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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

setembro 2012

As vírgulas estão de volta

Por Orlando Nunes em Gramática

30 de setembro de 2012

“A reunião sobre as desapropriações na Via Expressa entre prefeita de Fortaleza Luizianne Lins e o governador do estado Cid Gomes acabou sem nenhum consenso entre ambas as partes, nesta sexta-feira (28).”

Umas vírgulas:

A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, (usamos vírgula, porque o aposto é explicativo, diz respeito a todo o universo representado pelo termo antecedente, ou seja, prefeita de Fortaleza).

Do mesmo modo, escrevemos com vírgula: “O governador do estado, Cid Gomes”.

Fique atento: em “A prefeita Luizianne Lins” ou em “O governador Cid Gomes”, nada de vírgula, porque agora o aposto é restritivo.

Traduzindo

Em um universo formado por vários prefeitos e governadores Brasil afora, restrinjo o conceito a uma determinada prefeita e a um determinado governador.

Trocando em miúdos

– Sem vírgula

Existem muitos prefeitos no Brasil, refiro-me apenas à prefeita Luizianne.

Existem vários governadores no Brasil, refiro-me ao governador Cid Gomes.

– Com vírgula

A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, e o governador do estado, Cid Gomes (só há uma prefeita em Fortaleza e um governador no Ceará – Deus sabe o que faz).

As vírgulas estão de volta

“A reunião sobre as desapropriações na Via Expressa entre a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, e o governador do estado, Cid Gomes, acabou sem nenhum acordo entre ambas as partes nesta sexta-feira (28).”

P.S.: acrescento o artigo “a” antes de “prefeita”, troco a palavra “consenso” por “acordo” e retiro a vírgula antes do adjunto adverbial de tempo no fim da frase.

Dúvidas? Envie um e-mail para marjangadeiro@gmail.com

Boa semana.

 

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Siglas: com que caixa eu vou?

Por Orlando Nunes em Ortografia

26 de setembro de 2012

 

“A Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (DATAPREV)”

 Dica: sigla até três letras, tudo em caixa-alta – CBF, UFC, CEF, etc. Sigla com quatro ou mais letras… depende: se o amigo redator pronunciar a “dita cuja” letra por letra, escreva cada uma em caixa-alta – FGTS, INSS, SBPC. Mas se a leitura da sigla, em vez de exigir a pronúncia letra a letra, fluir com a placidez das margens do Ipiranga, só a inicial se levanta: Fetraece, Apeoc, Febraban e, antes que esqueça, Dataprev.

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Iniciar

Por Orlando Nunes em Gramática

21 de setembro de 2012

Olho no lance para não ser driblado pelo jogo de cintura do verbo iniciar.

Toque regencial:

“Alguém” inicia algo ou “algo” se inicia.

Assim, o árbitro (alguém) iniciou o jogo pontualmente às 17 horas / O jogo (algo) iniciou-se pontualmente às 17 horas, e não “o jogo iniciou” (sem o pronome “se”).

Em “o jogo iniciou-se” temos a chamada Voz Passiva Sintética (pronominal). Na Voz Passiva Analítica (ser + particípio), a estrutura seria “o jogo foi iniciado”.

Ficha técnica: não escreva, portanto, “algo iniciou”, e sim algo se iniciou ou iniciou-se.

Horário: em boa parte do Brasil, iniciar uma partida de futebol antes das 16 horas de Brasília deveria ser considerado crime contra a humanidade – estou ficando luverdense de dizer isso.

Local: o jogo iniciou-se pontualmente, logo não ocorreu no Brasil.

Até segunda, e um bom fim de semana a todos os navegantes do MAR.

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Salas de aula ou salas de aulas?

Por Orlando Nunes em Gramática

17 de setembro de 2012

Dica: quando está contida no segundo substantivo a ideia de “variedade”, “unidades” ou “indivíduos”, os dois substantivos vão para o plural.

Caixas de sapatos (unidades)

Grupos de paramilitares (indivíduos)

Espécies de minerais (variedade)

Mas, se o segundo substantivo não representa unidades, indivíduos ou variedade, mas traz a ideia de “matéria contínua”, só o primeiro substantivo flexiona-se no plural.

Caixas de cerveja (referência à matéria contínua, e não às unidades)

Caixas de cervejas (referência aos diversos tipos de cerveja)

Bancas de revista (matéria contínua)

Bancas de revistas (destaco a variedade, a diversidade de revistas)

Resposta:

Salas de aula (realço a finalidade, a aula, e não a variedade ou a quantidade de aulas)

Abraço.

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Crase: no Ceará, não tem disso não

Por Orlando Nunes em Crase

15 de setembro de 2012

Vou a ou à Antonina do Norte?.

Artigo definido anteposto a nome de cidade é tão raro quanto político corrupto na cadeia. Mas, com perdão do trocadilho, se falta artigo, ficha limpa abunda.

Quantos municípios há no Ceará? Nada mais, nada menos que 184. Quantos deles são precedidos de artigo? Caro amigo redator, salvo engano, apenas um: viva o Crato!

“O” e “A” são artigos de luxo antes de qualquer cidade do mundo, poucas os têm.

Fortaleza, e não a Fortaleza; Amontada, e não a Amontada; Antonina do Norte, e não a Antonina do Norte; Russas, Morada Nova, Missão Velha, artigo pra quê?

No Ceará, parece mesmo que só o Crato tem. E o artigo é “o”, masculino.

Uma ideia puxa outra. Ora, crase é a fusão da preposição A com outro A (o artigo feminino “a”, normalmente). Se a única cidade cearense que aceita satisfeita a anteposição de artigo é “o” Crato, qual a conclusão?

Crase: no Ceará não tem disso não. Vou a Antonina do Norte.

Atenção Redação Jangadeiro

Países não antecedidos de artigo:

Portugal, Israel, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Estados brasileiros não antecedidos de artigo:

Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Algumas  (raras) cidades famosas antecedidas de artigo:

O Porto (Portugal), o Cairo (Egito), o Rio de Janeiro e o Recife (com ou sem).

Abraço.

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O MAR vai ganhar leitores

Por Orlando Nunes em Dica

13 de setembro de 2012

Tenho três leitores fidelíssimos, Pai, Filho e Espírito Santo. Trata-se de leitores, digamos, “espontâneos”. Mas eis que chega o novo tempo.

Tempo de novos leitores, os leitores “forçados” (por dever de ofício).

Explico: o blog chama-se MAR não porque seu autor fale ou escreva muita água – ao menos a ideia original não era essa. MAR, aqui, significa Manual de Apoio à Redação.

Vestibulando, não compre meu futuro livro

 Advertência: Apoio à Redação da turma bacana do Sistema Jangadeiro de Comunicação. Em outras palavras, parte das “famigeradas” dicas veiculadas no MAR pode não valer um centavo furado para alguns mortais que navegam por outros mares.

O MAR é pra Jangadeiro, o que não impede a visita de todo navegante que não enjoa.

Atualização

 O blog lançará uma mensagem toda segunda-feira, quer chova, quer faça sol. Mas é sempre bom ficar atento aos microtextos que vão ao ar a qualquer momento, como aquelas notícias-relâmpago da TV cuja vinheta nos puxa pela/a orelha.

Sábado (15) tem microtexto; segunda-feira, padronização de maiúsculas e minúsculas.

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Manual ou Manuel?

Por Orlando Nunes em Dica

06 de setembro de 2012

Todo manual de redação jornalística adverte: preposição faz mal ao sujeito.

É por isso que eles (os manuais) torcem o nariz para construções do tipo: “Está na hora dos jogadores tomarem vergonha na cara”. Na verdade, o manual não dá a mínima para a mudança de comportamento dos atletas de futebol, mas faz absoluta questão de que o jornalista escreva: “Está na hora de os jogadores tomarem vergonha na cara”.

E não adianta o eminentíssimo professor Evanildo Bechara dizer que isso é uma tremenda bobagem, um equívoco de análise. Nesse caso não é a função de sujeito (os jogadores), mas sim toda a oração infinitiva (os jogadores tomarem vergonha na cara), que está regida pela preposição. Quase todo Manual de Português é Manuel. Paciência.

Escreva, então, está na hora de os / de as / de eles / de elas… Mas fique ligado: eu falei ESCREVA, eu não disse FALE. Atenção locutores de Rádio e de TV: vocês não vão FALAR “Está na hora de os jogadores tomarem vergonha na cara”. Isso é dica para redatores. Os locutores têm a liberdade natural da fala: “Está na hora dos jogadores tomarem vergonha na cara”. Os manuais é que não tomam jeito. Exceto o MAR, claro.

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Manual ou Manuel?

Por Orlando Nunes em Dica

06 de setembro de 2012

Todo manual de redação jornalística adverte: preposição faz mal ao sujeito.

É por isso que eles (os manuais) torcem o nariz para construções do tipo: “Está na hora dos jogadores tomarem vergonha na cara”. Na verdade, o manual não dá a mínima para a mudança de comportamento dos atletas de futebol, mas faz absoluta questão de que o jornalista escreva: “Está na hora de os jogadores tomarem vergonha na cara”.

E não adianta o eminentíssimo professor Evanildo Bechara dizer que isso é uma tremenda bobagem, um equívoco de análise. Nesse caso não é a função de sujeito (os jogadores), mas sim toda a oração infinitiva (os jogadores tomarem vergonha na cara), que está regida pela preposição. Quase todo Manual de Português é Manuel. Paciência.

Escreva, então, está na hora de os / de as / de eles / de elas… Mas fique ligado: eu falei ESCREVA, eu não disse FALE. Atenção locutores de Rádio e de TV: vocês não vão FALAR “Está na hora de os jogadores tomarem vergonha na cara”. Isso é dica para redatores. Os locutores têm a liberdade natural da fala: “Está na hora dos jogadores tomarem vergonha na cara”. Os manuais é que não tomam jeito. Exceto o MAR, claro.