apenas e, claramente, já não cuidava de pessoas, cuidava de números.

Eu precisava fazer algo. Não podia ficar imparcial diante daquela horrível experiência. Decidi que precisava compartilhar essa experiência com meus leitores. Também decidi, ao lembrar de Freud que falava que a dor é uma ótima ferramenta para mudar as pessoas, que precisava abrir uma ocorrência na ouvidoria daquele hospital a respeito da conduta médica daquele sujeito. E que precisava abrir também uma ocorrência de sua conduta também no conselho regional de medicina. Essa seria minha melhor colaboração e oportunidade de mudança que daria para a vida daquele sujeito. Se ele não mudasse pelo amor, iria mudar pela dor, de toda forma, para o bem dele, ele teria que mudar. Consegui até imaginar Freud dizendo; “vá em frente!”.

Comentei com minha mãe do ocorrido. A resposta automática dela ( preocupada com a saúde de sua mãe) foi; “entendo meu filho, é assim mesmo, mas não vamos criar problemas, afinal, é ele quem está cuidando da mamãe. É igual ao reclamar da comida para o garçom, ele pode cuspir no prato”.

Ela estava certa? Talvez (geralmente ela está), mas, talvez, também seja por isso que temos hoje tantos médicos que deveriam ser mecânicos de oficina, ou torneiros, ou açougueiros… tudo menos médicos; porque as pessoas encontram-se reféns dessa má conduta e, ao não fazer nada, acabam perpetuando essa eterna má conduta.

Então é preciso sim começar essa mudança. Por isso, caro leitor, caso esteja passando por algo semelhante, sugiro que faça sua parte nessa mudança; vá na ouvidoria (todo hospital tem; publico ou privado), pegue o nome do médico, seu número de CRM (que é fornecido pelo próprio hospital) e faça sua reclamação ( reclame também no conselho regional de medicina do seu estado, basta dá um google para ver os números de telefone). Essa reclamação pode ser anônima também. Dessa forma, essas pessoas de jalecos que estudaram a vida inteira para cuidar e respeitar a vida, podem ter uma oportunidade de rever seus conceitos, de procurar ajuda.

Hoje, 80% de meus pacientes são médicos. E percebo a evolução dessas pessoas como profissionais, como pessoas, como seres humanos. Gostaria muito que todo médico fizesse terapia, essa seria uma maravilhosa forma de não ficar dessensibilizado com a dor dos outros, com a vida humana, de não entrar em parafuso (burnout), de não tratar as pessoas como números, como mercadoria, de tornar-se médicos melhores, diferenciados, com inteligência (e preparo) emocional, pois, hoje, o que percebi, nessa triste experiência, é que quem está em UTI é aquele médico, não minha velhinha.

André Barbosa

Orgulhosamente; Psicólogo Clínico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Publicidade

Como se prevenir de viver um relacionamento abusivo.

Por andreflavionb em relacionamento abusivo

21 de dezembro de 2018

Como se prevenir de viver um relacionamento abusivo.

 

Como se prevenir de um relacionamento abusivo.

A melhor prevenção é saber como funciona o modus operandi do abusador. Se você identificar alguns dos comportamentos abaixo, é hora de buscar ajuda.

Vamos lá;

Toda relação abusiva exige duas peças fundamentais: o abusador ( que inicia o relacionamento sendo a pessoa mais simpática do mundo, encantador, respeitoso… e depois vai iniciando as fases de controle e submissão do outro) e o abusado ( que vai, aos poucos, cedendo e aceitando coisas inaceitáveis, perdoando o imperdoável).

Para que a relação dure, o abusador tenta, a todo custo, jogar a ideia de que tudo é culpa do outro (até as traições e agressões que ele mesmo comete) e ainda joga a ideia de que o abusado tem que dar graças a Deus de ter ele em sua vida e que o abusado ( a vítima) não é ninguém, que é um lixo… e começa a afastar a vítima  da família,  dos amigos… 

Eu costumo dividir um relacionamento abusivo nas seguintes fases:

1 – O abusador tem predileção de encontrar pessoas instáveis, frágeis, com baixa auto estima (esse perfil facilita a vida deles no quesito: ser mais fácil de se manipular).

2- O abusador enche a vítima de elogios (você é a pessoa mais incrível),  de planos românticos, costuma falar mal da ex (que é maluca, possessiva, que sofreu muito nesse ultimo relacionamento)

3- Avisa que quer o bem da vítima e, justamente por isso, acha que é melhor ir se afastando de alguns amigos que, de acordo com ele, fazem mal a ela e ao relacionamento. Começa com amigos “conhecidos” ( irrelevantes para o ciclo social da vítima) e a vai indo até atingir os amigos mais próximos. A cada amigo que a vítima deixa de falar, o abusador cobre de dengos, presentes, viagens, elogios…

4 – O próximo passo é a afastar a família da vítima, o processo é o mesmo: “estou te usando/ nunca gostaram de você/ só quem realmente gosta de você sou eu/ só quem se importa com você sou eu”.

5 – Nessa fase o abusador quer as senhas e controle da vítima. A desculpa é o ciúmes, que não confia, que ela precisa provar que merece confiança. Uma vez que a vítima repassar as senhas, o abusador se vê com o controle absoluto.

5 – Agora o abusador tem a vítima nas mãos. Sem nenhum apoio exterior (que não seja o dele).  É justamente nessa fase que começa as ameaças e agressões. Porém, logo após o erro cometido, se diz arrependido, fala que a ama, que é a mulher da vida dele…

6 – Vendo que a vítima continua com ele, o abusador perde o respeito, começa as traições, mentiras, e, mesmo depois de tudo, consegue convencer que a vítima é louca de está com raiva, que deve dar graças a Deus por ele ainda estar com ela (pois ninguém quer mais ela por perto, apenas ele). Que ela é um lixo humano.

Tudo isso gera uma quebra comportamental por parte da vítima. Em outras palavras, é como se o sujeito, quando consegue sair desse relacionamento, estivesse todo quebrado por dentro, principalmente por ter se mantido em tal relacionamento, apesar de todo sofrimento, humilhação e dor gerado. 

Portanto, Sair desse relacionamento é quase como sair de um trauma, de um transtorno de estresse pós-traumático. Deixa muitas sequelas físicas e, principalmente, emocionais.

Exatamente por esse motivo é tão importante buscar ajuda psicoterápica.

 

André Barbosa

Psicoterapeuta Cognitivo-comportamental

85 98813-9593

Publicidade

Odontologia sistêmica – os impactos da saúde bucal para sua vida.

Por andreflavionb em Odontologia sistêmica

19 de dezembro de 2018

 

 

Se tem uma coisa que eu gosto de entender e escutar  são as outras áreas das ciências da saúde, entender a visão aprofundará de cada profissional em sua área é algo que me causa impacto. Sou um curioso, quero saber sobre o impacto de derterminadas inflamações para saúde cerebral, quero saber sobre o impacto das alimentos na saúde mental e fisiológica, quero saber entender sobre a importância da odontologia sobre a saúde sistema e o impacto e prevenção se doenças.

 

E nesse sentido, ninguém melhor de conversar comigos sobre issso do que o Dr. Samuel Cavalcante, um dos renomes da odontologia cearense, com um currículo que fala por si só ( que vai desde Especialização em periodontia, ortodontia, ortodontia lingual, implantodontia Até Habilitação para uso de toxina botulinica na odontologia)

 

DR. SAMUEL, AS DOENÇAS DA GENGIVA PODEM ESTAR RELACIONADAS A  DOENCAS SISTÊMICAS  ?

A falta de uma boa higiene oral pode resultar no surgimento de várias doenças , como a gengivite e periodontite, que são doenças da gengiva .Mas se você pensa que todos estes problemas estão relacionados apenas com a boca, está totalmente enganado. Existe uma relação, comprovada cientificamente, da doença periodontal com diversas outras doenças do corpo, dentre elas podemos destacar a diabetes, problemas cardiovasculares , e nascimento de bebês prematuros de baixo peso. E como isso ocorre? Bem, as doenças periodontias  (gengivite e periodontite) são doenças  causadas por bactérias , essas bactérias podem circular por todo o corpo, agindo como fatores de risco. Hábitos saudáveis, aliados a uma correta higiene bucal e consultas semestrais ao dentista são atitudes simples que podem evitar problemas mais complexos.  Prevenir ainda é o melhor remédio.

DIABETES  X DOENÇAS ORAIS

VOCÊ HAVIA FALADO SOBRE QUEM SOFRE DE O CUIDADO É REDOBRADO, POR QUE?

As doenças bucais são um grande risco para a saúde dos dentes de qualquer pessoa. Para quem tem diabetes esse problema é ainda maior. A relação da doença periodontal com o diabetes parece ter interferência mútua, ou seja, a diabetes interfere piorando a saúde gengival/ periodontal ao passo que as doenças gengivais interferem aumentando a glicemia dos diabéticos. Por isso, quem tem este problema é importante o tratamento conjunto da doença gengiva e do controle de açúcar do sangue. O diabetes é uma doença silenciosa e apenas metade dos indivíduos são conscientes da sua condição de diabéticos.

O RISCOS PARA O BEBÊ DE GESTANTES SEM CUIDADOS ORAIS.

AS FUTURAS MAMÃES TEM QUE TER CUIDADO REDROBADO.

Os cuidados com a higiene bucal durante a gravidez é muito importante. Ainda mais por ser um período de várias mudanças hormonais, causando enjoos e desejos por alimentos calóricos. Por isso, é necessário ter cuidado para que o surgimento de doenças não atinja os dentes e gengivas das futuras mamães. No caso das gestantes é muito importante a realização do pré-natal odontológico, pois a periodontite ( doença que atinge a gengiva e toda a estrutura óssea ao redor do dente ,podendo levar a sua perda.) está associada a partos prematuros e ao nascimento de bebês com baixo peso.

 

A MELHOR ESCOLHA É A PREVENÇÃO. Quer saber mais ? Entre em contato .

Avenida Dom Luis 1200, Shopping Pátio Dom Luis , Torre l, Sala 516 | Fone – 85 40112774 | WhatsApp (85) 9 86762774

 

Publicidade

Entrevista com o Dr. Matias Carvalho: a importância do sono para saúde mental.

Por andreflavionb em desregulação do sono

20 de novembro de 2018

“A insônia, por exemplo, se relaciona com diversos transtornos psiquiátricos. Ela atua como fator de risco para depressões e transtorno bipolar”.
Dr. Matias Carvalho Aguiar Melo.

Hoje tive a honra de entrevistar o Dr. Matias Carvalho Aguiar Melo, doutor em ciências médicas (UFC), psiquiatra, professor universitário, pesquisador, autor de inúmeros artigos publicados nas mais respeitadas revistas/plataformas cientificas referência em saúde no Brasil e exterior.

Conversamos, obviamente, sobre saúde mental e suas ultimas pesquisas sobre a desregulação do sono associado a alguns transtornos mentais.

 

Dr. Matias, para começar, gostaria que você nos dissesse quem deve buscar ajuda psiquiátrica?

Qualquer pessoa que apresente problemas emocionais ou comportamentais que gerem sofrimento significativo ou prejuízo às suas atividades. Isso inclui quadros de ansiosos, depressivos, psicóticos e psicossomáticos.

 

Existem determinados preconceitos referentes a busca de ajuda psiquiátrica (assim como ocorre na psicologia), principalmente no que diz respeito a medicações. Eu pergunto; Necessariamente o psiquiatra vai prescrever medicação?

Não. O psiquiatra é o médico que cuida da saúde mental. Dependendo do caso, o psiquiatra pode indicar diversas modalidades terapêuticas. As medicações constituem apenas parte do tratamento. Atividade física, modificações de comportamentos e psicoterapia são recomendadas em muitos casos.

 

E quais os benefícios de ter um acompanhamento psiquiátrico quando se está em psicoterapia?

Geralmente o tratamento combinado de psiquiatria e psicoterapia otimiza o tratamento. Isso acelera a recuperação dos pacientes e aumenta as chances de sucesso do tratamento. Então… Por que não usar essas duas modalidades ao mesmo tempo?

 

Entendi. E quais os maiores mitos, na sua opinião, referente ao trabalho do psiquiatra que podem impedir um sujeito de buscar esse acompanhamento? E por que essas “barreiras” ainda existem? O que você acha que pode ajudar a desmistificar isso?

Grande parte das pessoas ainda tem resistência em procurar ajuda psiquiátrica. Ainda hoje a psiquiatria é associada à imagem da loucura pelos leigos, como se todos os pacientes fossem doidos ou tivessem perdido o juízo da realidade. Aí o paciente é rotulado como agressivo, incapaz, sem jeito. E enquanto esses preconceitos não forem quebrados, o acesso dos pacientes ao tratamento adequado fica limitado. Além disso, não há como negar que o tratamento psiquiátrico é caro, né?

 

Referente ao sono; qual a importância de uma boa noite dormida para a saúde mental? É possível reduzir a Ansiedade, depressão apenas corrigindo a higiene do sono?

O sono está diretamente relacionado com qualidade de vida, disposição e concentração. A insônia, por exemplo, se relaciona com diversos transtornos psiquiátricos. Ela atua como fator de risco para depressões e transtorno bipolar. Além disso, aumenta as chances de crises e piora o seu prognóstico. Assim, o sono influencia o estado de humor e vice-versa. Por isso, realmente hábitos saudáveis de higiene do sono podem reduzir sintomas depressivos ou ansiosos e melhorar qualidade de vida de muitos pacientes.

 

Existe um número de horas ideal de sono para se ter qualidade de vida?

Isso é muito variável. Tem pessoas que precisam de 5h ou menos de sono para se satisfazer. Outras, mais de 8h. No geral, a quantidade é cerca de 6-8h de sono. Mas mais importante do que a quantidade é a qualidade do sono. É que o sono seja reparador, que a pessoa acorde bem e disposta para suas atividades.

 

E a famosa cochilada depois do almoço, ajuda em algo?

Realmente se a pessoa estiver muito cansada física ou mentalmente, um cochilo pode deixar a pessoa revigorada e aumentar a capacidade de concentração, a disposição, enfim… No entanto, cochilos diurnos podem afetar o sono à noite e não são recomendados para quem já tem insônia. É como se cada hora de sono dormida durante o dia significasse menos uma hora de sono à noite, agravando assim a insônia, entende?

 

Qual a associação entre desregulação do sono e a diabetes, obesidade?

Muitos estudos já mostram relação de causa-consequência entre essas variáveis. Tanto a desregulação do sono pode piorar o metabolismo, a glicemia e o peso como pessoas com sobrepeso e obesidade costumam ter maior irregularidade de sono. Por isso, essas pessoas devem dormir bem

 

Quais as dicas que você você daria para quem está hoje sofrendo de uma desregulação do sono?

Primeiro a pessoa deve melhorar alguns hábitos que podem afetar o sono. Dormir em quarto escuro, confortável, ventilado, sem estímulos visuais ou sonoros, como televisão, computador, celular ou tablet. Tentar manter a regularidade nos horários de dormir e acordar. Evitar café, chocolate ou atividade física à noite ou dormir no período do dia. Se mesmo assim, a pessoa continuar com dificuldade de dormir, é prudente procurar ajuda médica.

 

E para finalizar a pergunta mais importante: Quais dicas para se ter mais qualidade de saúde mental?

Boas noites de sono, atividade física regular, atividades de lazer, tudo isso pode melhorar a qualidade de vida e a saúde mental da população como um todo, inclusive pode prevenir transtornos psiquiátricos.

 

Dr. Matias Carvalho Aguiar Melo

Contato: (85) 99631-0299 / matcarv01@yahoo.com.br

Publicidade

Entrevista com o Dr. Matias Carvalho: a importância do sono para saúde mental.

Por andreflavionb em desregulação do sono

20 de novembro de 2018

“A insônia, por exemplo, se relaciona com diversos transtornos psiquiátricos. Ela atua como fator de risco para depressões e transtorno bipolar”.
Dr. Matias Carvalho Aguiar Melo.

Hoje tive a honra de entrevistar o Dr. Matias Carvalho Aguiar Melo, doutor em ciências médicas (UFC), psiquiatra, professor universitário, pesquisador, autor de inúmeros artigos publicados nas mais respeitadas revistas/plataformas cientificas referência em saúde no Brasil e exterior.

Conversamos, obviamente, sobre saúde mental e suas ultimas pesquisas sobre a desregulação do sono associado a alguns transtornos mentais.

 

Dr. Matias, para começar, gostaria que você nos dissesse quem deve buscar ajuda psiquiátrica?

Qualquer pessoa que apresente problemas emocionais ou comportamentais que gerem sofrimento significativo ou prejuízo às suas atividades. Isso inclui quadros de ansiosos, depressivos, psicóticos e psicossomáticos.

 

Existem determinados preconceitos referentes a busca de ajuda psiquiátrica (assim como ocorre na psicologia), principalmente no que diz respeito a medicações. Eu pergunto; Necessariamente o psiquiatra vai prescrever medicação?

Não. O psiquiatra é o médico que cuida da saúde mental. Dependendo do caso, o psiquiatra pode indicar diversas modalidades terapêuticas. As medicações constituem apenas parte do tratamento. Atividade física, modificações de comportamentos e psicoterapia são recomendadas em muitos casos.

 

E quais os benefícios de ter um acompanhamento psiquiátrico quando se está em psicoterapia?

Geralmente o tratamento combinado de psiquiatria e psicoterapia otimiza o tratamento. Isso acelera a recuperação dos pacientes e aumenta as chances de sucesso do tratamento. Então… Por que não usar essas duas modalidades ao mesmo tempo?

 

Entendi. E quais os maiores mitos, na sua opinião, referente ao trabalho do psiquiatra que podem impedir um sujeito de buscar esse acompanhamento? E por que essas “barreiras” ainda existem? O que você acha que pode ajudar a desmistificar isso?

Grande parte das pessoas ainda tem resistência em procurar ajuda psiquiátrica. Ainda hoje a psiquiatria é associada à imagem da loucura pelos leigos, como se todos os pacientes fossem doidos ou tivessem perdido o juízo da realidade. Aí o paciente é rotulado como agressivo, incapaz, sem jeito. E enquanto esses preconceitos não forem quebrados, o acesso dos pacientes ao tratamento adequado fica limitado. Além disso, não há como negar que o tratamento psiquiátrico é caro, né?

 

Referente ao sono; qual a importância de uma boa noite dormida para a saúde mental? É possível reduzir a Ansiedade, depressão apenas corrigindo a higiene do sono?

O sono está diretamente relacionado com qualidade de vida, disposição e concentração. A insônia, por exemplo, se relaciona com diversos transtornos psiquiátricos. Ela atua como fator de risco para depressões e transtorno bipolar. Além disso, aumenta as chances de crises e piora o seu prognóstico. Assim, o sono influencia o estado de humor e vice-versa. Por isso, realmente hábitos saudáveis de higiene do sono podem reduzir sintomas depressivos ou ansiosos e melhorar qualidade de vida de muitos pacientes.

 

Existe um número de horas ideal de sono para se ter qualidade de vida?

Isso é muito variável. Tem pessoas que precisam de 5h ou menos de sono para se satisfazer. Outras, mais de 8h. No geral, a quantidade é cerca de 6-8h de sono. Mas mais importante do que a quantidade é a qualidade do sono. É que o sono seja reparador, que a pessoa acorde bem e disposta para suas atividades.

 

E a famosa cochilada depois do almoço, ajuda em algo?

Realmente se a pessoa estiver muito cansada física ou mentalmente, um cochilo pode deixar a pessoa revigorada e aumentar a capacidade de concentração, a disposição, enfim… No entanto, cochilos diurnos podem afetar o sono à noite e não são recomendados para quem já tem insônia. É como se cada hora de sono dormida durante o dia significasse menos uma hora de sono à noite, agravando assim a insônia, entende?

 

Qual a associação entre desregulação do sono e a diabetes, obesidade?

Muitos estudos já mostram relação de causa-consequência entre essas variáveis. Tanto a desregulação do sono pode piorar o metabolismo, a glicemia e o peso como pessoas com sobrepeso e obesidade costumam ter maior irregularidade de sono. Por isso, essas pessoas devem dormir bem

 

Quais as dicas que você você daria para quem está hoje sofrendo de uma desregulação do sono?

Primeiro a pessoa deve melhorar alguns hábitos que podem afetar o sono. Dormir em quarto escuro, confortável, ventilado, sem estímulos visuais ou sonoros, como televisão, computador, celular ou tablet. Tentar manter a regularidade nos horários de dormir e acordar. Evitar café, chocolate ou atividade física à noite ou dormir no período do dia. Se mesmo assim, a pessoa continuar com dificuldade de dormir, é prudente procurar ajuda médica.

 

E para finalizar a pergunta mais importante: Quais dicas para se ter mais qualidade de saúde mental?

Boas noites de sono, atividade física regular, atividades de lazer, tudo isso pode melhorar a qualidade de vida e a saúde mental da população como um todo, inclusive pode prevenir transtornos psiquiátricos.

 

Dr. Matias Carvalho Aguiar Melo

Contato: (85) 99631-0299 / matcarv01@yahoo.com.br