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Arquivos dezembro 2012 - MAR Jangadeiro

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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

dezembro 2012

O segredo da felicidade.

Por Orlando Nunes em Homenagem

31 de dezembro de 2012

Ano-novo é substantivo composto, vem daí o tracinho de união. Felicidade é simples, vem da união.

Feliz Ano-Novo, Felicidade!

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Ser ou estar, eis a questão

Por Orlando Nunes em Crônica

14 de dezembro de 2012

A dúvida: Ser ou não ser, perguntava-se Hamlet, de Shakespeare. A certeza: Não sou, estou, concluíram os políticos brasileiros.

No princípio era o verbo ser. O estar no mundo veio depois.

Meu cunhado Maia é um filósofo. Talvez devesse dizer, seguindo uma forma em alta, Maia está filósofo. Pois muito bem, no último domingo – na verdade penúltimo, uma vez que temos mais um antes do 21 de dezembro – o cunhado me revelou o calendário dos Maias.

Segundo o dito cujo, as pessoas, de modo geral, têm profunda dificuldade de interpretar os fatos, os dados, os dedos, as mãos, as cartas, ou qualquer outro jogo de azar.

Ao pé da letra, a Terra não vai para o buraco neste vinte e um vindouro. O que revela o calendário da família do Maia não passa de uma figura de linguagem, o povo ignaro é que transforma toda metáfora em uma hipérbole, em um exagero de expressão.

Tempestade em copo d’água. Alguma coisa está mesmo fora da ordem e vai, qualquer calendário paia registra isso, pros quintos dos infernos, mas não é ainda o fim da picada.

Alerto todavia os que pensam que tudo que diz o Maia é filosofia barata: o risco de vida ou de morte inerente a tal pensamento é algo que deve ser levado em conta por quem não quer pagar o pato. O mundo acaba dia 21, sim senhor, pode anotar. Mas não para todo o mundo.

O mundo vai acabar somente para algumas pessoas. A primeira pessoa do presente do indicativo do verbo ser, por exemplo, essa está com os dias contados.

O Executivo enviou a mensagem, e o Legislativo aprovou por unanimidade.

Se alguém ainda não captou o espírito de corpo, experimente então desrespeitar um político qualquer chamando-o de vereador, deputado, senador, ministro, presidente ou presidenta.

Quem o fizer ouvirá a réplica na hora:

“Não sou vereador, estou vereador; não sou deputado, estou deputado; não sou senador, estou senador; não sou ministro, estou ministro; não sou presidente, estou presidenta”.

Os políticos provam com todas as letras que é possível sim filosofar em bom português.

Filosofar é preciso, politicar não. Noutros tempos, se a questão era ser ou não ser, creditava-se ou debitava-se a pulga atrás da orelha a um determinado sujeito shakespeariano, e estávamos conversados. Mas o mundo não para, a linguagem não para.

A língua é viva, assim como os políticos.

A questão semântica agora, no Parlamento ou em Palácio, é saber quem paga a conta no fim da história – não vamos falar aqui das continhas de fim de semana na Suíça, de fim de mês no meretrício, nem mesmo nas da mega da virada, afinal político não é pessoa de primeira.

Ele é de terceira do singular, logo não vai se acabar no dia 21, segundo o calendário do Maia.

Diálogos impertinentes

“A conta, senhor vereador, senhor deputado, senhor senador, senhor ministro, senhor e senhora presidente.”

“Alto lá! Não sou vereador, não sou deputado, não sou senador, não sou ministro, não sou presidente – apenas estou.”

É essa a filosofia evoluída, não resta a menor dúvida.

Ser ou não ser já era. O ser morreu. Hoje o que resta é o não ser.

Estar é o sinônimo filosófico do não ser, do não estar nem aí, ou aqui, ou ali, a nefasta negação da onipresença sagrada e sacramentada.

Era uma vez… Ali Babá e os Quarenta Ladrões. Era, não é mais. Não sou Ali, estou Ali, eis um álibi. Não são quarenta ladrões (quantos são?), eram, estavam, simplesmente, inocentemente.

“Vossa Excelência é um corrupto!”

Essa é uma frase inadequada em se tratando de linguagem evoluída, culta. Em bom português o que temos hoje é “Vossa Excelência está corrupto!”

O calendário, ou código do Maia, o filósofo

Era uma vez um estudioso do idioma que ouvia da boca dos falantes mais cultos de uma aldeia um plural singular. O estudioso acompanhava o discurso de um político de palácio.

“Estamos muito feliz com o andar da carruagem”, “Estamos muito contente com a viagem do presidente”, “Estamos meio puto com essa maldita dor de dente”, gemia o imprudente.

As gerações mais antigas achavam que aquilo era o fim do mundo. Mas o estudioso disse não haver problema algum, aquilo tudo era só o “plural da modéstia”, uma … silepse de número.

Pois sim, misturando alhos com bugalhos, o “estou isso”, em lugar do “sou isso”, também veste a túnica branca e incorruptível da falsa modéstia.

“Ora, pare com isso, eu lá sou um ministro, apenas estou ministro, no fundo sou igualzinho a você, ou seja, um nada, um servidor.”

“Tu és pó. A única coisa que tu és, e não estás ainda, é pó.”

“Somos pó, cheiramos pó, vendemos pó, fazemos a marcha do pó, votaremos no pó, voltaremos ao pó.”

“Data venia, Excelência!”

“Estou Excelência, eu sou tu amanhã. Estamos entendidos?”

“Mas de quem é a conta da bomba que está em minha mão?”

“Disseste bem, está. Não é conta, está conta. Esta bomba não é da nossa conta, não faça um réveillon em copo d’água. Estamos em festa.”

“Então, não temos quem pague a conta, não é, Excelência?”

“Eu não sou, eu estou. Quite.”

Moral da história: estar é um modo do ser não pagar o pato. Eis a questão.

Ao menos essa é a leitura politicamente correta cunhada no calendário do Maia.

Boas festas!

 

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Respeita a polícia, meliante!

Por Orlando Nunes em Redação

05 de dezembro de 2012

Salve, Janga.

Moçada, respeite a polícia. Mas não muito. Explico: vamos procurar nos libertar das algemas do discurso policialesco nas redações de jornal. Como exemplo, vou apresentar algumas frases de escrivão de polícia e, em seguida, uma proposta de ”tradução”. Cada um pode (deve) ter a sua maneira de escrever ou “traduzir” o material colhido no quartel ou delegacia de plantão.

Vamos lá, mãos ao alto, quero dizer, mãos à obra.

Não para, não para, não para, não

… foi socorrida para o IJF – socorrida no IJF.

Batendo as botas

… não resistiu aos ferimentos e veio a óbito – morreu.

A boca do balão

A polícia estourou o cativeiro – A polícia descobriu o esconderijo.

Vítima tem nome

A vítima foi levada… – João da Silva foi levado…

Tomada dupla

Ontem uma dupla armada tomou de assalto… – Ontem dois homens assaltaram…

Vulgo

João Maria, vulgo Ratinho, evadiu-se… – João Maria, conhecido por Ratinho, fugiu…

Grandes empreendedores

… Ratinho e Sovela empreenderam fuga – Ratinho e Sovela fugiram

Efetuar

O assaltante efetuou dois disparos. – O assaltante atirou duas vezes.

No tempo das diligências

O paradeiro de Ratinho é ignorado, e a polícia está em diligências… – deleta, apaga isso. Quando a polícia encontrar o Ratinho, a gente conta toda a história, com as nossas palavras.

Hora de puxar o carro, vou de viatura.

Até!

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Respeita a polícia, meliante!

Por Orlando Nunes em Redação

05 de dezembro de 2012

Salve, Janga.

Moçada, respeite a polícia. Mas não muito. Explico: vamos procurar nos libertar das algemas do discurso policialesco nas redações de jornal. Como exemplo, vou apresentar algumas frases de escrivão de polícia e, em seguida, uma proposta de ”tradução”. Cada um pode (deve) ter a sua maneira de escrever ou “traduzir” o material colhido no quartel ou delegacia de plantão.

Vamos lá, mãos ao alto, quero dizer, mãos à obra.

Não para, não para, não para, não

… foi socorrida para o IJF – socorrida no IJF.

Batendo as botas

… não resistiu aos ferimentos e veio a óbito – morreu.

A boca do balão

A polícia estourou o cativeiro – A polícia descobriu o esconderijo.

Vítima tem nome

A vítima foi levada… – João da Silva foi levado…

Tomada dupla

Ontem uma dupla armada tomou de assalto… – Ontem dois homens assaltaram…

Vulgo

João Maria, vulgo Ratinho, evadiu-se… – João Maria, conhecido por Ratinho, fugiu…

Grandes empreendedores

… Ratinho e Sovela empreenderam fuga – Ratinho e Sovela fugiram

Efetuar

O assaltante efetuou dois disparos. – O assaltante atirou duas vezes.

No tempo das diligências

O paradeiro de Ratinho é ignorado, e a polícia está em diligências… – deleta, apaga isso. Quando a polícia encontrar o Ratinho, a gente conta toda a história, com as nossas palavras.

Hora de puxar o carro, vou de viatura.

Até!