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Arquivos junho 2012 - MAR Jangadeiro

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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

junho 2012

Respostas do Desafio de Redação

Por Orlando Nunes em Redação

30 de junho de 2012

Reescreva as frases abaixo de modo a eliminar a ambiguidade do texto.

1)      A comissão que corrigia as provas ontem divulgou nota à imprensa.

Qual a ambiguidade?

– “ontem” é uma circunstância temporal (adjunto adverbial de tempo) que modifica o verbo “corrigir” ou o verbo “divulgar”?

Da forma como a frase foi estruturada.., dupla possibilidade.

Reescrita, em nome da clareza.

A comissão que corrigia ontem as provas divulgou nota à imprensa, ou, se o sentido não era esse: A comissão que corrigia as provas divulgou ontem nota à imprensa.

2)      Seu desenvolvimento nos últimos meses tem despertado a curiosidade de muitos observadores.

A que termo modifica o adjunto adverbial “nos últimos meses”? Mistério.

Seu desenvolvimento tem despertado nos últimos meses a curiosidade de muitos observadores. (“Nos últimos meses” modifica a locução verbal “tem despertado”)

Tem despertado a curiosidade de muitos observadores seu desenvolvimento nos últimos meses. (desenvolvimento [ocorrido] nos últimos meses)

3)      Fecharam a livraria do bairro que eu costumava frequentar.

Essa construção dá margem a perguntas do tipo: “Costumava frequentar o bairro ou a biblioteca?”. Claro que podemos sair pela tangente e simplesmente responder: “Os dois”. Mas, na verdade, o que está em jogo é a clareza do enunciado.

Fecharam a livraria do bairro, a qual eu costumava frequentar.

Nesse caso, o gênero distinto de bairro (masculino) e biblioteca (feminino) possibilitou a troca simples e esclarecedora do relativo que pelo relativo qual. Se os substantivos, contudo, fossem do mesmo gênero, precisaríamos de uma chacoalhada diferente, p.ex.:.

Fecharam o museu que costumava frequentar no/naquele bairro.

4)      Sendo um fascinado por contos, meu pai me trouxe Os doze parafusos.

Quem era fascinado por contos, o pai ou o filho? Sei, sei, ambos, hehe. Mas o desafio é não dar margem a ambiguidades. Vamos lá:

a)      Sendo eu um fascinado por contos, meu pai me trouxe Os doze parafusos.

b)      Sendo meu pai um fascinado por contos, ele me trouxe Os doze parafusos.

Dúvidas? marjangadeiro@gmail.com

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Quatro dicas para não cair de quatro no Enem

Por Orlando Nunes em Dica, Redação

28 de junho de 2012

Veja as dicas para quem vai fazer a prova do Enem

1) Está estudando para o Enem? Não falte às aulas de sua escola nunca, mesmo que um temporal não previsto pela Funceme o obrigue a ir a nado, mesmo que haja greve de ônibus, mesmo que na véspera você tenha chegado às quatro da visita às bases.

SEM QUORUM
Nem sempre o sujeito oculto é compreendido, mas, na política do corpo a corpo, muita gente não vê a hora de visitar as bases.

2) No vestibular, redator bota banca. É necessário botar banca examinadora antes de entregar a prova de redação. Revise o texto, frase por frase, não conte com a possibilidade de rever sua prova batendo à porta da Justiça.

SINTAXE EM CASA
Ordem indireta, mas não falha: a Justiça tarda.

3) Leia com atenção os textos de apoio, cuidado com interpretações ao pé da letra, contextualize – conforme minha oficina do texto, nem sempre um pneu é um pneu. Não deixe para o dia da prova seu primeiro exercício de “descubra o tema”, isso é fatal.

AO PÉ DA LETRA
Paradoxo: somente para doutores; detergente: botar colarinho branco atrás das grades.

4) Facilite a leitura da banca examinadora, uma letrinha legível antes de passar para Medicina é a receita. Cuidado também com frases ambíguas, duplo sentido no Enem vale dois pontos, ambos no queixo – é bem difícil se levantar da lona antes dos dez.

Desafio de redação.

Reescreva as frases abaixo de modo a eliminar a ambiguidade do texto.

1) A comissão que corrigia as provas ontem divulgou nota à imprensa.

2) Seu desenvolvimento nos últimos meses tem despertado a curiosidade de muitos observadores.

3) Fecharam a livraria do bairro que eu costumava frequentar.

4) Sendo um fascinado por contos, meu pai me trouxe Os doze parafusos.

Envie sua proposta de correção para marjangadei@gmail.com

Sábado, comentário do blogueiro. Domingo, retorno ao PV. Ufa!

O STJD tarda, mas não falha.

Saudações.

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Discurso Dilma – Reescrita

Por Orlando Nunes em Gramática, Redação

23 de junho de 2012

Olá, leitor. Chegou o sábado da verdade, da verdade relativa, naturalmente, pois a absoluta mora no Céu (no Olimpo também, dizem, mas não estou bem certo).

Com a ajuda dos internautas que enviaram e-mails encarando o desafio de redação proposto na quinta (21), vamos às sugestões de reescrita.

RIO+20

1° parágrafo

A presidente da República, Dilma Rousseff, discursou na cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20.

1 – Letra inicial minúscula nas preposições que fazem parte do nome do evento:

A presidente da República, Dilma Rousseff, discursou na cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20.

Obs. Nenhum leitor propôs a possível e também correta forma “presidenta”.

2° parágrafo

O discurso da presidente tinha alvo certo. Mandar um recado aos países desenvolvidos que se posicionam contra à criação de um fundo para financiar o desenvolvimento sustentável nas nações mais pobres.

2 – Temos no parágrafo acima uma oração subordinada (reduzida de infinitivo). Ora, uma oração subordinada não é separa da principal por um ponto.

O discurso da presidente tinha alvo certo: mandar um recado aos países desenvolvidos…

Obs. Em vez de dois-pontos, poderíamos também usar uma vírgula.

Ainda no segundo parágrafo, o acento grave marca uma crase não existente.

“… países desenvolvidos que se posicionam contra a (e não contra à) criação de um fundo para financiar o desenvolvimento…”

Lembre-se de que a contração da preposição a com o artigo a resulta na crase à. Mas, no texto em análise, o que temos é a preposição contra e o artigo a.

3° parágrafo

Segundo ela, as promessas de financiamento elaboradas em encontros internacionais anteriores não se materializaram. Caso considerados os “níveis necessários”.

3 – Mesmo problema visto antes, uma oração subordinada separada da principal por um ponto.

Segundo ela, as promessas de financiamento elaboradas em encontros internacionais anteriores não se materializaram, caso considerados os “níveis necessários”.

4° parágrafo

Dilma lembrou de que o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, em que os países ricos teriam mais responsabilidade que os pobres na promoção do desenvolvimento sustentável, “têm sido, muitas vezes, recusadas, na prática”.

4 – Duas intervenções no parágrafo, uma relativa à regência verbal e outra relacionada à concordância verbal.

4.1 Regência do verbo “lembrar”: alguém se lembra de alguma coisa, ou alguém lembra alguma coisa [a alguém].

Lembrou-se do princípio das responsabilidades comuns, mas

Lembrou o princípio das responsabilidades comuns

4.2 Um caso de concordância: a regra é clara, o verbo concorda com o sujeito:

Dilma lembrou que o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, em que os países ricos teriam mais responsabilidade que os pobres na promoção do desenvolvimento sustentável, “tem sido, muitas vezes, recusado, na prática”.

Ou seja, “O princípio das responsabilidades comuns tem sido recusado”, e não “têm sido recusadas” A inflação de termos no plural dentro do período afetou a concordância.

É isso. Sai do chão, vem pro MAR Jangadeiro.

Dúvidas, diálogos ou desaforos: marjangadeiro@gmail.com

Abraço a todos.

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Discurso Dilma

Por Orlando Nunes em Gramática

21 de junho de 2012

Olá, navegante, pronto para enfrentar o MAR?

Eis mais um desafio de redação. Nos parágrafos a seguir foram gerados, para efeito de análise, alguns senões considerados poluidores da norma culta da língua portuguesa.

Em nome da promoção do desenvolvimento sustentável do texto, corrija-o.

RIO+20

A presidente da República, Dilma Rousseff, discursou na cerimônia de abertura da Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20.

O discurso da presidente tinha alvo certo. Mandar um recado aos países desenvolvidos que se posicionam contra à criação de um fundo para financiar o desenvolvimento sustentável nas nações mais pobres.

Segundo ela, as promessas de financiamento elaboradas em encontros internacionais anteriores não se materializaram. Caso considerados os “níveis necessários”.

Dilma lembrou de que o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, em que os países ricos teriam mais responsabilidade que os pobres na promoção do desenvolvimento sustentável, “têm sido, muitas vezes, recusadas, na prática”.

É isso, leitor. Agora livre o texto de toda inadequação gramatical que você encontrar.

Envie sua resposta para marjangadeiro@gmail.com

No sábado, correções sugeridas pelo blogueiro.

Até!

 

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Comentários sobre desafios da redação

Por Orlando Nunes em Redação

19 de junho de 2012

Chegou a hora da onça beber água (ou “de a” onça beber água, se a felina resolver usar sua língua padrão). Vamos ajustar o texto do desafio proposto aos navegantes do MAR.

REDAÇÃO À PROVA

Documento Rio+20

 O texto é amplo e generalista, mas ressalta aspectos sociais, como as parcerias para a erradicação da pobreza, a melhoria na qualidade de vida nos assentamentos, transportes e educação, além do combate a discriminação por gênero.

Mão na massa:

1 – … como as parcerias para a erradicação da pobreza, a melhoria na qualidade de vida nos assentamentos, [os] transportes e [a] educação…

Que fiz, afinal? Paralelismo: todos os elementos determinados pelo artigo, e não apenas parte deles. Ou, se preferirmos, nenhum elemento com determinante:

2 – … como parcerias para a erradicação da pobreza, melhoria na qualidade de vida nos assentamentos, transportes e educação…

3 – … combate à discriminação por gênero (fenômeno da crase).

Agora, a análise do segundo parágrafo:

Há, ainda, destaque para reafirmar todos os compromissos assumidos anteriormente. “Reafirmamos ainda nossos respectivos compromissos de outros relevantes objetivos acordados internacionalmente nos domínios econômico, social e ambiental desde 1992”.

1 – “Reafirmamos ainda nossos respectivos compromissos de outros relevantes objetivos acordados internacionalmente nos domínios econômico, social e ambiental desde 1992.”

 Olho nas aspas: quando inicio o período abrindo aspas, encerro-o com aspas (é o caso do fragmento acima). Se abro aspas no interior do período, as aspas serão fechadas antes da pontuação final. Exemplo: Segundo o relator, “o documento ainda será ajustado”.

 Então, claro como as águas do Cocó? Dúvidas: marjangadeiro@gmail.com

P.S. Na quinta (21), novo desafio.

Vou, mas volto. Abraço.

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Desafios da redação

Por Orlando Nunes em Redação

17 de junho de 2012

Nesta semana, o MAR Jangadeiro lança um desafio ao leitor do blog, pondo à prova escrita & estilo do internauta, com atenção prioritária aos aspectos gramaticais e de estrutura do texto. Vamos, portanto, ao primeiro deles. Mão na massa, manos.

REDAÇÃO À PROVA

Leia o texto abaixo e promova os ajustes que considerar necessários para deixá-lo com “a sua cara”. A ilustração guiará seu olho a um dos aspectos a ser considerados.

Envie seu comentário para marjangadeiro@gmail.com

Documento Rio+20

O texto é amplo e generalista, mas ressalta aspectos sociais, como as parcerias para a erradicação da pobreza, a melhoria na qualidade de vida nos assentamentos, transportes e educação, além do combate a discriminação por gênero.

Há, ainda, destaque para reafirmar todos os compromissos assumidos anteriormente. “Reafirmamos ainda nossos respectivos compromissos de outros relevantes objetivos acordados internacionalmente nos domínios econômico, social e ambiental desde 1992”.

P.S. Na terça (19), comentário do blogueiro e novo desafio.

Vou, mas volto. Abraço.

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Atraia seu amor com uma próclise

Por Orlando Nunes em Gramática

10 de junho de 2012

A maioria das gramáticas da língua portuguesa utilizadas no Brasil prega o padrão do Português Europeu quando o assunto é “colocação dos pronomes oblíquos átonos”.

Empurram a ênclise a custo de euro, até caírem no câmbio real.

Todo brasileirinho toma contato na escola com uma lista de palavras que, sedutoras como o quê, “atraem” o pronome para antes do verbo, no fenômeno da próclise.

Na prática, no país dos Andrades, somos todos atraídos pela próclise. A ênclise (pronome depois do verbo) sempre foi coisa de português, ou de brasileiro pernóstico.

Que o diga Oswald de Andrade:

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada

Me dá um cigarro

Pois sim. A ênclise no Brasil mora na embaixada de Portugal.

Com muito esforço os professores nos convencem, no máximo, a não iniciar a frase com o pronome oblíquo. Assim, no Dia dos Namorados, nada de “Te amo”, “Te quero muito”. Quem já se viu tamanha grosseria para iniciar uma declaração amorosa?

No Dia dos Namorados, aproxime-se do seu amor, espie bem fundo em seus olhos misteriosos de cacimba barrenta e… lasque um “Amo-te”, ou pior, “Quero-te muito”.

Não! Devo alertá-lo, amigo leitor. A bem da verdade, se você, talvez embriagado de paixão, resolvesse seguir ao pé da letra a sua gramática escolar neste momento sublime, não seria desprezível o risco da vaca ir para o brejo ou, a la Asa Branca, bater asas e voar.

Em Portugal isso funciona bem, porque lá fora o frio é um açoite. A vogal final do pronome (“te”, no caso) é praticamente um sussurro, “Amot’ ”, “Querot’ ”.

Nos trópicos, todavia, o pronome (bem mais apimentado) vem sempre antes do verbo, pois a tal vogal final é bastante assanhadinha, extrovertida.

Preferimos a sonoridade de “Tiamo em Paramoti”, à de “Âmoti em Paramoti”; preferimos o balanço de “Tiquero em Aracati”, ao de “Quéroti em Aracati”.

Então, brasileiras e brasileiros, neste Dia dos Namorados, atraiam seu amor com uma boa próclise. A seguir, a listinha perfumada de palavras atrativas da dita cuja.

Próclise

com oração que exprime um desejo:

Que Deus vos preserve no amor.

com palavras negativas:

Diz que ninguém a/o substituirá em seu coração.

com advérbio (sem vírgula):

Hoje te amo mais do que ontem.

com gerúndio precedido de preposição:

Em se tratando de paixão, a razão silencia.

com pronome relativo:

A/O jovem a que te referes merece o teu perdão.

com pronome interrogativo:

Quem lhe disse que o amor tem os pés no chão?

com pronome demonstrativo:

Isso a/o fará feliz neste dia.

com conjunção subordinativa:

Quando a/o encontrou, descobriu o melhor caminho.

É isso. O resto é ênclise, se não for mesóclise, claro.

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Junte dois substantivos e ganhe um hífen

Por Orlando Nunes em Ortografia

02 de junho de 2012

O hífen nunca foi moleza pra ninguém. Pequeno, ágil, driblador, o tracinho é matador, hu-hu, terror, o hífen é matador.

Um dos melhores marcadores de hífen no Brasil, o super-respeitado Evanildo Bechara declarou certa vez a uma emissora de rádio que o hífen era sobrecarregado de tarefas.

Em outras palavras, o grande gramático estava afirmando que ao hífen atribuíram (quem?) mil e uma funções. O tracinho cobrava escanteio e ainda corria pra cabecear.

Algo precisava ser feito.

A Reforma Ortográfica que entrou em campo no Brasil em 2009 deu uma colher de chá – determinou, ora bolas, que o hífen não cobraria mais escanteio.

Em compensação, o polivalente teria de subir mais alto na área para o cabeceio.

Seria, mal comparando, como se o Nedo Xavier, técnico do querido e idolatrado Fortaleza Esporte Clube, chamasse o baixinho Cleo Cambalhota e dissesse: “A partir de agora, você não bate escanteio, vai ficar no primeiro pau, pronto para o jogo aéreo”.

Resultado: vida de hífen continua difícil. Mas vejamos hoje ao menos um jogo-treino.

A sequência substantivo + substantivo é normalmente intermediada por algum vocábulo de conexão. Os locutores (na época do futebol romântico) diziam, por exemplo, que o jogador “subiu mais alto para cabecear o balão de couro”, nunca antes na história se ouviu, nem haveremos de ouvir, aposto, “para cabecear o balão couro”, evidentemente.

Pois é aqui onde a coruja dorme. Uma das tarefas do hífen é estabelecer a união entre dois substantivos, substituindo a preposição (aqui fora de combate com dores na barriga da perna, que perdeu dois hífens numa dividida ortográfica no mínimo maldosa).

Assim, um vale para transporte é o mesmo que um valetransporte; um tíquete para refeição é um tíqueterefeição. Mas o governo federal foi o primeiro a cuspir no prato em que comeu, e temos no papel e na prática (?) programas para todos os gostos:

Auxílio Gás, Bolsa Alimentação, Bolsa Escola, Bolsa Família, Cartão Alimentação, Vale Gás, entre outros, sempre e inexplicavelmente sem o tracinho de união.

Vou deixar a dica: há muito existe à disposição de ricos e pobres o programa Vale-Hífen. Pouco usado em Palácio, ele continua vivo, não foi queimado na Reforma, creia.

Então, camaradas redatores, uni-vos. Redator unido jamais será vencido. Não deem bola para a governança, ela quer cobrar escanteio e cabecear o balão de couro, é demais.

Vou mostrar o que podíamos ter, se déssemos bola à ortografia oficial: Auxílio-Gás, Bolsa-Alimentação, Bolsa-Escola, Bolsa-Família, Cartão-Alimentação, Vale-Gás.

Em tempo

Há um caso distinto do visto até aqui em que o segundo substantivo, funcionando como verdadeiro adjetivo, pode não vir obrigatoriamente ligado ao primeiro por meio do hífen: carreata gigante (carreata gigantesca), aluno prodígio (aluno prodigioso).

Vale dizer também que a luta continua, vou ver o jogo-treino do Leão. Um abraço.

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Junte dois substantivos e ganhe um hífen

Por Orlando Nunes em Ortografia

02 de junho de 2012

O hífen nunca foi moleza pra ninguém. Pequeno, ágil, driblador, o tracinho é matador, hu-hu, terror, o hífen é matador.

Um dos melhores marcadores de hífen no Brasil, o super-respeitado Evanildo Bechara declarou certa vez a uma emissora de rádio que o hífen era sobrecarregado de tarefas.

Em outras palavras, o grande gramático estava afirmando que ao hífen atribuíram (quem?) mil e uma funções. O tracinho cobrava escanteio e ainda corria pra cabecear.

Algo precisava ser feito.

A Reforma Ortográfica que entrou em campo no Brasil em 2009 deu uma colher de chá – determinou, ora bolas, que o hífen não cobraria mais escanteio.

Em compensação, o polivalente teria de subir mais alto na área para o cabeceio.

Seria, mal comparando, como se o Nedo Xavier, técnico do querido e idolatrado Fortaleza Esporte Clube, chamasse o baixinho Cleo Cambalhota e dissesse: “A partir de agora, você não bate escanteio, vai ficar no primeiro pau, pronto para o jogo aéreo”.

Resultado: vida de hífen continua difícil. Mas vejamos hoje ao menos um jogo-treino.

A sequência substantivo + substantivo é normalmente intermediada por algum vocábulo de conexão. Os locutores (na época do futebol romântico) diziam, por exemplo, que o jogador “subiu mais alto para cabecear o balão de couro”, nunca antes na história se ouviu, nem haveremos de ouvir, aposto, “para cabecear o balão couro”, evidentemente.

Pois é aqui onde a coruja dorme. Uma das tarefas do hífen é estabelecer a união entre dois substantivos, substituindo a preposição (aqui fora de combate com dores na barriga da perna, que perdeu dois hífens numa dividida ortográfica no mínimo maldosa).

Assim, um vale para transporte é o mesmo que um valetransporte; um tíquete para refeição é um tíqueterefeição. Mas o governo federal foi o primeiro a cuspir no prato em que comeu, e temos no papel e na prática (?) programas para todos os gostos:

Auxílio Gás, Bolsa Alimentação, Bolsa Escola, Bolsa Família, Cartão Alimentação, Vale Gás, entre outros, sempre e inexplicavelmente sem o tracinho de união.

Vou deixar a dica: há muito existe à disposição de ricos e pobres o programa Vale-Hífen. Pouco usado em Palácio, ele continua vivo, não foi queimado na Reforma, creia.

Então, camaradas redatores, uni-vos. Redator unido jamais será vencido. Não deem bola para a governança, ela quer cobrar escanteio e cabecear o balão de couro, é demais.

Vou mostrar o que podíamos ter, se déssemos bola à ortografia oficial: Auxílio-Gás, Bolsa-Alimentação, Bolsa-Escola, Bolsa-Família, Cartão-Alimentação, Vale-Gás.

Em tempo

Há um caso distinto do visto até aqui em que o segundo substantivo, funcionando como verdadeiro adjetivo, pode não vir obrigatoriamente ligado ao primeiro por meio do hífen: carreata gigante (carreata gigantesca), aluno prodígio (aluno prodigioso).

Vale dizer também que a luta continua, vou ver o jogo-treino do Leão. Um abraço.