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O Psicólogo

por André Barbosa

setembro 2019

Coisas que aprendi com minha vó

Por André Barbosa em Luto

22 de setembro de 2019

COISAS QUE APRENDI COM MINHA VÓ

 

Coisas que aprendi com minha vó #1

Esse será um livro que escrevo para Loren, Lis, Lucca, Leozinho (nossa! enquanto escrevo, percebo que a nova geração dos Nepomucenos adora o “L”) e para Bento (o único que escapou do “L”).

Escrevo para vocês entenderem as suas raízes. De uma mulher guerreira que saiu, quase fugida (quase que retirante) do interior, sem levar nada (mesmo vindo de uma família de muitas posses), levando 8 filhos pequenos a tira-cola e, apenas agarrada a sua fé, coragem, e certeza de que estava fazendo o que era certo, transformou toda nossa história.

 

Vocês sabem o que é isso? A coragem desta mulher? Hoje vejo casais com medo de se mudar de apartamento, com medo de criar um cachorro “é muita responsabilidade, será que conseguiremos?”, e levar 8 filhos para uma cidade desconhecida, sem emprego, sem pedir 1 centavo de ajuda a sua afortunada família? Isso, meus sobrinhos, é só para Alzira. A dona da porra toda!

Escrevo, meus sobrinhos, para que vocês entendam a força da genética que carregam consigo. Escrevo para reparar a injustiça do destino de não ter convivido com essa mulher.

Uma mulher forte e guerreira até o fim. Indomável até seu ultimo suspiro. Tudo era no tempo dela. Quando todos achavam que ela se ia, ela ficou. Quando todos achavam que ela ia ficar, ela riu, e se foi… Acho que ela não resistiu ao convite de reencontrar seu avó (que ela amava profundamente).

*****

Fortaleza, 21 de setembro de 2019.

Hoje completam 7 dias desde que vi minha velhinha pela última vez. Era uma tarde de sábado. Lá estava ela, no leito “1” da UTI clínica, estava dormindo tranquila, estava tão bem que, de acordo com a equipe médica, iria receber alta já na segunda. A família toda comemorava!

Todos estavam impressionados com sua recuperação. “Como ela é forte!!” era o comentário geral da equipe médica. Em uma semana ela havia saído de um estágio de “vai morrer a qualquer segundo” para “não vejo necessidade dela continuar na UTI. Ela já está respirando sem ajuda, respondendo bem a medicação, pressão boa, oxigenação ótima, frequência cardíaca de bebê…”. Portanto, saí naquele dia, daquela sala, ainda mais feliz e esperançoso.

Lembro que ela estava dormindo tão bem, tão em paz, que decidi não conversar com ela (prática que fazia sempre que ia visita-la na UTI quando ela estava desacordada). Ela estava dormindo com aos mãos juntas, como se estivesse em oração, como quem estava conversando com Deus ( e talvez estivesse).

NOSSO ULTIMO ENCONTRO. ELA ESTAVA DORMINDO LINDA,EM PAZ, COMO SE ESTIVESSE ORANDO.

Saí do hospital pensando na vida. Em como as coisas haviam mudado profundamente em meu ser.

Em uma semana, minha perspectiva de “problemas da vida” haviam se transformado. Alguns dias atrás meus problemas eram “estou cansado”, “como essa cadeira é desconfortável, preciso trocar!” “Essa dor nas costas está acabando comigo”, “Meu sono está uma bosta!”, “essa cama está muito desconfortável”, “estou trabalhando muito!”, “preciso perder peso”, “preciso negociar com o corretor melhores condições do imóvel”, “que saco acordar cedo!”…

Mas quando vi minha velhinha, de 100 anos, toda furada, deitada em uma maca de hospital (ela nunca conseguia dormir em cama, somente em rede e odiava hospitais), cheia de tubos passando no nariz, máscara de oxigênio, barulho de morte pelos corredores… E, mesmo assim, quando a gente sussurrava no ouvidinho dela; “Meu amor vai sair desse hospital com mais saúde e viver muitoooo mais, não vai?” Ela respondia, ainda sem conseguir abrir os olhos, fazendo força para conseguir respirar dentro da máscara, um sonoro “VAI!”…

Portanto, diante da luta de minha velha, meus problemas viraram fumaça.

Aliás, que problemas?

Eu reclamando de acordar cedo, e minha vó ali lutando para continuar acordada… Eu reclamando que o elevador estava com problema e que tinha que subir de escada, e minha vó juntando todas as forças para conseguir sentar. Eu reclamando que não tinha para onde sair, que ia ter que passar sábado a noite em casa, e minha vó orando a Deus para poder voltar para casa.

Não, esse “André” não faz parte do sangue da Alzira que corre em minhas veias. A partir daquela semana, eu olhei pra mim e disse, lembrando da essência de minha vó; “reclamar da vida não fará mais parte de mim. Só tenho é que agradecer! Agradecer até pelos meus (agora) melhores amigos, chamados, outrora; problemas.”.

Nesse dia, Heidegger, finalmente, passou a fazer sentido pra mim. Para ele, a ideia de finitude nos liberta, nos faz perceber o que realmente importa, que o homem quando assume sua finitude diminui seus medos em relação ao fim da vida, mas, se eu soubesse que ali, naquele dia, seria nosso ultimo encontro… teria saído de lá rouco de tanto falar. Teria beijado tanto ela, que sairia com minha boca torta.

Teria agradecido por tudo (ela foi uma segunda mãe pra mim. Aliás, até meus 12/13 anos, chamava ela de mãe), teria falado de todo amor que sentia por ela mais uma vez, teria falado da saudade que ia sentir, do vazio que ela deixaria em nossas vidas, da vontade de leva-la, nem que fosse só mais uma vez, para nossas farras no shopping, assistir cinema e voltar no carro ao som de Luis Gonzaga (um de seus cantores favoritos) com ela batendo palma, sorrindo e agradecendo “Meu filho, como foi maravilhoso esse dia!! Quando você vem de novo??”.

Queria ter falado tanta coisa, sei lá… Mas, o que falar naquelas poucas horas restantes de vida para uma pessoa que compõe a essência de nossa vida? Talvez as palavras, nessas horas, não fossem o suficientes, mas, talvez o olhar (em lágrimas enquanto escrevo) falasse o resto…

Deixei meu tesouro com esperança no coração de que ela estaria em casa contando suas histórias de Pedro Alvares Cabral, do alfabeto, de quando era mais nova em Ibiapina… Mas, esse sonho se desfez, como hóstia em agua, na manhã seguinte (domingo).

Era por volta das 6am, quando alguém ligou para minha mãe e pediu para que ela comparecesse no hospital o mais rápido possível e, de preferencia, com um acompanhante.

Ela desligou aquela ligação em prantos, já em luto. Ela sabia o que significava aquilo; minha vó havia partido as 5am. Lembrei que esse era o horário que eu nasci. Era o horário que ela acordava quase todos dias para sair no mundo (as vezes para ir comprar goma no centro da cidade para fazer as suas famosas tapiocas, as vezes para ir para sua igreja, as vezes para ir visitar um filho). E esse foi o horário que ela decidiu partir para o outro mundo.

Fui ao hospital com minha prima. Esperei naquela sala fria noticias das mais variadas possíveis, desde; “Sua vó acordou gritando aqui, tá deixando todo mundo louco! Por favor, vamos dar alta para ela???”, ou “Aqui as coisas da sua vó, ela ja pode voltar para casa”… Juro que esperava ouvir qualquer coisa, menos a que eu ouvi; “Sua vó teve uma hemorragia no nariz, respirou sangue, teve uma parada cardiorrespiratória e veio a óbito”.

E foi isso; apenas duas linhas de palavras que resumiram o fim de 100 anos de vida de uma mulher com uma infinidades de histórias para contar, de uma mulher que mudou a história de vida dos Nepomucenos.

E foi ai que meu chão caiu. Não era possível aquilo. Demorei para digerir aquelas informações. A negação, que tanto combato junto aos meus pacientes, veio como uma grande amiga e me agarrei a ela como quem se agarra a uma boia para não morrer afogado.

Cheguei a perguntar “Tem certeza que foi minha vó, doutora?”. A médica, ainda de máscara, apenas olhou para minha prima, que é enfermeira, e disse; “Eu vou trazer alguns documentos e vou precisar preencher, ok?” o resto de sua fala foi apenas “bla, bla, bla, bla…” que nem lembro direito.

Mas lembro de uma palavra; Fatalidade. Essa é uma palavra escrota, mas foi essa palavra que, segundo a anunciante do apocalipse, levou minha velha a óbito; fatalidade.

Eu achava que fatalidade era um cometa caindo em minha casa, um relâmpago me transformando em churrasco, uma banda de forró fazendo versões de músicas dos Beatles… não aquilo que aconteceu com minha vó, Mas, aparentemente, uma hemorragia no nariz, sendo respirada, ao ponto de encher os pulmões dela, também é uma fatalidade. Minha vó passou 2 semanas combatendo uma pneumonia, mas quem foi fatal foi um sangramento em seu nariz.

Sim, essa ainda é minha parte que não aceitou a viagem de minha vó sem aviso prévio. Porém, enquanto escrevo, recordo, também, que viajar sem avisar era um hábito de minha vó. Foi e não foi, ela estava em Brasília, SP, RJ, Ibiapina… Então, posso dizer, que ela partiu ao seu modo; Sem avisar. Sem mais, nem menos.

Naquele domingo, depois da notícia, de 8 am até as 12h, eu não lembro de quase nada. Liguei o piloto automático, eu acho. Só lembro de flashes e sensações. Uma dessas sensações era que precisava ser forte para segurar as pontas da família. “Sou psicólogo, não posso deixa-los na mão essa hora”. Também pensava em minha mãe, que precisava estar com ela para abraça-la e dizer qualquer coisa que pudesse acalenta-la, mas no final daquele dia, foi ela que terminou fazendo esse papel comigo.

Pensava em minhas tias, em meus tios… “Como falarei isso para meu tio (que é uma espécie de ídolo, melhor amigo, irmão, pai, protetor; meu tio Boni), meu Deus?” .

“E minha tia que esteve lutando com ela até vê-la melhorar, mas que agora estava em Brasília, certa que minha vó iria ter alta?”.

“E minha outra tia que esteve cuidando com tanto carinho e amor de minha vó por tanto tempo? Como ela reagirá a isso?”.

“E meu tio do Rio que era um dos xodós de minha vó, “meu filho parece um ator”, que, devido sua saúde frágil (outro guerreiro que deu um cotoco na cara da morte e disse “vai tomar no C. dona morte!!! Eu sou filho da Alzira, porra!! Eu vou vencer essa merda e dar a volta por cima !!!)…

Pensei também em minha tia mais velha, apegada a minha vó mais que friera em pé de jogador, outra guerreira que tanto admiro, que honrou o sangue de minha vó…

Tive flashes do dia anterior, eu meu tio (Boni) estávamos tão esperançosos… Como eu ia falar aquilo para ele? Como ia falar que nossa amada velhinha ia furar nossos planos?

De alguma forma, avisei para algumas pessoas, não lembro para quem, não lembro como. O piloto automático do meu cérebro assumiu o volante e segui, robótico, para casa.

As 13h, parte da ficha caiu. Bem ali, naquele cemitério, onde realizaríamos o funeral.

Lembro que pensei que vê-la ali, naquele caixão, era admitir que meu amor havia realmente partido. Minha mente tomou um fluxo de evitação tão profunda que beirei a alucinação; recordo que pensei que enquanto eu não olhasse minha vó, a verdade continuaria a minha maneira, estaríamos em um mundo paralelo, onde ela ainda estaria no leito dormindo feito um anjo, esperando sua alta.

Vê-la, portanto, era como encarar as cinzas de meus sonhos… Então eu não ia vê-la. Não mesmo! Fiquei, portanto, a maior parte do tempo, do lado de fora do funeral.

É curioso esse processo de luto. Por alguns minutos, em minha mente, ela estava morta e viva ao mesmo tempo.

Foi quando vi meu tio, otimista que nem eu, chorando. Ali meu mundo caiu pela segunda vez e eu desabei com força. Quer saber? Não quero ser forte, pensei. Não quero ser “o psicólogo”. Hoje eu quero ser apenas um humano. Um humano que perdeu uma das pessoas mais importantes de sua vida.

E de 13h as 21h eu também não lembro de muita coisa. O piloto automático assumiu o volante novamente. Tudo se resumiu em lágrimas, inconformismo… e uma certeza; “Naquele lugar seria enterrado parte de mim”.

Lembro que falei algumas coisas para família. Coisas que guardava diariamente no coração; lembranças das nossas conversas, eu no sofá, ela na sua rede, ou na sua cadeirinha surrada de praia (que adorava enquanto morava no Icaraí), dos desejos de minha vó de ver a família unida, feliz, saudável (apesar dela ter me apresentado a coca-cola quando eu tinha cerca de 4 anos. Obrigado vozinha!)

Lembro que prometi, ali para todos da família, que jamais deixaria a memoria de minha dela ser esquecida. Aliás, a coisa que ela mais adorava era quando terminava de me contar suas história e eu dizia “vó, qualquer dia desses vou escrever um livro da vida da senhora, viu?”. Vixeeee, como ela adorava escutar aquilo! Ela olhava para mim com tanta satisfação e orgulho… Fazia uma pausa para contemplar o momento e dizia; “é mesmo né meu filho!? Minha vida daria muitasssss histórias”.

E depois que comentei isso (de escrever um livro sobre suas histórias), todas as vezes que a gente se falava no telefone ela dizia, quase como jargão, “meu filho, quando você vem me vê? Eu tenho muitaassssss históriassss para lhe contar!!”. Essa passou a ser sua frase favorita. Sua linda frase.

Ai! Que saudade, minha velhinha! Ao escrever sua frase nestas linhas acima, consigo até ouvir sua voz no meu ouvido. E depois que ela contava tudo a sua próxima frase era; “Meu filho, agora me deixe dormir, amanhã, quando eu acordar, eu conto muuuuitooooo mais, tá bom?”.

Ta bom minha velhinha, um dia a gente vai se reencontrar e a senhora vai ter que terminar de contar todas suas histórias e, até lá, vou cumprir minha promessa e escrever sobre sua vida (que se mistura com a minha e de muitos outros)…

E o nome do seu livro não podia ser outro que não fosse: “coisas que aprendi com minha vó”.

 

 

“Ta bom, Meu filho, deixa eu ir, tou cansada, tá? Amanhã a gente conversa mais…”

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Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Por André Barbosa em burnout, médico indiferente

08 de setembro de 2019

 

Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Este é um relato pessoal.

Enfim chegou o dia em que todos um dia temos que enfrentar, mas ninguém nunca nos preparou: ver um ente querido, lutando por sua vida em um leito de UTI.

Este dia chegou para mim. Tive que ir visitar minha amada vó, que, mesmo aos 100 anos de idade, há 3 semanas, ela, ainda saudável e em casa, lembrava as pessoas (mesmo com Alzheimer) de tomar seu remédio da pressão “se eu não tomar isso, eu posso morrer!”.  Ela que, em outra ocasião, acordou minha mãe, no meio da madrugada,  dizendo que estava com muito frio e pediu outro cobertor. Quando minha mãe foi colocar o cobertor em cima dela, ela mandou tirar de cima dela imediatamente porque “esse cobertor parece uma mortalha e eu não estou morta!”. Esses são apenas alguns dos relatos que trago para enfatizar o quanto minha amada vó ama a vida. Digo isso também para coibir determinados pensamentos automáticos de “Ah, mas ela ja viveu muito… “, como se viver muito fosse um ato egoísta de se manter vivo.

Pois bem, conhecedor da influencia do estado emocional para melhoria (ou para piora) do estado de saúde que sou, já me assustou, de cara, ver pessoas, nesse momento mais crítico da vida, afastadas de seus entes queridos. Explicaram que toda UTI era assim e que tem a ver com contaminação. Ok, até entendo. Mas é para isso que servem o uso protocolar de EPIs (avental, máscaras, luvas…), ou não?

Será que com o avanço da medicina ainda não conseguiram perceber que o conforto de estar perto de alguém que se ama, produz neurotransmissores que ajudam a relaxar mais poderosos que muitas das drogas que se aplicam nesses pacientes? Que isso ajuda a produzir mais anticorpos pela queda do cortisol (hormônio estressor)?  Será que nunca estudaram 1 parágrafo sequer das teses básicas da analise comportamento que mostram em estudos experimentais que afastar uma pessoa frágil de seus entes querido, ajuda a piorar seu estado de saúde e humor?

https://amenteemaravilhosa.com.br/experimento-harlow-teoria-do-apego/

https://pt.sainte-anastasie.org/articles/psicologa/el-experimento-de-harlow-y-la-privacin-materna-sustituyendo-a-la-madre.html

Voltando, entro na sala de UTI e vejo aquele ser que fez e faz parte ativa de minha vida ali desacordada, em seu estado mais frágil, como nunca vi antes. Logo minha vó, uma mulher forte e cheia de vontades, daquelas que só faz as coisas no seu tempo (para tudo; comer, tomar banho, e etc. Somente no tempo dela, e nem insista!), estava ela lá sem condição de dizer “não quero isso/ quero aquilo!”. Obvio que isso, por si só, já nos deixou completamente atordoados, sensibilizados, emocionados… Principalmente este que vos escreve. Este que não consegue lembrar de sua infância feliz sem ter sua vó nessas lembranças. Este que foi cuidado como filho querido, na ausência de sua guerreira mãe, enquanto esta precisava trabalhar e viajar longe do filho.

Aproximei-me e, mesmo desacordada, falei com ela, torcendo para que seu inconsciente captasse minha voz, meu carinho, meu afeto, meu amor. Em seguida me afastei e fui conversar com o médico plantonista que estava com um dos bens mais preciosos da família em suas mãos. Queria entender o prognóstico, conduta medicamentosa, enfim, um quadro geral de minha vó. E vou colocar, com o máximo de fidedignidade como foi com esse dialogo.

Ele, o médico, estava sentado, com fones de ouvido, afastado das enfermeiras, uma demonstração inconsciente de “sou superior a vocês e não quero ser incomodado”, mas tentei evitar analisa-lo. Esse não era o momento. Portanto, repreendi meu cérebro psicólogo.  E segui;

-Olá, tudo bem? Sou neto da paciente Maria Paula – Ele não estava me ouvindo e nem tinha me visto porque estava de cabeça baixa escrevendo alguma coisa no celular, com fones no ouvido. Então passei a mão em seu campo de visão para que notasse minha presença. Ele me viu, tirou UM fone de ouvido, voltou a escrever no celular e disse voltando a mexer no celular, de cabeça ainda baixa;

– Oi, pode falar.

– Certo, eu sou neto da paciente Maria Paula e …

– Ahn? Maria Paula? – Me cortou, olhou para mim 2 segundos com expressão confusa.

– Sim, Maria Paula – Dai apontei para o leito dela.

-Ahhhhhh, a paciente “leito 1” – Esse era o novo nome de minha vó. Não era mais um ser humano, com uma história de vida, importante para toda família, era apenas um número.

Tratar um número é diferente de tratar de gente. Embora, me veio a cabeça, depois de toda cena ocorrida, que aquele médico tinha menos empatia que o professor mais duro de matemática que tive no colegial. Lá estava eu, com a cara inchada, olhos vermelhos, abalado, tentando ensinar algo a ele que talvez a faculdade não o ensinou; a tratar as pessoas por seu nome, como dizia Jung “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”

–  Sim, a paciente Maria Paula – Corrigi educadamente.

– Sim, sim, o que você quer saber? – Perguntou, escrevendo no celular, com apenas 1 ouvido me escutando o outro escutando sua música.

– Bom, queria saber como está o quadro dela e a conduta medicamentosa (quais medicações estavam utilizando nela, quais sedativos…) – Ele ainda de cabeça baixa perguntou;

– Você é médico?

– Não, sou psicólogo – Respondi sem entender o porquê da pergunta.

– Então não adianta explicar para você, você não vai entender nada. – Bom, eu poderia explicar que na psicologia se estuda E MUITO o corpo humano, fisiologia, anatomia, psicofarmacologia, neurociências… podia explicar que, apesar de não ser médico, tinha alguma inteligência para compreender algo, caso ele tivesse a boa vontade me explicar… Lembrei que as pessoas mais inteligentes do planeta conseguem explicar as teorias mais complicadas da física quântica como se fosse algo simples e, exatamente por esse motivo,  são inteligentes; Porque conseguem repassar o conhecimento complicado de uma forma simples e acessível e você capta sem precisar ser um físico.

– Doutor, o senhor pode me mostrar o prontuário dela (já que você não quer se incomodado, permita-me pelo menos ler o que está sendo feito com minha velhinha)? – Ele, dessa vez, parou o chat, me olhou levantando a sobrancelha, narinas infladas, bufando, levantando o canto da boca (microexpressões faciais de puro desprezo) e disse:

-A paciente leito 1 está com o mesmo quadro da manhã – Disse como se eu soubesse qual era esse “mesmo quadro da manhã” e como se fosse algo obvio, porque pacientes que estão na UTI não alteram o quadro da manha para a tarde, certo? ( estou sendo sarcástico) – E está tomando as mesmas medicações da manhã – completou e voltou para o mais importante; não dá atenção as pessoas.

Eu podia deixar minha natureza humana tomar o seu curso e explodir ali. Afinal, raiva e indignação são emoções básicas humanas que estão ali por um sentido evolutivo de sobrevivência, portanto, em muitos momentos, podem ser usadas de forma positiva, como por exemplo; Mostrar pra ele o que Dra. Nise, uma das maiores psiquiatras do mundo (brasileira) fez em uma explosão de raiva ao notar que enfermeiros e médicos estavam tratando as pessoas de forma cruel, desrespeitosa, e indiferente, ela disse:  “essas pessoas não são lixos!! Não são objetos!! São seres humanos e são amadas e importantes para outras pessoas! Além do mais, são essas pessoas que pagam o salário de vocês e, para que lembrem disso, a partir de hoje, quero que chamem essas pessoas de clientes!”.

Sim, eu podia deixar o espirito de Nise tomar conta de mim, porém, isso não ia ter serventia alguma para aquele ser. Percebi isso no primeiro “paciente leito 1”. Eu não ia conseguir fazer brotar nele empatia, inteligência para explicar algo “difícil”… Tratava-se, talvez, de alguém sem preparo emocional para cuidar da vida de outras pessoas. Alguém já na fase de UTI emocional, em burnout. Portanto, se ele não foi empático com minha dor, eu iria ser com o possível problema dele. Retirei-me. “Parei de incomodar” e voltei para minha amada vó. Ia ser mais útil, naquele momento, estando com ela, do que virando Hulk naquela sala.

Enquanto acariciava a testa fria e pálida de minha velhinha, segurando sua mão, me veio um pensamento automático que me deixou muito angustiado “Se esse hospital caro, particular, está com esse médico dessa forma (despreparado e/ou doente), como será que estão os médicos dos hospitais públicos que recebem um volume extraordinariamente maior do que este?”. Aquele médico estava tomando conta de 7 leitos apenas e, claramente, já não cuidava de pessoas, cuidava de números.

Eu precisava fazer algo. Não podia ficar imparcial diante daquela horrível experiência. Decidi que precisava compartilhar essa experiência com meus leitores. Também decidi, ao lembrar de Freud que falava que a dor é uma ótima ferramenta para mudar as pessoas, que precisava abrir uma ocorrência na ouvidoria daquele hospital a respeito da conduta médica daquele sujeito. E que precisava abrir também uma ocorrência de sua conduta também no conselho regional de medicina. Essa seria minha melhor colaboração e oportunidade de mudança que daria para a vida daquele sujeito. Se ele não mudasse pelo amor, iria mudar pela dor, de toda forma, para o bem dele, ele teria que mudar. Consegui até imaginar Freud dizendo; “vá em frente!”.

Comentei com minha mãe do ocorrido. A resposta automática dela ( preocupada com a saúde de sua mãe) foi; “entendo meu filho, é assim mesmo, mas não vamos criar problemas, afinal, é ele quem está cuidando da mamãe. É igual ao reclamar da comida para o garçom, ele pode cuspir no prato”.

Ela estava certa? Talvez (geralmente ela está), mas, talvez, também seja por isso que temos hoje tantos médicos que deveriam ser mecânicos de oficina, ou torneiros, ou açougueiros… tudo menos médicos; porque as pessoas encontram-se reféns dessa má conduta e, ao não fazer nada, acabam perpetuando essa eterna má conduta.

Então é preciso sim começar essa mudança. Por isso, caro leitor, caso esteja passando por algo semelhante, sugiro que faça sua parte nessa mudança; vá na ouvidoria (todo hospital tem; publico ou privado), pegue o nome do médico, seu número de CRM (que é fornecido pelo próprio hospital) e faça sua reclamação ( reclame também no conselho regional de medicina do seu estado, basta dá um google para ver os números de telefone). Essa reclamação pode ser anônima também. Dessa forma, essas pessoas de jalecos que estudaram a vida inteira para cuidar e respeitar a vida, podem ter uma oportunidade de rever seus conceitos, de procurar ajuda.

Hoje, 80% de meus pacientes são médicos. E percebo a evolução dessas pessoas como profissionais, como pessoas, como seres humanos. Gostaria muito que todo médico fizesse terapia, essa seria uma maravilhosa forma de não ficar dessensibilizado com a dor dos outros, com a vida humana, de não entrar em parafuso (burnout), de não tratar as pessoas como números, como mercadoria, de tornar-se médicos melhores, diferenciados, com inteligência (e preparo) emocional, pois, hoje, o que percebi, nessa triste experiência, é que quem está em UTI é aquele médico, não minha velhinha.

André Barbosa

Orgulhosamente; Psicólogo Clínico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Por André Barbosa em burnout, médico indiferente

08 de setembro de 2019

 

Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Quando quem está na UTI não é o paciente (de risco de vida), mas o médico saudável.

Este é um relato pessoal.

Enfim chegou o dia em que todos um dia temos que enfrentar, mas ninguém nunca nos preparou: ver um ente querido, lutando por sua vida em um leito de UTI.

Este dia chegou para mim. Tive que ir visitar minha amada vó, que, mesmo aos 100 anos de idade, há 3 semanas, ela, ainda saudável e em casa, lembrava as pessoas (mesmo com Alzheimer) de tomar seu remédio da pressão “se eu não tomar isso, eu posso morrer!”.  Ela que, em outra ocasião, acordou minha mãe, no meio da madrugada,  dizendo que estava com muito frio e pediu outro cobertor. Quando minha mãe foi colocar o cobertor em cima dela, ela mandou tirar de cima dela imediatamente porque “esse cobertor parece uma mortalha e eu não estou morta!”. Esses são apenas alguns dos relatos que trago para enfatizar o quanto minha amada vó ama a vida. Digo isso também para coibir determinados pensamentos automáticos de “Ah, mas ela ja viveu muito… “, como se viver muito fosse um ato egoísta de se manter vivo.

Pois bem, conhecedor da influencia do estado emocional para melhoria (ou para piora) do estado de saúde que sou, já me assustou, de cara, ver pessoas, nesse momento mais crítico da vida, afastadas de seus entes queridos. Explicaram que toda UTI era assim e que tem a ver com contaminação. Ok, até entendo. Mas é para isso que servem o uso protocolar de EPIs (avental, máscaras, luvas…), ou não?

Será que com o avanço da medicina ainda não conseguiram perceber que o conforto de estar perto de alguém que se ama, produz neurotransmissores que ajudam a relaxar mais poderosos que muitas das drogas que se aplicam nesses pacientes? Que isso ajuda a produzir mais anticorpos pela queda do cortisol (hormônio estressor)?  Será que nunca estudaram 1 parágrafo sequer das teses básicas da analise comportamento que mostram em estudos experimentais que afastar uma pessoa frágil de seus entes querido, ajuda a piorar seu estado de saúde e humor?

https://amenteemaravilhosa.com.br/experimento-harlow-teoria-do-apego/

https://pt.sainte-anastasie.org/articles/psicologa/el-experimento-de-harlow-y-la-privacin-materna-sustituyendo-a-la-madre.html

Voltando, entro na sala de UTI e vejo aquele ser que fez e faz parte ativa de minha vida ali desacordada, em seu estado mais frágil, como nunca vi antes. Logo minha vó, uma mulher forte e cheia de vontades, daquelas que só faz as coisas no seu tempo (para tudo; comer, tomar banho, e etc. Somente no tempo dela, e nem insista!), estava ela lá sem condição de dizer “não quero isso/ quero aquilo!”. Obvio que isso, por si só, já nos deixou completamente atordoados, sensibilizados, emocionados… Principalmente este que vos escreve. Este que não consegue lembrar de sua infância feliz sem ter sua vó nessas lembranças. Este que foi cuidado como filho querido, na ausência de sua guerreira mãe, enquanto esta precisava trabalhar e viajar longe do filho.

Aproximei-me e, mesmo desacordada, falei com ela, torcendo para que seu inconsciente captasse minha voz, meu carinho, meu afeto, meu amor. Em seguida me afastei e fui conversar com o médico plantonista que estava com um dos bens mais preciosos da família em suas mãos. Queria entender o prognóstico, conduta medicamentosa, enfim, um quadro geral de minha vó. E vou colocar, com o máximo de fidedignidade como foi com esse dialogo.

Ele, o médico, estava sentado, com fones de ouvido, afastado das enfermeiras, uma demonstração inconsciente de “sou superior a vocês e não quero ser incomodado”, mas tentei evitar analisa-lo. Esse não era o momento. Portanto, repreendi meu cérebro psicólogo.  E segui;

-Olá, tudo bem? Sou neto da paciente Maria Paula – Ele não estava me ouvindo e nem tinha me visto porque estava de cabeça baixa escrevendo alguma coisa no celular, com fones no ouvido. Então passei a mão em seu campo de visão para que notasse minha presença. Ele me viu, tirou UM fone de ouvido, voltou a escrever no celular e disse voltando a mexer no celular, de cabeça ainda baixa;

– Oi, pode falar.

– Certo, eu sou neto da paciente Maria Paula e …

– Ahn? Maria Paula? – Me cortou, olhou para mim 2 segundos com expressão confusa.

– Sim, Maria Paula – Dai apontei para o leito dela.

-Ahhhhhh, a paciente “leito 1” – Esse era o novo nome de minha vó. Não era mais um ser humano, com uma história de vida, importante para toda família, era apenas um número.

Tratar um número é diferente de tratar de gente. Embora, me veio a cabeça, depois de toda cena ocorrida, que aquele médico tinha menos empatia que o professor mais duro de matemática que tive no colegial. Lá estava eu, com a cara inchada, olhos vermelhos, abalado, tentando ensinar algo a ele que talvez a faculdade não o ensinou; a tratar as pessoas por seu nome, como dizia Jung “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”

–  Sim, a paciente Maria Paula – Corrigi educadamente.

– Sim, sim, o que você quer saber? – Perguntou, escrevendo no celular, com apenas 1 ouvido me escutando o outro escutando sua música.

– Bom, queria saber como está o quadro dela e a conduta medicamentosa (quais medicações estavam utilizando nela, quais sedativos…) – Ele ainda de cabeça baixa perguntou;

– Você é médico?

– Não, sou psicólogo – Respondi sem entender o porquê da pergunta.

– Então não adianta explicar para você, você não vai entender nada. – Bom, eu poderia explicar que na psicologia se estuda E MUITO o corpo humano, fisiologia, anatomia, psicofarmacologia, neurociências… podia explicar que, apesar de não ser médico, tinha alguma inteligência para compreender algo, caso ele tivesse a boa vontade me explicar… Lembrei que as pessoas mais inteligentes do planeta conseguem explicar as teorias mais complicadas da física quântica como se fosse algo simples e, exatamente por esse motivo,  são inteligentes; Porque conseguem repassar o conhecimento complicado de uma forma simples e acessível e você capta sem precisar ser um físico.

– Doutor, o senhor pode me mostrar o prontuário dela (já que você não quer se incomodado, permita-me pelo menos ler o que está sendo feito com minha velhinha)? – Ele, dessa vez, parou o chat, me olhou levantando a sobrancelha, narinas infladas, bufando, levantando o canto da boca (microexpressões faciais de puro desprezo) e disse:

-A paciente leito 1 está com o mesmo quadro da manhã – Disse como se eu soubesse qual era esse “mesmo quadro da manhã” e como se fosse algo obvio, porque pacientes que estão na UTI não alteram o quadro da manha para a tarde, certo? ( estou sendo sarcástico) – E está tomando as mesmas medicações da manhã – completou e voltou para o mais importante; não dá atenção as pessoas.

Eu podia deixar minha natureza humana tomar o seu curso e explodir ali. Afinal, raiva e indignação são emoções básicas humanas que estão ali por um sentido evolutivo de sobrevivência, portanto, em muitos momentos, podem ser usadas de forma positiva, como por exemplo; Mostrar pra ele o que Dra. Nise, uma das maiores psiquiatras do mundo (brasileira) fez em uma explosão de raiva ao notar que enfermeiros e médicos estavam tratando as pessoas de forma cruel, desrespeitosa, e indiferente, ela disse:  “essas pessoas não são lixos!! Não são objetos!! São seres humanos e são amadas e importantes para outras pessoas! Além do mais, são essas pessoas que pagam o salário de vocês e, para que lembrem disso, a partir de hoje, quero que chamem essas pessoas de clientes!”.

Sim, eu podia deixar o espirito de Nise tomar conta de mim, porém, isso não ia ter serventia alguma para aquele ser. Percebi isso no primeiro “paciente leito 1”. Eu não ia conseguir fazer brotar nele empatia, inteligência para explicar algo “difícil”… Tratava-se, talvez, de alguém sem preparo emocional para cuidar da vida de outras pessoas. Alguém já na fase de UTI emocional, em burnout. Portanto, se ele não foi empático com minha dor, eu iria ser com o possível problema dele. Retirei-me. “Parei de incomodar” e voltei para minha amada vó. Ia ser mais útil, naquele momento, estando com ela, do que virando Hulk naquela sala.

Enquanto acariciava a testa fria e pálida de minha velhinha, segurando sua mão, me veio um pensamento automático que me deixou muito angustiado “Se esse hospital caro, particular, está com esse médico dessa forma (despreparado e/ou doente), como será que estão os médicos dos hospitais públicos que recebem um volume extraordinariamente maior do que este?”. Aquele médico estava tomando conta de 7 leitos apenas e, claramente, já não cuidava de pessoas, cuidava de números.

Eu precisava fazer algo. Não podia ficar imparcial diante daquela horrível experiência. Decidi que precisava compartilhar essa experiência com meus leitores. Também decidi, ao lembrar de Freud que falava que a dor é uma ótima ferramenta para mudar as pessoas, que precisava abrir uma ocorrência na ouvidoria daquele hospital a respeito da conduta médica daquele sujeito. E que precisava abrir também uma ocorrência de sua conduta também no conselho regional de medicina. Essa seria minha melhor colaboração e oportunidade de mudança que daria para a vida daquele sujeito. Se ele não mudasse pelo amor, iria mudar pela dor, de toda forma, para o bem dele, ele teria que mudar. Consegui até imaginar Freud dizendo; “vá em frente!”.

Comentei com minha mãe do ocorrido. A resposta automática dela ( preocupada com a saúde de sua mãe) foi; “entendo meu filho, é assim mesmo, mas não vamos criar problemas, afinal, é ele quem está cuidando da mamãe. É igual ao reclamar da comida para o garçom, ele pode cuspir no prato”.

Ela estava certa? Talvez (geralmente ela está), mas, talvez, também seja por isso que temos hoje tantos médicos que deveriam ser mecânicos de oficina, ou torneiros, ou açougueiros… tudo menos médicos; porque as pessoas encontram-se reféns dessa má conduta e, ao não fazer nada, acabam perpetuando essa eterna má conduta.

Então é preciso sim começar essa mudança. Por isso, caro leitor, caso esteja passando por algo semelhante, sugiro que faça sua parte nessa mudança; vá na ouvidoria (todo hospital tem; publico ou privado), pegue o nome do médico, seu número de CRM (que é fornecido pelo próprio hospital) e faça sua reclamação ( reclame também no conselho regional de medicina do seu estado, basta dá um google para ver os números de telefone). Essa reclamação pode ser anônima também. Dessa forma, essas pessoas de jalecos que estudaram a vida inteira para cuidar e respeitar a vida, podem ter uma oportunidade de rever seus conceitos, de procurar ajuda.

Hoje, 80% de meus pacientes são médicos. E percebo a evolução dessas pessoas como profissionais, como pessoas, como seres humanos. Gostaria muito que todo médico fizesse terapia, essa seria uma maravilhosa forma de não ficar dessensibilizado com a dor dos outros, com a vida humana, de não entrar em parafuso (burnout), de não tratar as pessoas como números, como mercadoria, de tornar-se médicos melhores, diferenciados, com inteligência (e preparo) emocional, pois, hoje, o que percebi, nessa triste experiência, é que quem está em UTI é aquele médico, não minha velhinha.

André Barbosa

Orgulhosamente; Psicólogo Clínico