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MAR Jangadeiro

por Orlando Nunes

Março 2013

Manual de ou da Redação?

Por Orlando Nunes em Dica

29 de Março de 2013

A contração da preposição DE com o artigo A (DA) possibilita uma particularidade semântica ao sintagma nominal “manual da redação”. Com esse recurso gramatical, informo/aviso ao leitor, por exemplo, que no referido manual encontram-se “escolhas”, “padronizações”, “decisões” de escrita DA Redação X ou Y.

Não se trata, assim, de um manual geral DE redação, mas de um conjunto de orientações dirigidas prioritariamente a um público específico, os redatores de uma determinada empresa. Dessa forma, diante de mais de uma opção correta/adequada de escrita, selecionamos uma delas, a título de padronização de escrita (ou por outro motivo).

Exemplo prático

Na escrita de numerais no Sistema Jangadeiro de Comunicação, empregamos, como princípio geral (há também as particularidades), os ordinais “de zero a dez” (isso é uma decisão editorial – e não uma lei mosaica – que constará no Manual DA Redação).

Contextualizando

“Na blitz de ontem, dez carros foram multados por estacionamento proibido”, mas

“Na blitz de ontem, 11 (e não onze) carros foram multados por estacionamento proibido”.

Leitura orientada

Dica para jornalistas: leiam o manual DA redação.

Dica para vestibulandos: leiam o manual DE redação para o vestibular.

É isso. Estou no marjangadeiro@gmail.com

Um abraço.

 

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Erramos: passar no Enem não é sopa, é água

Por Orlando Nunes em Teste simulado

25 de Março de 2013

enem

O Enem cobra (de duas cabeças) a intertextualidade

Teste (dis)simulado de

Linguagens (vale tudo, da dissertação clássica à receita culinária)

Códigos (todos são secretos, não queira espiar sua redação amanhã)

e Suas Tecnologias para rever as provas mediante recurso serão ignoradas.

Textos de apoio

TEXTO 1

O otimismo de Sinhá Vitória já não lhe fazia mossa. Ela ainda se agarrava a fantasias. Coitada. Armar semelhantes planos, assim bamba, o peso do baú e da cabeça enterrando-lhe o pescoço no corpo. Vidas Secas (1938), Graciliano Ramos

TEXTO 2

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

(…)

São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
        Águas de Março (1972), Tom Jobim

Agora, mãos à obra

O Enem cobra (de duas cabeças) a intertextualidade.

Picado e envenenado pelos instigantes textos de apoio acima copiados (Ctrl C, meu jovem), mate a cobra e mostre o PAC.

Neste (dis)simulado, vc (você, vovô) pode colar (Ctrl V, garoto) despudoradamente.

COMPREENSÃO DE TEXTO – Marque a opção verdadeira (segundo a banca).

(A) Em Vidas Secas, o autor, numa linguagem despida de adjetivos, manifesta sua visão pessimista a respeito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, na época em que o romance foi escrito (1938), passava por graves problemas de controle artificial de câmbio, emperrando na primeira marcha.

(B)  No nono capítulo de Vidas Secas, o escritor Graciliano Ramos narra a morte da cachorra Baleia, episódio este que, em virtude de sua intensidade dramática, se destaca entre os quadros quase independentes que compõem o romance.

(C)  Infere-se do texto 2 que o compositor e cantor Tom Jobim não botava muita fé na transposição de águas do Rio São Francisco, em razão da idade avançada do Velho Chico, condição esta incompatível com o ritmo acelerado do PAC.

(D) Águas de Março é uma homenagem ao Padroeiro do Ceará, São José, carinhosamente chamado de Vovô por uma devotada legião de torcedores do Alvinegro Mais Famoso de Porangabuçu, bairro do canal de acesso à primeira.

(E)  “É pau, é pedra” reflete o duro contexto de violência nos estádios de futebol brasileiros, que tem como alvo principal não as torcidas organizadas, mas sim todas as sociedades não organizadas, aquelas que não vestem a camisa do clube nos estádios e por isso conhecidas como Sociedades Anônimas.

GABARITO OFICIAL: alternativa B (de Baleia). Mas a briga é feia.

Chamem o soldado Dimas!

Abraço.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

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Gramática do Absurdo: A hiperbólica meiguice de besta

Por Orlando Nunes em Gramática

22 de Março de 2013

Passar no Enem agora é sopa (de letrinhas).

 Passar no Enem agora é sopa (de letrinhas).

No Dia Mundial da Água, iniciamos a série Passar no Enem é sopa (de letrinhas). E nem precisa de recurso ou de receita (de miojo).

Mas há controvérsia

Sem miojo não dá / Minha terra tem Palmeiras / onde canta o sabiá.

Enquanto isso, baseado (!) num período retirado (com permissão da autora) do baita (coloquialismo) livro “Amores que Matam”, de Patrícia Faur, prepare-se para a prova (!) do Enem com questões elaboradas pelo blogueiro mais li(n)do em todo o continente pelo conteúdo (metonímia). Tenho três leitoras fiéis, além de uma linha ascendente de infidelidade.

Mãos à obra:

“Quando falamos de amor, é muito difícil que

todas as pessoas se refiram a um mesmo significado.” (Patrícia Faur)

A PROVA ou APROVA?

Qual a circunstância (in)contida no adjunto adverbial do período acima?

(A)Temporal. “Quando falamos de amor” equivale semanticamente a “no tempo/momento em que falamos de amor”.

(B) Abdominal. “Quando falamos de amor” (amor verdadeiro, claro), é comum uma sensação dolorosa na “boca do estômago” (catacrese).

(C) Bestial. “Quando falamos de amor” é praticamente inevitável aquela hiperbólica meiguice de besta.

(D)Lacrimal. “Quando falamos de amor” (com segundas intenções, claro), uma de duas: ou é de chorar de rir ou de rir pra não chorar.

(E) Todas as alternativas são verdadeiras.

 

GABARITO OFICIAL: alternativa A. Mas cabe recurso, creio. Chamem o Oscar!

Grande abraço.

Estou no marjangadeiro@gmail.com

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Dimas treina à Parreira

Por Orlando Nunes em Crase

20 de Março de 2013

 

“Ex-volante Edmílson pede desculpas à Dimas Filgueiras”

 

Em língua escrita padrão formal, não usamos artigo antes de nome de pessoas. Dizemos, assim, “Dilma Rousseff visitou o Ceará”, e não “a Dilma Rousseff visitou o Ceará”.

 

Preposição A + artigo A

 

No fragmento selecionado, se fôssemos usar um artigo, este seria “O” (masculino). Noutras palavras, chance zero de crase, já que não ocorre A+A=À. Crase é matemática pura, rs.

 

Logo: “Ex-volante Edmílson pede desculpas a Dimas Filgueiras”.

 

Fique atento:

Não confundir esse caso com outro, aparentemente (aparências, nada mais) semelhante:

“Dimas Filgueiras treina à Carlos Alberto Parreira” (o Dimas, na verdade, é bem melhor).

 

Nesse caso está subentendida a palavra “moda”, “maneira”, ou seja, “Dimas Filgueiras treina à [maneira de] Carlos Alberto Parreira”. A crase, aqui, antecede ao substantivo comum, feminino e subentendido “maneira”, e não ao nome próprio “Carlos Alberto Parreira”, naturalmente.

 

É isso. Estou no marjangadeiro@gmail.com

Abraço.

 

 

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Sertanejo, agente da voz passiva

Por Orlando Nunes em Literatura

19 de Março de 2013

A ESPERANÇA É…

Hoje é dia de (esperança) de chuva no Ceará. Dia de abrir o guarda-chuvinha (ou guarda-chuvazinho) e acreditar que ainda dá inverno na raça, na roça. São José é pai, é padroeiro.

… A ÚLTIMA QUE MORRE

Se não chover, no próximo ano chove, que é ano de eleição, de promessa; há séculos é assim.

 

E há séculos é assim, porque o sujeito é inexistente com o verbo haver sinônimo de fazer indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza. Faz séculos, é assim. Faz muito calor.

 

Faz Cedro. Faz Orós. Faz Castanhão. Mas ninguém faz mais que São José!

 

Faça chuva, faça sol, aconteça o que acontecer, haver sinônimo de existir e ocorrer também não tem sujeito, por maior que seja sua oração. Haja sol e seca, objetos diretos compostos, mas não há sujeito que resolva isso. Só São José. E São José não é sujeito, é santo.

 

Santo, sim, faz chover e acontecer. Acontece que nem todos os dias de chuva é dia santo, e não chove há todos esses dias no Ceará. Isso tudo predispõe à crença em um agente da voz ativa, em um mandachuva para executar o processo verbal cabido ao sujeito, que não há.

 

Os verbos que indicam fenômenos meteorológicos são impessoais, é só reparar: relampejar, trovejar, chover, eles não têm sujeito, há séculos é assim. Quem sempre fez chover no Ceará foi São José, e o povo faz promessa todos os anos, e o político faz promessa de quatro em quatro anos, há séculos é assim. Hoje, chega. 19 de março é o xeque-mate da esperança.

 

A esperança é a última que morre, ela foi criada pelo sertanejo, agente da voz passiva.

Feliz feriado.

 

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Grande abraço.

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“Sendo que”, uma expressão dispensável

Por Orlando Nunes em Dica

18 de Março de 2013

Bom dia, Tribuna do Ceará. O assunto hoje é adequação vocabular.

 

“As celas estão com 23 presos, sendo que elas só suportam 12.“

 

A expressão sendo que pode/deve ser evitada na ligação de orações, por três motivos ao menos (todos eles de natureza estilística, de esmero da escrita).

 

1.       Por ser expressão às vezes inútil:

“As celas estão superlotadas, sendo que em algumas delas isso ocorre há muito tempo”. / “As celas estão superlotadas, algumas delas há muito tempo”

2.       Por ser mais adequado o uso de uma conjunção:

“A superlotação das celas é um problema antigo, sendo que a solução parece não ser das mais simples”. / “A superlotação das celas é um problema antigo, e a solução parece não ser das mais simples”.

3.       Por ser melhor o emprego de um pronome relativo:

“Houve vários debates na Assembleia sobre esse tema, sendo que o último deles ocorreu no mês passado”. / “Houve vários debates na Assembleia sobre esse tema, o último dos quais ocorrido no mês passado”.

 

Na frase destacada no início do post, uma conjunção dá conta do recado:

“As celas estão com 23 presos, e elas só suportam 12”.

 

É isso. Estou no marjangadeiro@gmail.com

Abraço.

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O empurra-empurra é fogo

Por Orlando Nunes em Dica

15 de Março de 2013

Bom dia, Tribuna do Ceará.

Quem é do MAR não enjoa, mas sabe que a nova Reforma Ortográfica dá uma ressaca braba. Na frente desta, a ressaca na Avenida Beira-Mar é marolinha.

 

ONDE HÁ FUMAÇA…

Como os reformistas andaram ateando o fogo da inquisição num punhado de hifens inocentes, muita gente fica compreensivelmente pirada com o tracinho de união. Resultado: feito gato escaldado, fica com medo de água fria:

“O que era para ser uma manifestação virou bate boca e empurra empurra.”

 

NADA MUDOU

Os substantivos compostos formados por dois vocábulos não foram atingidos pelas chamas da nova Reforma Ortográfica no que diz respeito ao emprego do hífen.

O bate-boca e o empurra-empurra permanecem com o tracinho de união independentemente do tamanho ou do calor do quebra-pau.

 

MAIS LENHA NA FOGUEIRA

E como fica o plural desses compostos?

 

O bate-boca (verbo + substantivo, varia somente o substantivo): Os bate-bocas.

O empurra-empurra (verbos repetidos: varia só o segundo elemento ou ambos):

Os empurra-empurras ou os empurras-empurras (correto, porém mais raro).

 

É isso, meu irmão. Né não?!

Estou no marjangadeiro@gmail.com

Um abraço

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Prato do dia: quando há vira havia

Por Orlando Nunes em Dica

14 de Março de 2013

Olá, navegante do MAR Jangadeiro, bem-vindo ao portal Tribuna do Ceará – esse nome tem história!

Aqui no blog, o papo é português com sotaque cearês. Sinta-se em casa.

 

TEMPO & MODO

“… uma tatuagem ajudou a família a reconhecer que se tratava da moça, que estava desaparecida há três dias.”

 

CORRELAÇÃO VERBAL

Quando o verbo da oração principal (ou dependente da principal) estiver no pretérito imperfeito do indicativo (cantava/vendia/partia), o verbo “haver” da oração que indica o tempo também estará neste tempo e modo (pretérito imperfeito do indicativo).

 

“A moça estava na sala de espera havia três horas.”

“Ele falava nessa possibilidade havia uns dois meses.”

 

Dica: na dúvida, substitua o verbo “haver” por “fazer”. Perceba que a forma utilizada será “fazia”, em vez de “faz”. Igualmente, o adequado será “havia”, em vez de “há”.

 

“A moça estava na sala de espera fazia (e não faz) três horas.”

“Ele falava nessa possibilidade fazia (e não faz) uns dois meses.”

 

AJUSTANDO O TEXTO:

“… uma tatuagem ajudou a família a reconhecer que se tratava da moça, que estava desaparecida havia/fazia (e não há/faz) três dias.”

 

É isso. “Né não?!”

Estou no marjangadeiro@gmail.com

 

Abraço.

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“Obrigado a todos e a todas.”

Por Orlando Nunes em Dica

08 de Março de 2013

A todos e a todas? Isso é uma grande bobagem, mas tem nome bonito, não posso negar: linguagem inclusiva.

Quando questões sociais, políticas, culturais e tal, e tal… precisam (!) ser enfrentadas com uma pitada de demagogia e outra de pseudocorreção, utilizam-se panos mornos, confetes e cartilhas politicamente corretas.

Dessa forma, não existe mais velhos numa sociedade “civilizada”, e sim pessoas na melhor idade (um velho de respeito deve detestar essa história de “melhor idade”).

E um meio velho, como pode ser civilizadamente chamado?

Eu, por exemplo, que não sou mais um jovem, posso dizer, baseado em alguma cartilha, que sou seminovo (totalmente revisado, uma beleza!)?

Outra: ouvi dizer que os carecas agora são os “capilarmente diferenciados” (já pensou na nova versão da marchinha carnavalesca: “É dos capilarmente diferenciados que elas gostam mais”).

E assim vamos vendendo gato por lebre.

Dica: todos, sim, é pronome inclusivo, coloca no mesmo saco homens e mulheres. O resto é viagem ao mundo da lua.

Para fechar, um exemplo prático, real:

Um dia me pediram para revisar um texto, mas que eu ficasse muito atento à linguagem inclusiva. Se falhasse, iria para a guilhotina (ou para outra navalha qualquer).

Muito bem. Onde houvesse a palavra cidadão, teria que constar também uma barra e a palavra cidadã; aluno(a), professor/professora, etc.

Era um texto de cinco ou seis páginas. Aquilo ficou uma desgraça. Cheio de barras, parênteses, um verdadeiro saco de gatos (e de gatas, claro).

No final, o agradecimento inevitável. Obrigado a todos e a todas. Ora, assim acaba desagradando ao português e à portuguesa. A intenção é boa; o resultado, não.

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“A mascote dos Fuzileiros Navais é um carneiro”

Por Orlando Nunes em Dica

04 de Março de 2013

Mascote: pessoa, animal ou coisa que, segundo a crença popular ou o espírito esportista, traz sorte ou felicidade – às vezes, títulos também, quando não surge uma Raposa no meio do caminho (Salve, Rei Leão do Parque dos Campeonatos, a vida segue).

Assim, temos o Leão, a Raposa, o Vovô, etc.

Mas a questão aqui é a seguinte: a mascote ou o mascote?

Segundo 99,9% dos dicionários brasileiros e portugueses, mascote é um substantivo do gênero feminino (A mascote, e não O mascote).

Ao pé da letra, diríamos que o Vovô é a mascote do Ceará, e o Leão é a mascote do Fortaleza.

Mas não há como negar que os falantes do idioma (e os torcedores de todos os times do Brasil) parecem preferir outra aplicação. Desse modo, a tendência é a de transformar mascote em substantivo comum de dois gêneros, de acordo com o gênero da pessoa, animal ou coisa que representa simbolicamente a equipe, corporação, instituição, clube, etc.

Na prática, o que vemos é

A Raposa é A MASCOTE do Campinense.

O Leão é O MASCOTE do Fortaleza.

Em todo caso, que ninguém estranhe, ao consultar um bom dicionário, o uso tradicional da língua portuguesa: “A mascote dos Fuzileiros Navais é um carneiro” (Houaiss).

É isso! Estou no marjangadeiro@gmail.com

Abraço.

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“A mascote dos Fuzileiros Navais é um carneiro”

Por Orlando Nunes em Dica

04 de Março de 2013

Mascote: pessoa, animal ou coisa que, segundo a crença popular ou o espírito esportista, traz sorte ou felicidade – às vezes, títulos também, quando não surge uma Raposa no meio do caminho (Salve, Rei Leão do Parque dos Campeonatos, a vida segue).

Assim, temos o Leão, a Raposa, o Vovô, etc.

Mas a questão aqui é a seguinte: a mascote ou o mascote?

Segundo 99,9% dos dicionários brasileiros e portugueses, mascote é um substantivo do gênero feminino (A mascote, e não O mascote).

Ao pé da letra, diríamos que o Vovô é a mascote do Ceará, e o Leão é a mascote do Fortaleza.

Mas não há como negar que os falantes do idioma (e os torcedores de todos os times do Brasil) parecem preferir outra aplicação. Desse modo, a tendência é a de transformar mascote em substantivo comum de dois gêneros, de acordo com o gênero da pessoa, animal ou coisa que representa simbolicamente a equipe, corporação, instituição, clube, etc.

Na prática, o que vemos é

A Raposa é A MASCOTE do Campinense.

O Leão é O MASCOTE do Fortaleza.

Em todo caso, que ninguém estranhe, ao consultar um bom dicionário, o uso tradicional da língua portuguesa: “A mascote dos Fuzileiros Navais é um carneiro” (Houaiss).

É isso! Estou no marjangadeiro@gmail.com

Abraço.