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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

21 de Março de 2012

Curso de futebol a distância

Por Orlando Nunes em Crônica

21 de Março de 2012

Vou criar um curso de futebol a distância, para alunos de todas as idades, abaixo ou acima do peso, míopes ou de larga visão empreendedora. Gol de placa, sou experiente.

Era repórter esportivo, mas vi que o bom negócio é ser professor. Professor de futebol, que tem sempre uma resposta na ponta da língua. Professor de português é uma piada.

Gravei na memória a última entrevista jogada debaixo do tapete verde. Depois dela resolvi abandonar os gramados. Solta VT:

No vestiário:

– E aí, professor, o que houve com o time?
– Um clássico se decide nos detalhes.
(Sério?)

Tomamos um gol bobo, de bola parada.
(Isso me faz nostálgico. O melhor marcador de gols bobos que eu vi jogar se chamava Zico, ele jogava num time de camisas rubro-negras. Eu ficava bobo também vendo o cara fazendo tantos gols bobos. E agora o que eu faço nas tardes de domingo?)

– Como recuperar a equipe?
– Não tem nada perdido ainda, vamos levantar a cabeça.
(Aí dentro)

– O senhor estava bem nervoso, não?
– A gente trabalha a semana inteira, e vem um árbitro desses estragar tudo!?
(Por que marcam jogos para o domingo, dia do descanso, meu Deus?)

– O professor foi expulso por reclamação?
– Eu não falei nada, pô, e ele me deu um cartão vermelho? Palhaçada.
(A injustiça é muda)

– Foi um jogo com muitas faltas.
– O adversário cansou de bater, mas o cidadão de preto só marca contra a gente.
(A justiça é cega)

E se eu falar alguma coisa do juiz ainda vão querer me processar.
(Fala da mãe dele…)

– Por que o professor invadiu o campo?
– Eu fui cumprimentar o árbitro, que atuação!.
(…)

Mas esse senhor era pra ser preso.
(…)

– O senhor continua no comando da equipe?
– É claro que sim, o senhor tem algo contra?.
(Me inclua fora)

– O grupo não está rendendo…
– Criamos várias oportunidades de gol, mas a bola não quis entrar.
(Alguém está trocando as bolas)

– E quem não faz…
– O adversário fez o gol e se retrancou, abdicou do jogo.
(Também vou abdicar)

– O professor vai pedir reforço?
– É preciso qualificar o plantel, não creio em milagre.
(Homem de pôr café. Tomei um expresso e não voltei mais)

Os professores de futebol têm um discurso padrão para tudo, meu curso a distância será diferente. Na primeira aula, por exemplo, já alerto os goleiros:

As piores bolas são as que não querem entrar.

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Curso de futebol a distância

Por Orlando Nunes em Crônica

21 de Março de 2012

Vou criar um curso de futebol a distância, para alunos de todas as idades, abaixo ou acima do peso, míopes ou de larga visão empreendedora. Gol de placa, sou experiente.

Era repórter esportivo, mas vi que o bom negócio é ser professor. Professor de futebol, que tem sempre uma resposta na ponta da língua. Professor de português é uma piada.

Gravei na memória a última entrevista jogada debaixo do tapete verde. Depois dela resolvi abandonar os gramados. Solta VT:

No vestiário:

– E aí, professor, o que houve com o time?
– Um clássico se decide nos detalhes.
(Sério?)

Tomamos um gol bobo, de bola parada.
(Isso me faz nostálgico. O melhor marcador de gols bobos que eu vi jogar se chamava Zico, ele jogava num time de camisas rubro-negras. Eu ficava bobo também vendo o cara fazendo tantos gols bobos. E agora o que eu faço nas tardes de domingo?)

– Como recuperar a equipe?
– Não tem nada perdido ainda, vamos levantar a cabeça.
(Aí dentro)

– O senhor estava bem nervoso, não?
– A gente trabalha a semana inteira, e vem um árbitro desses estragar tudo!?
(Por que marcam jogos para o domingo, dia do descanso, meu Deus?)

– O professor foi expulso por reclamação?
– Eu não falei nada, pô, e ele me deu um cartão vermelho? Palhaçada.
(A injustiça é muda)

– Foi um jogo com muitas faltas.
– O adversário cansou de bater, mas o cidadão de preto só marca contra a gente.
(A justiça é cega)

E se eu falar alguma coisa do juiz ainda vão querer me processar.
(Fala da mãe dele…)

– Por que o professor invadiu o campo?
– Eu fui cumprimentar o árbitro, que atuação!.
(…)

Mas esse senhor era pra ser preso.
(…)

– O senhor continua no comando da equipe?
– É claro que sim, o senhor tem algo contra?.
(Me inclua fora)

– O grupo não está rendendo…
– Criamos várias oportunidades de gol, mas a bola não quis entrar.
(Alguém está trocando as bolas)

– E quem não faz…
– O adversário fez o gol e se retrancou, abdicou do jogo.
(Também vou abdicar)

– O professor vai pedir reforço?
– É preciso qualificar o plantel, não creio em milagre.
(Homem de pôr café. Tomei um expresso e não voltei mais)

Os professores de futebol têm um discurso padrão para tudo, meu curso a distância será diferente. Na primeira aula, por exemplo, já alerto os goleiros:

As piores bolas são as que não querem entrar.